A operação Lava-Jato pode estar cada vez mais próxima de fechar o cerco no Rio de Janeiro, e deve chegar nas duas maiores obras de Campos da última década. A Ponte Leonel Brizola, conhecida no popular como Ponte de Rosinha, e o Centro de Eventos Populares Osório Peixoto (CEPOP). A aproximação se dá com a prisão de Paulo Melo, deputado estadual pelo PMDB e sócio da construtora Oriente, envolvida nas duas obras, e do ex-chefe da Casa Civil do Estado do Rio, Régis Fichtner.
A construtora de Paulo Melo já foi citada na Lava-Jato e teve um de seus executivos presos na operação Calicute. Alex Sardinha foi considerado pelo MPF como um dos participantes de acordos “criminosos” entre a Secretaria de Obras e a Construtora Oriente. A construtora era uma das que pagavam a ‘taxa de oxigenação’ ao governador Sérgio Cabral no valor de 1% de todas as obras.
As duas obras da Oriente em Campos aconteceram na gestão de Rosinha Garotinho. A obra da ponte Leonel Brizola foi iniciada por Rosinha e concluída por Cabral, em 2007. Já o CEPOP, foi idealizado e construído durante a gestão de Rosinha na Prefeitura Municipal de Campos por um valor que chega quase aos R$ 100 milhões.
A família Garotinho inclusive já conhecia os serviços da Oriente. Em 2001, a empresa foi acusada de fraudar licitação durante a gestão de Anthony Garotinho no governo do Estado do Rio. Durante os dois anos e oito meses em que Garotinho ocupou o cargo de governador, a Oriente foi a terceira empresa que mais ganhou obras do Departamento de Estradas de Rodagem do Rio de Janeiro (DER-RJ). Ao todo, a oriente recebeu R$ 43 milhões, sendo superada apenas pela Delta Construções, com R$ 108 milhões, e pela OAS, com R$ 90 milhões.
Além das duas obras, as gestões de Rosinha e Garotinho no governo do Estado tiveram grandes obras realizadas pela Oriente e Delta. As duas, na maioria das vezes, formavam consórcios para executar as obras. A delação de Fernando Cavendish, que está travada no MPF-RJ, é apontada como uma das principais motivações para a prisão de Régis Fichtner.
O INICIO DA DELTA E O RACHA ENTRE GAROTINHO E CABRAL
A atuação da Delta em obras do governo do Estado do Rio teve início no fim dos anos 90, Cavendish se aproximou de Garotinho, que era uma novidade no mundo político. Em parceria com a Oriente Construção Civil, a Delta ganhou a concessão da estrada RJ-116, de Itaboraí a Macuco, no interior. Foi o Edital 001/99 do Departamento de Estradas de Rodagem do governo que começava. A via tem quatro postos de pedágio a preços que atualmente vão de R$ 3,90 a R$ 15,60, dependendo do tamanho do veículo, e é explorada desde então pelas duas empreiteiras.
A aproximação Cavendish com a gestão Garotinho logo no início do governo ajudou o dono da Delta na disputa com empreiteiras maiores, que passaram a ver com reservas a impetuosidade do jovem. Por vezes, o empreiteiro fixou preços supostamente abaixo do mercado, irritando concorrentes.
A primeira eleição de Cabral para governador, em 2006, ocorreu com apoio de Garotinho e de sua mulher e sucessora Rosinha. Cabral foi reeleito em 2010, mas rompeu com o casal desde 2007. O fato não afetou a posição da Delta, que ganhou no peemedebista um aliado que facilitou seu acesso ao governo federal. A proximidade com o vice-governador (e ex-secretário de Rosinha), Luiz Fernando Pezão, também foi um fator que ajudou a cacifá-la. Com o crescimento do PAC, a empresa expandiu-se nacionalmente.
A aproximação de Cavendish com Cabral, é apontada como um dos principais motivos para o rompimento de Garotinho com o grupo político do peemedebista, já que os dois episódios aconteceram exatamente na mesma époc. Em depoimento à Polícia Federal, Cabral afirmou que a empreiteira Delta Construções “faturou valores mais elevados durante a gestão da ex-governadora Rosinha Garotinho do que durante seu mandato”.

