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Anvisa proíbe venda de pomada de cabelo após casos de queimaduras nos olhos

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RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) suspendeu nesta sexta-feira (6) a comercialização, fabricação, uso, propaganda e publicidade de todos os lotes dos produtos da fabricante da pomada modeladora capilar Cassu Braids. Além disso, os estabelecimentos que tenham o produto para uso em seus clientes também devem suspender sua utilização imediatamente.

A medida foi tomada após a agência reguladora ter sido comunicada pelo Instituto Municipal de Vigilância Sanitária do Rio de Janeiro de casos de eventos adversos relacionados ao uso da pomada.

O produto, que é utilizado para fazer penteados, como tranças e baby hair, seria a causa de queimaduras nos olhos de pacientes atendidos na capital fluminense.

Outro motivo, de acordo com a Anvisa, é que a fabricante não está devidamente regularizada para a fabricação desses cosméticos. “A empresa Microfarma Indústria e Comércio LTDA, está com CNPJ inapto junto à Receita Federal e com a licença sanitária cancelada desde 2018”, declarou a agência.

A reportagem não conseguiu contato com a fabricante.

O órgão de vigilância sanitária do Rio já havia recomendado nesta quinta-feira (5), a suspensão imediata do uso da pomada modeladora capilar Cassu Braids. Além disso, a Secretaria de Saúde do município proibiu a venda do item.

A orientação do órgão de vigilância inclui a suspensão de outros produtos que, no Rio, são distribuídos pelo Instituto Cassulinha Cabelos Comércio e Serviço. A distribuidora se manifestou nas redes sociais, afirmando que não sabia dos casos relatados. “Estamos buscando esclarecimentos, pois isso não é algo que faz parte da nossa veracidade”, diz trecho da publicação.

A recomendação de suspender o uso do produto no Rio foi feita após 195 pessoas sofrerem queimaduras na córnea depois de ter contato com a pomada.

Os atendimentos ocorreram no período entre 26 de dezembro e 2 de janeiro, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.

Somente no dia 26 de dezembro, a procura por atendimento mais que dobrou no Hospital Municipal Souza Aguiar, que tem emergência oftalmológica. De 60 atendimentos em dias normais, a médica Anna Beatriz Simões disse ter atendido mais de 130 pessoas em 12 horas de plantão.

Ao longo da semana, ela afirmou ter recebido pelo menos outros 20 pacientes com os mesmos sintomas. A maioria era mulheres e crianças.

Os relatos são de dores, ardência, embaçamento e dificuldade para abrir os olhos.

Ainda segundo a médica, a recomendação, em caso de contato com o produto, é lavar em água corrente e procurar atendimento médico.

Todas as pomadas já estão proibidas em estabelecimentos no Rio. As lojas devem retirar as pomadas da exposição e venda, inclusive online, e os salões de beleza, interromper o uso da marca. Em caso de descumprimento, os produtos podem ser apreendidos e os estabelecimentos multados.

Nesta sexta-feira (6), a vigilância sanitária do município divulgou um novo comunicado reforçando a importância de comercializar e usar apenas produtos registrados na Anvisa, respeitando as instruções e o prazo de validade.

Em 13 de dezembro, a agência reguladora chegou a publicar um alerta sobre a ocorrência de cegueira temporária, entre outros efeitos indesejáveis, supostamente ocasionada por produtos para trançar e modelar cabelos comercializados no país.

Pelo site da Anvisa, é possível consultar quais produtos são regularizados e também os proibidos. Nos sistemas de informação do órgão constam, até o momento, oito notificações de efeitos indesejáveis supostamente associados a produtos para trançar e modelar cabelos.

A Secretaria Municipal de Saúde do Rio orientou que as suspeitas de irregularidades de empresas sejam denunciadas pelo 1746 ou pelo portal https://1746.rio.

China reabre fronteiras sob temor com novas cepas e esperança para a economia

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PETRÓPOLIS, RJ (FOLHAPRESS) – Ao aterrissar, passageiros são recebidos por funcionários com traje de proteção completa e submetidos a testes de Covid. Quem apresenta resultado negativo é levado de ônibus a um local de quarentena, onde fica ao menos cinco dias -e onde crianças de 14 anos podem ser separadas dos pais. Mesmo liberados, viajantes são rastreados por meio de um passe sanitário digital. Diagnóstico do vírus força a estadia em um centro de detenção para doentes.

