Nesta terça-feira (2), a delegada adjunta da 134ª Delegacia de Polícia do Centro, Madeleine Dykeman, concedeu uma coletiva de imprensa para detalhar as investigações sobre o caso de feminicídio seguido de suicídio registrado no Parque Califórnia, em Campos dos Goytacazes. Segundo a Polícia Civil, o crime foi premeditado por Ruan Henrique Oliveira de Souza, de 29 anos, contra a ex-companheira Camile Barbosa Duarte Antunes, de 30 anos.
Imagens de câmeras de segurança obtidas pela investigação mostram o momento em que Ruan entra na residência da vítima, por volta das 7h22, logo após os filhos do casal saírem para a escola. Cerca de uma hora depois, às 8h15, ele deixa o imóvel de forma calma, mesmo apresentando uma mancha em uma das pernas, indicando possível lesão. Em seguida, retorna ao local.
De acordo com a delegada, a perícia apontou que Camile foi surpreendida enquanto estava na cama e não houve sinais de luta corporal. O corpo apresentava múltiplas lesões na nuca, nos seios e nas mãos. Marcas de sangue também foram encontradas no carro de Ruan Henrique.
“Nós verificamos que ele tinha uma lesão no joelho e, em conversa preliminar com o perito que esteve no local, constatamos que a vítima foi surpreendida na cama, ou seja, não houve nenhum tipo de briga. A lesão no joelho pode ter sido causada por ele mesmo durante os golpes que desferiu contra a vítima”, explicou Madeleine.
Ainda segundo a investigação, após matar a ex-companheira, com quem teve um relacionamento de 15 anos e dois filhos gêmeos, Ruan deixou a residência e foi até o carro buscar, possivelmente, a corda utilizada para tirar a própria vida. A delegada destacou a frieza do agressor nas imagens analisadas pela polícia.
A Polícia Civil também revelou que Camile já vinha sofrendo agressões e ameaças. Segundo relatos de pessoas próximas, em fevereiro deste ano ela teria sido agredida pelo ex-companheiro, ficando com um dos olhos roxos. Há cerca de duas semanas, ele também teria ameaçado a vítima com uma arma de fogo, afirmando que iria matá-la e depois cometer suicídio.
“A gente acredita ter sido um revólver. Essa arma não foi localizada, apesar das buscas no interior da casa, mas foi isso que a vítima confidenciou a pessoas próximas. Ela estava com muito medo e, mesmo tendo se separado, ele não aceitava o término da relação”, afirmou a delegada.
Apesar das agressões anteriores, não havia registros de violência doméstica feitos pela vítima na delegacia. Madeleine Dykeman aproveitou a coletiva para fazer um alerta às mulheres que vivem relacionamentos abusivos.
“Estamos diante de mais um crime bárbaro contra a mulher, no qual ela já temia pela vida. O feminicídio não começa no dia da morte. Ele começa no ciúme excessivo, no controle econômico e emocional. Por medo, essa mulher muitas vezes prefere o silêncio. É necessário que as vítimas denunciem”, destacou.
Como o autor morreu no local e não há indícios de participação de terceiros, o inquérito seguirá apenas para conclusão das circunstâncias do crime. Os celulares do casal foram apreendidos e passarão por perícia.

