Influência dos franceses na história de Campos é tema de livro
Com acesso gratuito, a obra aborda como os imigrantes e descendentes franceses participaram da história e do desenvolvimento da cidade em diferentes áreas; lançamento acontece nesta segunda-feira (13), às 17h, na Casa de Cultura Villa Maria.
De piratas, missionários e fazendeiros a notáveis professores, artistas e industriais. São fragmentos do livro “Os Franceses em Campos dos Goytacazes (Sec. XVI-XXI)”, lançado pela Editora da UENF em março. A obra trata dos imigrantes que escolheram Campos como destino e interpreta a maneira como delinearam os limites físicos, culturais e sociais do município. O livro está disponível em formato ebook no site da Editora da UENF e o lançamento oficial acontece nesta segunda-feira (13), às 17h, na Casa de Cultura Villa Maria.
O livro foi organizado pelo professor francês Laurent Vidal e pelas brasileiras Maria Isabel de Jesus Chrysostomo e Teresa de Jesus Peixoto Faria, em parceria com pesquisadores locais.
Na publicação, são abordadas as contribuições dos franceses à modernização da cidade, mas também sua participação na sociedade escravocrata do século XVI ao XIX. É o que explica a professora Maria Isabel de Jesus Chrysostomo, da Universidade Federal de Viçosa (UFV).
“Abordamos a presença francesa ligada à um processo de modernização, vinculada à questão do açúcar, às modas e ao comércio. Mas o que quisemos trazer em alguns artigos é que não era só isso. A imigração dos franceses para Campos é marcada por vários problemas. Não podemos esquecer que, do século XVI até final do XIX, há uma sociedade escravocrata, seletiva, em que muitas das contradições políticas e sociais vão permanecer. A presença francesa não altera esse quadro, mas corrobora e participa”, disse Maria Isabel.
A travessia do Rio Paraíba do Sul, que hoje não conta com a interditada Ponte Barcelos Martins, foi facilitada pela criação do francês Júlio Lambert. Representante do consulado francês, ele criou na cidade um novo sistema de transporte fluvial: a barca “Pêndula”, que transportava passageiros, animais e cargas em geral utilizando a força da correnteza do rio e sendo guiada por cabos presos às margens, semelhante a um pêndulo.
Laurent Vidal, professor da Universidade de La Rochelle, contou que a ideia do livro começou com uma visita ao Arquivo Público Municipal, no distrito de Tocos, onde teve contato com a história dos franceses na cidade e na região.
“Decidimos vir para Campos em 2009 para conhecer o Arquivo Público Municipal, na época administrado pelo Carlos Freitas, que explicou sobre a memória e a presença de franceses no município. Nesta primeira e rápida estadia, nos damos conta que havia, não só em Campos, mas na região, um núcleo de franceses. Foi aí que começou o interesse pela questão da presença francesa na região de Campos. Mas o projeto do livro, que é coletivo, foi estruturado em 2020”, falou Laurent.
A professora Teresa de Jesus Peixoto Faria, da UENF, destaca a importância da colaboração das instituições de Campos responsáveis pela preservação da história local.
“Para mim, o importante nesse trabalho foi a integração com outras instituições de Campos, como o Arquivo Público, o Museu Histórico, Instituto Histórico e Geográfico. Tivemos pesquisadores, não só acadêmicos, mas outras pessoas também envolvidas. E a UENF, que nos apoiou com toda sua estrutura, reforçou muito”, disse Teresa.
Quem vai ao Museu Histórico de Campos pode se deparar com o quadro “Voluntários da Pátria”, que retrata a partida dos campistas para a Guerra do Paraguai, encomendado por vereadores ao artista franco-brasileiro Clóvis Arrault no século XIX. Os voluntários viraram nome de rua no centro da cidade e Clóvis Arrault no Parque João Maria.
Campos também teve com Julio Feydit um prefeito de origem francesa, também autor do famoso livro Subsídios para a História dos Campos dos Goytacazes.


