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Mulher morta após ter sido esfaqueada 15 vezes durante caminhada

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Uma mulher de 29 anos foi morta na semana passada enquanto caminhava num trilho em Phoenix, no estado norte-americano do Arizona, após um ataque “aleatório”, com o seu corpo a sendo encontrado no último sábado numa área do deserto em torno da cidade.

Lauren Heike foi dada como desaparecida por uma colega, que alertou as autoridades para a sua ausência no trabalho. A polícia encontrou a cena do crime, onde seguiu um trilho de sangue, concluindo que a vítima teria fugido do seu agressor e saltado por cima de uma cerca de arame farpado.

O seu corpo foi então encontrado e as autoridades apontaram que Heike foi esfaqueada 15 vezes, com alguns dos ferimentos a serem nos braços e mãos, sugerindo que esta ainda tentou defender-se. “Acreditamos que Lauren tentou lutar com o seu atacante e conseguiu fugir, mas os seus ferimentos eram muito graves”, afirmou a polícia, numa conferência de imprensa na sexta-feira, citada pela ABC News.

Imagens de videovigilância do local mostraram um suspeito correndo perto da zona do crime e, na quinta-feira, as autoridades detiveram Zion William Teasley, um jovem de 22 anos, que foi acusado de homicídio em primeiro grau.

Teasley já estava em liberdade condicional desde novembro, após ter estado preso por crimes de roubo à mão armada e conduta desordeira. Além disso, o suspeito foi recentemente despedido do seu emprego por se demonstrar “agressivo para com funcionárias do sexo feminino”, levando frequentemente uma navalha para o trabalho.

Os médicos forenses conseguiram encontrar DNA no sapato de Lauren Heike, encontrando uma correspondência com o de Teasley. Outros dados, como registos de chamadas na área do crime e a roupa que o suspeito estava usando, e que roubou ao antigo patrão, levaram a que as autoridades acusassem rapidamente o jovem pelo crime de homicídio.

À polícia, explica a ABC, Zion William Teasley garante que estava a passeando na área, em direção a um cinema, e que sabia que Heike tinha sido atacada por ver nas notícias, mas garante que não se recorda de alguma vez a conhecer.

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Coroação começa com chuva fina em Londres e frase dita pelo rei Charles 3º

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IVAN FINOTTI
LONDRES, REINO UNIDO (FOLHAPRESS) – A coroação do rei Charles 3º começou pontualmente às 11h (7h em Brasília) deste sábado (6), na abadia de Westminster, no centro de Londres, capital do Reino Unido. O início foi marcado pelo rei dizendo “Em Seu nome e segundo Seu exemplo, não venho para ser servido, mas para servir”.

Cerca de 2.200 convidados –entre os quais o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o roqueiro australiano Nick Cave e o filho mais novo do rei, Harry, que veio sem a mulher– acompanham o evento, que deve ir até por volta das 13h (9h em Brasília).

Antes, Charles e Camilla, que também será coroada na cerimônia, fizeram um trajeto de 2 km entre o Palácio de Buckingham e a abadia, passando por ruas repletas de fãs que dormiram as últimas noites em barracas improvisadas nas calçadas.

Essa primeira procissão foi feita debaixo de uma chuva fina, que insistiu em molhar a cidade e atrapalhar a vida de quem não arreda o pé das ruas nesse momento histórico. A população tomou os parques da cidade, já que em vários deles foram instalados telões, como no Hyde Park, Green Park e St. James Park, todos nas imediações da coroação.

Os próximos passos da liturgia incluem a apresentação da Bíblia, o juramento de Charles 3º e a unção do rei com um óleo agrado. Depois, ele receberá uma série de objetos símbolos da monarquia: esporas, espada, braceletes, orbe (globo), anel, luva e cetro.

Nesses momentos haverá a participação inédita de membros de outras crenças que não a cristã. Religiosos do judaísmo, islamismo, hinduísmo e sikhismo deverão participar da entrega dos objetos a Charles. Outro ineditismo é a participação do clero feminino, que estará presente com três representantes.

Em seguida, virá a coroação propriamente dita e três rápidos juramentos de lealdade ao rei. O primeiro, da igreja. O segundo, de seu primogênito William, que dirá: “Eu, William, príncipe de Gales, vos prometo minha lealdade, e fé e verdade vos darei, como vosso vassalo de vida e vossa extensão. Então, ajude-me, Deus”.

O terceiro juramento, normalmente reservado à nobreza em geral, a “Homenagem dos Pares”, foi substituído pela primeira vez na história pela “Homenagem do Povo”, ou “coro de milhões”. Trata-se de um convite para que pessoas em todo o mundo, acompanhando pela televisão ou em telões espalhados por Londres, jurem em voz alta sua lealdade ao rei.

O arcebispo da Cantuária, Justin Welby, dirá: “Apelo a todas as pessoas de boa vontade do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, e dos outros reinos e territórios para fazer sua homenagem, de coração e voz alta, ao seu rei indubitável, defensor de todos.”

E o juramento, a ser repetido por quem quiser, é: “Eu juro que prestarei lealdade verdadeira a Vossa Majestade e a seus herdeiros e sucessores de acordo com a lei, com a ajuda de Deus.”

Camilla será coroada na sequência e, às 14h, o casal retornará ao palácio de Buckingham pelo mesmo trajeto da ida. Mas, desta vez, ambos estarão com coroas nas cabeças.

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Milhares de pessoas saem às rua para a coroação do rei Charles III

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São milhares os que saíram às ruas Reino Unido  para acompanhar de perto a coroação do rei Charles III, este momento histórico acontecere em uma cerimônia solene neste sábado (6), na Abadia de Westminster, em Londres.

Como seria de esperar, as ruas principais e os arredores no centro de Londres já estão bastante lotados. 

Telões gigantes estão espalhados em pontos principais, como no Hyde Park, por exemplo, para que a multidão consiga acompanhar de perto todos os detalhes da cerimônia. 

Nas ruas as pessoas mostram-se com grande felicidade e confessam que aguardavam este dia há anos. Lembrando que a realeza britânica vê Charles III ser coroado depois dos 70 anos de reinado da sua mãe, Elizabeth II.

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Cão doméstico ataca família e mata bebê de nove meses

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Um cão de uma família no estado norte-americano do Iowa atacou os seus donos, e acabou por matar um bebê de nove meses, na quinta-feira (4), pela manhã.

À Associated Press, a polícia da localidade de Waterloo, Jason Feaker, informou que a criança e a sua avó, de 49 anos, estavam no interior da habitação, quando o animal atacou.

A criança foi levada para uma unidade hospitalar, onde acabou por morrer. Já a avó ficou gravemente ferida e foi transportada para um hospital universitário.

Nenhuma das vítimas foi identificada.

Já o animal acabou por ser abatido, com os seus restos mortais sendo enviados para a universidade estatal de Iowa, em Ames, para serem analisados, esperando que seja possível concluir o que teria motivado o ataque do animal.

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Protestantes anti-monarquia são detidos em Londres

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Cerca de 12 protestantes anti-monarquia pertencentes ao grupo ‘Republic’ foram detidos, segundo informou a BBC. 

O grupo foi visto com cartazes que, supostamente, poderiam ser presos ao chão. No entanto, uma nova legislação aprovada esta semana impede que se usem materiais deste gênero. 

Um dos membros garante que as intenções do grupo foram mal interpretadas pelas autoridades.

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Brasil sobe 18 posições em ranking de liberdade de imprensa após Bolsonaro

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SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – O Brasil subiu 18 posições no ranking mundial de liberdade de imprensa publicado pela ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF). O país, que ocupava o 110º lugar em 2022, agora está em 92º entre 180 nações.

O relatório, divulgado na quarta-feira (3), faz a ressalva de que profissionais de imprensa do Brasil sofrem de uma “violência estrutural”. Por outro lado, aponta que, nos últimos meses, o país voltou a ter um “clima de estabilidade institucional”, o que permite maior liberdade à atividade jornalística.

