As alterações climáticas, como frio e tempo seco, características predominantes no outono/inverno, associadas à maior permanência em locais fechados, é um facilitador para o aumento da transmissão do vírus sincicial respiratório (VSR), influenza, covid-19 e bactérias. Nos últimos dois anos, Campos mantém uma estabilização do número de pacientes com Síndrome Respiratórias Agudas Graves (SRAG) — acima dos 300 casos por ano — o que reforça ainda mais a necessidade de vacinação dos grupos prioritários.
De acordo com o subsecretário de Vigilância em Saúde, o infectologista Rodrigo Carneiro, esse patamar acima do esperado foi observado após o fim da pandemia do SARS-CoV-2. Especificamente em 2024, o município alcançou 303 notificações de SRAG, sendo que 212 necessitaram de internação em UTI. Desse total, 31 evoluíram para óbito. Já em 2025, foram 304 notificações, sendo que 161 foram internados em UTI. Desses, 15 evoluíram para óbito.
“Esses pacientes necessitam de intervenção, de terapia intensiva. Normalmente são pacientes graves, onde muitos deles evoluem para ventilação invasiva e, infelizmente, com alguns óbitos”, explica.
O especialista esclarece que os pouco mais de 300 casos anuais são doenças causadas por viroses respiratórias, entre as quais se destacam: influenza, coronavírus e vírus sincicial respiratório. Ainda segundo Carneiro, é possível reduzir essas SRAG, uma vez que há vacinas para influenza e coronavírus para aqueles grupos de risco, além de anticorpos que diminuem a morbidade do VSR, como nirsevimabe e palivizumabe, aplicados para bebês prematuros e a vacina para a grávida a partir da 28ª semana gestacional.
“É importante que a população, principalmente os grupos de maior risco, como idosos, crianças pequenas, gestantes e indivíduos com comorbidades graves, problemas na imunidade, não deixem de se vacinar e/ou utilizar a droga contra o vírus sincicial respiratório. Isso vai levar a uma diminuição das internações e dos óbitos”, orienta Rodrigo.
Além da vacinação, que é a principal forma de prevenção contra vírus e bactérias, outras medidas preventivas devem ser adotadas pela população, principalmente neste período de outono e inverno, estações nas quais a incidência de doenças virais costuma aumentar.
“Recordando o período da pandemia, as doenças respiratórias se propagam por meio do contato próximo, através de gotículas e aerossóis, ou pelo contato com superfícies contaminadas. Nesse contexto, recomenda-se a higienização frequente das mãos, evitar permanecer por longos períodos em locais com grande concentração de pessoas. A adoção dessas medidas contribui significativamente para a redução do número de indivíduos infectados por vírus e bactérias de transmissão respiratória. Além disso, reitero a importância da vacinação contra aquelas doenças para as quais as vacinas estão disponíveis”, completou.
Quanto à importância de tomar a vacina influenza anualmente, Rodrigo Carneiro explica: “O vírus da gripe sofre mutações ao acaso, mas algumas dessas mutações têm a capacidade de ser transmitida de um paciente para outro. Então é importante que seja feita a vigilância de quais são as principais cepas do vírus que estão circulando para que os laboratórios possam atualizar as vacinas de acordo com as cepas que predominam. E, assim, todo ano temos uma vacina nova e nós evitamos que o número de casos da doença aumente, já que imunizamos a população com as principais cepas circulantes”, disse. A vacina com as cepas de 2026 já estão disponíveis nas unidades de saúde.


