No último debate do primeiro turno no Rio, os candidatos apresentaram umas poucas ideias e discutiram o diagnóstico sobre a situação de calamidade do Estado do Rio. Mas nos intervalos entre espetadas e pancadas. E não foram poucas.
Primeiro colocado nas pesquisas, Eduardo Paes (DEM) foi, como era de se esperar, atacado por quase todos os adversários — com exceção do deputado estadual Pedro Fernandes (PDT), com quem fez uma dobradinha. Caminho aberto para o segundo turno? O deputado foi o interlocutor preferencial de Paes, a quem fazia perguntas que pudessem resultar em espaço para falar sobre suas próprias propostas de governo.
O caminho óbvio de ataque contra o líder nas pesquisas de intenção de voto teve um desvio em Indio da Costa (PSD), o saco de pancadas do confronto. Não por representar qualquer ameaça, já que são remotas as chances de o deputado do PSD chegar a algum lugar nesta eleição. Mas pela eterna lei do retorno: foi o que mais bateu na campanha inteira — inclusive no debate de terça-feira — ,foi o mais criticado no final.
Romário (Podemos) também entrou na mira. Ele mesmo se enrolou nas respostas, como nunca antes, em nenhum outro debate. Até o nome do seu “Posto Ipiranga” na Economia, Guilherme Mercês, o senador quase esqueceu. A partir do terceiro bloco, foi uma troca de ofensas generalizada, que resultou em sucessivos pedidos de direito de resposta, em especial de Romário.
Tarcísio Motta (PSOL) e Márcia Tiburi (PT), mais uma vez, tentaram nacionalizar o debate. Tarcísio tentou imprensar Romário a dizer o que acha de Jair Bolsonaro (PSL). O senador driblou a pergunta. Mas integrantes de sua campanha têm feito dobradinhas com o presidenciável do PSL.
Pedro Fernandes, quando não estava fazendo escada para Paes, foi o que mais apresentou propostas. O pedetista não pode reclamar dessa eleição: se não ganhar nada, ao menos se apresentou ao grande eleitorado numa disputa majoritária.
Com Anthony Garotinho (PRP), que tinha empate técnico com Romário nas pesquisas, impugnado pela Justiça Eleitoral, restou ao seu algoz no último encontro, Wilson Witzel (PSC), voltar suas baterias contra Indio e Romário. Como aliás, todo mundo. Foi um final de debate de tiro para todo lado.