A ONG atribui a melhora à saída do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ao início do governo Lula (PT). “No Brasil, a derrota de Jair Bolsonaro nas urnas, que atacou sistematicamente jornalistas e meios de comunicação durante todo o seu mandato, renovou as esperanças de uma volta à normalidade nas relações entre o Estado e a imprensa”, escreveu a RSF no levantamento.

A despeito da melhora no ranking, a organização lista alguns desafios que, na visão da ONG, permanecem: o cenário midiático marcado por uma forte concentração no setor privado, a desinformação que contribui cada vez mais para “envenenar o debate público” e o contexto político complexo, entre outros.

“O presidente [Bolsonaro] fazia ataques frequentes à imprensa, mobilizando exércitos de simpatizantes nas redes sociais. Sua estratégia bem coordenada de ataques com o objetivo de desacreditar a mídia, rotulada como inimiga do Estado, continua até hoje”, afirma trecho do relatório.

O levantamento da RSF menciona a morte do jornalista Dom Phillips para alertar que o Brasil é um dos países mais perigosos da região para os profissionais da imprensa. O inglês foi assassinado junto com o indigenista Bruno Pereira enquanto investigavam a pesca ilegal na terra indígena do Vale do Javari (AM).

A organização destaca ainda que pelo menos 30 jornalistas foram assassinados na última década no Brasil. “Blogueiros, radialistas e jornalistas independentes que trabalham em municípios de pequeno e médio porte cobrindo corrupção e política local são os mais vulneráveis”, diz o documento, que menciona também o crescimento do assédio e da violência online contra jornalistas, especialmente mulheres.

Também a polarização vem estimulando ataques contra os profissionais de mídia. A agressividade de extremistas é exemplificada com a invasão da Praça dos Três Poderes, em 8 de janeiro.

Ainda assim, o desempenho do Brasil neste ano foi melhor que em 2022, quando o país registrou ligeiro avanço, saindo do 111ª lugar para a 110ª posição -resultado que não chegou a ser reconhecido como progresso real pela organização. À época, a RSF havia alertado para a deterioração da liberdade de imprensa no país, que enfrentava “situação problemática”.

Neste ano, a Noruega ficou em primeiro lugar pelo sétimo ano consecutivo. Irlanda e Dinamarca estão em segundo e terceiro, respectivamente. O Vietnã (178º), a China (179º) e a Coreia do Norte (180º) estão nas últimas colocações. Na lanterna, Pyongyang é descrita como um dos regimes mais autoritários do mundo, que “controla rigidamente as notícias e proíbe estritamente o jornalismo independente”.

Os Estados Unidos ocupam a 45ª posição, enquanto Portugal está na 9ª, e a Argentina, na 40ª. Em guerra, a Rússia aparece na 164ª colocação. Já a Ucrânia está no 79º lugar.

Líder de mercenários do Grupo Wagner ameaça deixar Bakhmut por falta de munição

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Cercado de cadáveres estendidos em um gramado, o fundador do grupo mercenário russo Wagner, Ievguêni Prigojin, usa uma lanterna para iluminar os corpos ensanguentados e ainda com farda na escuridão. “Estes são os rapazes que morreram hoje. O sangue ainda está fresco”, afirma, irritado.

Após se abster por semanas de críticas duras aos chefes da Defesa da Rússia, Prigojin voltou à artilharia com um vídeo perturbador e repleto de palavrões às autoridades de seu país.

“Temos 70% de falta de munição. Choigu! Gerasimov! Onde está a merda da munição?”, grita, referindo-se ao ministro da Defesa, Serguei Choigu, e ao chefe do Estado-Maior, Valeri Gerasimov. “Eles vieram aqui como voluntários e estão morrendo enquanto vocês engordam em seus gabinetes.”

Os responsáveis pelas mortes, disse Prigojin, vão para o inferno -as perdas da Wagner seriam cinco vezes menores se a empresa fosse abastecida adequadamente, segundo o russo.

As brigas entre o grupo e os chefes da Defesa começaram no ano passado, quando Prigojin começou a acusá-los de incompetência e de privação de munição por animosidades pessoais. A Wagner lidera há meses o ataque contra a cidade de Bakhmut, no leste da Ucrânia.

Nesta sexta-feira (5), porém, o chefe mercenário anunciou que suas forças deixarão a cidade ucraniana na próxima quarta-feira (10). Em uma carta endereçada também ao presidente russo Vladimir Putin, ele diz que está fazendo um apelo público porque seus pedidos não foram atendidos desde quando começou a relatar problemas, em março de 2022. “Estou retirando as unidades Wagner de Bakhmut porque, na ausência de munição, elas estão condenadas”, afirma.

A escassez de projéteis, sustenta o documento, é de 90%, e os recursos ofensivos acabaram no início de abril. A Wagner manteve o combate, argumenta Prigojin, mesmo enfrentando forças inimigas com cinco vezes mais aparatos. “Dos 45 km² de Bakhmut, restam 2,5 km². Ao não fornecer projéteis, vocês não estão nos privando da vitória, vocês estão privando o povo russo da vitória”, afirma. “Quem tiver críticas, venha a Bakhmut e levante-se com armas nas mãos no lugar de nossos camaradas mortos.”

Os últimos movimentos de diferentes atores da guerra corroboram a hipótese de falta de munição do lado russo –problema que também afeta a Ucrânia em uma proporção diferente, segundo especialistas.

Na última terça-feira (2), Choigu pediu à estatal Tactical Missiles Corporation para dobrar sua produção de mísseis para a guerra. “As ações das unidades russas que conduzem a operação especial dependem em grande parte do reabastecimento de estoques de armas, equipamentos militares e meios de destruição”, disse ele.

No mesmo dia, o Ministério da Defesa do Reino Unido engrossou tal avaliação ao dizer que os problemas logísticos são centrais e que Moscou não tem munição suficiente. “A Rússia continua dando a mais alta prioridade à mobilização de sua indústria de defesa, e ainda assim não consegue atender às demandas do tempo de guerra”, afirmou a pasta.

Em janeiro, os russos dispararam vários mísseis S-400, normalmente usados em defesa aérea de longo alcance, em Kiev. A estratégia gerou especulações de que a Rússia tenha um déficit considerável de mísseis de cruzeiro.

O próprio Putin criticou o ritmo de fabricação de armas do país. No início do ano, ele repreendeu um de seus ministros em comentários televisionados pelo fato de a produção de aeronaves levar “muito, muito tempo”. Em março, lamentou ainda a escassez de trabalhadores especializados na fabricação de itens de defesa. O ex-presidente Dmitri Medvedev, número 2 do Conselho de Segurança, foi mais longe e afirmou que os diretores de fábricas de armas poderiam ser responsabilizados criminalmente por não cumprirem os prazos de seus contratos com o Estado.

Também nesta sexta, a Rússia ordenou a saída de famílias com crianças e idosos no sul ucraniano ocupado pelos russos após um aumento de bombardeios do país rival.

“Nos últimos dias, o inimigo intensificou o bombardeio de assentamentos perto da linha de frente”, escreveu o chefe da região de Zaporíjia, Ievgeni Balitski, indicado pela Rússia, nas redes sociais. “Tomei, portanto, a decisão de evacuar primeiro todas as crianças e seus pais, idosos, pessoas com deficiência e pacientes hospitalares.” Os locais esvaziados incluem Enerhodar, cidade onde fica a maior usina nuclear da Europa e que agora está perto da linha de batalha.

Segundo a agência estatal russa Tass, houve ainda um incêndio em uma refinaria de petróleo no sudoeste da Rússia nesta sexta. O local, segundo os serviços de resgate locais, foi atacado com um drone no dia anterior. “Os trabalhadores da refinaria foram resgatados e ninguém ficou ferido”, afirmou a agência. O incêndio teria sido causado por um novo ataque de drones, estratégia usada em uma série de ofensivas denunciadas pelo Kremlim, incluindo uma suposta tentativa de assassinar Putin, na quarta-feira.

