(FOLHAPRESS) – O ministro Alexandre de Moraes leu nesta terça-feira (25) seu relatĂłrio a respeito da denĂșncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete acusados de integrarem o nĂșcleo central de uma trama golpista de 2022 e afirmou ter havido um “risco iminente” aos Poderes.
A apresentação do relatĂłrio foi seguida da manifestação do procurador-geral da RepĂșblica, Paulo Gonet, que disse que Bolsonaro intensificou discursos sobre ruptura democrĂĄtica no final de seu governo e colocou em prĂĄtica planos para se manter na PresidĂȘncia da RepĂșblica.
As manifestaçÔes fazem parte da fase inicial do julgamento na Primeira Turma do STF, que estå sendo acompanhando por Bolsonaro na primeira fila da sessão.
Cabe ao ministro-relator apresentar um relato objetivo das fases da denĂșncia e os argumentos das defesas para abrir o caso. Moraes destacou que o nĂșcleo central da trama golpista foi definido pela PGR apĂłs identificar que “deles partiram as principais decisĂ”es e açÔes de impacto social”.
“As instituiçÔes da RepĂșblica foram violadas em discursos pĂșblicos agressivos e ataques virtuais, viabilizadas pelo uso da estrutura inteligĂȘncia do Estado”, disse Moraes, lendo trechos da denĂșncia da PGR.
“AçÔes de monitoramento contra autoridades pĂșblicas colocaram em risco iminente o pleno exercĂcio dos poderes constitucionais. Os alvos escolhidos pela organização criminosa sĂł nĂŁo foram violentamente neutralizados devido Ă falta de apoio do Alto Comando do ExĂ©rcito ao decreto golpista”, completou.
Depois da leitura do relatĂłrio, o procurador-geral da RepĂșblica, Paulo Gonet, passou a falar pela acusação.
“A denĂșncia recorda que a partir de 2021 o presidente da RepĂșblica proferiu discursos em que adotou crescente tom de ruptura com a normalidade institucional. Mostrava-se descontente com decisĂ”es de tribunais superiores e com o sistema eleitoral eletrĂŽnico em vigor”, disse Gonet.
Segundo o PGR, a escalada ganhou “impulso mais notĂĄvel” apĂłs Lula (PT) tornar-se elegĂvel e os cenĂĄrios das pesquisas eleitorais mostrarem vantagem do petista ante Bolsonaro.
As defesas dos oito acusados terĂŁo 15 minutos cada, num total de duas horas.
Os ministros devem discutir ainda nesta terça argumentos preliminares levantados pelas defesas, como os pedidos de nulidade da delação de Mauro Cid e o envio do caso para o plenårio do Supremo.
A tendĂȘncia Ă© que a anĂĄlise do mĂ©rito das acusaçÔes fique para quarta-feira (26).
O julgamento do que a PGR chamou de nĂșcleo central da trama golpista trata da acusação dos rĂ©us pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado DemocrĂĄtico de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violĂȘncia e grave ameaça contra o patrimĂŽnio pĂșblico e deterioração do patrimĂŽnio tombado.
Somadas, as penas chegam a 43 anos de prisĂŁo.
Nessa fase, os ministros analisam somente se a denĂșncia apresenta indĂcios de autoria e materialidade -ou seja, se hĂĄ um mĂnimo indicativo suficiente para que os acusados respondam a um processo.
A tendĂȘncia Ă© que a Primeira Turma do Supremo receba a denĂșncia por unanimidade. Se o cenĂĄrio se confirmar, os acusados passam a responder a uma ação penal, e o processo começarĂĄ a ser instruĂdo por Moraes.
Na prĂłxima fase, os rĂ©us poderĂŁo coletar provas e relacionar testemunhas para serem ouvidas no STF. Ă neste momento que os suspeitos devem questionar o mĂ©rito das acusaçÔes feitas pela PGR -e Ă© tambĂ©m nesse perĂodo que as defesas colocam em prĂĄtica suas estratĂ©gias para adiar o julgamento do caso.
A Primeira Turma do STF Ă© composta pelos ministros Alexandre de Moraes, CĂĄrmen LĂșcia, Cristiano Zanin, FlĂĄvio Dino e Luiz Fux.
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