Biden impõe sanções a colonos judeus acusados de violência na Cisjordânia

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WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) – Os Estados Unidos vão impor sanções a indivíduos que ameaçarem a “paz, segurança e estabilidade” na Cisjordânia, anunciou a Casa Branca nesta quinta-feira (1º). O decreto tem como alvo ações de colonos judeus na região, que atingiram nível recorde no ano passado.

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As sanções financeiras miram coordenadores e participantes de atos ou ameaças de violência contra civis, intimidação de civis para que eles deixam suas casas, destruição e tomada de propriedades, e participação em atividades terroristas na Cisjordânia.

Citando uma preocupação em particular com a “violência extremista de colonos”, o assessor especial de Segurança Nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, disse em nota que o problema é uma grave ameaça a Cisjordânia, a Israel e a toda região do Oriente Médio, assim como aos interesses de segurança nacional e política externa dos Estados Unidos.

Ainda nesta quinta, o Departamento de Estado vai anunciar os primeiros indivíduos alvo das sanções.

Essas não são as primeiras sanções envolvendo o conflito mais recente no Oriente Médio. Desde os ataques perpetrados pelo Hamas em 7 de outubro, os EUA impuseram cinco rodadas de sanções contra o grupo terrorista, a mais recente na semana passada.

Em 2023, 500 palestinos foram mortos na Cisjordânia pelas forças de segurança israelenses ou por colonos, segundo as Nações Unidas. Desse total, 200 foram assassinados antes dos ataques pelo grupo terrorista Hamas em 7 de outubro -o maior número registrado em um período de dez meses desde que a ONU passou a monitorar esse número, em 2005.

Depois dos ataques, mais 300 palestinos foram mortos até 27 de dezembro, segundo a ONU.

A ordem executiva emitida por Joe Biden é uma resposta à crescente pressão que o presidente sofre por seu apoio a Israel desde a eclosão do conflito em Gaza. Inicialmente, o democrata afirmou que os EUA estavam “100%” ao lado de Tel Aviv, mas, conforme críticas à reação israelense ganharam força, a Casa Branca passou a adotar uma abordagem mais crítica.

Segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza, ligado ao grupo terrorista Hamas, quase 27 mil pessoas foram mortas pela ofensiva israelense até esta quarta (31). O país é alvo de uma denúncia de genocídio apresentada pela África do Sul na Corte Internacional de Justiça (CIJ), conhecida como Corte de Haia.

Protestos contra a abordagem de Biden são frequentes, e preocupam a Casa Branca em ano eleitoral. Na semana passada, em um comício sobre o direito ao aborto planejado para ser um gol pela campanha democrata, o presidente foi interrompido diversas vezes por manifestantes pró-Palestina que o chamavam de “Joe Genocida” e pediam o fim da ajuda americana a Israel.

O tema tem apelo especialmente junto ao eleitorado jovem. Pesquisas de intenção de voto também mostram uma desaprovação crescente à atuação do presidente no conflito no Oriente Médio entre a população negra. As duas demografias são vistas pelos democratas como cruciais para uma vitória contra Donald Trump em novembro deste ano.

A relação de Washington e Tel Aviv foi ainda mais tensionada por declarações do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, e de membros do seu governo contrárias a uma solução de dois Estados e em favor de alguma forma de controle sobre a Faixa de Gaza em um cenário pós-conflito.

O governo americano afirma que a criação de um Estado palestino é a única solução para a região, e defende que Gaza fique sob controle da Autoridade Nacional Palestina (ANP), que controla a Cisjordânia.

Na semana passada, a Corte de Haia afirmou que Israel “deverá […] tomar todas as medidas ao seu alcance para impedir a prática de todos os atos no âmbito do artigo dois da Convenção do Genocídio”, mas não determinou um cessar-fogo.

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