Sem apresentar evidências, Moscou despertou suspeitas de uma operação de “bandeira falsa” -quando um país simula um ataque contra si mesmo para iniciar uma guerra, retaliar rivais ou escalar uma situação. Após chamar a suposta ação de “ataque terrorista”, o ex-presidente Medvedev afirmou no Telegram que “não há mais opções, exceto a eliminação física de [Volodimir] Zelenski”, presidente ucraniano.

Durante o inverno europeu, a Ucrânia reforçou suas defesas antiaéreas, e agora Kiev está se preparando para lançar uma contraofensiva usando armas doadas por aliados. Em paralelo, milhares de soldados voltaram recentemente de uma série de treinamentos no Ocidente.

Pandemia de Covid foi marcada por erros em série e mortes que poderiam ter sido evitadas

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BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) – Era 30 de janeiro de 2020. A OMS (Organização Mundial de Saúde) declarava o novo coronavírus como emergência de saúde de importância internacional. No Brasil, o Ministério da Saúde fazia uma coletiva de imprensa para informar sobre possíveis casos em investigação e medidas como a ampliação de leitos de UTI no SUS.

O que parecia indicar um cenário de preparação prévia contra a Covid, porém, acabou por se transformar ao longo dos últimos três anos em uma sequência de erros que incluem ausência de uma política organizada de controle da doença, aposta em remédios sem eficácia, apagão de dados e atrasos na compra de vacinas.

O resultado foram mortes que poderiam ter sido evitadas, apontam especialistas, secretários de saúde e ex-gestores ouvidos pela reportagem.

Nesta sexta (5), após quase 7 milhões de mortes, a OMS declarou que a Covid-19 não é mais uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (Espii).

Embora não elimine os desafios em relação à doença, a mudança na classificação acaba por dar um novo marco a um dos períodos de maior impacto na saúde pública do país e do mundo.

Atualmente, o Brasil é o segundo país em número acumulado de mortes pela Covid, atrás apenas dos Estados Unidos. Desde o início da pandemia, são 701 mil mortes. Na prática, é como varrer do mapa uma capital inteira, como Cuiabá ou Aracaju, ou até 336 cidades de menor porte.

O caminho que levou a esses números foi marcado por trocas de ministros, divergências entre discursos de autoridades sanitárias e do então presidente da República e momentos de colapso no sistema de saúde.

Ao longo dos últimos três anos, foram cinco ministros da Saúde. Os dois primeiros, Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, deixaram o cargo em meio a atritos e divergências com o então presidente Jair Bolsonaro (PL). No caso de Mandetta, pesou a defesa por medidas como o uso de máscaras e isolamento social, o que Bolsonaro era contra. Com Teich, o revés ocorreu com a pressão do Planalto para a ampliação da oferta da cloroquina, já na época sem evidências contra a Covid.

“Ele [Bolsonaro] queria que a Saúde não fizesse regras básicas”, afirma Mandetta à Folha de S.Paulo. “Depois entraram numa de desfazer a credibilidade do ministério e ridicularizar tudo.”

Para especialistas, o apagamento do Ministério da Saúde -que chegou a ficar quatro meses sem titular oficial- e a ausência de um discurso comum a favor de medidas de prevenção foram alguns dos primeiros erros da gestão da crise gerada pela Covid no Brasil.

A percepção também consta de dossiê da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva), que aponta entre as “falhas graves” na condução da epidemia fatores como baixa testagem e isolamento de casos, desestímulo ao uso de máscaras, promoção de tratamentos ineficazes, atraso na compra de vacinas e falta de comunicação unificada.

Além da omissão, a resposta brasileira foi marcada pela tentativa do Ministério da Saúde de deixar de divulgar dados completos do total de casos e mortes pela doença, o que levou à formação de um consórcio de veículos de imprensa para noticiar os números.

“O Brasil perdeu a chance de ser um país exemplar no combate ao coronavírus”, afirma a pneumologista Margareth Dalcolmo, uma das profissionais de saúde mais atuantes na pandemia. “E a razão para isso foi por uma decisão política de ignorar o conhecimento científico.”

Para ela, houve uma “tensão desnecessária entre a retórica governamental e o papel dos cientistas e da comunidade médica e acadêmica”.

Frases do ex-presidente se tornaram marcantes nesse contexto. Na prática, ao mesmo tempo em que estados adotavam diretrizes de isolamento e uso de máscaras e hospitais sentiam a pressão na busca por leitos, Bolsonaro dizia que o poder do coronavírus estava “superdimensionado” e que havia uma “histeria” em torno de uma “gripezinha”.

Secretário de Saúde do Rio Grande do Norte desde 2019 e hoje presidente do Conass, que reúne gestores estaduais de saúde, Cipriano Maia lembra dos impasses do início da pandemia. “Era um contexto de extrema dificuldade”, afirma. “Principalmente por falta de uma coordenação nacional, negacionismo e confrontação às medidas adotadas pelos estados.”

Ele cita como exemplo a defesa feita por membros do governo de remédios que faziam parte do chamado “kit Covid”, mas que não tinham indicação para a doença. Exemplo disso é que, em junho de 2020, na gestão interina do general Eduardo Pazuello, a Saúde elaborou um protocolo que ampliava a oferta de cloroquina para casos leves da doença.

Uma medida que, embora rechaçada pela comunidade científica, encontrou eco em uma parte da classe médica e alguns prefeitos. “Virou uma questão de disputa política”, lembra Lorena Barberia, professora de ciência política da USP e membro do Observatório Covid BR.

Ela resume a resposta brasileira à emergência da Covid como uma busca por “soluções mágicas” em detrimento de ações articuladas e que pudessem ser mantidas a longo prazo.

Um exemplo é o fato de que, enquanto insistia na oferta desses medicamentos, o Brasil deixou de aplicar testes capazes de ajudar no rastreio e monitoramento da doença. Metas para ampliação da testagem, anunciadas ao longo de 2020 e 2021, nunca foram atingidas. Na contramão, a pasta chegou a acumular estoque de 1,1 milhão de testes prestes a vencer.

“É gritante ver que discutimos mais tratamento precoce do que testagem no primeiro ano. Muitas pessoas politizaram muito a resposta, o que inclui hospitais, e houve práticas criminosas que custaram vidas”, afirma Barberia, em referência a casos investigados em CPIs.

Para Rosana Onocko, da Abrasco, a ausência de uma coordenação nacional impactou no desempenho da rede de saúde. “O SUS foi heroico no sentido de dar respostas, mas poderia ter se saído melhor se tivesse tido um bom comando”, avalia.

Maia, do Conass, concorda e vê na descontinuidade de políticas um dos erros mais marcantes no período. “Isso se agravou com a crise em Manaus, em que vários estados tiveram que acudir, mostrando o descalabro.”

Na época, a cidade teve colapso da oferta de oxigênio, e relatos apontam que os leitos viraram câmaras de asfixia. Em tentativa de contornar a crise, pacientes foram transferidos para outros estados.

Enquanto isso, o ministério divulgava um aplicativo que recomendava cloroquina até para bebês.

O tema foi alvo de questionamentos da CPI da Covid, cujo relatório apontou negligência para evitar o colapso no Amazonas e outros problemas em série, como irregularidades em negociações de vacinas e demora para comprar imunizantes.

Atualmente, a vacinação é apontada como o principal fator para a redução de internações e mortes pela Covid.

A estratégia, porém, começou de forma lenta e restrita. Dados divulgados pela Folha de S.Paulo em 2021 mostram que a gestão de Pazuello negou seguidas ofertas de doses de vacinas da Pfizer que poderiam ter iniciado a campanha mais cedo.

Com a saída do general em março de 2021, coube ao sucessor, o cardiologista Marcelo Queiroga, a tarefa de ampliar a vacinação. Estados, porém, ainda reclamam da distribuição irregular de doses e do impacto de fake news, parte delas estimuladas em falas do ex-presidente, na campanha de imunização.

