SĂO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Israel afirmou, nesta quarta-feira (8), que reabriu a passagem de Kerem Shalom, no sul da Faixa de Gaza, trĂȘs dias depois de fechar o local por causa de um ataque do Hamas. A agĂȘncia da ONU para refugiados palestinos, porĂ©m, contestou a informação.
“CaminhĂ”es procedentes do Egito estĂŁo chegando ao local com ajuda humanitĂĄria, incluindo alimentos, ĂĄgua, material para abrigo, medicamentos e equipamentos mĂ©dicos fornecidos pela comunidade internacional”, afirmou o ExĂ©rcito israelense. Os suprimentos entrarĂŁo no territĂłrio apĂłs uma inspeção, segundo a nota.
A porta-voz da UNRWA, Juliette Touma, afirmou Ă agĂȘncia de notĂcias AFP que a passagem nĂŁo estava aberta no meio da manhĂŁ. “Pedimos a reabertura”, afirmou ela. “NĂŁo houve fornecimentos humanitĂĄrios nos Ășltimos trĂȘs dias, começamos a racionar combustĂvel.”
A reabertura de Kerem Shalom é essencial para a população, segundo organizaçÔes humanitårias que atuam no território palestino. Com a tomada da passagem de Rafah, nesta terça-feira (7), os dois principais pontos para entrada de mantimentos em Gaza estavam fechados, e apenas um permanecia aberto -o de Erez, no norte, onde o fluxo é menor.
Na terça, Jens Laerke, porta-voz da Ocha, o escritĂłrio de ajuda humanitĂĄria da ONU, afirmou que a organização tem estoques muito baixos dentro de Gaza. “Interromper a entrada de combustĂvel por um longo perĂodo de tempo seria uma maneira muito eficaz de enterrar a operação humanitĂĄria”, afirmou ele.
Tanto a passagem de Rafah quanto a de Karem Shalom ficam no sul do território palestino, onde Tel Aviv avança com suas tropas apesar dos alertas da comunidade internacional.
Israel bloqueou a passagem de Kerem Shalom no domingo (5), quando um ataque com foguetes reivindicado pelo braço armado do Hamas deixou quatro soldados israelenses mortos e vĂĄrios feridos. Um dia depois, Tel Aviv orientou que cerca de 100 mil pessoas saĂssem da parte leste de Rafah, em um prenĂșncio da invasĂŁo terrestre da cidade, lotada de deslocados internos.
A ordem de retirada causou preocupação na comunidade internacional. O secretĂĄrio-geral da ONU, AntĂłnio Guterres, por exemplo, disse que um ataque a Rafah seria “um erro estratĂ©gico, uma calamidade polĂtica e um pesadelo humanitĂĄrio”. Com uma população de 280 mil palestinos antes da guerra, a cidade abriga atualmente cerca de 1,5 milhĂŁo de pessoas.
A iminente invasĂŁo pode ter feito os Estados Unidos, historicamente o principal aliado de Israel, tomarem uma medida concreta em relação a Tel Aviv. Um funcionĂĄrio americano disse Ă agĂȘncia Reuters que ao governo de Joe Biden interrompeu o envio de armas para Israel na semana passada em resposta ao esperado ataque a Rafah.
Sob condição de anonimato, o funcionårio disse que Washington revisou a entrega de armas que poderiam ser usadas na cidade e, como resultado, pausou o envio de um total de 3.500 bombas. A Casa Branca e o Pentågono se recusaram a comentar.
Esta seria a primeira suspensĂŁo desse tipo desde que Biden ofereceu seu “apoio inabalĂĄvel” a Israel apĂłs o ataque do Hamas, em 7 de outubro. Washington Ă© o aliado mais prĂłximo e principal fornecedor de armamento para os israelenses.

