SUS oferece opções antigas e limitadas para reposição hormonal na menopausa, avaliam especialistas

LAIZ MENEZES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Principal tratamento para mulheres no climatério e na menopausa, a reposição hormonal disponível no SUS (Sistema Único de Saúde) é baseada em medicamentos antigos e de oferta limitada, avaliam especialistas. A distribuição dos remédios também não é homogênea em todo o país.

 

Listados na Rename (Relação Nacional de Medicamentos Essenciais) do SUS estão estrogênios e progestágenos. Porém, a disponibilidade real depende da compra e distribuição pelos estados e municípios, ou seja, nem todos os postos de UBS (Unidade Básica de Atendimento) terão esses remédios.

“Os medicamentos disponíveis no SUS são adquiridos de forma descentralizada. O Ministério da Saúde repassa recursos financeiros aos estados, que são responsáveis pela compra e distribuição dos hormônios”, diz a pasta.

A terapia hormonal na menopausa repõe parte do estrogênio, progesterona e, em alguns casos, testosterona, hormônios perdidos nessa fase. Hoje, o SUS oferece as seguintes opções: estrogênio conjugado (0,3 mg), acetato de medroxiprogesterona (10 mg), noretisterona (0,35 mg), estrogênio conjugado tópico vaginal (0,625 mg/g) e estriol tópico vaginal (1 mg/g).

Dolores Pardini, endocrinologista da Sbem-SP (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia de São Paulo), diz que o único medicamento fácil de encontrar no SUS é o estriol tópico vaginal, que é uma pomada usada para tratar sintomas como secura e ardência vaginal. “Essa lista de medicamentos dada pelo Ministério da Saúde não reflete a realidade”, afirma.

O estrogênio conjugado, derivado da urina de éguas grávidas, é um medicamento mais antigo. Segundo Pardini, já existem opções mais seguras, modernas e eficazes, como o estradiol, que é um estrogênio natural, idêntico ao produzido pelas mulheres. O hormônio pode ser usado via oral, transdérmica ou tópica vaginal.

A reposição hormonal transdérmica, realizada por meio de gel aplicado no antebraço ou na parte interna das coxas, por exemplo, é uma das principais formas de reposição adotadas hoje nos consultórios, segundo André Malavasi, médico assistente da divisão de ginecologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo).

O ginecologista e obstetra explica que o estrogênio é fundamental para a saúde feminina, responsável pela elasticidade da pele, libido, lubrificação vaginal, memória e influencia até na saúde cardiovascular e cerebral.

“Quando os níveis de estrogênio diminuem, surgem sintomas como ondas de calor, secura vaginal, diminuição da libido e perda de memória. A reposição hormonal vem para melhorar a qualidade de vida e reduzir o risco de doenças como osteoporose e doenças cardiovasculares”, afirma.

Segundo a Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), em 2024, o Brasil tinha cerca de 30 milhões de mulheres na menopausa. Apesar desse número expressivo, a ginecologista Fabiane Berta aponta que muitos médicos tratam apenas os sintomas isolados da menopausa, sem considerar a reposição hormonal como uma opção terapêutica.

“Muitas mulheres com menopausa são redirecionadas para psiquiatras, sem que seus sintomas sejam reconhecidos como hormonais. Em vez de um tratamento adequado, recebem medicamentos como antialérgicos para dormir, antidepressivos e ansiolíticos.”

A técnica de segurança do trabalho Fernanda de Souza, 35, enfrentou a menopausa precoce aos 25 anos. Passou por mais de 20 médicos no sistema público de saúde, mas nenhum apresentou a possibilidade de uma menopausa precoce, nem mesmo quando as menstruações pararam de vez, aos 28 anos.
Foi somente aos 30, quando se casou e tentou engravidar, que pagou um médico particular para entender o motivo das dores durante as relações sexuais e se conseguiria gestar o primeiro filho.

“O médico me disse: ‘se você tem 30 anos e não está menstruando é porque tem alguma coisa acontecendo com você. Ninguém nunca te falou sobre menopausa precoce?’ Fiz uma bateria de exames e ele me disse que não teria como ser mãe naturalmente porque estava na menopausa e não tinha mais óvulos. Meu mundo caiu”, relata.

Fernanda tinha sintomas como dores de cabeça, ressecamento vaginal, falta de libido e dores no corpo. A menopausa também a levou para um quadro de depressão e ansiedade. Mas só fez o tratamento hormonal por meio de um implante, que eliminou todas as manifestações do climatério, quando saiu da rede pública de saúde.

Segundo Pardini, que também é chefe do Ambulatório de Climatério e Menopausa da disciplina de endocrinologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), o único implante hormonal aprovado para uso no Brasil é o implanon, que é um chip anticoncepcional que também pode ser usado para controle dos sintomas da menopausa. Ainda não está no SUS.

O Ministério da Saúde informa que estuda a ampliação das opções terapêuticas para o climatério, “avaliando novas tecnologias que possam garantir um atendimento cada vez mais qualificado e acessível às mulheres nessa fase da vida”.

Uso da terapia hormonal caiu após estudo pioneiro na área

André Malavasi, médico assistente da divisão de ginecologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), diz que a queda no uso da terapia hormonal mundialmente é atribuída à divulgação do estudo WHI (Women’s Health Initiative), de 2002. A pesquisa pioneira na área ainda é o único ensaio randomizado de longo prazo sobre a terapia hormonal.

Os resultados iniciais do WHI apontaram para um risco aumentado de doenças cardiovasculares e câncer de mama, mas sem considerar fatores importantes, como a idade das mulheres participantes e suas condições clínicas.

“Com o tempo, percebeu-se que a interpretação inicial do WHI não levou em conta que muitas das mulheres incluídas tinham obesidade mórbida, histórico de infarto e câncer de mama, condições que já aumentavam o risco cardiovascular independentemente da terapia hormonal. Quando esses casos são excluídos da análise, os benefícios da reposição superam os riscos, mesmo com os hormônios antigos, como o estrogênio conjugado, que ainda está na lista do SUS”, afirma Malavasi.

O estudo incluiu mulheres com idade média de 63 anos, muitas já fora da chamada “janela de oportunidade” –ou seja, o período ideal para iniciar a reposição hormonal, entre 50 e 59 anos, explica Pardini.

“Além disso, foi utilizado estrogênio conjugado em doses elevadas e por via oral, o que aumenta a produção de fatores trombogênicos, inflamatórios e hipertensivos devido à metabolização hepática. Isso contribuiu para um risco cardiovascular maior”, acrescenta.

O projeto Saúde Pública tem apoio da Umane, associação civil que tem como objetivo auxiliar iniciativas voltadas à promoção da saúde

 

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