Para Dalcolmo, o caso é um dos paradoxos que marcam a gestão da crise da Covid no Brasil. “Fomos começar a vacinação em janeiro de 2021, quando, por ter feito estudos de fase 3, poderíamos ter feito precocemente, como em países europeus. E começamos num ritmo muito aquém do desejável.”

Em 2022, estudo publicado na revista Lancet Regional Health Americas mostrou que 47 mil mortes de idosos por Covid seriam evitadas se a vacinação começasse acelerada.

Avançar em campanhas para recuperar não vacinados é um dos desafios que devem persistir independentemente da classificação da emergência, segundo especialistas e gestores.

“O papel da retórica governamental foi extremamente nocivo. Precisaremos de campanhas esclarecedoras”, afirma Dalcolmo.

Maia, do Conass, concorda. “No início, vivemos quase uma guerra da vacina, com grupos disputando quem ia vacinar primeiro. Depois, fomos tendo mais vacinas, mas faltou discurso firme e motivação da população para melhorar a cobertura. É um desafio que ainda vai permanecer”, diz ele, que aponta outros, como o próprio monitoramento da epidemia e a recuperação de atendimentos represados.

O Ministério da Saúde anunciou para fevereiro uma campanha com a vacina bivalente (que protege contra a variante ômicron) para grupos prioritários, como idosos -em alguns locais, o público apto ao imunizante já foi ampliado. A pasta informou ainda sobre uma campanha publicitária para aumentar a confiança na vacinação.

Hospital paga R$ 75 milhões após bebê morrer durante estudo nos EUA

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Um hospital pediátrico de Boston, no estado norte-americano de Massachusetts, pagou, este mês, uma indemnização de 15 milhões de dólares, cerca de 75 milhões de reais, depois de um bebê ter morrido durante um estudo de sono.

De acordo com as publicações norte-americanas, tudo aconteceu em fevereiro de 2022, quando os progenitores levaram o seu filho, de seis meses, para realizarem testes relacionados com a apneia do sono, numa cadeira de carro para bebês. Segundo a US Today, estes testes são usuais quando se trata de crianças com acondroplasia, a forma mais comum de nanismo.

“É conhecido que estas crianças têm – às vezes muito cedo – dificuldades com a posição nos assentos do carro”, explicou o advogado da família, Robert Higgins, à publicação.

De acordo com uma investigação realizada pelo Departamento de Saúde de Massachusetts, e citada pelo Boston Globe, os funcionários do hospital deixaram o bebê sem oxigênio durante 20 minutos, no âmbito dos testes. Durante esse período, Jackson sofreu uma grave lesão cerebral e teve de ser ligado ao suporte de vida. O advogado da família disse que os funcionários em questão não monitoraram o bebê durante esse período.

O responsável explicou que, durante os testes, os níveis de oxigênio da criança baixavam, levando a episódios de apneia. Durante cerca de meia hora, os funcionários acabaram por estar concentrados nas máquinas que realizavam os testes em vez de ajudar a criança a respirar devidamente.

“Ficaram olhando para as máquinas pensando que eram os sensores que estavam desligados e nunca pensaram em olhar para o bebê e verificar se ele estava respirando corretamente”, afirmou Becky, a mãe da criança, à estação televisiva WCVB News, de Boston, citada pelas publicações internacionais.

A criança ficou ainda ligada ao suporte de vida durante duas semanas, mas depois os pais decidiram autorizar que estas fossem desligadas.

O hospital pediu desculpas pelo que aconteceu e suspendeu os estudos de sono.

Após 3 anos, vacinas contra Covid se tornam cada vez mais adaptáveis a novas variantes

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Três anos após a China registrar a primeira morte de Covid-19, o mundo possui hoje diversos mecanismos de defesa contra o vírus, como medicamentos antivirais, anticorpos monoclonais e, claro, as vacinas, que foram desenvolvidas em tempo recorde: dez meses.

As vacinas foram testadas e aprovadas e, em menos de um ano do anúncio dos primeiros estudos, o imunizante chegou ao braço da população em dezembro de 2020. Mas o trabalho até chegar aos mais de 13 bilhões de doses aplicadas não foi fácil.

Nesta sexta-feira (5), após mais de três anos e quase 7 milhões de mortes, a OMS (Organização Mundial de Saúde) declarou que a Covid-19 não é mais uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (Espii).

Isso ocorreu pelo investimento em peso de diversos países para desenvolver imunizantes eficazes contra o coronavírus ainda em 2020, com mais de 200 candidatas naquele ano. Só nos Estados Unidos, foram mais de US$ 10 bilhões (cerca de R$ 60 bi).

Dezenas atravessaram o chamado “Vale da Morte”, normalmente impeditivo para uma vacina sair dos testes em laboratório para a aplicação em milhares de pessoas na vida real.

Agora, estudos em andamento apostam em formulações da chamada terceira geração de imunizantes, que utilizam o material genético ou proteínas do vírus para induzir a resposta imune, mas o patógeno em si -no caso, o Sars-CoV-2-, não entra na formulação.

Estão nesta categoria as vacinas de RNA mensageiro (mRNA), como a da Pfizer/BioNTech, da empresa de biotecnologia americana Moderna e da CanSinoBio, na China, e as de proteína, como a Novavax.

A expectativa, assim, é que fórmulas de vacinas tradicionais, incluindo aquelas com o vírus inativado, como a Coronavac, produzida pela farmacêutica chinesa Sinovac e, no Brasil, pelo Instituto Butantan, ou com vetor viral, isto é, quando um outro vírus -por exemplo, um adenovírus- é modificado com parte do material genético do coronavírus, mas não causa infecção, fiquem para trás.

Isso porque hoje sabemos que o Sars-CoV-2 possui uma taxa de mutação elevada, algo que não era esperado no início da pandemia. Com novas variantes surgindo em todo o mundo, as vacinas que utilizam o material genético ou partes do vírus na composição são mais facilmente adaptadas, enquanto as versões tradicionais necessitam da incubação do novo vírus para depois fabricação da nova fórmula, o que demanda mais tempo e dinheiro.

“No início, era importante vacinar a população com o imunizante que estava disponível. Agora é o momento de fazer uma vacina mais direcionada para essas variantes e, no futuro próximo, atualizar periodicamente”, explica o virologista e professor da Unesp de São José do Rio Preto, Maurício Nogueira.

VARIANTE CIRCULANTE

Em muitos países, a vacina da Covid deve entrar em um calendário anual de imunização, como já ocorre por exemplo com a vacinação contra a gripe. É o caso do Brasil, que vai vacinar apenas grupos de risco, como idosos, gestantes e imunossuprimidos, contra a Covid juntamente com a gripe.

Por essa razão, vacinas facilmente adaptáveis devem ser a escolha mais óbvia. Na produção de uma vacina de mRNA, a troca da sequência genética do vírus, incluindo aquela sequência que sofreu uma mutação na versão em circulação, é feita em poucos segundos em laboratório.

“O Reino Unido apostou nessa estratégia também, de vacinar apenas os grupos de risco com a vacina bivalente, enquanto os EUA liberou para todos os adultos”, diz o infectologista e pesquisador da Fiocruz, Julio Croda.

A vacina da gripe também é atualizada anualmente ou a cada dois anos segundo a cepa dominante, explica Nogueira. Porém, o mecanismo de mutação do vírus influenza é um pouco diferente do coronavírus, já que uma mudança muito forte de uma geração para a outra pode prejudicar a entrada do vírus nas células.

No caso do Sars-CoV-2, as mutações, que são aleatórias, se concentram mais na região da proteína S (ou espícula, o gancho molecular usando pelo vírus para entrar nas células do hospedeiro) ou na região de ligação com o receptor (sigla RBD), e normalmente as formas que predominam apresentam uma ligação mais refinada ou então conseguem fugir naturalmente dos anticorpos que atuam nessa região.

