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Caso de família morta em colégio é investigado como homicídio e suicídio

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O caso chocante de uma família – diretora, marido e filhos – encontrados mortos no Epsom College neste domingo sofreu uma reviravolta com a polícia afirmando que acredita que George Pattison, que tinha uma licença de porte de arma, matou Emma Pattison e Lettie, de sete anos, na casa da família no terreno do conceituado colégio britânico.

A mulher, sabe-se agora, fez uma chamada angustiada para um membro da família no final da noite de sábado, de acordo com a BBC. Mas quando o familiar chegou, os três já estavam mortos.
 
A polícia de Surrey deve dar mais informações sobre o caso ainda nesta terça-feira mas acredita, para já, na versão de duplo homicídio seguido de suicídio. 

Emma trabalhou na escola privada – que foi considerada a melhor escola independente no ano passado – durante cinco meses. A professora era considerada uma “pessoa encantadora”, conforme afirmou Alastair Wells, presidente do conselho diretivo do Epsom College, citado pelo canal de televisão britânico.

 

Thiago Rangel assume liderança do PODEMOS na ALERJ

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O deputado campista Thiago Rangel, estreante na ALERJ, foi oficializado nesta terça-feira (07) como novo líder da bancada do partido PODEMOS na Assembleia.

Thiago também deve integrar comissões da casa, incluindo a de Minas e Energia, que é de extrema importância para a região, já que o petróleo é praticamente o tema base da comissão.

Rangel também nomeou sua equipe, que terá como chefe de Gabinete Wilson Sombra, velho conhecido da política Fluminense.

"Não tem água para beber", diz ministra sobre situação dos Yanomami

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A Ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, disse em coletiva à imprensa que o território Yanomami está repleto de garimpeiros.

A ministra afirmou que não conseguiu pousar em duas localidades para entregar alimentos devido à falta de segurança no local.

E que o excesso de garimpo na região contaminou a água que todos os indígenas bebem no local.

Confira na reportagem de Pedro Rafael Vilela. 

Ucrânia registra recorde de mortes russas; Rússia nega óbitos

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A Ucrânia disse nesta terça-feira (7) que as últimas 24 horas foram as mais letais da guerra para as tropas russas, enquanto Moscou enviou dezenas de milhares de soldados e mercenários recém-mobilizados em ataques de inverno implacáveis no leste.

Os ucranianos elevaram a contagem de militares russos mortos de 1.030, durante a noite, para 133.190, e descreveram o aumento como o maior da guerra até agora. Eles também disseram que suas tropas destruíram 25 tanques russos nos últimos dois dias.

O relato de inimigos mortos não pôde ser confirmado de forma independente, e Moscou nega que suas forças tenham sofrido perdas em tal escala, ao mesmo tempo em que afirma ter matado um grande número de ucranianos.

Mas a escala sem precedentes de baixas relatadas se encaixa nas alegações de ambos os lados, que descrevem as batalhas em trincheiras cobertas de neve como o combate mais mortífero da guerra, apesar do pouco avanço dos dois lados no front.

A guerra logo entrará em seu segundo ano em uma conjuntura crucial, com Moscou tentando recuperar a iniciativa, enquanto Kiev espera por tanques ocidentais para uma contraofensiva.

Depois de não conseguir tomar Kiev no ano passado e perder terreno no segundo semestre de 2022, Moscou agora está fazendo pleno uso de centenas de milhares de soldados convocados nos últimos meses em sua primeira mobilização desde a Segunda Guerra Mundial.

Kiev e o Ocidente dizem que a Rússia tem enviado tropas adicionais para o Leste da Ucrânia nas últimas semanas, na esperança de poder reivindicar novos avanços quando chegar a invasão do país pelos russos completar um ano, no final deste mês.

Nas últimas semanas, a Rússia ostentou seus primeiros ganhos em meio ano. Mas o progresso ainda foi reduzido, com Moscou sem conseguir avançar no único grande centro populacional em sua campanha de inverno, apesar de milhares de mortos.

Os combates se concentram há meses em torno da cidade de Bakhmut, controlada pela Ucrânia, na província de Donetsk, uma cidade com uma população pré-guerra de cerca de 75 mil habitantes, que a Rússia vem tentando cercar.

Em uma atualização diária de inteligência, o Ministério da Defesa do Reino Unido disse que os militares da Rússia vinham tentando, desde o início de janeiro, retomar grandes operações ofensivas para capturar partes da região de Donetsk controladas pela Ucrânia, mas ganharam pouco terreno até agora.

Os russos “carecem de munições e unidades de manobra necessárias para uma ofensiva bem-sucedida”, afirmou.

Autoridades ucranianas dizem que Moscou pode estar acumulando armas e reservas para um ataque ainda maior nas próximas semanas. O governador ucraniano da província de Luhansk previu uma grande ofensiva russa que pode começar por volta de 15 de fevereiro.

*É proibida a reprodução deste conteúdo

Defesa Civil de Campos alerta para fortes chuvas entre esta terça e quinta-feira

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Tempo/Foto: Divulgação Ascom
O Setor de Monitoramento da Defesa Civil emitiu um alerta para possibilidade de chuvas significativas em Campos entre esta terça (07) e quinta-feira (09), podendo ter ocorrência de pancadas de intensidade forte em alguns momentos.
A Defesa Civil solicita atenção e precaução, principalmente, de moradores de localidades suscetíveis a intercorrências geradas por fatores climáticos. Em caso de emergência, a população deve contatar a Defesa Civil pelo telefone (22) 9 8175-2512.

Corpo de jovem de 17 anos é encontrado após buscas no Rio Paraíba do Sul

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Foto: Reprodução Jornal Na Boca do Povo

O corpo de um adolescente de 17 anos foi encontrado na tarde desta segunda-feira (6) em Aperibé, no Norte Fluminense, após buscas no rio Paraíba do Sul.

Segundo os bombeiros, João Pedro Cunha Viegas estava desaparecido desde domingo (5) após mergulhar no rio, em um sitio da cidade.

O Corpo de Bombeiros disse que o Destacamento de Bombeiro Militar de Itaocara foi acionado por volta das 14h35 já iniciando as buscas com a própria equipe enquanto acionava apoio da equipe de operações subaquáticas do 5ºGBM, da cidade de Campos.

O trabalho dos mergulhadores foi realizado até o início da noite, sendo as buscas retomadas na manhã de segunda (6).

O corpo do adolescente foi encontrado por volta de 17h20 e levado para o Instituto Médico Legal de Santo Antônio de Pádua.

Fonte: g1

Corpo em estado de decomposição é encontrado na zona rural de Campos

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IML/Foto: ClickCampos

Na noite desta segunda-feira (7) o corpo de um homem em estado avançado de decomposição, foi encontrado no interior de uma propriedade, na Estrada Ribeiro Cumprido, em Ibitioca, na zona rural de Campos.

Populares acionaram a Polícia Militar e ao chegar no local, os agentes constataram que era um corpo do sexo masculino, já em decomposição, sem identificação. Testemunhas ainda informaram que o corpo seria der um andarilho.

A perícia foi acionada e o corpo foi removido para o Instituto Médico Legal (IML) de Campos. O caso foi registrado na 134ª Delegacia de Polícia do Centro.

Polos de saúde yanomamis têm fezes, remédios vencidos e seringas reutilizadas, aponta relatório

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(FOLHAPRESS) – Relatório preliminar feito pelo Ministério da Saúde sobre a situação encontrada na Terra Indígena Yanomami registra remédios vencidos, seringas orais reutilizadas indevidamente e fezes espalhadas em unidades de atendimento, além de desvio de comida e de medicamentos para tratamento de malária.

O documento obtido pela reportagem foi produzido após vistoria realizada no Dsei (Distrito Sanitário Especial Indígena) do território entre 15 a 25 de janeiro.

Entre outros problemas, o texto relata que uma série de polos-base (unidades de saúde instaladas nos territórios) foi fechada por causa da insegurança gerada pela presença dos garimpeiros que atuam com ligações com apoio do tráfico de drogas e de militares. O governo de Jair Bolsonaro (PL) é apontado como responsável pela situação precária das unidades de atendimento e pela falta de combate ao garimpo ilegal na região.