Assim é a experiência de viajar à China -ao menos era, até este domingo (8), data em que o país enfim reabre suas fronteiras internacionais. O bloqueio era um dos últimos resquícios da controversa política de Covid zero, estabelecida pelo regime no início da pandemia, em 2020, e largamente flexibilizada em dezembro passado, de forma um tanto abrupta, pouco depois de uma onda inédita de protestos.

Agora, o protocolo determina que passageiros internacionais mostrem apenas um teste de Covid com resultado negativo, obtido até 48 horas antes do embarque. A quarentena é dispensada.

A fronteira com Hong Kong também será reaberta neste fim de semana, e trens ultrarrápidos ligando a ilha e o continente voltam a operar em meados do mês -próximo ao principal feriado do país, o Ano-Novo Lunar, quando cerca de 2 bilhões de chineses devem viajar, inclusive para o exterior.

O fim das restrições a viagens se dá em meio à explosão da Covid que sucedeu o fim do rígido controle da pandemia pelo Estado -estratégia que incluía ainda confinamentos em larga escala, limites à locomoção e testes frequentes. Autoridades deixaram de divulgar dados detalhados de infecções, mas a empresa britânica Airfinity Daily estima que a China registre hoje cerca de 2,5 milhões de casos e 16 mil mortes por dia. O regime afirma que o total de óbitos pela doença, desde 2020, é de 5.259.

O apagão de dados não impediu que relatos de caos no sistema de saúde tenham inundado a imprensa ocidental nas últimas semanas: médicos foram forçados a trabalhar mesmo quando infectados, unidades de saúde estão lotadas, funerárias e crematórios tiveram aumentos na demanda.

A situação é especialmente preocupante para idosos -só dois terços daqueles com mais de 60 anos estão vacinados com a dose de reforço. Os imunizantes chineses, baseados na tecnologia de vírus inativado, também geram imunidade menor em comparação aos de RNA mensageiro desenvolvidos no Ocidente -e não adotados por Pequim.

Enquanto isso, países como EUA, França, Reino Unido e Israel começaram a impor restrições à entrada de turistas chineses -algo classificado de “simplesmente irracional” por Pequim, mas de compreensível pela OMS. Isso porque cresce o temor do surgimento de novas variantes, uma vez que altas taxas de transmissão do vírus aumentam o risco de troca de material genético entre as cepas, segundo lembra o infectologista Plínio Trabasso, professor da Unicamp.

Ainda assim, o anúncio da reabertura das fronteiras foi recebido com entusiasmo pelo setor econômico. Ronnie Lins, diretor do Centro China-Brasil, vê a situação como oportunidade de fortalecer o mercado global, que hoje sofre com recessão e desemprego em muitas economias importantes e com altas generalizadas de preços.

Com a metáfora do gigante asiático como “motor do mundo”, Lins afirma que a retomada da produção fabril aumenta a demanda por commodities, o que beneficiaria emergentes como o Brasil. Além disso, a regularização da oferta de insumos promete estabilizar diversos setores.

Pesquisadora da Universidade Fudan, em Xangai, Karin Vazquez lembra que a reabertura dá a Pequim a oportunidade de reerguer a própria economia em um momento geopolítico instável. Ela conta que o período da Covid zero levou ao menor índice de confiança dos investidores em uma década e que entre 10% e 15% das empresas estrangeiras saíram do país. O PIB chinês cresceu próximo de 3% no ano passado, quando a meta oficial de 5,5% -um tombo de cerca de US$ 500 bilhões.

Para Vazquez, o fim do isolamento ainda pode ajudar a resgatar a imagem do país no mundo, em certa maneira fortalecendo o Partido Comunista e o líder Xi Jinping, que recentemente confirmou um inédito terceiro mandato. “Mas tudo dependerá de como o vírus irá evoluir e da capacidade de resposta da China.”

Nesse sentido, há três cenários possíveis. O primeiro, otimista, é de que a alta de casos e mortes observada agora seja pontual e que até o segundo trimestre a situação se estabilize, com benefícios para os mercados local e global -e diretamente para Xi.

O segundo, mais realista, prevê quase 1 milhão de mortes em decorrência do coronavírus -o prognóstico foi divulgado no mês passado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Hong Kong e é próximo ao de um modelo publicado na revista Science. A cifra, que representa 0,07% da população total do país, faria a China se aproximar dos EUA, líder mundial no ranking, em número de vítimas.