SPRAY NASAL

Outra expectativa é que cresçam as pesquisas de formulações que sejam inaláveis. As vacinas usadas atualmente são injetadas no músculo, caindo na corrente sanguínea onde entram em contato com as células de defesa e estimulam a produção de anticorpos específicos contra o vírus. Já as vacinas inaláveis ou de spray nasal têm a mesma função, mas elas estimulam também a defesa do organismo já no lugar onde são aplicadas, isto é, nas mucosas do nariz e garganta.

Nestes locais, que são a porta de entrada do vírus no corpo, existem barreiras naturais do nosso organismo contra qualquer invasor, e uma dessas barreiras é dada pela produção de anticorpos do tipo IgA, que são produzidos em baixa ou quase nenhuma quantidade nas vacinas injetáveis.

Os anticorpos chamados IgA (imunoglobulina tipo A) atacam rapidamente o patógeno, atuando assim para impedir a replicação do vírus e garantem proteção contra a infecção. “É de se esperar que a proteção contra infecção nas vacinas não atualizadas contra a ômicron sejam bem menores, mas com uma vacina inalável ou em spray você age na porta de entrada do vírus sendo, assim, possível prevenir a infecção”, afirma o diretor médico do grupo Fleury, Celso Granato.

FUTURO DAS VACINAS

É provável que o futuro das vacinas da Covid, embora tenham novas formulações e adaptações em desenvolvimento, veja uma queda no interesse quando passar a emergência sanitária global.

Em muitos países, especialmente do continente africano, as coberturas vacinais do esquema primário ainda são baixas, e o reforço com as vacinas bivalentes estão ainda distantes.

Isso porque com os gastos cada vez mais altos de aquisição de novas doses toda vez que uma nova variante surge o acesso dos imunizantes fica limitado apenas aos países ricos.

Com a escassez de políticas de acesso às vacinas e com uma desigualdade vacinal entre países ricos, com cada vez mais doses, e países de baixa renda, com menos de 10% da população com duas doses, novas variantes podem continuar a surgir nesses países, e as fabricantes de vacina continuem em uma corrida de ‘gato e rato’.

COMO FUNCIONA CADA TECNOLOGIA DE VACINAS

Vacina de vírus inativado – é feita a partir de vírus modificado para não ser infectante, como a vacina da gripe. O organismo reconhece o vírus como algo estranho e produz anticorpos específicos de defesa. Necessita de grandes testes de segurança para garantir que nenhum processo da produção contém o vírus infectante

Vacina atenuada – princípio semelhante às vacinas inativadas, mas o vírus não está morto, só foi modificado para ser menos infectante, gerando ainda resposta imune. Um exemplo é a vacina da febre amarela.

Vacina de vetor viral – utiliza um outro vírus, como o adenovírus (vírus comum de resfriado em humanos), modificado para carregar um trecho do RNA do coronavírus, responsável por codificar a proteína S (ou Spike, usada pelo vírus para se ligar às células do hospedeiro). Esse material genético do vírus, quando liberado na célula do paciente, induz a produção da proteína S, o que, por sua vez, provoca uma reação de defesa do organismo na forma de anticorpos anti-Sars-CoV-2

Vacina de RNA ou DNA – possui apenas o material genético do vírus envolto em uma espécie de cápsula de transporte, normalmente de origem lipídica (gordura). No organismo, libera o RNA do vírus nas células, estimulando a produção da proteína S nas células, que, apresentadas na superfície celular, induzem a resposta protetora

Vacina proteica – mesmo princípio das vacinas de RNA mensageiro, com a diferença que não é toda a sequência genética do vírus, mas sim as partes que eles traduzem (proteínas) envoltas em um envelope de transporte. Induz a resposta contra a proteína S do Sars-CoV-2

Primeira mulher a assumir a direção de uma penitenciária federal é nomeada

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Foto: Divulgação

A nomeação histórica da primeira mulher a assumir a direção de uma penitenciária federal foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE), desta quinta-feira (3). Trata-se da policial penal federal Amanda Teixeira, 36 anos, servidora de carreira da Secretaria Nacional de Serviços Penais (Senappen). Com seis anos de experiência na execução penal federal, ela assume a direção da Penitenciária Federal em Brasília (PFBRA).

A policial tem currículo extenso na área de segurança penitenciária, além de experiência em gestão dentro e fora do órgão. Graduada em Ciências Sociais e Segurança Pública, Amanda Teixeira se junta ao time de mulheres que ocupam cargos de relevância no governo federal. Vale destacar que no primeiro escalão a presença feminina representa 31%.

Para Cristiano Torquato, diretor do Sistema Penitenciário Federal, “a nomeação da primeira mulher diretora de uma penitenciária federal representa a consolidação de um caminho de inclusão e acolhimento às mulheres que o Sistema vem trilhando”. A presença feminina da direção penitenciária federal é um reconhecimento a todas as mulheres que compõem a Secretaria.

Ao longo de 17 anos de história, o Sistema Penitenciário Federal (SPF) tornou-se referência no combate ao crime organizado. Nas cinco penitenciárias federais, que compõem o Sistema, nunca se registrou rebelião, fugas ou entrada de aparelhos celulares. Conhecidas por custodiarem os presos mais perigosos do país, as penitenciárias federais são mantidas por servidores de carreira: policiais penais federais, especialistas e técnicos em execução penal.

Desafio profissional

Para Amanda, “o desafio profissional é ainda mais significativo por ter o simbolismo da representação das mulheres”. Cabe à direção de Penitenciária Federal fazer a gestão estratégica da unidade de custódia que abriga presos de perfil específico, que apresentam risco às Unidades da Federação, organizaram rebeliões ou são líderes de facções criminosas.

“A participação das mulheres nos órgãos de segurança pública aumentou nos últimos anos em todo o país e o SPF vem acompanhando esse crescimento e assegurando postos de destaque a essas profissionais”, conclui Torquato. Os cargos de direção das penitenciárias federais são de ocupação exclusiva de servidores de carreira e fazem parte do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Fonte: Governo Federal

Homem fica ferido após acidente em SJB

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Santa Casa de Misericórdia de SJB

Na tarde desta sexta-feira (5) um homem de 20 anos ficou ferido após ser atropelado por um carro na Rua São Benedito, no Centro de São João da Barra.

De acordo com os Bombeiros, o homem estava pela rua em uma bicicleta quando foi atingido por um carro. O Corpo de Bombeiros socorreu e encaminhou o ciclista até a emergência da Santa Casa de Misericórdia com escoriações pelo corpo.

Por conta do acidente, o trânsito registrou lentidão, mas após o socorro o tráfego normalizou.

Homem suspeito de atear fogo na companheira é preso em Campos

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DEAM/Foto: ClickCampos

Na tarde desta sexta-feira (5) Policiais da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), prenderam o companheiro de uma mulher de 34 anos que teve 70% do corpo queimado, na última segunda-feira (1). A vítima está internada no Hospital Ferreira Machado em estado grave.

O suspeito chegou a gravar um vídeo e publicou nas redes socais, relatando a sua versão sobre o caso. Segundo ele, a família da vítima estaria mentindo. Já que, teria sido a própria vítima que colocou fogo nele e nela mesma, utilizando álcool e acendendo o fogão da residência do casal, durante uma discussão.

De acordo com apuração da Redação ClickCampos, o suspeito identificado pelas inicias J.M.P.G de 38 anos teve 17% do corpo queimado, foi medicado, fez limpeza e foi liberado do hospital no mesmo dia. Já a mulher, teve 70% do corpo queimado e permanece sedada, entubada no Centro de Terapia Intensivo (CTI) do HFM.

O caso, que está sob sigilo, é investigado na DEAM.

Corpo de homem de 43 anos é encontrado no Rio Paraíba

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IML/Foto: ClickCampos

Nesta quinta-feira (4) o corpo de um homem identificado como André Fernando Silva, de 43 anos, foi encontrado no Rio Paraíba do Sul, no bairro Tubiacanga, no município de São Fidélis.

Populares encontraram o corpo, já sem vida e acionaram os Bombeiros e a Polícia. Ao chegarem no local, os militares constataram o fato.

