Equador prende suspeitos de assassinar promotor que investigava invasão a TV

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BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) – A polícia do Equador prendeu nesta quinta (18) dois homens suspeitos de envolvimento no assassinato do promotor que investigava a invasão de um canal de TV ao vivo por criminosos no último dia 9, quando uma série de ataques por organizações criminosas inaugurou uma nova crise de segurança no país.

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César Suárez foi morto a tiros às 13h33 desta quarta-feira (15h33 no horário de Brasília), a caminho de uma audiência judicial. Ele dirigia na avenida do Bombeiro, no norte da cidade portuária de Guayaquil, no momento em que homens dispararam contra o carro.

O veículo terminou com 18 marcas de tiro, 12 de arma longa e 6 de arma curta -o que não significa 18 tiros, porque parte dessas marcas pode ser de um mesmo projétil. Outros dois suspeitos seguem foragidos, e a polícia ainda apura os mandantes e o motivo do crime.

Em entrevista coletiva nesta quinta, a Polícia Nacional equatoriana detalhou que o promotor primeiro fez um trajeto de cinco minutos entre o prédio da Polícia Judicial, o equivalente à Polícia Civil no Brasil, e sua residência. Como era uma viagem curta, dispensou escolta.

Minutos depois, ele saiu novamente para ir à audiência, quando foi surpreendido por uma caminhonete com três pessoas. Segundo a corporação, o motorista vestia um casaco verde fosforescente usado por guardas de trânsito locais. O passageiro levava uma arma curta e o homem de trás, uma arma longa.

Eles queimaram o veículo usado no assassinato e fugiram em um táxi e em uma moto, que depois foram apreendidos pela polícia. Os dois detidos até agora são o homem que estava no banco do passageiro, que teria disparado contra o promotor, e o motorista do táxi que os teria ajudado a fugir. Um deles foi preso em um motel.

“A hipótese da Polícia Nacional é que esses criminosos pertenceriam ao grupo Chone Killer. A motivação segue em investigação e esperamos ter em breve a localização dos dois criminosos da parte de trás do veículo que foi queimado”, afirmou o general Víctor Herrera, comandante da região.

O promotor César Suárez atuava na equipe do Ministério Público especializado em crime organizado e ficava baseado em Guayaquil, maior cidade do país e um dos epicentros da crise de segurança. Ele era responsável, portanto, por investigar diversos crimes de grande repercussão.

Questionado sobre por que Suárez não tinha custódia permanente, o general afirmou que Suárez contou com proteção até 10 de maio de 2023, mas depois não renovou o pedido. “De acordo com o protocolo, ele foi comunicado 30 dias antes para a atualização da análise de risco, no entanto isso não se cumpriu, ele não solicitou”, disse.

O Ministério Público também afirmou que o promotor teria dispensado o acompanhamento da escolta armada no dia de sua morte, porque faria uma audiência por videochamada. “Um dos princípios do sistema de proteção de vítimas e testemunhas é a voluntariedade”, disse o órgão em nota.

Ele havia sido designado para apurar qual das diversas facções que atuam no país esteve por trás da invasão das instalações do canal TC Televisión no último dia 9, quando funcionários foram feitos de reféns por homens encapuzados por algumas horas. A polícia entrou no local, liberou os sequestrados e prendeu mais de dez homens.

O ataque ao canal foi o estopim que levou o presidente Daniel Noboa a decretar estado de “conflito armado interno” no país, que vive uma onda de violência relacionada ao narcotráfico há pelo menos três anos. O governo designou 22 desses grupos como “organizações terroristas”.

O episódio ocorreu dois dias depois que as autoridades perceberam que Fito, o chefe da facção Los Choneros, havia fugido da Penitenciária Regional, em Guayaquil. Ele é considerado um dos líderes criminosos mais poderosos no Equador e estava prestes a ser transferido para uma prisão de segurança máxima. As circunstâncias de sua fuga ainda são um mistério.

Outros casos de violência se disseminaram pelo país nos dias 8 e 9, com ataques a bomba, saques e o sequestro de mais de 10 policiais e de 201 funcionários penitenciários por detentos de diversas cadeias do país. Os reféns foram todos liberados no último sábado (13).

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