A Praia do Farol de São Tomé, em Campos dos Goytacazes, foi palco da primeira caminhada de filhotes de tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) deste ano, marcando mais uma etapa do ciclo de conservação marinha no Norte Fluminense. A ação ocorreu no dia 16 de janeiro e foi divulgada pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) nesta segunda-feira (26).
Ao todo, 40 filhotes seguiram em direção ao mar sob os olhares atentos de cerca de 200 pessoas que acompanharam o momento. A atividade foi promovida pelo Inea em parceria com a Fundação Projeto Tamar e contou com apoio logístico e operacional do Parque Estadual da Lagoa do Açu (Pelag).
A tartaruga-cabeçuda é classificada como vulnerável à extinção, e o processo de desova no litoral da região é monitorado ao longo de todo o ano por agentes ambientais. Os ninhos localizados fora da área protegida são, sempre que necessário, transferidos para dentro dos limites do Pelag, garantindo maior segurança aos ovos. Após a eclosão, os filhotes passam por contagem e, em seguida, participam da caminhada até o oceano, acompanhada pela população.
De acordo com o secretário de Estado do Ambiente e Sustentabilidade, Bernardo Rossi, apoiar ações como essa vai além de um gesto simbólico. “Apoiar a soltura das tartarugas que hoje são classificadas como vulneráveis é fazer parte do ciclo de vida de uma espécie ameaçada e cumprir nossa missão de proteger o meio ambiente fluminense”, afirmou.
As caminhadas costumam ser realizadas às sextas-feiras durante o mês de janeiro, com possibilidade de extensão para fevereiro, dependendo da quantidade de ninhos identificados. A liberação dos filhotes acontece quando técnicos da Fundação Projeto Tamar confirmam um número significativo de tartarugas prontas para serem introduzidas ao mar, transformando a atividade em uma importante ação de educação ambiental e sensibilização da comunidade.
A iniciativa integra o Programa de Monitoramento de Tartarugas Marinhas (PMTM), desenvolvido pela Porto do Açu Operações em parceria com a Fundação Projeto Tamar e as empresas Ferroport, Vast e GNA, sob coordenação da Reserva Caruara. Desde 2008, o programa monitora 62 quilômetros de faixa de areia, do Pontal de Atafona, em São João da Barra, até a Barra do Furado, em Campos, área considerada prioritária para a desova da espécie.
O Parque Estadual da Lagoa do Açu possui 8.249,12 hectares e abrange áreas dos municípios de Campos dos Goytacazes e São João da Barra. A unidade de conservação tem como um de seus principais objetivos preservar um dos mais ricos e bem conservados remanescentes de vegetação de restinga do estado do Rio de Janeiro.
*Matéria com informações do Inea*