A conivência com o garimpo e a desassistência em saúde indígena na área yanomami provocaram uma crise de saúde no local, com explosão de casos de malária, desnutrição grave e outras doenças associadas à atividade de exploração -que causa desmatamento e contaminação por mercúrio.

A equipe da Saúde visitou o polo-base de Surucucu, em Roraima, que atende 23 comunidades indígenas e tem capacidade para 60 pessoas. O relatório mostra que, pela falta de estrutura, os indígenas precisam fazer fogueiras para se aquecer -o que já resultou, inclusive, em queimaduras em crianças.

A unidade, segundo relato dos profissionais, vem fazendo atendimentos de emergência. No entanto, não possui nem suporte de soro, o que faz os agentes de saúde improvisarem esse instrumento com pregos na parede.

Uma das duas macas disponíveis estava enferrujada e sem colchão, sendo usada para buscar os pacientes que chegam em aeronaves. Também faltam profissionais no local.

“O polo-base de Surucucu tem alta demanda de pacientes, tendo em vista que as três UBSI [Unidade básica de Saúde Indígena] localizadas ao redor de Surucucu estão sem equipe de saúde e as comunidades Xaruna, Makabei, Macuxi Yano e Kurimã não podem procurar a UBSI Parima devido a conflito intercomunitário”, diz o relatório.

Na área de preparo dos medicamentos, há reúso de seringas para medicamentos orais. Elas são apenas lavadas em água corrente e colocadas em uma bacia, diz o documento.

A equipe pediu “ajustes de conduta” em relação a esse procedimento. Segundo manual de biossegurança da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), elaborado para a Prefeitura de Porto Alegre, o item deve ser lavado com produtos como detergente e álcool, além de ficar submerso para desinfecção. “Seringas e agulhas reutilizáveis devem ser transportadas para a área de limpeza e esterilização em caixa de inox ou bandeja”, diz o manual.

Os profissionais também não possuem equipamento de proteção individual, como máscara e luvas, para o manuseio e preparo de remédios.

A sala de vacinas é usada para atendimentos ligados à malária. Quando há necessidade de observação do paciente ou nos casos em que uma mulher chega desacompanhada e precisa permanecer na unidade, o espaço ainda serve para acomodação.

A primeira consulta de um bebê, que deveria ocorrer nos primeiros 15 dias de vida, só acontece nas comunidades mais próximas do polo-base. Já o teste do pezinho é feito apenas se houver tempo hábil.

“Consultas com o médico só se dão na ida da gestante até o polo-base. Caso contrário, mesmo em missão a consulta é realizada pelo enfermeiro ou técnico de enfermagem”, aponta o documento.

Também há relatos de alimentos roubados. No local, faltam frutas e verduras desde julho passado, sem reabastecimento. Há também escassez de panelas, copos, pratos e, quando a equipe realizou a vistoria, não havia botijão de gás.

O relatório também cita falta de medicamentos e relatos de extravio de remédios de malária.

Quando o grupo visitou a Casai (Casa de Saúde Indígena) de Boa Vista, o banheiro estava com as portas quebradas e as malocas estavam sujas e com fezes. Esgoto a céu aberto e um extintor de incêndio vencido desde 2014 foram outros problemas observados.

A sala de vacinação está desativada há dois anos.

“Os banheiros são insalubres, e os espaços para refeição insuficientes para a população e pouco agradáveis”, aponta. O documento relata ainda que a alimentação era em quantidade insuficiente até há alguns meses e que as pessoas relatavam passar fome na Casai.

Segundo informações dadas à equipe, pacientes esperam até dez anos para voltar às comunidades após um atendimento, por falta de apoio logístico. No momento da visita, de acordo com os relatos, 150 pacientes já com alta e 200 acompanhantes permaneciam no local por não haver transporte.

Já no polo-base Kataroa, o ministério registrou medicamentos vencidos ou próximos ao prazo de validade e precariedade na organização, o que, na visão do grupo, impossibilita tratamentos efetivos aos pacientes internados.
“O local é insalubre e não há banheiro para os profissionais realizarem as necessidades fisiológicas e nem higiene pessoal. Os profissionais improvisaram um banheiro para diminuir as idas ao igarapé, no entanto os banhos são realizados dentro da mata”, diz o relatório.

O relatório indica o clima de insegurança da região por causa do garimpo ilegal. Como exemplo, cita o caso de uma empresa que tem contrato com o Ministério da Saúde para o serviço aéreo e se negou a fazer a remoção de uma criança no polo-base de Haxiu devido às situações de conflito no território. O transporte só aconteceu após Sesai (secretaria de Saúde Indígena do ministério) e Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) conseguirem apoio da Força Nacional.

Existem na região de Surucucu quatro polos fechados devido à insegurança causada pelos invasores. Uma unidade foi reformada para reabertura, mas nunca reinaugurada.

Fizeram parte da missão a Sesai, a Força Nacional do SUS (Sistema Único de Saúde), o Programa de Treinamento em Epidemiologia do SUS, a Opas (Organização Panamericana da Saúde), a Força Nacional de Segurança e a Funai.

O QUE MOSTROU A VISTORIA DO GOVERNO

FEZES

O relatório aponta que na Casai de Boa Vista o alojamento está sujo e com fezes espalhadas

SERINGAS

Instrumentos de uso oral eram apenas lavados e depois reutilizados. Também faltam equipamentos para profissionais de saúde

MEDICAMENTOS

Foram encontrados produtos vencidos ou perto da data de validade. Também há relatos de desvio de remédios para tratar malária

INSEGURANÇA

Presença do garimpo forçou o fechamento de pelo menos sete polos-base, inclusive um reformado

Homem é detido com simulacro de pistola e canivete em Guarus

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Foto: Divulgação Polícia Militar

Na manhã desta terça-feira (7) um homem foi detido com um simulacro de pistola e um canivete na Avenida Carlos Alberto Chebabe, próximo a primeira passarela, no Parque Niterói, em Guarus.

Apos informações de que um homem estaria ostentando uma pistola intimidando as pessoas e roubando nas ruas, os policiais conseguiram encontrá-lo e o abordaram. Ao lado dele, foi encontrado um simulacro de pistola e 1 canivete.

Ao ser questionado, o mesmo informou que usava o material para a própria proteção. O suspeito que já possui passagem pela polícia foi encaminhado para a 146ª Delegacia de Polícia de Guarus, onde foi ouvido e liberado.  O material ficou apreendido na DP.

Canadá testa os limites da eutanásia

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Militar da reserva e atleta paralímpica, a canadense Christine Gauthier, de 52 anos, pede a instalação de rampas de acesso para cadeiras de rodas em sua casa há cinco anos ao governo. Como não conseguiu o benefício, mas insistia no pedido, o Departamento de Assuntos de Veteranos sugeriu que ela recorresse à lei do suicídio assistido, “já que estava tão desesperada”.

Desde a edição da norma, no ano de 2016, mais de 30 mil pessoas fizeram o mesmo no Canadá: mataram-se com assistência médica, sob amparo da lei. Em 2021, mais de 3% dos óbitos no país foram desse tipo.

A lei que regulamenta o suicídio assistido no Canadá é considerada uma das mais abrangentes do mundo. Na maioria dos países que legalizaram a prática, ela só é autorizada para pacientes com doenças terminais.

Já em território canadense, desde março do ano passado, a legislação do país se estende a pessoas com deficiência ou que sofrem com fortes dores.

Este ano, também em março, a lei deve ser ainda mais ampliada, para abarcar pessoas com problemas como depressão. Além disso, já está em discussão a possibilidade de a lei chegar a menores não emancipados que sejam considerados maduros o suficiente para escolher o tratamento de saúde ao qual querem ser submetidos.

“Estamos acompanhando as investigações e alterando protocolos para garantir o que parece óbvio para todos nós: não cabe ao Departamento de Assuntos de Veteranos, que deveria apoiar as pessoas que se alistaram para servir a seu país, oferecer assistência médica para a morte”, disse o primeiro-ministro do país, Justin Trudeau, no caso da atleta Christine Gauthier. “Isso é inaceitável”, reforçou.

POBREZA

O caso de Christine não é comum, mas tampouco é único. O aposentado canadense Les Landry, de 65 anos, conseguiu a autorização de pelo menos um médico (são necessários dois profissionais) para recorrer ao suicídio assistido porque tem medo de se tornar um sem-teto.

