Quase quatro anos após o assalto que chocou Campos dos Goytacazes, a Polícia Civil concluiu o inquérito sobre o crime ocorrido na funerária Boa Viagem, em 8 de junho de 2022. O relatório final da 134ª DP foi encaminhado ao Ministério Público Estadual e resultou no indiciamento de José Fabiano Oliveira e do vigia que trabalhava na noite da ocorrência.
As informações vieram a público durante entrevista do empresário Luciano, sócio da funerária, ao radialista Barbosa Lemos, no programa Hora da Verdade, da Rádio Difusora FM. Segundo ele, a conclusão da investigação trouxe surpresa à família, que agora aguarda a decisão do Ministério Público sobre eventual denúncia à Justiça.
De acordo com o relato apresentado na entrevista, o crime aconteceu na sede da empresa, localizada na Rua Tenente Coronel Cardoso, nº 573. Na ocasião, três homens armados invadiram o local durante a madrugada, renderam funcionários e pessoas presentes e colocaram uma família que era atendida naquele momento dentro de um banheiro. O empresário destacou que a ação ocorreu em meio a um momento de luto, o que agravou o impacto emocional causado pela situação.
Ainda segundo as informações divulgadas, um familiar que aguardava do lado de fora, dentro de um carro, percebeu a movimentação suspeita e conseguiu acionar uma patrulha policial. Os suspeitos foram presos nas proximidades da funerária. Com eles, os agentes encontraram R$ 159.199 em dinheiro, além de outros materiais citados no inquérito.
Durante o programa, foi lembrado que, desde a época do crime, havia a suspeita de que os assaltantes tinham conhecimento prévio sobre a presença de dinheiro em caixa, utilizado para pagamento de funcionários. Conforme a investigação, esse possível vazamento de informações passou a ser apurado com base em imagens de câmeras de segurança, depoimentos e outras provas, que levaram ao indiciamento do ex-sócio e do vigia.
Um dos pontos destacados por Luciano diz respeito à atuação do vigia na noite do crime. Segundo ele, as imagens analisadas indicariam que o funcionário não foi colocado no banheiro com as demais vítimas, permaneceu com o celular nas mãos e não teria acionado a polícia durante a ação. Para a empresa, esses elementos contribuíram para sustentar o indiciamento.
O empresário também ressaltou o impacto pessoal do caso. Ele afirmou que José Fabiano é parente da família e foi sócio da empresa por vários anos. Após desentendimentos societários, segundo Luciano, o ex-sócio teria criado um plano funerário concorrente com nome semelhante, situação que acabou sendo levada à Justiça. Ainda de acordo com o relato, o contexto de conflitos teria contribuído para o desgaste emocional de seu pai, Cláudio Rangel, que sofreu um AVC e morreu em julho de 2024.
Sobre os próximos passos, Luciano afirmou que cabe ao Ministério Público e à Justiça avaliar as provas reunidas pela Polícia Civil. Ele disse não fazer julgamentos antecipados, mas defendeu que o caso seja totalmente esclarecido. Segundo ele, caso a inocência dos investigados seja comprovada, isso deve ser reconhecido; por outro lado, se houver confirmação de participação, os responsáveis devem responder pelos atos.
O material mencionado durante a entrevista também aponta que um dos envolvidos no assalto permanece preso, enquanto outros já teriam sido soltos e voltado a responder por novos episódios.
O caso segue agora sob análise do Ministério Público, encerrando uma etapa da investigação sobre um crime que teve grande repercussão no município.