“É o país mais populoso do planeta, e se mesmo 1% das pessoas morrerem é uma escala obscena. Não podemos naturalizar isso”, diz o infectologista Jamal Suleiman, do Hospital Emílio Ribas.

Na ponta econômica, Alicia Garcia-Herrero, economista-chefe para Ásia-Pacífico do banco de investimentos Natixis, pondera que impactos maciços nas cadeias de suprimentos dependentes da China só se dariam caso a comoção pelas mortes provocasse nova mobilização popular de grande proporção.

Mas isso é pouco provável, dada a história recente chinesa, segundo Maurício Santoro, cientista político e professor de relações internacionais da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). A mero título de comparação, estima-se que o Grande Salto para a Frente, plano de Mao Tse-tung para acelerar a industrialização no final dos anos 1950, e a Revolução Cultural, que buscava eliminar desvios burgueses entre as décadas de 1960 e 1970, tenham resultado na morte de até 40 milhões de chineses.

Por fim, o terceiro panorama imagina que a alta taxa de transmissão na China hoje leve ao surgimento de uma nova cepa alarmante. Ela não seria mais agressiva por si só, já que, como lembra Suleiman, a tendência evolutiva dos vírus é de cada nova mutação diminuir sua letalidade, uma vez que dependem de seus hospedeiros para sobreviver.

Mas a variante poderia tanto ter mais capacidade de infecção quanto, na pior das hipóteses, escapar às vacinas atuais. “Se isso ocorrer, toda essa parede [de proteção] poderia desmoronar”, diz. “A China deixa todos em alerta para detectar o mais precocemente possível qualquer anormalidade.”

O problema é que um regime totalitário, sem opositores políticos ou liberdade de expressão, dificulta a divulgação de informações desse tipo. “Essa pandemia é, entre outras coisas, um raio-X dos problemas sociais e políticos de cada país. Na China, essa questão é o autoritarismo, que potencializa os efeitos negativos da resposta inadequada à Covid”, diz Santoro.

“Pode ser que a situação por lá fique grave o suficiente para o regime chinês pedir ajuda internacional. Mas será que isso vai acontecer realmente? Ou as autoridades vão tentar mascarar esses dados e continuar se apegando a um nacionalismo vacinal?” São as questões políticas que, desde 2020, dificultam o combate à pandemia.

Reitora da UFRJ vai comandar ensino superior no MEC

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O ministro da Educação, Camilo Santana, anunciou nesta sexta, 6, toda a sua equipe, com oito mulheres e três homens. Todos os nomes, com exceção da escolhida para a Fundação Joaquim Nabuco, foram adiantados pelo Estadão. A reitora da Universidade Federal do Rio (UFRJ), Denise Pires de Carvalho, será a secretária de Educação Superior do Ministério da Educação (MEC), e a ex-secretária de Educação de Manaus Kátia Schweickardt vai comandar a Educação Básica.

Denise, de 56 anos, foi a primeira reitora da UFRJ, uma das mais antigas universidades federais do País. A instituição fluminense também está entre as dez melhores instituições de ensino superior em rankings da América Latina.

“Fomos buscar professores de federais, com experiência, o que há de melhor nesse País”, disse o ministro, que enfatizou algumas vezes o fato de a maioria das escolhidas serem mulheres. Duas delas são negras. A já anunciada secretária executiva Izolda Cela era cotada para ser a ministra, mas a vaga acabou ficando com Camilo.

Apesar de nomes de deputados do PT terem sido cotados para os cargos, os anunciados são em geral acadêmicos e ex- secretários. Ao ser questionado sobre o ensino integral nas escolas, o ministro confirmou que pretende intensificar o número de escolas com mais tempo de aula, política que foi paralisada no governo de Jair Bolsonaro.

Órgão responsável pelo Enem e Capes têm chefias definidas

Manoel Palácios, ex-secretário da Educação Básica do MEC e coordenador geral do Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (Caed/UFJF), vai assumir a presidência do Instituto Nacional de Pesquisas e Estudos Educacionais (Inep). Palácios foi um dos formuladores da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), aprovada em 2017, que são as diretrizes sobre o que as escolas devem ensinar hoje no País.

Graduado em Engenharia de Telecomunicações e com mestrado e doutorado em Ciências Sociais e Políticas, é um especialista em avaliações e comandava até então a entidade que é responsável por provas feitas por Estados e municípios pelo País. O nome era aguardado com ansiedade entre os servidores, cuja associação divulgou nota parabenizando o ministro pela escolha.

