Padilha assume Saúde com desafio de frear crises sanitárias e emplacar marca do governo

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O médico e deputado federal Alexandre Padilha (PT) assumirá o comando do Ministério da Saúde com o desafio de frear crises sanitárias, como a da dengue, além de emplacar na pasta uma marca forte do governo Lula (PT).

 

Padilha ainda terá de lidar com a cobiça do Congresso sobre o orçamento da Saúde. Em 2024, as emendas parlamentares drenaram mais de 40% da verba empenhada para custeio e investimentos da pasta. Na passagem anterior de Padilha pela Saúde, encerrada em 2014, menos de 20% desses recursos eram direcionados por deputados e senadores.

A mudança no ministério foi confirmada na terça-feira (25) pelo Palácio do Planalto, cinco dias após a Folha de S.Paulo revelar que o presidente Lula (PT) havia decidido demitir a socióloga Nísia Trindade do comando da pasta. Atual ministro da SRI (Secretaria de Relações Institucionais), Padilha deve tomar posse no Ministério da Saúde no dia 6 de março.

A gestão de Nísia vinha sendo alvo de queixas de integrantes do Congresso, de membros do Palácio do Planalto e do próprio presidente, que chegou a fazer cobranças pela falta de uma marca forte na área.

Em momento de baixa popularidade do governo federal, o presidente deseja que a pasta torne popular programas como o Mais Acesso a Especialistas, que promete encurtar o tempo para a realização de consultas e exames especializados nas áreas de oncologia, cardiologia, oftalmologia, otorrinolaringologia e ortopedia.

Ainda há expectativa do Planalto de que o novo ministro amplie a mobilização contra crises sanitárias. A explosão de casos e mortes pela dengue gerou críticas ao governo Lula no último ano. Horas antes de ser demitida, Nísia anunciou uma parceria para produção nacional da vacina contra a dengue do Instituto Butantan, mas o registro do imunizante ainda está sob análise da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Outro ponto sensível na Saúde é a oferta de vacinas e medicamentos.

Levantamentos divulgados pela CNM (Confederação Nacional de Municípios) no fim do último ano apontaram falta de diversos modelos de imunizantes, inclusive contra a Covid. Ainda é tema de preocupação do governo o descarte de um estoque bilionário de insumos feito nos últimos anos.

Mesmo antes da confirmação da queda Nísia, integrantes do governo já negociavam as mudanças que seriam feitas na equipe do ministério sob Padilha. Ainda pediram a entidades ligadas à indústria do setor que, depois do anúncio oficial, apoiassem a nomeação.

A análise de autoridades que acompanham a transição do comando da Saúde é que Padilha deve promover mudanças na Secretaria Executiva, hoje comanda por Swedenberger Barbosa (PT), e na Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, chefiada pela epidemiologista Ethel Maciel. São pastas que lidam com temas sensíveis ao governo, como elaboração do orçamento, compras públicas e logística, além da resposta às crises sanitárias.

A atual equipe de Nísia ainda é composta por nomes que atuaram com a ministra na Fiocruz, como o secretário de Ciência e Tecnologia, Carlos Gadelha, e que também são citados entre integrantes do governo como candidatos mais fortes a deixarem a nova gestão. Entre outros temas, a pasta de Gadelha lida com as bilionárias parcerias entre laboratórios públicos e privados para a produção de vacinas e medicamentos.

Interlocutores de Padilha avaliam que o secretário de Atenção Especializada, Adriano Massudo, deve se tornar um dos principais auxiliares do novo ministro. Ele comanda o setor que executa o Mais Acesso a Especialistas e foi secretário-executivo substituto da Saúde em 2011 e 2012, durante a gestão anterior de Padilha na Saúde.

Massuda ainda participou, em 2022, da banca de doutorado do novo chefe da Saúde. Autoridades do governo avaliam que ele pode ser nomeado secretário-executivo da nova gestão, uma espécie de vice-ministro, mas a troca ainda não teria sido acertada.

Padilha ainda deve manter na pasta nomes que já trabalharam na Saúde em sua gestão anterior, encerrada no começo de 2014, como o atual secretário de Atenção Primária, Felipe Proenço.

O novo ministro também teria sinalizado que deseja nomear Eliane Cruz como chefe de gabinete, cargo que ela ocupou na passagem anterior de Padilha pelo ministério. Ela é coordenadora do setor de saúde do PT nacional.

Outra aposta no governo é que Padilha levará para a Saúde o médico Mozart Sales. Ele é o atual assessor especial na SRI e tem participado das discussões entre o governo e o Congresso sobre a liberação das emendas. O Ministério da Saúde concentra cerca de metade do valor indicado anualmente por deputados e senadores.

 

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