MPRJ realiza buscas em cinco unidades prisionais em investigação sobre o crime organizado

Foram apreendidos aparelhos celulares, pen drives, cadernos de anotação e chips de operadoras

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O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Armação dos Búzios, cumpriu, nesta quinta-feira (09/04), mandados de busca e apreensão contra investigados em cinco unidades prisionais. O objetivo da operação Controle Remoto foi localizar celulares utilizados por lideranças do crime organizado para comandar ações criminosas na Região dos Lagos, especialmente em Búzios e Cabo Frio. Foram apreendidos aparelhos celulares, pen drives, cadernos de anotação e chips de operadoras. A medida visa desarticular a cadeia de comando do tráfico na região e obter evidências de que os traficantes presos continuam praticando ilícitos mesmo durante o cumprimento da pena.

Os mandados obtidos pelo MPRJ foram expedidos pela 2ª Vara das Garantias e cumpridos pela Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ) e pela Secretaria de Estado de Polícia Penal (SEPPEN) nas seguintes unidades prisionais: Presídio Gabriel Ferreira de Castilho, Presídio Alfredo Tranjan, Presídio João Carlos da Silva, Cadeia Pública Paulo Roberto Rocha e Presídio Tiago Teles de Castro Domingues.

A promotoria requisitou as buscas no âmbito de investigação sobre o expressivo aumento dos casos de homicídios e tentativas de homicídio em Búzios, Cabo Frio e cidades próximas. As apurações apontam que a intensificação da violência, marcada por sucessivos confrontos armados, é resultado da estratégia do Comando Vermelho de expandir seu domínio territorial na região. Estatísticas recentes expõem a gravidade do cenário: em menos de dois meses, foram registrados diversos confrontos entre facções rivais, resultando em 37 pessoas baleadas, sendo dez mortas e 27 feridas.

De acordo com a Promotoria, o objetivo da facção é ampliar os lucros obtidos com o tráfico e com o controle de serviços como gás, internet e transporte. Ainda segundo o MPRJ, relatório elaborado pelo comando do 25º BPM (Cabo Frio) demonstra a estratégia das lideranças do tráfico, mesmo presas, de cooptar criminosos de grupos rivais, e na chefia das ações realizadas por integrantes em liberdade. A atuação remota dessas lideranças, principalmente por meio de aparelhos celulares, constitui o eixo central da investigação.