Landry é paraplégico e sofre de diabete, o que o qualifica para fazer o pedido no âmbito da legislação canadense, mas admite que a pobreza foi o fator primordial na decisão de pôr fim à própria vida.

Ele chegou a dizer que “não queria morrer”, mas não tinha condições financeiras para viver dignamente com o dinheiro da aposentadoria.

Os casos de Landry e Christine ganharam espaço na mídia canadense e internacional e abriram nova discussão sobre os limites da eutanásia.

Será que o governo canadense não deveria ajudar os dois a viver com dignidade em vez de prestar assistência para que morram? Será que a abrangência cada vez maior da lei não acabaria por estimular o suicídio? E outra questão que surge: pessoas que sofrem com transtornos mentais têm discernimento para tomar tal decisão?

Os defensores da legislação alegam que a lei está poupando de intenso sofrimento e dores excruciantes pessoas gravemente doentes. No ano passado, o premiado cineasta francês Jean Luc Godard, de 91 anos, recorreu ao procedimento na Suíça, um dos locais mais buscados para esse tipo de prática.

Os críticos, por outro lado, dizem que a liberalização excessiva da legislação desvaloriza experiências de vida significativas de pessoas com deficiência e oferece ao Estado uma maneira fácil de se abster de suas obrigações com seus cidadãos mais vulneráveis.

DEBATE

“Não quero fazer generalização, nem minimizar o problema, mas essas situações correspondem exatamente àquilo que o magistério da Igreja sempre teve medo em relação à legislação pró-eutanásia: criar precedentes nos quais situações que poderiam ser trabalhadas de outras formas deixam de ser, porque a eutanásia aparece como a solução mais fácil”, diz o coordenador do Núcleo de Fé e Cultura da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), o biólogo e sociólogo Francisco Borba Ribeiro Neto.

Já o desembargador Diaulas Costa Ribeiro, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, especialista em bioética médica e membro da Comissão de Terminalidade de Vida do Conselho Federal de Medicina (CFM), pensa de forma diferente.

“Esses casos extremos são pontuais e ocorrem em outros lugares também”, afirma.

“O problema é a hipocrisia. Precisamos lembrar da mistanásia, que é a morte de miseráveis, todos os dias, por falta de tudo, inclusive de assistência médica. Sabemos que pessoas morrem de fome e nada é feito.”

Já a advogada Luciana Dadalto, uma das maiores especialistas do País no tema, apresenta uma terceira forma de ver a questão. “O Canadá tem uma compreensão mais elástica do direito à morte digna, que não se restringe a uma doença terminal”, afirma ela, autora do livro Testamento Vital.

“O problema são as notícias recentes de pessoas recebendo ofertas de morte assistida, o que tira completamente a lógica da defesa da eutanásia e do suicídio assistido. A lógica é que seja uma escolha, não algo a ser ofertado por médicos para pessoas com deficiência física ou em situação de rua. Há uma linha muito tênue entre a morte assistida e uma situação em que é mais barato para o Estado facilitar a morte de pessoas do que cuidar delas. Esse é o grande gargalo do Canadá hoje”, diz.

DADOS

Desde que a legislação do suicídio assistido passou a valer no Canadá, no ano de 2016, o número anual de mortes dessa natureza saltou de 1.018, no primeiro ano, para 10.064, em 2021 – o que representou 3,3% de todas as mortes no país no ano retrasado.

Os números são de um relatório divulgado pelo próprio governo canadense. Nesses seis anos de vigência da legislação, 31.664 pessoas morreram com assistência médica. O número excede o de 30.281 mortes por covid-19 no Canadá, em 2020 e 2021.

A despeito dos casos que ganharam as manchetes e reabriram a discussão sobre os limites do suicídio assistido, o relatório governamental mostra que a maioria das pessoas (65,6%) que recorreram à prática em 2021 tinha câncer. Outros 18,7% sofriam de doenças cardiovasculares, além de moléstias respiratórias crônicas (12,0%) e doenças neurológicas (12,7%).

Apenas 2,2% das pessoas mortas com assistência médica naquele ano não tinham doenças terminais, de acordo com os registros oficiais. Mesmo assim, 45,7% sofriam de doenças neurológicas graves.

LEGISLAÇÃO BRASILEIRA

No Brasil, as práticas de suicídio assistido, assim como de eutanásia, são consideradas crimes na legislação, o que se soma à condenação moral promovida por religiosos quanto à prática.

A eutanásia (quando um médico administra o remédio letal ao paciente) é considerada homicídio simples, de acordo com o Código Penal brasileiro.

O suicídio assistido (quando o próprio paciente toma a droga indicada para morrer) é um crime contra a vida, descrito no artigo 122 como o ato “de induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar auxílio para que o faça”.

O suicídio assistido é legal em mais países do mundo, como Holanda, Bélgica, Luxemburgo, Alemanha, Espanha e Colômbia, além de alguns Estados dos Estados Unidos. Em geral nessas localidades ele só pode ser requerido em casos de doenças terminais ou incuráveis, que gerem sofrimento insuportável ao paciente.

“A questão é mais cultural do que jurídica, portanto o problema não será resolvido mudando a legislação”, afirma Francisco Borba Ribeiro Neto. “O problema de fundo é que não sabemos conviver com a própria morte ou a morte de entes queridos, em decorrência de vivermos em uma sociedade que adquiriu uma série de poderes em relação ao bem-estar, mas não a sabedoria para se relacionar com esses poderes”, diz ele.

“Não temos a resiliência necessária para trabalhar de forma sábia com a situação. Diante disso, algumas legislações vão criar um tipo de problema e, outras, diferentes problemas”, afirma.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Grávida morre após dar à luz sob escombros na Síria. Bebê foi salvo

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A cada hora que passa chegam cada vez mais histórias chocantes da Turquia e da Síria onde, nesta segunda-feira, um terremoto com intensidade de 7.8 na escala de Ritcher matou milhares de pessoas.

Um desses casos aconteceu na maior cidade da Síria, em Aleppo.

Vários meios de comunicação social internacionais, como o Greek City Times, noticiam que uma mulher grávida, cuja identidade não foi revelada, deu à luz enquanto estava presa nos escombros.

Quando os meios de socorro conseguiram chegar à mulher ela já havia perdido a vida. Contudo, o recém-nascido sobreviveu e foi resgatado.

No Twitter, foi partilhado o vídeo do momento em que um dos elementos das equipes de resgate traz o bebê.

Pouco depois, um outro homem atira uma toalha para cobrir o recém-nascido. Ao fundo, veem-se os destroços do edifício que desmoronou devido ao terremoto.

Newborn baby found under the rubble in Aleppo, #Syria.

The building collapsed after 7.8 magnitude #earthquake jolted #Turkiye & Syria.

The mother of the baby was under the rubble. She died after he was born.#Turkey #TurkeyEarthquake pic.twitter.com/pkkjXNuqkc

— Ali Javed (@AliJaved29) February 6, 2023

 

Terremoto deixa mais de 4.300 mortos e milhares de feridos na Turquia e na Síria

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Um terremoto de magnitude 7,8 matou mais de 4.300 pessoas na Turquia e na Síria. Segundo tremor mais forte em um século e mais letal dos últimos 24 anos, teve seu epicentro registrado em uma área já sensível a calamidades. Naturais, devido à região com alta concentração de eventos sísmicos, e humanas, notadamente devido aos agrupamentos de refugiados e deslocados internos pela guerra civil síria.

O abalo foi registrado na madrugada de segunda-feira (6), ainda noite de domingo (5) no Brasil.

A princípio, vieram os primeiros relatos de prédios destruídos, já acompanhados pela expectativa de muitas mortes. Estas foram notificadas às dezenas por autoridades locais. Depois, às centenas e aos milhares -cada novo anúncio fazia disparar o número de óbitos, sem contar as vítimas ainda presas nos escombros e não contabilizadas oficialmente.

Leia Também: Grávida morre após dar à luz sob escombros na Síria. Bebê foi salvo

Ao menos 2.379 pessoas morreram na Turquia, de acordo com a agência de desastres turca, no pior evento do tipo no país desde 1939. Já na Síria, o regime de Bashar al-Assad somou 1.300 mortos até aqui.