Há urgência para decisões sobre o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2024, que precisa se adequar ao novo ensino médio, com provas gerais e específicas. O órgão viveu intensa crise na gestão Bolsonaro, com mais de 30 servidores que pediram demissão após denunciarem interferências e assédio da presidência no ano passado.

Capes

Para a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Camilo anunciou a professora da Universidade de Brasília (UNB) Mercedes Bustamante. Graduada em Ciências Biológicas, com mestrado em Ciências Agrárias e doutorado em Geobotânica, é uma das grandes pesquisadoras de Cerrado do País.

Mercedes assume com o desafio de reajustar os valores defasados há mais de dez anos das bolsas de mestrado e doutorado do País. Durante do governo Bolsonaro, houve sucessivos cortes, em áreas como humanidades, e os pesquisadores chegaram a ficar sem receber o auxílio em dezembro.

“A equipe até aqui anunciada pelo ministro Camilo Santana é toda vinculada à formulação e gestão educacional, uma ótima composição, um contraste enorme com a gestão anterior”, disse a presidente executiva do Todos pela Educação, Priscila Cruz.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Câmara dos EUA elege McCarthy para presidente após pior impasse em 164 anos

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WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) – Depois de quatro dias e 15 votações, em um impasse que não era visto há 164 anos, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos finalmente elegeu na noite deste sábado (7) seu novo presidente.

O deputado republicano da Califórnia Kevin McCarthy, 57, comandará a Casa pelos próximos dois anos. Sua gestão deve abrir investigações sobre diferentes aspectos do governo do presidente Joe Biden e complicar a agenda do governo federal no Legislativo -ainda que os democratas tenham controle do Senado. Deve ainda abrir um espaço generoso à ala ultradireitista do Partido Republicano.

A legenda, que alcançou maioria na Câmara após as eleições legislativas de novembro, vivia um racha que travou a Casa desde terça-feira (3), quando deveria ter começado a nova legislatura. Das 434 cadeiras hoje ocupadas (de um total de 435), os republicanos têm 222. Em tese, como ocorre na política americana, deveriam conseguir eleger sem sustos o nome que substitui a democrata Nancy Pelosi na presidência. O candidato natural para isso era McCarthy, líder da legenda na Câmara.

Mas o deputado enfrentou forte oposição do Freedom Caucus (bancada da liberdade), grupo republicano ultraconservador, e, se podia ter apenas 4 dissidências para alcançar a barreira dos 218 votos e ser eleito, viu 20 colegas votarem contra ele na maior parte das 11 sessões de humilhação pública a que foi exposto até quinta-feira (5).

Foi o pior cenário em eleições à presidência da Casa desde 1859, quando a conclusão demandou dois meses e 44 votações -deputados precisam votar quantas vezes for necessário até um vencedor obter maioria.

Resoluto, porém, McCarthy cedeu o que tinha e o que não tinha à bancada radical, irritando republicanos moderados. Com as concessões, chegou a esta sexta virando até 15 votos a seu favor nas rodadas realizadas à tarde e ficou próximo de ser eleito.

Ele ainda sofreu mais uma derrota em uma sessão marcada para as 22h (0h em Brasília), que teve momentos tensos após o deputado Matt Gaetz decidir se abster, e McCarthy brigar para tentar fazê-lo mudar de ideia dentro do plenário.

Após a confusão, a Câmara chegou a votar para adiar a eleição para presidente para segunda-feira (9), sem sucesso. Em seguida iniciou a 15ª rodada, na qual chegou-se ao resultado. A contagem final de votos foi de 216 para McCarthy e 212 para o líder democrata, Hakeem Jeffries, além de 6 abstenções.

A vitória, porém, custou caro a McCarthy, que deve assumir como um líder enfraquecido. A imprensa política americana dá conta das promessas que ele teria feito aos republicanos radicais que eram resistentes ao seu nome. Segundo a CNN, ele teria prometido que qualquer parlamentar possa propor uma moção para destituir o presidente da Câmara; que seu grupo político não vai disputar as primárias pela candidatura republicana em distritos seguros para os conservadores; que vai pautar projetos sobre segurança nas fronteiras e de limitação ao número de mandatos de um deputado; mudar o teto de gastos da Casa; ampliar a participação do Freedom Caucus em comitês, inclusive o que regula o regimento; e aumentar o número de emendas possíveis a projetos de lei -entre outros pontos.

