Entre os dias 23 e 26 de abril, período marcado por um feriado prolongado, o Hospital Ferreira Machado (HFM) registrou 93 atendimentos no setor de politrauma do pronto-socorro relacionados a vítimas de acidentes de trânsito, incluindo ocorrências ciclísticas, motociclísticas, automobilísticas e casos de atropelamento. Referência em trauma para Campos dos Goytacazes e municípios vizinhos como São Fidélis e São João da Barra, o HFM já vinha enfrentando um aumento progressivo dessas ocorrências ao longo de 2026.
Dados da unidade apontam que, somente nos três primeiros meses do ano, os acidentes com motocicletas cresceram de forma alarmante: foram 335 registros em janeiro, 373 em fevereiro e 444 em março.
“O Hospital Ferreira Machado é referência para trauma em toda a região e já vínhamos percebendo, mês após mês, esse aumento no número de acidentes, especialmente envolvendo motociclistas. Só nesses quatro dias, tivemos mais de 90 atendimentos por acidentes de trânsito no politrauma, um volume extremamente acima do normal”, destacou o diretor do pronto-socorro do Hospital Ferreira Machado e médico ortopedista, Fábio Macedo.
Apesar do uso do capacete contribuir diretamente para a redução de traumatismos cranianos, a unidade alerta para o crescimento dos traumas ortopédicos, principalmente fraturas em braços e pernas, que têm impactado diretamente a rotina hospitalar e a vida dos pacientes.
“O capacete salva vidas ao reduzir lesões graves na cabeça, mas seguimos observando um crescimento assustador dos traumas ortopédicos em membros superiores e inferiores. Uma fratura pode afastar um paciente de suas atividades por cerca de 90 dias e, quando há necessidade de cirurgia, esse período pode ser ainda mais longo. Hoje, nosso serviço de Ortopedia e Traumatologia realiza, em média, 35 cirurgias por semana, o que demonstra o tamanho dessa sobrecarga”, completou Macedo.
Entre os pacientes que vivem de perto essa realidade está João Pedro dos Santos, internado há quatro meses no Hospital Ferreira Machado após sofrer um grave acidente de moto. Ele passou 19 dias no CTI em estado grave e agora segue em recuperação após a colocação de um fixador na perna.
Ainda em tratamento, João faz um alerta para quem utiliza motocicleta diariamente e reforça a importância da prudência para proteger a própria vida e também a de outras pessoas. “Tem que se prevenir, pilotar com cuidado por você e pelos outros que também estão na pista”, aconselhou.


