Excesso de jogos, shows e mudança climática influenciam no debate sobre grama natural e artificial

LUCAS BOMBANA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O embate entre grama natural e grama sintética no futebol, reavivado nesta semana após manifestação conjunta de jogadores, envolve questões esportivas, financeiras e ambientais.

 

No protesto contra os campos sintéticos, atletas evitaram citar o suposto risco maior de lesões no piso artificial -algo que, segundo profissionais da área, não tem comprovação científica. A base da crítica do grupo é que o gramado usado nos estádios de Palmeiras, Athletico e Botafogo muda a dinâmica do jogo.

“Em nenhum momento falamos que a nossa briga é por isso [risco de lesões]. O nosso ponto é totalmente técnico, sobre a dinâmica de jogo. O esporte é completamente diferente, futebol de society [de gramado sintético], futebol de campo, com gramado natural, é totalmente diferente”, disse o meia Lucas Moura, do São Paulo.

Profissionais do esporte assinalam que há, de fato, diferenças entre os dois gramados que causam mudanças importantes no jogo. Isso porque o tipo de piso muda o comportamento da bola.

“A grama sintética tende a proporcionar uma superfície mais uniforme e rápida, o que pode acelerar o ritmo da partida e alterar o comportamento da bola, tornando-a mais ágil e com quique diferente. Isso pode exigir dos jogadores adaptações em suas técnicas de passe, domínio e condução de bola”, afirmou Flávia Magalhães, médica do esporte com passagens por Atlético-MG, América-MG e CBF (Confederação Brasileira de Futebol).

Júlio Cerca Serrão, coordenador do Laboratório de Biomecânica da Escola de Educação Física e Esporte da USP (Universidade de São Paulo), acrescenta que a estabilidade dos jogadores em campo é um fator a ser considerado.

No sintético, ele explica, o pé do atleta tende a ficar mais preso à superfície, característica que aumenta a tração e permite que o indivíduo desenvolva mais força em seu movimento.

Por outro lado, a possibilidade de o jogador sentir uma espécie de trava no pé ao tentar se movimentar rapidamente é bem maior do que no natural, afirma Serrão.

“Quanto maior a velocidade do atleta, mais impactante ficam as diferenças do jogo entre os gramados”, disse Serrão.

No centro da discussão também está a dificuldade para se manter um gramado natural de qualidade em um estádio.

“A nossa briga é para que se tenha gramado natural de qualidade. A gente não pode tapar o sol com a peneira. Não pode simplesmente [dizer]: ‘tem gramado ruim, vamos fazer gramado sintético, pronto, acabou’. Não. Tem que ter gramado bom. As pessoas perguntam se prefiro jogar em um gramado esburacado do que no sintético. Não. Prefiro jogar em um gramado natural bom”, afirmou Lucas Moura.

Nesse aspecto, a questão é financeira e de gestão. Engenheira agrônoma especialista em gramados, Maristela Kuhn afirmou que a qualidade ruim da grama de alguns estádios se deve principalmente à falta de manutenção, orçamento e carga excessiva de uso.

Compactação do solo, apodrecimento de raízes, deficiência nutricional, diminuição no desenvolvimento foliar, aumento de pragas e doenças são alguns dos problemas que podem afetar os gramados dos estádios, acrescentou André Ferretti, engenheiro florestal e gerente de Economia da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário.

“Se tiver uma manutenção excelente do gramado, uma carga de uso reduzida e shows menores, vai ter gramados bons, e isso tem muito a ver com orçamento. Existem gramados no Brasil que têm uma excelente condição ao longo do ano inteiro. São clubes da Série A que têm poucos shows, orçamento bom e excelente manutenção”, afirma Maristela, que atende times do Campeonato Brasileiro.

Ela diz ainda que uma opção a ser considerada é seguir o modelo de estádios nos Estados Unidos, em que já há um orçamento previsto para a troca do gramado logo após a realização de um grande evento. “Quer uma carga de uso elevada? Vai precisar ter um orçamento elevado para poder recuperar ou trocar todo o gramado após o uso.”

Nos últimos anos, os clubes brasileiros têm se válido cada vez mais de eventos sem qualquer relação com o futebol para aumentar a arrecadação, sendo forçados a mandar suas partidas longe de casa.

O São Paulo, por exemplo, tem um acordo com a promotora de shows Live Nation para receber shows de artistas famosos no Morumbi que deve render cerca de R$ 15 milhões ao clube em 2025.

Como base de comparação, jogando como mandante no último clássico contra o Corinthians no fim de janeiro pelo Campeonato Paulista, o São Paulo teve uma renda bruta de aproximadamente R$ 3,3 milhões, quando quase 55 mil torcedores acompanharam a vitória do time da casa por 3 a 1.
Após um show da cantora colombiana Shakira no último dia 13, o gramado do Morumbi ficou castigado.

“Tinham algumas partes que estavam com a coloração diferente, mas a qualidade estava muito boa. E isso é uma prova que se tiver boa vontade, esforço, um pouquinho de investimento e bom senso, dá para cuidar do gramado”, afirmou Lucas Moura.

O custo menor de manutenção do gramado artificial costuma ser apontado como um de seus diferenciais.

O Athletico Paranaense, por exemplo, informou que a manutenção do gramado artificial da Ligga Arena girava em torno de R$ 200 mil por ano. Com a grama natural, apenas o gasto com energia elétrica para iluminação artificial chegava a R$ 1,2 milhão.

Ferretti citou ainda o impacto das mudanças climáticas entre as causas para a qualidade ruim dos gramados brasileiros.

Segundo ele, ao longo das últimas três décadas, houve um maior número de dias com forte calor -de menos de 10 dias por ano até o final dos anos 1980 para mais de 50 dias por ano atualmente- e uma alteração na quantidade e distribuição das chuvas, com uma redução de 10% a 40% na região nordeste, central e parte do sudeste, e aumento de 10% a 30% na região sul e em parte dos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul.

O engenheiro florestal afirmou que isso exige adaptações no manejo dos gramados, desde o solo e a irrigação, passando pela drenagem, adubação e tempo de descanso entre jogos, até a variedade da grama utilizada.

“O mesmo impacto ocorre na agricultura, o que exige adaptações no manejo das culturas, melhoramento genético das plantas, mudança das espécies cultivadas, dentre outras práticas”, diz Ferretti.

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