Pouco após a votação, o presidente Joe Biden divulgou nota parabenizando McCarthy. “Estou preparado para trabalhar com os republicanos quando puder, e os eleitores deixaram claro que esperam que os republicanos também estejam preparados para trabalhar comigo. Agora que a liderança da Câmara dos Representantes foi decidida, é hora de esse processo começar”, disse.

Depois da eleição, finalmente os deputados eleitos tomaram posse.

McCarthy foi eleito pela primeira vez para a Câmara em 2006 e rapidamente galgou espaço na política interna da legenda. No começo da carreira era tido como representante da ala jovem moderada, os “young guns” (armas jovens), e chegou a lançar um livro com esse título clamando por mais consenso bipartidário para avançar pautas importantes para o país.

No governo Trump, porém, foi se aproximando da agenda conservadora e se transformou em forte aliado do presidente. Dias após a eleição de 2020, ainda durante a apuração, chegou a dizer à Fox News que o republicano havia vencido, antes de o resultado oficial apontar Biden como vencedor.

A maré virou na sequência da invasão do Capitólio, quando uma multidão insuflada por Trump tentou impedir à força a confirmação da vitória de Biden. McCarthy se voltou contra o então presidente, chegou a pedir sua renúncia e fez um discurso duro no púlpito da Câmara em que afirmou que Trump era responsável pelo ataque -que, nesta sexta, completou dois anos, em data que passou quase despercebida no Congresso devido justamente ao racha republicano.

Habilidoso politicamente, porém, o líder soube ler o cenário e se reaproximou do ex-presidente, inclusive jogando na fogueira seu antigo braço direito, Liz Cheney -que votou pelo impeachment do republicano e integrava a comissão do Congresso que investigou o 6 de Janeiro.

A gestão McCarthy deve abrir uma série de investigações contra o governo Biden, conforme lista de prioridades que ele divulgou em dezembro. A primeira deve ser contra o secretário de Segurança Interna, Alejandro Mayorkas, mirando a crise de imigração na fronteira com o México.

A lista se estende ainda para a influência da China nos EUA; as origens do coronavírus; a retirada de tropas americanas do Afeganistão; os negócios de um dos filhos do presidente, Hunter Biden; o que ele considera limitação à liberdade de expressão por empresas de tecnologia e o que chama de doutrinação nas escolas.

Irã executa mais dois manifestantes envolvidos em protestos contra regime

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O Irã executou neste sábado (7) mais duas sentenças de morte contra participantes da onda de protestos que se espalhou pelo país no ano passado. Mohammad Mehdi Karami, 22, e Seyyed Mohammad Hosseini, 39, haviam sido condenados por assassinar um membro da Basij, milícia voluntária afiliada à Guarda Revolucionária iraniana.

Com isso, sobe a quatro o número de manifestantes executados pela Justiça. Outros 2 acusados receberam pena capital pelo mesmo caso pela Suprema Corte iraniana, 2 podem apelar da decisão, e 6 aguardam um novo processo.

A Anistia Internacional afirmou no mês passado que as autoridades iranianas defenderam o mesmo destino para ao menos 26 outros envolvidos nos protestos. A organização alega que o Estado negou a todos eles o direito a uma defesa adequada, impedindo-os de contratar seus próprios advogados, e acusa os julgamentos de serem falsos, “destinados a intimidar os participantes do levante popular que abalou o Irã”.

O regime ainda é acusado de ter torturado e extraído à força confissões de ambos os condenados, o que ele nega. O advogado de Hosseini, Ali Sharifzadeh Ardakani, afirmou que seu cliente teve as mãos e pés atados e foi espancado na cabeça até desmaiar, além de ter recebido choques elétricos em diferentes partes do corpo.

A maior onda de protestos do Irã desde a Revolução Islâmica de 1979 teve como gatilho a morte de Mahsa Amini, 22, ocorrida em setembro sob custódia da polícia moral, responsável por aplicar os rigorosos códigos de conduta religiosos do regime.

Amini foi detida devido ao suposto uso incorreto do hijab, o véu islâmico. A versão oficial é a de que ela morreu em decorrência de problemas de saúde prévios, mas familiares e ativistas dizem que ela foi agredida e morta por agentes enquanto estava presa.

Na sexta-feira (6), o grupo de direitos humanos Hrana afirmou que 517 manifestantes foram mortos durante os protestos -70 deles menores de idade-, enquanto 68 membros das forças de segurança vieram à óbito. Os números oficiais são de 300 mortes somando os dois grupos.