Houve, ainda, 700 mortes em áreas controladas por rebeldes, de acordo com os Capacetes Brancos, grupo formado por voluntários da Defesa Civil Síria, organização acostumada a realizar resgates de sobreviventes em edifícios atingidos por ataques aéreos durante a guerra civil que já dura 12 anos no país.

Segundo o governo turco, 14,4 mil pessoas ficaram feridas e 4.748 prédios desabaram. Na Síria, o número de feridos chega a 1.431 nas áreas controladas pelo regime e a mil em porções dominadas por rebeldes.

O epicentro do sismo foi registrado na região entre as cidades turcas de Gaziantepe e Kahramanmaras, a uma profundidade de 10 a 24 quilômetros, de acordo com os serviços geológicos dos EUA e da Alemanha. Os tremores puderam ser sentidos na capital turca, Ancara, no Chipre, no Líbano e também no Iraque.

Este primeiro tremor já mostrou ao mundo imagens como as vistas na cidade síria de Jandaris, onde barras de aço e roupas de residentes se misturavam aos escombros de um prédio em ruínas. Um jovem com a mão enfaixada disse que 12 famílias viviam no local. Nenhuma havia saído desde o tremor. Para Abdul Salam al Mahmoud, um sírio de Atareb, o cenário parecia de apocalipse.

Horas depois do episódio, a mídia estatal ligada ao regime de Assad informou que novo tremor foi sentido na capital, Damasco, sem fornecer detalhes sobre a magnitude. Por volta das 8h desta segunda-feira, no horário de Brasília, um novo sismo de magnitude 7,5 também foi detectado no sudeste da Turquia

O terremoto atingiu uma zona remota e pouco desenvolvida da Turquia, o que agrava o desafio das equipes de emergência. Autoridades relataram mais de 50 réplicas dos tremores nas primeiras dez horas seguintes ao sismo inicial e alertaram que outras devem ser registradas durante os próximos dias.

Imagens nas redes sociais logo mostraram os efeitos imediatos da tragédia, com o desabamento de construções, resgates dramáticos de crianças e o trabalho delicado dos socorristas. A transmissão da rede de TV estatal TRT exibiu moradores saindo às ruas sob neve para avaliar os estragos em alguns locais como em Damasco, Aleppo e Hama.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, manifestou solidariedade às vítimas e destacou que os serviços de emergência e resgate atuarão em conjunto, sob coordenação da Autoridade de Gerenciamento de Desastres e Emergências. “Esperamos superar esse desastre juntos, o mais rapidamente possível.” Ele declarou luto oficial de sete dias no país pelas vítimas do terremoto.

A região de Gaziantepe, muito atingida, é um importante centro industrial da Turquia. Atravessado por grandes falhas geológicas, o país está entre os mais propensos a tremores no mundo. Em 1999, um sismo de 7,4 sacudiu Izmit, no noroeste, deixando mais de 17 mil mortos e 500 mil desabrigados.

Em 2011, um tremor de 7,1 na província de Van matou mais de 600 pessoas. Em janeiro de 2020, 40 pessoas morreram depois de um sismo de magnitude 6,8 na província de Elazing. Meses depois, em novembro, novo episódio em Esmirna fez quase cem vítimas e provocou um minitsunami que inundou cidades próximas e provocou danos severos na costa da Grécia.

A Turquia está sobre o encontro de duas placas tectônicas -uma espécie de bloco que flutua sobre o manto, uma das camadas no interior da Terra. As placas podem se mexer, de forma divergente (movendo-se em direções contrárias), convergente (chocando-se uma contra a outra) e transformante (movendo-se lateralmente); os dois últimos movimentos costumam causar terremotos.

Diversos países se prontificaram a enviar ajuda. Em nota, o Itamaraty manifestou solidariedade às autoridades turcas e sírias e disse que, por meio da Agência Brasileira de Cooperação, providenciará formas de oferecer ajuda humanitária para os atingidos. O Ministério das Relações Exteriores disse ainda que não há, até o momento, notícias de brasileiros mortos ou feridos e que as embaixadas do Brasil em Ancara e Damasco, assim como o consulado em Istambul, estão acompanhando os desdobramentos.

O governo de Vladimir Putin, na Rússia, disse que dois aviões Ilyushin-76, da era soviética, estão com equipes de resgate disponíveis para voar à Turquia. O russo tem importantes laços com Assad, a quem apoia na guerra civil síria, e com Erdogan, que flerta entre a Otan, a aliança militar ocidental, e Moscou.

Na mesma toada, o governo da Ucrânia se prontificou a enviar “um grande grupo de resgate”. O americano Joe Biden disse estar profundamente entristecido pelo terremoto, e a Casa Branca anunciou o envio de duas equipes de resgate, com 79 pessoas cada uma, para ajudar Ancara nas buscas por sobreviventes.

O premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, também anunciou o envio de equipes de emergência à Turquia e disse que pretende fazer algo semelhante pela Síria. A União Europeia, por sua vez, afirmou que dez grupos de resgate foram mobilizados de Bulgária, Croácia, República Tcheca, França, Grécia, Holanda, Polônia e Romênia para apoiar os esforços na Turquia.

Salman Rushdie diz que não quer ser vítima em primeira entrevista após ataque

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Vítima de um ataque a faca cometido em agosto de 2022, o escritor Salman Rushdie teve divulgada nesta segunda (6) a sua primeira entrevista após o atentado a vida.

Na conversa, publicada em 20 páginas da revista The New Yorker, o autor confirmou que sua criatividade foi afetada pelo ocorrido e que no momento tem dificuldades para escrever. O evento lhe fez perder a visão do olho direito e quase o levou à paralisia da mão direita.

“Tenho o que é chamado de transtorno de estresse pós-traumático”, contou à revista; “Estou tendo muitas, muitas dificuldades para escrever. Sento para escrever e nada acontece. Escrevo, mas é uma combinação de vazio e detritos, coisas que escrevo e apago no dia seguinte.”

Rushdie ainda descreve como “deprimente” o sentimento de sentar e esperar pela inspiração para escrever, mas diz que não vai “adotar o papel de vítima” e que vem trabalhando o trauma com um terapeuta.

Segundo o próprio, o autor perdeu 20 quilos depois do ataque de dez facadas, que danificou gravemente a mão esquerda a ponto de impedi-lo de digitar. O evento levou Rushdie a abandonar um romance inspirado em Franz Kafka e Thomas Mann, mas ele diz pensar sobre escrever sobre o atentado em uma história escrita em primeira pessoa. Ele também considera se mudar para Nova York.

“Tenho sofrido de pesadelos, que tendem a diminuir. Estou bem, consigo me levantar e andar. Quando digo que estou bem, quero dizer que há partes do meu corpo que precisam de monitoramento constante. Foi um ataque colossal.”

Autor de “Os Versos Satânicos”, Rushdie não deve participar da campanha de divulgação de seu novo romance, “Victory City”, que estava pronto antes do ataque e começa a ser vendido no mundo nesta terça (7).

O escritor, porém, afirma que considera ir a Londres para ver a estreia de uma peça sobre a Helena de Troia.

How Long Should My Argumentative Essay Be?

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Argumentative essays are those that present an idea that is universal in nature. These papers should not exceed five paragraphs, and they must address counterarguments. They should also provide evidence to support their thesis. These are some guidelines to help you write an argumentative essay. They must be concise and clear, based on one idea, and

Filas de cirurgias precisam ser monitoradas pelo SUS, diz pesquisadora

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Uma informação importante sobre a situação atual das filas de cirurgias eletivas no Sistema Único de Saúde (SUS) é, na verdade, a ausência de um dado: não se sabe quantas pessoas esperam hoje pelos procedimentos em cada canto do país.

A vice-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Marília Louvison, descreve que o diagnóstico, quando existe, encontra-se apenas em nível municipal, e precisa ser consolidado em nível estadual e federal. Professora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), ela defende que o trabalho que o SUS terá pela frente para vencer o represamento de cirurgias passa, primeiro, por dimensioná-lo.