As causas da morte não foram ainda não foram identificadas. O corpo foi removido para o Instituto Médico Legal (IML) e o caso foi registrado na 141ª Delegacia de Polícia de São Fidélis.

Lula vai a Londres para coroação do rei Charles 3º e terá encontro com Sunak

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarca no Reino Unido nesta sexta-feira (5) para acompanhar a cerimônia de coroação do rei Charles 3º, no sábado (6).

Não há expectativas de acordos bilaterais, mas, segundo o Itamaraty, a viagem faz parte do “relançamento das relações diplomáticas” do Brasil desde a posse presidencial em janeiro. No terceiro mandato, Lula já viajou para Argentina, Uruguai, Estados Unidos, China, Emirados Árabes, Portugal e Espanha.

Ainda na sexta, Lula encontrará o premiê britânico, Rishi Sunak. Segundo o governo brasileiro, os dois devem discutir o comércio entre os países, a cooperação tecnológica e assuntos relacionados ao ambiente.

Tema mais espinhoso, a Guerra da Ucrânia também deve entrar na pauta -Londres é aliada de primeira hora de Kiev e, recentemente, o presidente brasileiro recebeu críticas de líderes ocidentais por declarações igualando a responsabilidade de invasor e invadido no conflito que se arrasta há 14 meses.
À noite, Lula foi convidado para participar de uma recepção oferecida pela família real britânica no Palácio de Buckingham, residência oficial do monarca, no centro de Londres.

A coroação do rei Charles 3º e da rainha consorte, Camilla, ocorrerá na manhã de sábado, a partir das 7h (horário de Brasília), na Abadia de Westminster. Depois da cerimônia, Lula deve participar de uma confraternização com outros chefes de Estado.

Charles 3º, 74, tornou-se rei em setembro do ano passado, após a morte de sua mãe, Elizabeth 2ª, aos 96 anos. O então presidente Jair Bolsonaro (PL) foi ao funeral da rainha e recebeu críticas por transformar a viagem em um ato de campanha. Na ocasião, ele se hospedou na casa do embaixador do Brasil em Londres. Depois de visitar o caixão de Elizabeth 2ª, ele foi à varanda e falou a um grupo de brasileiros vestidos de verde e amarelo que o recepcionaram com gritos de seus slogans de campanha.

Lula deve voltar de Londres no domingo. Já no próximo dia 30, Lula deverá se reunir com líderes de todos os países da América do Sul em Brasília. O objetivo do encontro é “reativar a agenda de cooperação sul-americana em áreas-chave”, segundo o Itamaraty.

“Como indicou o presidente da República aos seus pares regionais, é imperioso que voltemos a enxergar a América do Sul como região de paz e cooperação, capaz de gerar iniciativas concretas para fazer frente ao desafio do desenvolvimento sustentável com justiça social”, informou a pasta em nota.

O comunicado não faz menção ao ditador venezuelano, Nicolás Maduro, líder mais controverso da região. Caracas e Brasília retomaram relações após a posse de Lula, incluindo com a reabertura de embaixadas.

Pedreiro passa em universidade, mas é impedido de fazer a matrícula em MG

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SÃO PAULO, SP (UOL-FOLHAPRESS) – Um vídeo de um pedreiro de 47 anos viralizou nas redes sociais após a sua reação ao saber que foi aprovado em uma universidade pública.

Adenilton Nicolau estava prestes a realizar o sonho de estudar filosofia na UFG (Universidade Federal de Goiás). O vídeo da sua reação, publicado na terça-feira (2), já tem mais de 1 milhão de visualizações.

Apesar da aprovação, a filha do pedreiro publicou um novo vídeo hoje informando que o pai não poderá ingressar na universidade. O pedreiro seria o primeiro da família a entrar em um curso de graduação.

Na gravação, Adenilton explica que fez a inscrição pelo sistema de cotas, mas infringiu um dos requisitos. Ele detalha que, pela regra, precisaria ter estudado em escolas públicas, mas fez um supletivo em um colégio particular para finalizar o Ensino Médio.

No vídeo, o pedreiro diz que tinha pouco tempo para estudar porque precisava trabalhar e cuidar dos filhos e, por isso, resolveu fazer o supletivo.

Corpo de brasileiro é encontrado desmembrado em Portugal

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A Polícia Judiciária de Portugal já identificou a vítima do homicídio cujo corpo desmembrado foi encontrado na zona do Cadaval, que fica a 78 km de Lisboa, revelou a CNN Portugal. De acordo com o canal, já foi também identificado o suspeito do crime, que teria ocorrido por motivos passionais.

A vítima é Valdene Mendes, um imigrante brasileiro que vivia em Portugal. Suspeito e vítima teriam, supostamente, um relacionamento.

O corpo foi encontrado dentro de um saco de plástico, na terça-feira à noite, em Pero Moniz, próximo de Cadaval.

Na ocasião, fonte policial confirmou à agência Lusa que o corpo não estava completo. “Faltam partes, como a cabeça, pelo que houve a tentativa de ocultar a identidade da vítima”, explicou.

Já na quinta-feira, a PJ disse que a vítima era do sexo masculino.

Casamento Comunitário de Campos: casais recebem orientações sobre a cerimônia

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Foto: Divulgação Ascom

A secretaria de Desenvolvimento Humano e Social realizou nesta quinta-feira (04) reunião com os casais que vão participar do Casamento Comunitário, que vai acontecer no próximo dia 19, no Automóvel Clube Fluminense. No encontro, que aconteceu no Teatro de Bolso, foram esclarecidas as dúvidas dos noivos e, também, passadas orientações a respeito do cerimonial, trajes, horários e convites.

Amaro Batista e Marizete Ferreira, de 55 e 60 anos, respectivamente, que vão se casar na cerimônia, estão ansiosos para o grande dia. “A expectativa é muito grande. Estamos juntos há um ano, nos conhecemos na igreja e tudo aconteceu muito rápido, porque tinha que ser. Noivamos e quando vimos que teria o casamento comunitário decidimos aproveitar a oportunidade e oficializar nossa união” contou Marizete.

Paola Santos e Talvanes Oliveira, juntos há 6 anos, moradores de Ibitioca, também se animaram com a oportunidade. “Eu vi o casamento do ano passado e achei tudo muito bonito, fiquei esperando abrir as inscrições para poder participar. Nós estamos muito animados, contando os dias”, destacou Paola.

Nesta edição 39 casais vão participar da cerimônia. Os noivos também vão ganhar um “Dia de Beleza”, que vai acontecer nos 2 dias que antecedem o casamento, com a oferta de manicure, trancistas, designer de sobrancelhas e barbeiro. Os noivos também poderão convidar 8 pessoas para a celebração.

Participaram da reunião, a subsecretária de Justiça e Assistência Judiciária, Daniele Campos, a gerente de projetos, Raquel Farias; a coordenadora do evento, Mariana Barreto e os produtores do evento, Ruan Barros e Gustavo Sales.

Assim como aconteceu na edição de novembro do ano passado, quando 62 casais selaram sua união, o Casamento Comunitário 2023 vai contar com decoração, buffet e banda, oferecidos pela Prefeitura de Campos. O evento acontece em parceria com o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), por meio do Justiça Itinerante, sendo uma oportunidade para as famílias em situação de vulnerabilidade regularizarem a situação legal.

Fonte: Ascom

OMS declara o fim da emergência de saúde da pandemia de Covid, a mais devastadora deste século

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SÃO CARLOS, SP E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – “Doença respiratória misteriosa mata dois na China e gera alerta nos EUA”, dizia o título da reportagem no site da Folha. O texto, datado de 17 de janeiro de 2020, falava de “um novo tipo de coronavírus” na cidade chinesa de Wuhan. “As autoridades de saúde locais tentaram tranquilizar a opinião pública: segundo elas, o risco de transmissão entre humanos, se não foi excluído, é considerado baixo.”

Ao menos no início, essa não era uma aposta descabida. Outros coronavírus recém-descobertos, inclusive um que emergira na própria China -o causador da pneumonia atípica Sars, detectado em 2002- tinham causado estragos muito limitados na população humana antes de serem contidos de vez.