Desde o início das manifestações, as autoridades iranianas acusam forças estrangeiras, incluindo os Estados Unidos, de alimentar os protestos. Segundo o Irã, Washington se vale das manifestações para tentar desestabilizar o regime do aiatolá Ali Khamenei.

A primeira execução relacionada aos atos ocorreu em 8 de dezembro. Mohsen Shekari, 23, foi condenado por esfaquear um membro da Basij com uma machete, atear fogo a uma lata de lixo e pôr em risco a segurança pública. A segunda execução aconteceu dias depois, em Mashad, em um enforcamento público com guindaste. Majid Reza Rahnavard, 23, então detido há menos de um mês, tinha sido acusado de esfaquear até a morte dois integrantes da mesma milícia e de ferir outras quatro pessoas.

Lula irá ao Uruguai depois de visitar Argentina em 1ª viagem na Presidência

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GUARULHOS, SP (FOLHAPRESS) – Depois de ir à Argentina, em sua primeira viagem após o retorno à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai a Montevidéu, no Uruguai, informou o Itamaraty nesta sexta (5).

Lula irá ao país comandado pelo centro-direitista Luis Lacalle Pou em 25 de janeiro após dois dias em Buenos Aires. O Ministério das Relações Exteriores uruguaio disse que o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, e seu homólogo no país vizinho estão acertando os detalhes.

Desde que Vieira anunciou que Lula iria à Argentina, onde se encontrará com o presidente Alberto Fernández, um de seus principais aliados na região, cogitava-se a possibilidade de uma visita ao Uruguai, confirmada após o convite oficial feito por Lacalle Pou.

No país, Lula também tem laços com o ex-presidente José “Pepe” Mujica, que participou de sua campanha para o Palácio do Planalto e veio à posse a convite do próprio Lacalle Pou -o também ex-presidente Julio María Sanguinetti os acompanhou em Brasília, em uma comitiva pluripartidária.

Nesta quinta-feira (5), o Itamaraty também anunciou o retorno do Brasil à Celac (Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos), integrada, entre outros, por Argentina e Uruguai.

O país havia se retirado do colegiado em janeiro de 2020, no segundo ano de governo de Jair Bolsonaro (PL). Na ocasião, a gestão do ex-presidente afirmou que o bloco tinha poucos efeitos práticos e que era composto por ditaduras, como Venezuela e Cuba.

Criada em 2010, no final do segundo governo Lula, a Celac é uma organização internacional em que os países da região se articulam sem a participação de Estados Unidos e Canadá.

Biden exalta resistência a invasão do Capitólio e lembra de ataque como sombrio

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – No dia que marca o segundo ano da invasão do Congresso dos EUA, Joe Biden comandou nesta sexta-feira (6) uma cerimônia em homenagem aos agentes de segurança que resistiram à turba inflamada por Donald Trump, na tentativa de impedir a confirmação da vitória do democrata. O episódio foi apontado pelo presidente como um dos “mais sombrios da história do país”.

Na Casa Branca, o americano exaltou policiais feridos e os familiares de agentes mortos após a invasão. Também alertou para o risco de ações extremistas nos EUA que ainda vê como “muito real”. Os homenageados receberam do presidente a medalha de cidadão presidencial, classificada por ele como uma das maiores honras civis do país.

Os homenageados, segundo Biden, tiveram atos “exemplares e heroicos” que serão recordados pelas próximas gerações. “A história se lembrará de seus nomes, da coragem e bravura. Também pelo seu extraordinário compromisso com seus compatriotas”.

Dois anos após o episódio, classificado como um dos maiores ataques à democracia da história dos EUA, o FBI prendeu mais de 950 pessoas –a investigação é considerada a maior da história do órgão. Parte dos invasores responde criminalmente por agressão a agentes de segurança Um deles morreu no dia seguinte, após dois derrames, e outros quatro se suicidaram.

O presidente americano disse na cerimônia que uma multidão violenta desrespeitou a lei vandalizando salões da Casa Branca e agredindo funcionários para tentar “derrubar a vontade dos eleitores e usurpar a transferência de poder.”

“Há dois anos, nossa democracia foi atacada. Não há outra maneira de dizer isso”, reforçou Biden ao abrir o discurso. “O Capitólio dos EUA foi violado, o que nunca tinha acontecido antes na história dos EUA, mesmo durante a Guerra Civil”.