“O maior problema hoje para o novo ministério é a falta de informação. Você não sabe exatamente quantas pessoas estão na fila da cirurgia de vesícula, por exemplo. Quais têm riscos e precisam operar logo, quais são menos graves e podem esperar. As esperas e as filas precisam ser melhor monitoradas pelo SUS como um todo”, afirma.

Reduzir a espera de pacientes do SUS está entre as prioridades do Ministério da Saúde, que lançará hoje (6) o Programa Nacional de Redução das Filas de Cirurgias Eletivas, Exames Complementares e Consultas Especializadas, em conjunto com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems). Um montante de R$ 600 milhões em recursos foi garantido para a iniciativa pela PEC da Transição, e a primeira remessa, cerca de R$ 200 milhões, será destinada a cirurgias eletivas.

O secretário de Atenção Especializada à Saúde (SAES), Helvécio Magalhães, reconheceu que, para produzir mudanças estruturantes, será preciso conhecer a fila. Esse levantamento permitirá criar uma lista nacional dos pacientes que aguardam por procedimentos médicos, consolidar um banco de informações, regular a oferta de serviços com apoio de ferramentas, como o telessaúde, e os protocolos de acesso à atenção especializada. A promessa é dar um tratamento diferenciado à Região Norte, em razão da difícil fixação de profissionais de saúde, principalmente especialistas.

Caberá aos estados, em um primeiro momento, encaminhar ao Ministério da Saúde os planos de trabalho para homologação e transferência do dinheiro. Marília Louvison explica que, nesses planos, os estados poderão reunir as informações de seus municípios e passá-las adiante.

“Aí, a gente teria uma possibilidade de monitorá-los, porque os estados vão dizer qual é a necessidade, qual é a sua possibilidade de oferta, quantas pessoas têm que contratar para fazer isso. Assim será possível saber em qual território e em qual procedimento a cirurgia está demorando muito, e poder apoiar, enviar recursos, remanejar profissionais e serviços, para reduzir as desigualdades”.

Ao mesmo tempo em que o Estado precisa conhecer a real situação das filas para reduzi-las, os pacientes também precisam ter acesso transparente ao tempo que vão esperar, sua posição na fila e como está a espera em outras partes do país. Marília argumenta que esse ponto é importante inclusive para tranquilizar aqueles que aguardam atendimento.

“Sempre serão filas, mas devem ser filas somente para organizar quem vai primeiro e todos ficarem tranquilos que daqui a pouco chega a sua vez. E não com a sensação de que, ao entrar na fila, nunca mais você vai resolver o problema. O sistema precisa ter transparência para criar confiança nas pessoas”, defende. “A fila não é um lugar de cuidado. Você saiu de um lugar e ainda não chegou no outro, e tem que gerenciar sozinho a sua angústia em saber se você pode continuar esperando ou não. O SUS precisa garantir a gestão dessa fila”. 

Apesar de não haver a informação exata de quantas pessoas esperam cirurgias, a vice-presidente da Abrasco explica que o represamento desses procedimentos é uma realidade conhecida, e está relacionado a fatores como falta de recursos, escassez de especialistas em algumas partes do país e dificuldades de regulação dos atendimentos. Isso faz com que as pessoas nas filas sejam apenas uma parte das afetadas pelo problema, porque há ainda as que aguardam por um diagnóstico para entrar nas filas. 

A situação se agravou com a pandemia de covid-19, lembra ela, quando procedimentos precisaram ser suspensos e recursos hospitalares foram concentrados no tratamento do grande número de pacientes infectados pelo novo coronavírus.

“Na maioria do país, os hospitais estão com muita dificuldade de recursos e equipes para retomar os processos, reorganizar seus serviços cirúrgicos e recompor as possibilidades de avaliação das filas, para poder realizar os procedimentos e resolver a vida de muitas pessoas que estão aguardando.” 

A demora na realização de cirurgias contribui, em alguns casos, para o agravamento do quadro clínico dos pacientes, fazendo com que, em algum momento, precisem ser operados com urgência. No caso de pacientes oncológicos, a demora pode reduzir as possibilidades de cura. Já para pacientes ortopédicos, ou que aguardam com casos de hérnia ou catarata, há perda considerável na qualidade de vida e até na autonomia, exemplifica.

“Acaba havendo uma urgencialização dos eletivos. Aquilo que podia esperar, chega em uma hora em que não pode mais, e você tem uma complicação, uma infecção e, de repente, tem que fazer uma cirurgia de urgência com muito mais risco. Você acaba indo frequentemente no pronto-socorro, convive com dor”.

O presidente do Conselho Nacional dos Secretários Municipais de Saúde, Wilames Freire, considera importante que o programa tenha um funcionamento desburocratizado para atender às necessidades de cada região. Ele lembra que nem todas as cidades possuem estrutura para a realização de cirurgias eletivas, e que será preciso reforçar as unidades de referência de cada região de saúde com recursos, equipes maiores e horas extras, de modo a ter mais espaço nas agendas.

“O que estamos provocando é que também sejam mobilizadas unidades privadas, que possam ser contratadas por secretarias municipais e estaduais e entrem como complemento da rede pública. Com isso, vamos agilizar a realização de cirurgias e aumentar o quantitativo de profissionais disponíveis”, complementou.

Freire explica que as grande filas não significam que o sistema parou de realizar cirurgias. O que tem acontecido, na avaliação dele, é uma natural priorização das cirurgias de urgência e um represamento crescente dos procedimentos eletivos desde a pandemia de covid-19. “Não é que os serviços não estão operando, eles estão operando em um ritmo normal, mas a carga de pacientes e procedimentos tem aumentado significativamente. Então, é preciso ampliar o acesso a esses serviços”.

Para o gestor, é impossível prever em quanto tempo a situação poderá ser normalizada. Ele pede, entretanto, que haja recursos garantidos para manter um sistema organizado para a realização de cirurgias eletivas no longo prazo.  

“O que estamos solicitando ao governo federal é que, durante os quatro anos, sejam disponibilizados R$ 3,5 bilhões. Assim, teríamos condição de não só zerar a fila, mas dar sequência ao projeto. Queremos uma política perene, permanente, para fixar o profissional no serviço, e para que a unidade gestora tenha tranquilidade para manter um funcionamento. Tudo isso vai ser estudado, mas o importante é nós iniciarmos.” 

Brasil tem 546 mil médicos; proporção é de 2,56 por mil habitantes

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O Brasil contabiliza, atualmente, 546 mil médicos ativos, uma proporção de 2,56 profissionais por mil habitantes. O número, segundo registros dos conselhos regionais de Medicina, mais que dobrou nos últimos 20 anos. Para o Conselho Federal de Medicina (CFM), o crescimento acelerado do número de escolas médicas e de vagas na última década levou a um aumento sem precedentes no número de profissionais no país.

“Mantendo-se o mesmo ritmo de crescimento da população e de escolas médicas, dentro de cinco anos, em 2028, o país contará com 3,63 médicos por mil habitantes, índice que supera a densidade médica registrada, por exemplo, na média dos 38 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE)”, avaliou o conselho.

O atual índice brasileiro de 2,56 médicos por mil habitantes já é compatível com o de países como Estados Unidos (2,6), Canadá (2,7), Japão (2,5) e Coreia do Sul (2,5), além de ser maior que o do Chile (2,2), da China (2) e da África do Sul (0,8). Com o incremento esperado, em cinco anos, o Brasil deve ultrapassar Nova Zelândia (3,4), Irlanda (3,3), Israel (3,3), Finlândia (3,2), França (3,2), Bélgica (3,2) e Reino Unido (3).

Segundo o CFM, desde 2010, a população brasileira passou de 190,7 milhões para 214 milhões, enquanto a proporção de médicos por mil habitantes foi de 1,76 para 2,56. No mesmo período, foram abertas mais de 200 escolas de medicina. A cada ano, cerca de 28 mil médicos se somam ao mercado. Com uma vida profissional longa – cerca de 43 anos –, alguns estudos estimam que o país deve alcançar quase 837 mil profissionais em cinco anos.

Dados da plataforma Demografia Médica no Brasil 2023, lançada hoje (6) pelo conselho, mostram que os homens representam 51% do contingente ativo (277,8 mil profissionais) e as mulheres, 49% (267,7 mil). A evolução dos indicadores indica que, em poucos anos, as mulheres sejam maioria. Em 1990, elas eram apenas 30% da força de trabalho médica, passando para 39,9% em 2010, e chegando, agora, a quase metade.

