Israel anuncia expansão militar e diz que vai tomar partes da Faixa de Gaza

SÃO PAULO, SP E BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Israel anunciou expansão das operações militares na Faixa de Gaza, nesta quarta-feira (2), dizendo que grandes áreas do território seriam apreendidas e adicionadas às suas zonas de segurança, e que a população palestina seria retirada em larga escala desses locais.

 

“Estamos agora isolando a Faixa e aumentando a pressão passo a passo, para que eles [Hamas] nos devolvam nossos reféns. Quanto mais tempo eles se recusarem a entregá-los, mais a pressão aumentará até que o façam”, disse o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu.

“Esta noite, mudamos de marcha na Faixa de Gaza. O Exército israelense está tomando território, atingindo os terroristas e destruindo infraestrutura. E também estamos fazendo outra coisa -tomando o ‘corredor Morag’. Esta será o segundo corredor Filadélfia”, afirmou Netanyahu, em declaração por vídeo.

Morag é o nome de um antigo assentamento israelense entre Rafah e Khan Yunis em Gaza. Já o uso do termo segundo corredor Filadélfia é referência à área colada à fronteira de Gaza com o Egito, em Rafah, que já é controlada por Israel.

Netanyahu viajou à Hungria nesta quarta a convite do primeiro-ministro Viktor Orbán, em desafio ao mandado de prisão aberto contra ele no Tribunal Penal Internacional (TPI). Signatária da corte, Budapeste deveria, em tese, cumprir mandados como este, mas Orbán afirmou que não faria isso quando convidou o israelense, em novembro do ano passado.

Em comunicado, o ministro da Defesa Israel Katz disse que as retiradas ocorreriam em áreas onde havia combates, enquanto exige que o Hamas devolva os reféns israelenses como a única solução para encerrar a guerra.
Katz afirmou que a operação limparia integrantes do grupo terrorista e infraestrutura “e apreenderia grandes áreas que seriam adicionadas às zonas de segurança do Estado de Israel”.

Basem Naim, alta autoridade do Hamas, disse à agência Reuters que reféns israelenses só seriam libertados por meio de negociações, não por pressão militar.

O Exército de Israel já havia emitido avisos de remoção de palestinos em Gaza que vivem ao redor da cidade de Rafah e em direção à cidade de Khan Yunis, ambas no sul do território, indicando que eles se deslocassem para a área de Al-Mawasi, na costa, já anteriormente designada como zona humanitária.

O Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, disse que 41 pessoas foram mortas em ataques israelenses nesta quarta, com 19 pessoas, incluindo crianças, mortas em um ataque a uma clínica da ONU (Organização das Nações Unidas) usada para abrigar pessoas deslocadas.

Emissoras de rádio palestinas relataram que a área ao redor de Rafah estava quase completamente vazia após as ordens de retirada.

No local de um ataque em Khan Yunis, Rida al-Jabbour segurava um sapato pequeno e apontava para uma parede manchada de sangue enquanto relatava como um vizinho havia sido morto junto com seu bebê de três meses. “Desde o momento em que o ataque ocorreu, não conseguimos sentar, dormir ou fazer qualquer coisa”, disse ela, descrevendo como as equipes de resgate não conseguiram separar os restos mortais.

Israel retomou os ataques aéreos em Gaza no mês passado e voltou a enviar tropas por terra após dois meses de relativa calma que se seguiram à conclusão de um cessar-fogo, apoiado pelos Estados Unidos, para permitir a troca de reféns por prisioneiros palestinos em cadeias israelenses.

Centenas de palestinos foram mortos desde a retomada dos ataques, e Israel também bloqueou a entrada de a ajuda humanitária ao território sob o argumento de que o material que entrava estava sendo tomado pelo Hamas.

Os esforços liderados por mediadores do Qatar e do Egito para retomar as negociações destinadas a encerrar a guerra até agora não conseguiram progredir. A volta de operações terrestres do Exército israelense alimentou protestos em Israel, principalmente puxados por famílias de reféns, apoiadores do fim da guerra e críticos do premiê Binyamin Netanyahu.

Nesta quarta-feira, o Fórum das Famílias de Refén s disse estar horrorizado com a notícia da operação expandida em Gaza.

À medida que a operação no território palestino se intensifica, Israel também atinge alvos no sul do Líbano e na Síria, com um ataque a um comandante do Hezbollah nos subúrbios do sul de Beirute nesta terça (1º). Nesta quarta, o aeroporto de Hama, na Síria, foi alvo de bombardeio, de acordo com a agência de notícias estatal da Síria -Israel não comentou.

As ações aumentam ainda mais a tensão nas frágeis tréguas fogo que em grande parte interromperam os combates em janeiro também na frente norte do conflito mais amplo envolvendo Israel e aliados do Irã na região. Há também em andamento grande operação na Cisjordânia ocupada.

Israel invadiu Gaza após o ataque no sul do país perpetrado por milhares de homens armados liderados pelo Hamas que mataram 1.200 pessoas. Foram 251 reféns levado ao território palestino no total.

A campanha israelense matou mais de 50 mil palestinos até aqui, de acordo com autoridades de saúde palestinas ligadas ao Hamas, e devastou a Faixa de Gaza, forçando quase toda a população de 2,3 milhões de pessoas a deixarem suas casas e se deslocarem entre regiões do território em meio aos combates.

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