Biden não mencionou em seu discurso o impasse protagonizado pelo Partido Republicano na Câmara dos Representantes. Nesta sexta, a legenda ainda havia chegado a um consenso para eleger o presidente da Casa depois de 13 rodadas de votação e já no quarto dia de debates.

O deputado republicano da Califórnia Kevin McCarthy, principal nome da Casa, enfrenta forte oposição da ala ultradireitista do partido. Parte do grupo radical ainda hoje ecoa a tese falsa de que houve fraude na eleição de 2020.

Homens morrem soterrados após caírem em silo de milho em SP

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SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Dois trabalhadores de uma empresa agrícola morreram após ficarem soterrados dentro de um silo de milho em Itaberá, no interior de São Paulo. Ouder Henrique Torres, 33, e Valdinei Pedro Jardim Rodrigues, 23, estavam em horário de trabalho, por volta das 12h30 de quarta-feira (4), quando ocorreu o acidente.

A SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo) informou que as vítimas realizavam a limpeza interna do silo quando caíram dentro do armazenamento e morreram soterrados. Equipes da empresa, acompanhadas do Corpo de Bombeiros, da Prefeitura e das Polícias Civil e Militar, trabalharam durante horas na tentativa de encontrar os funcionários com vida. No entanto, apenas à noite os corpos foram localizados.

Em nota, a Belagrícola, empresa onde ocorreu o acidente que tem sede em Londrina (PR), informou que “se solidariza com os familiares dos prestadores de serviço” e que, neste momento, “as atenções estão voltadas aos encaminhamentos legais do caso e total apoio aos familiares”. A companhia também disse que investigações para identificar a causa do acidente já foram iniciadas.

O caso foi registrado na Delegacia Seccional de Itapeva e encaminhado a Delegacia de Itaberá, onde será investigado. A SSP-SP ainda informou que já foram solicitados exames junto ao IC (Instituto de Criminalística) e IML (Instituto Médico Legal).

AMIGOS LAMENTAM MORTES

Nas redes sociais, um servidor da Prefeitura de Itaberá, amigo de uma das vítimas, lamentou o ocorrido e afirmou que todos mantinham esperanças de encontrá-los vivos durante a operação de resgate.

“Dois jovens que começaram a trabalhar muito cedo e infelizmente perderam a vida trabalhando”, escreveu ele. “Impossível entender tudo isso, momento de dor, tristeza. No momento que fomos acionados para socorrer dois rapazes que tinham caído no trabalho, achei que seria mais um resgate com final feliz e nada grave, mas infelizmente não teve final feliz.”

Uma amiga dos dois trabalhadores compartilhou uma homenagem a eles dizendo estar incrédula com a notícia. “Sair para trabalhar, para ganhar o pão de cada dia e não voltar parece ser ainda mais triste e inacreditável. É a lei da vida, a gente sabe, mas quando ela se finda em dois jovens, com uma vida toda pela frente, quando quem conhece e vê a vida [deles] se ajeitando, os sonhos se realizando, é impossível não se emocionar”, escreveu ela.

A Prefeitura de Itaberá também lamentou a morte dos dois trabalhadores. “Diante deste momento de dor, a administração municipal se solidariza com todos os familiares e amigos. Que Deus, em sua infinita sabedoria, conforte o coração de todos”, diz comunicado.

Covid-19: Brasil registra 26,4 mil casos e 210 mortes em 24 horas

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O estado de São Paulo tem o maior número de registros de covid-19 e de mortes em consequência da doença – 6,3 milhões de casos e 177,6 mil óbitos. Em seguida, aparecem Minas Gerais (4,1 milhões de casos e 64,5 mil óbitos); Rio Grande do Sul (2,9 milhões de casos e 41,5 mil óbitos) e Paraná (2,8 milhões de casos e 45,7 mil óbitos). 

O estado que registra menor número de mortes por covid-19 é o Acre (2.040), seguido por Amapá (2.166) e Roraima (2.180).

Segundo o vacinômetro do Ministério da Saúde, 498,8 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 já foram aplicadas no país, sendo 181,5 milhões da primeira dose e 164 milhões da segunda, além de 102,7 milhões da primeira dose de reforço e 40,5 milhões do segundo reforço. 

Aluno de 6 anos atira em professora dentro da sala de aula nos EUA

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Uma criança de 6 anos foi levada sob custódia depois de atirar em uma professora nesta sexta-feira (6) na cidade de Newport News, na Virgínia, nos Estados Unidos. A vítima está internada em estado grave.