Os números indicam ainda que a média geral de idade dos médicos em atividade no Brasil vem caindo nos últimos anos. Em 2015, a média era 45,7 anos. Agora, está em 44,9 anos. O fenômeno é resultado do crescimento do número de cursos e vagas de graduação em medicina e, consequentemente, da entrada de novos médicos no mercado de trabalho.

Para os homens, a idade média, em 2023, é 49 anos. Para as mulheres, 42,5 anos. Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul são os estados que têm idade média mais alta entre a população médica: 50,3 anos e 47,8 anos, respectivamente. Já os estados com profissionais mais jovens são Tocantins e Rondônia, com média de idade 41 anos.

Para o CFM, o Brasil possui médicos ativos, com registro nos CRMs, em número absoluto suficiente para atender às necessidades da população. Mas, apesar do significativo contingente e um dos maiores do mundo, ainda há um cenário de desigualdade na distribuição e fixação desses profissionais e também no acesso a eles.

Os dados apontam que a maioria dos médicos permanece concentrada no Sul e no Sudeste, nas capitais e nos grandes municípios. Nas 49 cidades brasileiras com mais de 500 mil habitantes e que juntas concentram 32% da população brasileira, estão 62% dos médicos do país. Já nos 4.890 municípios com até 50 mil habitantes, onde vivem 65,8 milhões de pessoas, estão pouco mais de 8% dos profissionais.

Apesar de juntas responderem por 24% da população do país, as 27 capitais brasileiras reúnem 54% dos médicos. Por outro lado, vivem no interior 76% da população e 46% dos médicos ativos no país. Os números mostram ainda que as capitais têm uma média de 6,21 médicos por mil habitantes contra um índice de 1,72 no interior.

As diferenças também ocorrem entre as regiões brasileiras. No Norte, vivem 8,8% da população brasileira e 4,6% dos médicos do país. O Nordeste abriga 27% dos brasileiros e 18,5% dos médicos. O Sudeste responde por 42% da população e 53% dos profissionais. O Sul e o Centro-Oeste abrigam, respectivamente, 14,3% e 7,8% da população e têm 15,7% e 8,4% dos médicos do país.

Para o presidente do CFM, José Hiran Gallo, o país conta com diversas escolas de medicina “sem a menor condição de funcionamento”. Ele citou o estado de Rondônia, com oito faculdades de medicina, cada uma formando entre 100 e 150 profissionais por ano. “É um número exacerbado de escolas médicas no Brasil”, disse, ao citar instituições sem hospital-escola ou hospital de ensino. “Fica muito difícil esse médico sair com uma boa formação.”

“Não adianta colocarmos médicos bem formados nesses 5,55 mil municípios do Brasil sem ter infraestrutura de trabalho, leitos, equipamentos, medicamentos, acesso a exames e apoio de equipe multiprofissional”, disse. “O CFM não aceita dois tipos de medicina: uma para o rico e outra para o pobre”, completou, ao confirmar o que chamou de excesso de profissionais no país.

O coordenador do Sistema de Acreditação de Escolas Médicas do CFM, Donizetti Giamberardino, defende a elaboração de políticas de fixação do profissional de saúde em cidades de difícil provimento. “Os documentos sempre demonstraram que, mesmo formando mais médicos anualmente, a má distribuição persistiu. Temos mais médicos nas capitais e muitos municípios que não têm médicos.”

“Precisamos de um financiamento adequado, de uma avaliação adequada de recursos, de uma política de recursos humanos de fixação do médico e de outros profissionais em cidades de difícil provimento”, disse, ao defender uma política de integração de rede. “Não podemos confundir a desejada descentralização com a municipalização de sistemas”, concluiu.

A plataforma Demografia Médica no Brasil 2023 constitui uma ferramenta dinâmica, intuitiva e online que possibilita aos usuários conhecer os números mais recentes sobre a distribuição e o perfil da força de trabalho médica no país. A versão disponibilizada pelo CFM apresenta dados de 31 de dezembro de 2022. Em seis meses, uma nova carga deve ser implementada.

A proposta é democratizar o acesso a informações sobre o perfil de médicos no Brasil. Com poucos cliques, é possível saber quantos profissionais em atividade há no país, incluindo recortes por estado, por capital e no interior de cada unidade federativa, além da proporção de médicos por habitante.

Também é possível saber detalhes como faixa etária, sexo e tipo de formação dos profissionais de saúde. Os dados, de acordo com o CFM, contam com atualização online, e os painéis contemplam os seguintes eixos e informações: médicos no Brasil; evolução populacional; indicadores de evolução; distribuição geográfica; ranking de estados e capitais; e indicadores internacionais.

Mercúrio utilizado no garimpo causa risco ambiental para solo, água e ar

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O mesmo mercúrio usado pelo garimpo ilegal que está causando doenças entre o povo yanomami também contamina os animais, a água dos rios e igarapés, o solo da floresta e até o ar. Altamente tóxico e de difícil remoção, o metal representa um risco sanitário e ambiental. No Brasil, o seu uso é controlado pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).

Hoje, todo mercúrio que é usado em mineração é irregular, segundo um integrante da coordenação do Ibama da operação Hermes (Hg), que, no ano passado, investigou a “lavagem” do metal contrabandeado. Enquanto operações em garimpos normalmente apreendem entre cinco e dez quilos de mercúrio, a ação em parceria com a Polícia Federal confiscou 200 kg e inutilizou a autorização para o uso de outras sete toneladas de mercúrio.

Somada a uma operação de 2018, que apreendeu outros 340 kg de mercúrio e suspendeu a licença de importação de uma empresa que controlava quase todo o mercado, a circulação regular de mercúrio para garimpo no Brasil ficou totalmente paralisada.

O funcionário do Ibama, que falou em condição de anonimato por temor de represálias da parte dos criminosos, explica que não existe fonte legal para mercúrio atualmente e que nenhuma empresa tem permissão para importar mercúrio para venda no varejo, assim como nenhuma recicladora é autorizada.

Mesmo assim, o mercúrio é usado em grandes quantidades em operações ilegais de mineração, como as que são executadas nos territórios kayapó, munduruku e yanomami. Um estudo recente mostrou que o garimpo em terras indígenas na Amazônia Legal aumentou 1.217% nos últimos 35 anos.

O ouro pode ser encontrado na natureza sob duas formas: em pepitas (ou seja, pedras) e como partículas muito finas misturadas ao solo ou ao sedimento do fundo dos rios. “É nessa forma de partículas finas que se apresenta na Amazônia”, afirma a química ambiental Anne Fostier, pesquisadora do Instituto de Química da Unicamp que há três décadas estuda o ciclo do mercúrio na região.

Para encontrar o ouro é preciso cavar o solo ou sugar o sedimento do fundo dos rios, o que é feito com balsas. Essa lama é misturada ao mercúrio metálico (a mesma forma encontrada em termômetros, por exemplo), que forma uma amálgama com o ouro. Em seguida, essa amálgama é queimada. Como o mercúrio é volátil, quando é queimado ele vira um gás e sobra só o ouro.

Com o descarte da lama contaminada, o mercúrio vai parar no solo e na água dos rios e lençóis freáticos. Com a queima, polui a atmosfera.

Tanto o mercúrio que vai para o solo quanto o que vai para a atmosfera podem, em algum momento, acabar caindo no rios. Esse é o maior foco de preocupação, porque é em ambientes aquáticos que o mercúrio assume uma das suas formas mais tóxicas.

Por meio da ação de microrganismos, o mercúrio inorgânico do garimpo vai ser associado a carbono e se transformar em metilmercúrio. “Uma vez transformado em metilmercúrio, ele vai ser acumulado ao longo da cadeia alimentar”, explica Fostier. “Primeiro, ele é acumulado dentro dos organismos, em um processo chamado bioacumulação. Além disso, tem um processo chamado de biomagnificação, que resulta da acumulação ao longo da cadeia alimentar”.

