O Ministério Público estadual (MPRJ) e a Polícia Civil fazem, desde o início da manhã desta quinta-feira, uma operação contra desvios do Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas) na Secretaria Municipal de Saúde do Rio. O esquema movimentou cerca de R$ 6 milhões em superfaturamento e contratação de fornecedores “laranjas” em contratos da OS com a pasta.
Dentre os alvos, está o ex-dirigente do instituto, Luis Eduardo da Cruz, que foi preso em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. A esposa dele, Simone Amaral da Silva Cruz, também foi capturada no mesmo endereço.
Ao todo, cinco pessoas foram presas; são elas:
1. Luis Eduardo da Cruz, empresário: ex-dirigente do Iabas
2. Simone Amaral da Silva Cruz, esposa de Luis Eduardo
3. Marcos Duarte da Cruz, irmão de Luis Eduardo
4. Adriane Pereira Reis: apontada como “testa de ferro” de Luis Eduardo e Simone
5. Francesco Favorito Sciammarella Neto, empresário
Os agentes também cumprem vários mandados de busca e apreensão, no Rio e em São Paulo.
ATUAÇÃO
De acordo com as investigações, o Iabas foi criado pelo grupo com o falso pretexto de prestar serviços públicos na área da Saúde, sendo usado, na verdade, para centenas de crimes de peculato (cometido por servidor para benefício próprio) e lavagem de dinheiro. A operação de hoje mira “uma fração reduzida de fornecedores” que agem de forma criminosa com a OS.
Somente em contratos com a Secretaria de Saúde da capital, foram desviados mais de R$ 6 milhões, que deveriam ter sido usados em exames laboratoriais, jardinagem nas unidades de saúde, locação de veículos e manutenção predial por quatro fornecedores.
Ainda segundo o Ministério Público, após a formação sob organização social, o Iabas captou contratos com a administração pública. Com os valores recebidos, o instituto encaminhava a contratação dos serviços e aquisições para empresas pré-selecionadas comandadas pelo próprio grupo. Os desvios eram feitos através de pagamentos superfaturados ou sem contraprestação.
A lavagem do dinheiro superfaturado era feita através da simulação de empréstimos, transações financeiras e pagamentos de cheques fracionados, que tinham como destinatários finais funcionários ou parentes de Luis Eduardo e seu filho Daniel Murici Cruz, também investigado.
Além do Rio, o Iabas também firmou contratos com o Governo do Mato Grosso do Sul e a capital de São Paulo. Em abril deste ano, a organização já havia recebido aproximadamente R$ 5,2 bilhões de dinheiro público em contratos nos três estados.

