Os resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025 colocaram a maioria dos cursos de Medicina do Norte e Noroeste Fluminense em situação considerada insatisfatória. Entre as instituições avaliadas na região, apenas a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), campus Macaé, obteve nota acima do mínimo exigido, alcançando conceito 4. As demais faculdades localizadas em Campos dos Goytacazes, Itaperuna e Bom Jesus do Itabapoana receberam nota 2, patamar classificado como insatisfatório.
A análise foi divulgada na segunda-feira (19) pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Ministério da Saúde (MS). O Enamed utiliza a mesma escala do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), que varia de 1 a 5, sendo as notas 1 e 2 consideradas inadequadas. Os cursos que obtiveram esse desempenho poderão sofrer sanções regulatórias, como redução do número de vagas ofertadas e restrições ao acesso a programas federais, entre eles o Fies. Nenhuma instituição do estado do Rio de Janeiro alcançou a nota máxima na avaliação.
Entre os cursos avaliados, a Faculdade de Medicina de Campos (FMC) recebeu nota 2, assim como a Universidade Iguaçu (UNIG), campus Itaperuna, o Afya Centro Universitário de Itaperuna e o Centro Universitário FAMESC, em Bom Jesus do Itabapoana.
Criado pelo MEC em abril do ano passado, o Enamed substituiu o Enade na avaliação dos cursos de Medicina. A nova prova ampliou o número de questões, passando de 40 para 100, e tornou a participação obrigatória para todos os estudantes concluintes da graduação. A partir de 2026, o exame também será aplicado aos alunos do quarto ano do curso.
Em nota oficial, a Faculdade de Medicina de Campos questionou a metodologia do Enamed e contestou o uso do resultado para fins sancionatórios. A instituição afirmou que nem todos os estudantes participaram da prova, sendo avaliados apenas alunos do 11º e 12º períodos, além de destacar que algumas questões foram anuladas. A FMC também ressaltou que o curso obteve nota máxima no processo de renovação de reconhecimento em 2025, conduzido de acordo com o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes).
Segundo a instituição, uma avaliação única, teórica e padronizada não é suficiente para medir integralmente a formação médica, que envolve competências clínicas, desempenho prático, postura ética, comunicação, trabalho em equipe, inserção no Sistema Único de Saúde (SUS) e compromisso social. A faculdade ainda afirmou que há questionamentos formais sobre a metodologia adotada, a definição de critérios após a aplicação da prova e o uso dos resultados, apontando possível afronta à Lei nº 10.861/2004, que rege o Sinaes.