Isso quer dizer que quando os animais pequenos, que têm concentrações menores do metilmercúrio, são comidos pelos maiores, fazem com que esses peixes carnívoros, que estão no topo da cadeia alimentar, acumulem esses contaminantes. “E no final da cadeia temos o ser humano, que consome os peixes –e preferencialmente os peixes carnívoros, que são mais saborosos, mas são os que contêm mais mercúrio”, diz a pesquisadora.

O problema é especialmente grave em comunidades em que os peixes são a principal fonte de proteína, como é o caso de ribeirinhos e dos indígenas da Amazônia.

“A região do rio Tapajós tem lugares, como Santarém, e Itaituba, no Pará, que são muito contaminados por mercúrio”, exemplifica Paulo Moutinho, diretor executivo interino do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia). “Essa exposição traz vários problemas de saúde. Pode atacar o sistema nervoso central e periférico, causar problemas no trato digestivo, com redução da absorção de nutrientes, e prejudica o sistema imune”.

Além disso, o vapor de mercúrio que vai para a atmosfera depois da queima pode virar um problema de longo alcance. Na forma gasosa, esse metal é muito pouco solúvel em água e não reage com quase nada. Assim, não vai ser removido pela chuva e vai ficar na atmosfera por muito tempo. Pelo ar, pode ser transportado a distâncias médias ou longas.

“Atualmente se considera que o tempo que o mercúrio pode permanecer na atmosfera varia de cinco meses a um ano. Consequentemente, ele vai contaminar outros ambientes, outros lugares diferentes daquele onde ele é emitido”, destaca a especialista.

Em operações de mineração devidamente regulamentadas, é obrigatório que sejam tomados os devidos cuidados para que essa contaminação não ocorra. Mas, na ilegalidade, não são seguidos protocolos que garantam a saúde do ambiente ou dos próprios garimpeiros, que inalam grandes quantidades desse mercúrio gasoso.

O garimpo ilegal também tem outros impactos ambientais sérios. O principal é o desmatamento, mas os rios também são prejudicados pela atividade. Atingidos pelos rejeitos da mineração, as águas turvas não conseguem absorver a luz, impactando os ecossistemas aquáticos.

Faltam dados precisos sobre o tamanho do impacto da contaminação por mercúrio pelo garimpo ilegal, mas o Ibama afirma que está implementando estudos nesse sentido.

“Está em desenvolvimento, no âmbito do Programa Mercúrio, o projeto de monitoramento de rios da Bacia Amazônica a fim de identificar os impactos da atividade de garimpo em indígenas e ribeirinhos e avaliar a qualidade ambiental dos rios tributários e principais quanto à presença de contaminantes”, informa Cinthia Masumoto, coordenadora de Registro e Informação sobre Remediação e Contaminação Ambiental do instituto.

Ainda que seja um processo lento, o envenenamento do ambiente por mercúrio é reversível, desde que a fonte de contaminação seja interrompida. “No caso dos garimpos, teria que eliminar os garimpos ilegais”, diz Fostier. “Além disso, tem a possibilidade de descontaminação de sítios específicos. Em plantas de indústrias, por exemplo, pode haver a remoção do solo contaminado. Mas isso é muito caro e dificilmente poderia ser implantado na Amazônia, justamente pelo impacto ambiental.”O projeto Planeta em Transe é apoiado pela Open Society Foundations.

Número de mortos em terremoto na Turquia e na Síria passa de 2.500

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Um terremoto de magnitude 7,8 matou mais de 2.500 pessoas na Turquia e na Síria, segundo balanço de autoridades locais. O tremor foi sentido na madrugada desta segunda (6), noite de domingo (5) no Brasil.

Pelo menos 1.651 pessoas morreram na Turquia, de acordo com a agência de desastres turca, no pior evento do tipo no país desde 1939. Já na Síria, o regime de Bashar al-Assad somou 538 mortos até aqui. Há, ainda, 380 mortes relatadas pelos Capacetes Brancos em áreas controladas por rebeldes.

Segundo o governo turco, mais de 11 mil pessoas ficaram feridas e 2.818 prédios desabaram. Na Síria, o número de feridos chega a 1.284 nas áreas controladas pelo regime e a mil em porções dominadas por rebeldes. Centenas de vítimas ainda estão nos escombros, e as cifras de mortos e feridos podem aumentar.

O epicentro do sismo foi registrado na região entre as cidades turcas de Gaziantepe e Kahramanmaras, a uma profundidade de 10 a 24 quilômetros, de acordo com os serviços geológicos dos EUA e da Alemanha. Os tremores puderam ser sentidos na capital turca, Ancara, no Chipre, no Líbano e também no Iraque.

Raed Fares, um integrante dos Capacetes Brancos, disse à agência Reuters que o grupo tenta salvar sobreviventes nos escombros. Acostumados a resgatar vítimas nessas situações devido a ataques aéreos, eles agora são a principal força em território rebelde para atuar no socorro pós-terremoto.

Na cidade de Jandaris, barras de aço e roupas de residentes se misturavam nos escombros de um prédio que desmoronou. Um jovem com a mão enfaixada que aguardava ali disse que 12 famílias vivam no local. Nenhuma havia saído desde o tremor. Abdul Salam al Mahmoud, um sírio da cidade de Atareb, disse que o cenário parecia o de um apocalipse.

Horas depois do episódio, a mídia estatal ligada ao regime de Assad informou que um tremor foi sentido na capital Damasco, sem fornecer detalhes sobre a magnitude. Por volta das 8h desta segunda-feira, no horário de Brasília, um novo sismo de magnitude 7,5 também foi detectado no sudeste da Turquia.

O terremoto atingiu uma zona remota e pouco desenvolvida da Turquia, o que escala o desafio das equipes de emergência. Autoridades relataram mais de 50 réplicas dos tremores nas primeiras dez horas a partir do sismo inicial, e alertaram que outras devem ser registradas durante os próximos dias.

O primeiro terremoto ocorreu às 4h17 (22h17 em Brasília), e imagens nas redes sociais logo mostraram os efeitos imediatos da tragédia, com o desabamento de construções. A transmissão da rede de TV estatal TRT exibiu moradores saindo às ruas sob neve para avaliar os estragos em alguns locais, assim como ocorreu em Damasco, onde relatos dão conta de desmoronamentos nas cidades de Aleppo e Hama.

Também houve sismos secundários, cerca de dez minutos depois do primeiro, de magnitudes que chegaram a 6,7, de acordo com a agência de notícias Associated Press. Segundo testemunhas relataram à agência de notícias Reuters, o tremor durou cerca de um minuto.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, manifestou solidariedade às vítimas e destacou que os serviços de emergência e resgate vão trabalhar em conjunto sob coordenação da Autoridade de Gerenciamento de Desastres e Emergências. “Esperamos superar esse desastre juntos, o mais rapidamente possível e com o mínimo de danos.”

A região de Gaziantepe, muito atingida, é um importante centro industrial da Turquia. Atravessado por grandes falhas geológicas, o país está entre os mais propensos a tremores no mundo. Em 1999, um sismo de 7,4 sacudiu Izmit, no noroeste, causando mais de 17 mil mortes e mais de 500 mil desabrigados.
Em 2011, um tremor de 7,1 na província de Van matou mais de 600 pessoas. Em janeiro de 2020, 40 pessoas morreram durante um sismo de magnitude 6,8 na província de Elazing. Meses depois, em novembro, novo episódio em Esmirna fez quase cem vítimas e provocou um minitsunami que inundou cidades próximas e provocou danos severos na costa da Grécia.

A Turquia está sobre o encontro de duas placas tectônicas -uma espécie de bloco que flutua sobre o manto, uma das camadas no interior da Terra. As placas podem se mexer, de forma divergente (movendo-se em direções contrárias), convergente (chocando-se uma contra a outra) e transformante (movendo-se lateralmente); os dois últimos movimentos costumam causar terremotos.

Diversos países manifestaram solidariedade e se prontificaram a enviar ajuda. Em nota, o Itamaraty manifestou solidariedade às autoridades turcas e sírias e disse que, por meio da Agência Brasileira de Cooperação, providenciará formas de oferecer ajuda humanitária para os atingidos.

O Ministério das Relações Exteriores disse ainda que não há, até o momento, notícias de brasileiros mortos ou feridos e que as embaixadas do Brasil em Ancara e Damasco, assim como o consulado em Istambul, estão acompanhando os desdobramentos.

