Na manifestação, a AGU pediu o levantamento do sigilo apenas das declarações do presidente na reunião, que estão sendo investigadas em inquérito. A decisão será do relator do caso, ministro Celso de Mello. Segundo o Estadão apurou, o procurador-geral da República, Augusto Aras, deve enviar parecer ao STF no qual também pede a divulgação parcial do vídeo.
O ex-ministro Sérgio Moro alegou em depoimento que reunião expõe a tentativa do presidente da República de interferir na PF, o que está sendo alvo de investigação no inquérito.
Na terça-feira, o presidente disse que não havia citado a PF ou a família durante o encontro. “Não existe no vídeo a palavra Polícia Federal e nem superintendente”, disse o presidente na terça-feira. “Não tem investigação. Não tem família”, afirmou. Na quarta-feira, Bolsonaro disse que o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, “se equivocou” ao confirmar em depoimento que o presidente havia feito menção à instituição.
A manifestação contém transcrição de trechos da fala de Bolsonaro na reunião. Segundo relatos de pessoas que viram o vídeo da reunião, o presidente chamou a superintendência da PF no Rio de “segurança no Rio”. Bolsonaro alega, por outro lado, que se referia à sua segurança pessoal, que é feita pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI), e não pela PF.
Interferência
Bolsonaro disse aos auxiliares na reunião ministerial que não pode ser “surpreendido com notícias”. “Pô, eu tenho a PF que não me dá informações; eu tenho as inteligências das Forças Armadas que não têm informações; a ABIN tem os seus problemas, tem algumas informações, só não tem mais porque tá faltando realmente… temos problemas… aparelhamento, etc. A gente não pode viver sem informação”, afirmou.
“Então essa é a preocupação que temos que ter: a questão estratégia. E não estamos tendo. E me desculpe o serviço de informação nosso – todos – é uma vergonha, uma vergonha, que eu não sou informado, e não dá para trabalhar assim, fica difícil. Por isso, vou interferir. Ponto final. Não é ameaça, não é extrapolação da minha parte. É uma verdade”, afirmou.
Os advogados de Sérgio Moro se disseram “surpreendidos” com a manifestação da AGU. Para eles, a transcrição parcial revela “disparidade de armas”, pois demonstra que a AGU tem acesso ao vídeo, e a defesa não. Além disso, segundo a defesa, não contextualiza trechos relevantes para a adequada compreensão, como na parte da ‘segurança do RJ’. “Mesmo o trecho literal, comparado com os fatos posteriores – demissão do diretor geral da PF, troca do superintendente da PF e exoneração do MJSP – confirma que as referências diziam respeito à PF e não ao GSI”, dizem os advogados, que pedem a divulgação do vídeo em seu conteúdo integral.

