Três anos após o assassinato de Letycia Peixoto Fonseca e do bebê Hugo Peixoto, o processo ainda não tem data para julgamento no Tribunal do Júri. A ação penal segue travada por recursos que tramitam em diferentes instâncias da Justiça, o que impediu até agora a realização do plenário.
Atualmente, o caso está desmembrado. Parte dos recursos foi encaminhada ao Tribunal de Justiça, enquanto outros seguem para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília. Também tramita um pedido de desaforamento apresentado pelos executores e pelo intermediário apontado no crime. A solicitação busca transferir o julgamento de Campos para outra comarca, sob o argumento de que a ampla repercussão do caso na imprensa local poderia influenciar os jurados.
Em relação a Diogo Viola de Nadai, ex-companheiro de Letycia e apontado como mandante, os recursos foram levados às instâncias superiores. A acusação trabalha com a expectativa de que todos os questionamentos sejam analisados simultaneamente, para que o processo retorne integralmente a Campos e possibilite a realização de um único júri.
Segundo a acusação, a intenção é concentrar todos os réus em um mesmo plenário, diante da complexidade do caso. A estimativa é de que o julgamento possa durar dois ou até três dias, o que demandaria grande mobilização do Judiciário e custos elevados para os cofres públicos.
O crime ocorreu no dia 3 de março de 2023, no Parque Aurora, em Campos. Letycia, de 31 anos, estava grávida de oito meses quando foi morta. Ela estava dentro do carro da empresa em que trabalhava, estacionado em frente à casa de familiares, quando dois homens em uma motocicleta se aproximaram e efetuaram diversos disparos. A vítima foi atingida por tiros no rosto, no tórax, no ombro e na mão esquerda e morreu no local.
O bebê Hugo chegou a nascer por meio de uma cesariana de emergência, mas não resistiu e morreu no dia seguinte. A mãe de Letycia, que estava fora do veículo no momento do ataque, tentou impedir a fuga dos criminosos e acabou baleada na perna. Ela foi socorrida e encaminhada ao Hospital Ferreira Machado, recebeu atendimento e teve alta.
As investigações apontaram Diogo Viola de Nadai, empresário e professor universitário, como mandante do crime. Ele mantinha um relacionamento com a vítima e era o pai da criança. Gabriel Machado Leite é indicado como intermediário entre o mandante e os executores. Dayson dos Santos Nascimento teria conduzido a motocicleta utilizada na ação criminosa, enquanto Fabiano Conceição da Silva é acusado de efetuar os disparos.