Não era o caso do vírus que receberia a designação oficial de Sars-CoV-2. O causador da Covid-19 “aprendeu” a infectar células humanas com relativa eficiência e encontrou diante de si bilhões de potenciais vítimas, sem defesas naturais contra ele. E depois de mais de três anos e quase 7 milhões de mortes, a OMS declarou que a doença não é mais uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (Espii).

A indicação de que uma doença representa uma emergência de saúde global se dá por um comitê formado frente a uma possível ameaça. Os membros desse conselho se reúnem e aconselham o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, se a situação representa ou não uma emergência a nível global.

No caso da Covid, isso ocorreu em 30 de janeiro de 2020. Desde então, os membros do comitê mantinham a posição de que a infecção continuava representando um risco mundial. Isso mudou somente com a última reunião, ocorrida nesta quinta (4), em que o grupo observou que a doença não representa mais uma preocupação para a saúde pública a nível mundial.

O resultado do contato com a Covid-19 foi a mais devastadora pandemia deste século até agora, responsável por desencadear uma espécie de viagem no tempo epidemiológica -rumo ao passado.

Pela primeira vez desde o começo do século 20, uma das principais causas de morte em países ricos voltou a ser uma doença infecciosa. O mesmo aconteceu em países como o Brasil, nos quais, apesar da desigualdade social, a maior parte das moléstias transmissíveis também tinha sido vencida ou contida.

Em boa parte do mundo, a expectativa de vida chegou a diminuir: pouco mais de dois anos de vida a menos no caso de americanos do sexo masculino, de acordo com um estudo publicado em fevereiro de 2022. Os dados mais conservadores, com testes que detectaram diretamente a ação do vírus, indicam que 6,5 milhões de pessoas morreram de Covid-19 até outubro de 2022. Dessas, quase 700 mil eram brasileiras.

O número real, porém, pode ser muito maior. Quando são computadas as chamadas mortes em excesso -ou seja, as que superam o que seria esperado segundo tendências normais de mortalidade, sem a pandemia- as vítimas da doença poderiam chegar a 15 milhões.

Segundo a hipótese aceita pela grande maioria da comunidade científica, o Sars-CoV-2 passou a ter acesso a essa multidão global de novos hospedeiros seguindo um script bem conhecido. Todas as principais pistas apontam para uma gênese da pandemia num dos “mercados molhados” de Wuhan -um local onde mamíferos silvestres vivos e sua carne ficavam em contato com animais domésticos e pessoas.

Quase todas as grandes doenças pandêmicas da história parecem ter começado assim: como patógenos (causadores de doenças) cujo reservatório natural era uma espécie de mamífero ou ave. Animais silvestres abrigam imensa diversidade de vírus desconhecidos, e o contato constante com eles em ambientes como o mercado de Wuhan multiplica as chances de que um desses vírus consiga fazer o salto entre espécies.

Concentrações de casos se fizeram notar na cidade chinesa a partir de novembro de 2019, e alguns médicos da região logo alertaram as autoridades de saúde sobre os riscos daquele cenário. Alguns deles, no entanto, chegaram a ser punidos pelo alarmismo, e medidas mais sérias de controle demoraram a ser implementadas. Wuhan é uma metrópole de 11 milhões de pessoas e um movimentado centro de viagens aéreas e por trens de alta velocidade. Em dezembro e na primeira metade de janeiro de 2020, a inexistência de barreiras severas ao deslocamento permitiu que a doença se espalhasse pela China e já começasse a atingir outros países, embora o primeiro caso brasileiro só fosse confirmado no fim de fevereiro daquele ano. A partir daí, a pandemia se tornou muito difícil de conter.

Situações parecidas no passado quase sempre envolveram grandes doses de boataria, crendices e xenofobia, na busca de soluções mágicas para o avanço das mortes e por bodes expiatórios para a situação. No caso da Covid-19, essas reações previsíveis foram potencializadas pelo buraco negro das mídias sociais e pelos movimentos de extrema direita, com destaque para o trumpismo nos EUA e o bolsonarismo no Brasil. O apego ideológico a “liberdades individuais” a todo custo e a ânsia em manter a economia girando fizeram com que esses movimentos sabotassem as principais medidas de prevenção.

O desastre só não foi maior por causa da mobilização sem precedentes da comunidade científica mundial contra a Covid-19, potencializada por investimentos públicos da ordem de dezenas de bilhões de dólares. Em poucos meses, pesquisadores desvendaram detalhes do ciclo de transmissão e replicação (grosso modo, “reprodução) de um vírus antes desconhecido.

Testes de medicamentos já existentes e o desenvolvimento de novos fármacos aconteceram em tempo recorde, um esforço que culminou com a aprovação das primeiras vacinas contra a doença no começo de dezembro de 2020, um ano depois dos primeiros casos em Wuhan. As imunizações se mostraram seguras e eficazes para proteger a população contra internações e mortes, embora não tenham sido capazes de deter a transmissão do vírus até agora.

Com métodos de sequenciamento (“leitura”) de material genético relativamente rápidos e baratos à mão, foi possível monitorar a evolução de um vírus pandêmico em tempo real pela primeira vez na história.

Uma sucessão de letras gregas passou a povoar o noticiário, documentando a transformação da cepa original do Sars-CoV-2 de Wuhan. Eram variantes como a gama (a responsável pelas cenas trágicas de pacientes sem oxigênio em Manaus no começo de 2021), a delta (que levou a uma forte recrudescência da doença na Europa e na América do Norte em meados do mesmo ano) e a ômicron.

Por ora, parece que faz sentido colocar um ponto final após a designação dessa última variante. Enquanto formas do Sars-CoV-2 como a gama e a delta surgiram a partir de linhagens independentes entre si, com cada uma delas “descobrindo” seu próprio caminho como parasita cada vez mais eficiente das células humanas, a chegada da ômicron, ao menos por enquanto, encerrou essa dinâmica. Novas variantes, com maior eficiência de transmissão e mais agilidade nos dribles que aplicam ao sistema de defesa do organismo, continuam a surgir, mas todas derivam da ômicron “1.0”.

O fim da emergência global trazida pela Covid-19 está longe de significar que novas ameaças pandêmicas demorarão a aparecer. O avanço da chamada varíola dos macacos (a qual, convém lembrar, não tem nada a ver com os primatas, apesar do nome) deixou isso claro, mesmo com seu impacto mais modesto.

Apesar do ceticismo acerca da origem do Sars-CoV-2, e mesmo que algum dia se demonstre uma ligação entre a gênese do vírus e pesquisas em laboratório, os reservatórios de doenças na natureza continuam sendo muito maiores do que qualquer fonte laboratorial.

Isso significa que novas pandemias continuarão aparecendo onde quer que o contato intenso entre seres humanos e/ou seus animais domésticos, de um lado, e a fauna silvestre, de outro, seja encorajado por fatores econômicos.

A destruição de habitats pelo desmatamento, o tráfico e consumo de animais selvagens ou de produtos derivados deles, o avanço indiscriminado da agropecuária e a crise climática correspondem a uma máquina global de geração de pandemias. O monitoramento constante de patógenos potencialmente perigosos e o investimento em vacinas e fármacos inovadores podem até evitar muitos danos. Mas, sem uma tentativa de desacelerar a máquina, outras medidas vão servir apenas para enxugar gelo.

Conflito no Sudão que já matou mais de 550 é legado da era colonial

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Considerado um dos países mais instáveis do mundo, o Sudão tem histórico extenso de conflitos armados e disputas de militares pelo poder. Novos combates explodiram nos últimos dias, provocando a morte de ao menos 550 pessoas e alimentando o temor de uma crise humanitária sem precedentes em toda a região.

Os confrontos começaram no último dia 15 entre as forças do Exército regular, lideradas pelo general Fatah al-Burhan, e do grupo paramilitar RSF (Forças de Apoio Rápido, em português), comandado pelo também general Mohamed Hamdan Dagalo, conhecido como Hemedti.

