Zelenski troca comandante das Forças Armadas em meio a crise

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Dez dias depois de pedir para que o comandante de suas Forças Armadas na Guerra da Ucrânia deixasse o cargo, o presidente Volodimir Zelenski enfim demitiu o popular general Valeri Zalujni nesta quinta (8).

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O desfecho pretende encerrar uma crise que já durava meses, desde que ficaram evidentes as diferenças entre os dois homens. O substrato é militar, já que Zalujni e Zelenski discordavam de decisões que ao fim levaram à derrota da contraofensiva de Kiev no ano passado, e político: o general é visto como um possível candidato a substituir o presidente.

Zalujni, 50, é ainda mais bem avaliado do que Zelenski, 46. No fim do ano passado, pesquisas locais registravam aprovação de 90% para o militar, ante cerca de 75% para o presidente, que o havia escolhido para o cargo em 2021, meses antes da invasão russa da Ucrânia que completará dois anos no próximo dia 24.

O posto, que não existia antes, será ocupado pelo general Oleksandr Sirskii, 58, o comandante atual do Exército. É uma escolha natural e hierárquica, visando não desagradar ainda mais as tropas, que segundo relatos unânimes têm Zalujni como um herói.

“Um novo time de gerência assume a liderança das Forças Armadas da Ucrânia”, disse Zelenski em uma declaração em tom pouco marcial. Para fins de imagem, ambos posaram sorridentes para uma foto oficial de despedida, com direito ao V da vitória do general.

A mudança ocorre em meio aos dias mais difíceis para Kiev desde que os russos quase cercaram a capital no começo da guerra -sendo repelidos por Zalujni, então totalmente empoderado por Zelenski para tomar as decisões militares, até porque o general acreditava na invasão, ao contrário do chefe.

A derrota na contraofensiva levou a um clima de desconfiança geral, entre os aliados ocidentais que já gastaram mais de R$ 1,2 trilhão apoiando a Ucrânia, sobre a capacidade de o país resistir à Rússia.

Além disso, há cálculos políticos. O Congresso americano vem barrando, e o Senado o fez novamente na noite de quarta (7), um pacote de ajuda militar de R$ 300 bilhões prometidos pelo presidente Joe Biden aos ucranianos.

A Casa irá debater o tema novamente, mas dificilmente a ajuda passará na obrigatória análise na Câmara, dominada pela oposição republicana que quer ver Donald Trump de volta à Casa Branca na eleição de novembro.

A Ucrânia queixou-se duramente, com o assessor presidencial Mikhailo Podoliak desenhando um cenário desolador em termos de capacidades militares sem o dinheiro. Ele afirmou que, enquanto os russos têm usado 10 mil obuses de artilharia por dia, os ucranianos só conseguem disparar 2.500, racionando munição até para armas leves.

O premiê da Polônia, Donald Tusk, disse que os republicanos deveriam ter “vergonha” de bloquear a ajuda devido a motivos eleitorais. Um alívio inicial veio com o anúncio de que Uni ão Europeia iria liberar até R$ 270 bilhões, mas não em armas. Enquanto isso, em solo, a situação se agrava.

Nesta mesma quinta, as forças de Vladimir Putin lançaram um ataque por vários lados de Avdiivka, uma cidade estratégica considerada vital para o controle da região de Donetsk, no Donbass (leste ucraniano). O relato do prefeito local é de que a resistência pode ser rompida a qualquer momento.

Houve uma nova onda de ataques aéreos também na madrugada, embora menos intensa do que a da véspera.

Zalujni por ora manteve um tom de conciliação com o ex-chefe. “As tarefas de 2022 são diferentes das de 2024. Portanto, todos devem mudar e se adaptar a novas realidades. Também para ganharmos juntos”, escreveu.

O quanto isso vai durar, é incerto. Como disse à Folha de S.Paulo o biógrafo de Zelenski, Simon Shuster, a pior coisa que pode acontecer para o presidente é o general entrar na política, dada a densidade que sua oposição poderia ter.

A crise vem quase cinco meses após Zelenski trocar o ministro da Defesa, Oleksii Reznikov, criticado pela falta de sucesso na contraofensiva e escândalos no alistamento militar. Agora, Sirskii, que segundo a mídia ucraniana havia rejeitado a oferta, terá de lidar com a chamada “defesa ativa” de seu país e recursos em baixa, além de tratar da nova mobilização em discussão no governo.

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