O governo de Vladimir Putin, na Rússia, disse que dois aviões Ilyushin-76, da era soviética, estão com equipes de resgate disponíveis para voar para a Turquia. O russo tem importantes laços com Bashar al-Assad, que apoia na guerra civil síria, e com Erdogan, que flerta entre a Otan, a aliança militar ocidental, e Moscou.

Na mesma toada, o governo da Ucrânia também se prontificou a enviar “um grande grupo de resgate”. O americano Joe Biden disse estar profundamente entristecido pelo terremoto. Segundo o secretário de Estado, Antony Blinken, afirmou que seu país já está prestando assistência a Ancara e que organizações humanitárias apoiadas pelos EUA fazem o mesmo na Síria.

O premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, anunciou o envio de equipes de emergência à Turquia e disse que pretende fazer algo semelhante pela Síria. A União Europeia, por sua vez, afirmou que dez times de resgate foram mobilizados de Bulgária, Croácia, República Tcheca, França, Grécia, Holanda, Polônia e Romênia para apoiar os esforços na Turquia.

Garimpo ilegal em terras indígenas cresce 1.271% em 36 anos, diz pesquisa

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O garimpo ilegal em Territórios Indígenas da Amazônia Legal cresceu 1.271% em 36 anos. Em 1985, eram 7,4 quilômetros quadrados de lavras. Em 2020, 102,16 quilômetros quadrados, de acordo com estudo realizado por pesquisadores do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e Universidade do Sul do Alabama. Em 2020, quase toda essa atividade fora da lei (95%) se concentrou na área protegida de três etnias específicas: Kayapó, Munduruku e Yanomami.

Nesta última, no dia 20 de janeiro, o governo federal declarou emergência em saúde pública após identificar alta de casos de malária, desnutrição infantil e problemas de abastecimento. A situação está ligada ao aumento desenfreado do garimpo ilegal na região e à falta de assistência. As imagens de indígenas magros e abatidos, entre eles várias crianças, chamaram a atenção nas redes sociais e na comunidade internacional. Mais de mil Yanomamis precisaram ser resgatados, muitos em estado grave

A pesquisa foi publicada na revista científica Remote Sensing e revela o que está por trás desse desastre humanitário. O estudo utiliza dados dos sistemas Prodes e Deter, do Inpe, e do MapBiomas, plataforma que reúne universidades, organizações ambientais e empresas de tecnologia.

De acordo com a pesquisa, a área da Amazônia Legal “enfrenta um boom de desmatamento desde 2019, principalmente associado ao enfraquecimento das leis ambientais que ocorrem no Brasil”. Ou seja, durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), cujo governo é constantemente associado ao desmonte dos órgãos de combate e controle dos crimes ambientais e estímulo às práticas ilegais. Na última semana, a Polícia Federal passou a investigar a responsabilidade sobre a situação dos Yanomamis. O genocídio é um dos crimes considerados.

Os pesquisadores também destacam que a taxa média anual de desmatamento nas TIs da Amazônia Legal nos últimos três anos ficou 81% acima da taxa média anual do período de 2012 a 2021. “Os principais impulsionadores do desmatamento estão relacionados ao abastecimento dos mercados globais de gado, colheitas e madeira e às demandas locais por colheitas de alimentos. Além disso, as redes de expansão rodoviária e abastecimento do setor de mineração também impulsionam o desmatamento”, afirma o estudo.

No garimpo, a maior parte da mineração nas TIs, em 2020, (99,5%) estava relacionada à extração de ouro. Mais uma vez, a ação do Executivo e do Legislativo brasileiros revela interferência nesse processo. Os pesquisadores destacam que a existência de projetos de lei que tramitam no Parlamento brasileiro visam abrir as TIs para projetos de mineração e o número de solicitações de permissões de mineradoras para prospectar dentro de TIs passa de 2.600 na Agência Nacional de Mineração do Brasil.

“Esta é uma grave ameaça aos povos indígenas que habitam as TIs, principalmente os isolados. As ameaças mais comuns associadas à atividade mineradora aos povos indígenas são episódios de violência e conflitos fundiários, degradação de mananciais e poluição dos ecossistemas aquáticos e terrestres. Essas ameaças são, direta e indiretamente, prejudiciais à saúde humana”, concluem os pesquisadores.

Mortalidade entre os Yanomamis

Dados compilados pelo Ministério Público Federal (MPF) em Roraima apontam que a taxa de mortalidade infantil entre os Yanomamis chega a ser seis vez maior do que o do Brasil e é comparável ao índice de países da África Subsaariana – que reúnem os piores números do ranking da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo a liderança Yanomami Dário Kopenawa, filho do xamã e intelectual Davi Kopenawa, o cenário é de desolação na maior reserva indígena do Brasil. “Somos abandonados. Já alertamos há muitos anos sobre essa crise humanitária e de saúde”, afirmou ao Estadão. Segundo ele, é visível o recente aumento nas mortes infantis por desnutrição e malária, além da falta de remédios.

Inep altera cronograma do Censo Escolar da Educação Básica 2023

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O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) publicou hoje (6), no Diário Oficial da União, portaria alterando algumas datas do cronograma de atividades do Censo Escolar da Educação Básica 2023.

O censo é a principal pesquisa estatística da educação básica no país. Os dados coletados no levantamento servem de base para o repasse de recursos do governo federal e para o planejamento e divulgação de dados das avaliações realizadas pelo Inep.

O levantamento – dividido em duas etapas – também auxilia na compreensão da situação educacional do país e no acompanhamento da efetividade das políticas públicas, uma vez que são apuradas informações sobre os estabelecimentos de ensino, turmas, alunos, gestores e profissionais em sala de aula.

Com as alterações divulgadas nesta segunda-feira, em Brasília, agora a disponibilização do Sistema Educacenso para declaração de dados será no dia 31 de maio próximo. No calendário anterior, o início estava previsto para 24 de maio. No dia 31 de maio, também terá início a coleta de dados da Matrícula Inicial, compreendendo os processos de digitação e exportação. O prazo para o encerramento da coleta será no dia 31 de julho deste ano.

Já o envio dos dados preliminares ao Ministério da Educação para publicação no Diário Oficial da União passará de 18 de agosto para o dia 23 do mesmo mês.

O envio ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) dos dados finais homologados do Censo Escolar da Educação Básica 2023, para o cálculo dos coeficientes de distribuição do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), passará do dia 8 de dezembro para o dia 10 do mesmo mês.

Outra data alterada diz respeito ao envio ao Ministério da Educação de dados finais declarados e homologados do Censo Escolar da Educação Básica 2023, que deverá ser feito agora no dia 11 de dezembro. O cronograma anterior previa esse envio no dia 8 de dezembro. A preparação dos dados finais para divulgação agora será feita no período de 11 de dezembro de 2023 a 26 janeiro de 2024.

A divulgação das Sinopses Estatísticas da Educação Básica pelo Inep será feita no dia 31 de janeiro do próximo ano.

A portaria também altera o cronograma para a coleta dos dados de rendimento e movimento escolar dos alunos declarados na primeira etapa de coleta do Censo Escolar 2023, compreendendo a digitação e exportação de dados, que deverá ser realizada entre 1º de fevereiro e 11 de março de 2024.

A disponibilização das taxas de rendimento preliminares e dos relatórios por escola no módulo Situação do Aluno, para conferência, ratificação e retificação de eventuais erros, pelos gestores municipais e estaduais será feita no dia 1º de abril do próximo ano.

A disponibilização do módulo Situação do Aluno para conferência, ratificação e retificação de eventuais erros também será aberta nessa data, com previsão de término no dia 15 de abril.

No mesmo período será executada a conferência, ratificação e retificação de eventuais erros nas informações prestadas no período de coleta da Situação do Aluno 2022.

A portaria altera ainda as datas para a verificação final dos dados processados após o período de conferência, ratificação e retificação de eventuais erros, no módulo Situação do Aluno, que será promovida de 16 a 30 de abril de 2024.

Já a disponibilização dos relatórios por escola no módulo Situação do Aluno, contendo os dados finais de rendimento e movimento escolar, será no dia 10 de maio do próximo ano. Por fim, a divulgação dos indicadores de rendimento escolar no portal do Inep será no dia 10 de maio de 2024.