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Você lembra da última vez que Goyta e Americano decidiram algo? Relembre o clássico do “cai-cai”

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Depois de muitos anos, Goytacaz e Americano voltarão a decidir alguma coisa. As duas maiores equipes da cidade de Campos estarão frente a frente nesta quarta-feira (5), pela semifinal da Taça Santos Dumont, que vai acontecer em jogo único, no Estádio Aryzão. Para esquentar o clássico, decidimos relebrar a última vez que ambas equipes se enfrentaram em um confronto eliminatório.
Longe da realidade de momento, quando ambos os clubes estão na Segundona do Carioca, no já longínquo ano de 2003 Goyta e Cano disputavam a Série C do Campeonato Brasileiro. Pela segunda fase da competição nacional e valendo vaga na terceira, as equipes se enfrentaram em duelo de mata-mata disputado em dois jogos. O segundo deles, ficaria conhecido por suas polêmicas.
Caixa D’água gera desconfiança

Os tempos eram outros. Eduardo Viana, o eterno dirigente Caixa D’água, ainda era vivo (faleceu em 2006) e à época presidia a Federação de Futebol do Rio de Janeiro. Sua paixão pelo Americano sempre foi motivo muita desconfiança, e não foi diferente antes daquela partida em 2003. Dartagnan Fernandes, atual presidente do Goytacaz, também estava à frente do clube naquele ano e deu a seguinte declaração ao repórter Bernanrdo Coimbra, do Pelé.net, hoje portal Uol:

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– O Goytacaz só não leva se o resultado for fabricado e se ele (Eduardo Viana) vier a influenciar. O Eduardo Viana manipula. Nossa preocupação é em relação à arbitragem. Dentro de campo somos mais entrosados. A possibilidade maior é nossa – disse Dartagnan Fernandes antes do primeiro jogo.
O receio não se confirmou na primeira partida. Sem maiores reclamações de nenhum dos lados sobre arbitragem, o Goytacaz venceu no Aryzão pelo placar de 1 a 0 no dia 12 de outubro de 2003. Três dias depois, as equipes entraram novamente em campo, no Estádio Godofredo Cruz, casa do Americano, no jogo que ficaria marcado na história do Goyta-Cano.
“O clássico do cai cai”
O segundo jogo da decisão teve como pivô uma pessoa folclórica e conhecida por todos os que acompanham o futebol carioca. Apitou aquela partida Luiz Antônio Silva Santos, o Índio. Logo na primeira etapa do confronto, o árbitro expulsou o jogador Leandro do Goytacaz, aos 42 minutos.

Com um homem a menos, Alvianil voltou para segunda etapa e logo sentiu o baque. Wellington Jacaré foi lançado pela direita e bateu na saída do goleiro, abrindo o placar para o Americano. Revoltados, os jogadores do Goytacaz cercaram o assistente pedindo posição irregular do atleta alvinegro.

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A cofunsão se alastrou e saiu das quatro linhas. Trocedores invadiram o campo. Um deles chegou a dar um empurrão em Índio. Agressões também entre os dois times. Um membro da comissão técnica do Americano deu um soco no goleiro do Goytacaz. O caos no gramado e nas arquibancadas do Godofredo Cruz fez com que a polícia tivesse que intervir e a partida ficasse parada por 20 minutos.
Quando a bola voltou a rolar, o Goytacaz promoveu, de cara, as três substituições às quais tinha direito no jogo. Alguns minutos depois, quatro atletas do Alvianil caíram alegando sentirem lesões e não terem mais condições de disputar a partida. O árbitro Luiz Antônio Silva Santos, então, finalizou o jogo quando o cronômetro marcava oito minutos da segunda etapa.
Julgamento e Cano na terceira fase
Com toda a polêmica e um jogo que nunca acabou, a decisão foi para os tribuinais. Na Justiça Desportiva, deu Americano, que, assim, eliminou o Goytacaz do Campeonato Brasileiro. Apesar da vitória extra-campo, o Alvinegro não saiu ileso. Pelo registro de diversas invasões ao campo do Godofredo Cruz, a equipe perdeu o mando de campo na fase seguinte.
O adversário do Americano na terceira fase da Série C do Campeonato Brasileiro foi o Tupi (MG). No jogo de ida, em Juiz de Fora, goleada do Galo por 5 a 2, com quatro gols de Marinho. Na partida de volta, longe de Campos por decisão judicial, o Cano mandou o jogo em Cabo Frio com boa presença de público. A vitória magra por 1 a 0, gol de Laerte, não bastou para que o Alvinegro avançasse.
Confissão sem arrependimentos

Dartagnan Fernandes foi presidente do Goytacaz de 2002 a 2005, quando deixou o clube. Longos anos se passaram até sua volta ao cargo em 2014. Atual mandatário do Alvianil da Rua do Gás, Dartagnan Fernandes admitiu ao repórter Caio Figueiroa, do FutRio, que partiu dele e do à época vice-presidente do clube Marcos Araújo a decisão de mandar o técnico Luiz Antônio Zaluar promover as três substituições e os jogadores caírem.

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– Foi um jogo fabricado pelo Luiz Antônio Silva Santos, intencionalmente. Eu não podia aceitar uma sacanagem daquelas. Tudo aconteceu a partir de influências extra-campo do Caixa D’água – disse Dartagnan Fernandes se referindo à expulsão do primeiro tempo e ao gol do Americano na segunda etapa, segundo ele, irregular.
O presidente do Goytacaz revelou que sua intenção com o episódio era a anulação da partida e a perda de mando de campo do Americano, o que acabou acontecendo na fase seguinte da Terceira Divisão do Campeonato Brasileiro daquele ano. Agora, em 2017, Dartagnan diz que não agiria assim novamente, mas que não carrega arrependimentos.
– Temos que avaliar as situações. Hoje o futebol está mais evoluído. A arbitragem melhorou. Ainda precisa avançar muito, mas já melhorou. Hoje, eu não tomaria a mesma decisão. Na época em que aconteceu, fiz o que deveria ser feito. Não me arrependo de nada.
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