A quadrilha presa pela Polícia Federal nesta sexta-feira (8) em Campos, por fraudar a previdência usava exames de uma idosa de mais de 70 anos com problemas cardíacos para conseguir o auxílio-doença do INSS. Imagens exibidas pelo Jornal Nacional nesta quarta-feira mostra ainda que o esquema envolvia também pessoas que fingiam problemas ortopédicos.
Segundo as investigações da PF, o filho da idosa foi quem teve a ideia de usar a saúde precária da mãe para a realização do esquema de fraude. Ainda de acordo com a PF, a quadrilha recrutava pessoas saudáveis que fingiam estar doentes e apresentavam o exame da mulher à perícia como se fosse delas.
Servidores do INSS, inclusive médicos peritos, participavam do golpe e autorizavam o auxílio-doença no valor máximo, segundo as investigações. A quadrilha pagava a contribuição durante um ano para ter direito ao teto da previdência, que é de cerca de R$ 5,5 mil. Os fraudadores ficavam com R$ 3,5 mil e pagavam entre R$ 500 e R$ 1,5 mil por mês aos falsos doentes.
De acordo com o delegado, Vinícius Venturini, oito intermediários cooptavam pessoas humildes. “Em regra, analfabetas, que não eram seguradas do INSS, e muitos desses benefícios foram convertidos em aposentadorias por invalidez”, afirmou.
O golpe foi descoberto por uma médica perita que desconfiou de vários pacientes que pediam auxílio-doença pelo mesmo tipo de problema cardíaco. Segundo a Polícia Federal, a quadrilha atuava desde 2010 e o prejuízo ao INSS chegou a R$ 4,3 milhões.
As imagens exibidas pela reportagem mostram uma mulher se movimentando normalmente em um caixa eletrônico no dia três de maio. Vinte dias depois, ela aparece sendo ajudada a caminhar até o posto do INSS para realizar uma perícia no joelho. Após dez dias, a mesma mulher aparece sacando o benefício no banco sem apresentar nenhum problema de mobilidade.
O homem que se aproveitou da doença da mãe vai ser indiciado por estelionato previdenciário e organização criminosa, segundo informou a polícia.

