Os municípios do interior do Estado do Rio de Janeiro, principalmente os localizados nas regiões Norte e Noroeste Fluminense, enfrentam um cenário cada vez mais preocupante relacionado à escassez de recursos financeiros. Esse problema impacta diretamente a capacidade dos municípios em manter e ampliar serviços essenciais, especialmente na área da saúde pública, que exige investimentos contínuos e crescentes.
Nos últimos anos, a demanda por atendimentos médicos, infraestrutura hospitalar e profissionais da saúde aumentou de forma significativa. No entanto, ao mesmo tempo, os repasses financeiros não acompanharam esse crescimento. Como resultado, prefeituras enfrentam dificuldades para garantir serviços básicos à população, o que agrava ainda mais a situação de vulnerabilidade social em diversas cidades do interior.
Durante uma sessão recente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), o deputado estadual Thiago Rangel trouxe à tona críticas contundentes relacionadas à gestão da Secretaria Estadual de Saúde. Segundo ele, existe uma forte influência política nas decisões da pasta, o que compromete a distribuição justa de recursos entre os municípios.
De acordo com o parlamentar, havia um acordo pré-estabelecido para que o Governo do Estado realizasse um repasse mensal de R$ 300 mil para 14 municípios do Noroeste Fluminense, considerados os mais carentes em termos de arrecadação e estrutura. Esse valor seria destinado ao custeio de serviços essenciais de saúde. Entretanto, o acordo não foi cumprido conforme o esperado, gerando insatisfação entre gestores municipais.
Além disso, o deputado também criticou a atuação da ex-secretária de Saúde, Cláudia Mello, que deixou o cargo e foi substituída por Roberto Damião após decisão do governo estadual. Segundo Rangel, a gestão anterior apresentava falhas graves, principalmente no que diz respeito à transparência e à distribuição de recursos.
O parlamentar afirmou ainda que havia direcionamento político na liberação de verbas, favorecendo municípios alinhados a determinados interesses. Essa prática, segundo ele, prejudica diretamente cidades que realmente necessitam de apoio financeiro para manter seus serviços funcionando adequadamente.
Outro ponto levantado foi a dificuldade de diálogo entre a Secretaria de Saúde e representantes do interior. Prefeitos e lideranças locais, de acordo com o deputado, não conseguiam acesso à secretaria para discutir demandas urgentes. Além disso, pedidos formais de informação teriam sido ignorados ou não respondidos, o que reforça a percepção de falta de transparência na gestão pública.
Diante desse cenário, Thiago Rangel destacou que continuará buscando esclarecimentos e prometeu encaminhar contratos considerados suspeitos para análise do Ministério Público. Essa medida visa garantir maior fiscalização e responsabilização em casos de possíveis irregularidades na aplicação de recursos públicos.
O deputado também ressaltou que a situação chegou a um nível crítico, afetando inclusive municípios maiores como Campos dos Goytacazes, que sofreram com a suspensão de repasses constitucionais. Esse tipo de interrupção compromete diretamente o funcionamento de unidades de saúde, pagamento de profissionais e aquisição de insumos.
Por fim, ele declarou que não costuma adotar uma postura de confronto político, mas que, diante da gravidade dos fatos, considerou necessário expor publicamente os problemas enfrentados. Segundo o parlamentar, o cenário atual da saúde estadual é preocupante e exige medidas urgentes para garantir que os recursos cheguem de forma justa aos municípios que mais precisam