Juntos, eles derrubaram em 2019 a ditadura de 30 anos de Omar al Bashir. Dois anos depois, participaram de um golpe de Estado que encerrou a transição para um regime democrático. No comando do país, os generais passaram a divergir sobre a participação dos paramilitares no Exército e sobre a formação de um novo governo, alimentando rumores sobre confrontos armados que se concretizaram em abril.

Os combates no Sudão são resquícios da era colonial que militarizou e dividiu o país, segundo Lucas de Oliveira Ramos, especialista em dinâmicas de segurança na África e doutorando em relações internacionais.
Conheça mais sobre a história do Sudão a seguir.

COMO FOI O PROCESSO DE COLONIZAÇÃO DO PAÍS?

Localizado no nordeste da África, o Sudão foi colônia do Reino Unido e do vizinho Egito num arranjo considerado raro chamado de “condomínio”, estabelecido em 1899. Na prática, os europeus controlavam a área sudanesa de forma indireta, apoiando reis egípcios que administravam o território.

No período, a população do norte sudanês recebia armas da coroa britânica em troca de recursos naturais, segundo Lucas Ramos. O processo deu início à formação das elites sudanesas, à época já militarizadas e patrimonialistas.

POR QUE O NORTE SE DESENVOLVEU MAIS QUE O SUL?

Também a desigualdade é legado do período colonial. De acordo com Ramos, a coroa britânica financiou grupos sedentários estabelecidos ao norte, nas margens do rio Nilo, que sobreviviam da atividade pastoril.

Ao sul, os grupos eram nômades e não receberam recursos. “Na época da colonização, era comum a metrópole escolher um grupo para atuar como intermediário entre a coroa e a população local”, afirma.

O resultado foi a segregação do sul, que recebeu investimentos inexpressivos e teve pouca participação política, o que estimulou a insatisfação da população local. A concentração da elite em Cartum, a atual capital do Sudão, aprofundou as diferenças regionais.

COMO O SUDÃO CONQUISTOU A INDEPENDÊNCIA?

O Sudão se tornou independente em 1956 como consequência da Segunda Guerra Mundial. Enfraquecidos economicamente em função do conflito, países europeus destinaram menos recursos às colônias e foram aos poucos perdendo o controle sobre os territórios.

A participação de tropas sudanesas ao lado dos aliados na Segunda Guerra acelerou o processo de emancipação como parte do reconhecimento pelos esforços na luta, diz o professor Alexandre Dos Santos, de política e história do continente africano no Instituto de Relações Internacionais da PUC-RJ.

Mas o processo não foi pacífico. Houve conflitos entre forças da metrópole e rebeldes influenciados por Maomé Amade (1844 – 1885), que liderou uma guerra anticolonial contra o domínio militar otomano e egípcio no século 19.

QUAL É A FORMA DE GOVERNO DO SUDÃO?

Oficialmente, a forma de governo vigente no Sudão é o presidencialismo. Mas, desde a independência, o país tem sido dominado por ditadores e líderes autocráticos acusados de cometerem violações contra os direitos humanos.
Quem se manteve mais tempo no poder foi o ditador Omar al-Bashir. Ele liderou um golpe militar contra um governo eleito em 1989. Foi deposto 30 anos depois pelas Forças Armadas, que instituíram um governo de transição para a democracia.

“A política do Sudão é pendular. Está sempre alternando revoluções populares que derrubam ditadores e golpes de militares que dão jeito de voltar ao poder”, diz Santos.

Em 2021, um golpe militar com a justificativa de restaurar a ordem encerrou a transição para o regime democrático instalado após o regime de al-Bashir. Já os confrontos iniciados no mês passado caracterizam uma tentativa de golpe dentro do golpe.

QUANTAS GUERRAS CIVIS O SUDÃO JÁ TEVE?

O Sudão teve duas longas guerras civis, com confrontos entre forças do norte do país e do sul.

A primeira começou em 1955, quando líderes do sul exigiram maior autonomia regional. De acordo com Santos, no processo de transição para a independência, em 1956, a coroa britânica não considerou a divisão política no país africano, negociando apenas com representantes do norte, o que gerou revolta.

O acordo que pôs fim aos combates em 1972 fracassou, levando à explosão de um novo conflito norte-sul de 1983 a 2005. Esse conflito é considerada um dos mais mortais do final do século 20. Estimativas apontam de 1 milhão a 2,5 milhões de pessoas mortas, sendo a maioria civis.

O SUDÃO TEM CONFLITOS ÉTNICOS OU RELIGIOSOS?

Sim. A Segunda Guerra Civil Sudanesa (1983 – 2005), por exemplo, começou quando o governo muçulmano do norte tentou impor a sharia, a lei tradicional islâmica, em todo o país, inclusive no sul, onde os cristãos estão concentrados.

Os confrontos entre as duas partes quase sempre são justificados como consequência das diferenças étnicas e religiosas no Sudão, sendo o sul predominantemente cristão e o norte, muçulmano. Especialistas, ponderam, porém, que é preciso levar em consideração as desigualdades sociais e econômicas.

QUANDO O SUDÃO FOI DIVIDIDO?

Depois de longos períodos de guerra civil, o Sudão do Sul se tornou um país em 2011, após a população votar em referendo pela independência do território. Desde então, a nação africana vem enfrentando diversos problemas relacionados à infraestrutura e administração -hoje é um dos Estados mais pobres do mundo. Também depende de recursos e tecnologia do vizinho ao norte.

QUAL É A RELAÇÃO DA HISTÓRIA DO SUDÃO COM O CONFLITO ATUAL?

O conflito atual é resultado de uma sociedade militarizada, violenta e dividida. As Forças de Apoio Rápido nasceram em um embate na região sul do país. O grupo paramilitar tem origem nas chamadas milícias janjaweed, acusadas de terem cometido atrocidades na região de Darfur nos anos 2000. À época, soldados foram convocados pelo então ditador, Omar al-Bashir, a reprimir uma rebelião liderada por povos não árabes. Estima-se que 300 mil pessoas foram mortas no conflito.

Com o passar do tempo, o grupo cresceu e passou a ser usado como guarda de fronteira, principalmente para reprimir a migração irregular. Em 2017, foi aprovada uma lei que legitima o grupo paramilitar como força de segurança independente. Depois, em 2019, após a destituição do ditador, o general Hemedti assinou um acordo de compartilhamento de poder que o tornava o número dois no comando do Sudão.

O número um é o general al-Burhan, que controla o Exército sudanês.

QUAL É A SITUAÇÃO ATUAL DO CONFLITO?

Desde o início dos combates, ataques aéreos e de artilharia mataram ao menos 550 pessoas e feriram quase 4.900 até esta quinta (4). As ofensivas também destruíram hospitais e limitaram a distribuição de alimentos -um terço da população de 46 milhões de pessoas já dependia de ajuda humanitária.

A Organização Mundial da Saúde disse na semana passada que apenas 16% das instalações de saúde estavam funcionando em Cartum e projetou “muito mais mortes” devido a doenças e à escassez de alimentos, água e serviços médicos. Estima-se que 50 mil crianças com desnutrição aguda tiveram o tratamento interrompido, e os hospitais que ainda funcionam enfrentam falta de suprimentos, energia e água.

QUANTOS BRASILEIROS ESTÃO NO SUDÃO?

O Itamaraty informou, em nota enviada à Folha de S.Paulo na terça (2), que 24 dos 27 brasileiros que estavam no Sudão já deixaram o território; os demais foram transferidos para áreas de menor risco relativo e aguardam oportunidades de também deixarem o país.

Já a rede chinesa CCTV noticiou que o navio Weishanhu, da Marinha do Exército de Libertação Popular, levou seis brasileiros do Sudão para o porto de Jeddah, na Arábia Saudita, no final da semana.

Questionado sobre a operação, o Itamaraty informou que conta com a cooperação de diferentes parceiros internacionais, entre os quais a ONU, a Espanha, a Suécia, a França, a China e a Arábia Saudita.