“Entramos em contato com advogado e entidades para nos ajudar a obter os melhores serviços para essa criança”, disse o chefe de polícia Steve Drew, citado pela emissora CNN americana.

Segundo o policial, a professora foi baleada na sala de aula, e o tiro não teria sido disparado acidentalmente. Ele afirmou que houve uma briga entre o aluno e a docente e que só um tiro foi efetuado.

A professora, cuja identidade não foi revelada, está internada em estado crítico. Ainda não há informações sobre como a arma entrou na escola, que teve as atividades suspensas. Nenhum estudante foi ferido.

Governo Bolsonaro: dezembro registra maior desmatamento na Amazônia

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A floresta amazônica perdeu 218,41 km² de vegetação em dezembro do ano passado, o último sob a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em mais um recorde de seu governo. Os dados são do Deter, sistema do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), que emite alertas para o combate ao desmatamento em tempo real.

O registro é a marca mais alta de Bolsonaro para o mês de dezembro, em comparação com o mesmo período em anos anteriores da Presidência. Se considerada a série histórica, com início em 2015, é a terceira, atrás de 2017, que registrou 287,51 km², e de 2015, que teve 266,29 km².

Os números ainda serão atualizados pelo Inpe, já que a informação publicada nesta sexta (6) vai até 30 de dezembro do ano passado -há um dia pendente para completar o ano de 2021, portanto.

Áreas de pastagem devastada na floresta Amazônica, na região da bacia do rio Tapajós, no estado do Pará – Pedro Ladeira – 17.fev.22/Folhapress

O número mais que dobrou em relação ao mesmo período do ano anterior, quando o sistema registrou 87,19 km², mas é preciso ter cautela em comparações, segundo Mariana Napolitano, gerente de conservação do WWF-Brasil.

“Precisamos de cuidado, no Deter, com períodos curtos. Se há muita nuvem, o Deter não vai pegar”, diz ela.

Para a especialista, é preciso analisar conjuntos de alertas para identificar as tendências. “É bom olhar três ou seis meses para ver padrões. É importante lembrar que, de agosto a dezembro, o valor foi altíssimo, com 4.593 km², mais alto que os anteriores, que ficaram na casa dos 3.000”.

Assim, ela diz, a tendência projetada pelo Deter é que os dados de desmatamento continuem altos e sejam confirmados na próxima publicação do Prodes, outro sistema do Inpe.

É o que também aponta o Observatório do Clima, rede de diversas organizações da sociedade civil. “Os alertas de destruição da Amazônia bateram recordes históricos nos últimos meses, deixando para o governo Lula uma espécie de desmatamento contratado, que vai influenciar negativamente os números de 2023”, diz Marcio Astrini, secretário-executivo da entidade.

“O governo Bolsonaro acabou, mas sua herança ambiental nefasta ainda será sentida por um bom tempo”, completa.

Em seu discurso de posse, na última quarta-feira (4), a ministra do Meio Ambiente e Mudança Climática, Marina Silva, anunciou a criação de uma secretaria extraordinária voltada exclusivamente para controle e combate ao desmatamento.

Foi em sua primeira passagem pelo ministério no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que o desmate, com o PPCDAm -ou Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal-, chegou a uma redução de 83% na taxa de 2004 a 2012.

Segundo Napolitano, a reestruturação de ações de comando e controle e órgãos como o Ibama e o ICMBio são importantes, mas o governo precisará fazer um esforço rápido na direção da economia.

“Sabemos que não se segura e nem se quer segurar [o desmatamento] com comando e controle. O que se quer é uma economia de base florestal, em que desmatar não faça mais sentido, porque manter a floresta em pé é mais rentável. É muito menos risco para todos”, afirma.

O prazo, no entanto, é outro desafio. “Podemos lembrar que, com a Marina e o PPCDAm, houve redução de desmatamento em oito anos. Não temos mais oito anos para reduzir, precisamos de esforço e recurso para que a resposta seja mais drástica. É um cenário mais crítico de clima, recursos hídricos, nossa janela para a mudança é menor”, destaca a especialista.

Até a publicação da reportagem o Ministério do Meio Ambiente não havia comentado o novo dado do Deter.

COMO SE MONITORA O DESMATAMENTO NA AMAZÔNIA

O desmatamento é monitorado de duas formas pelo Inpe. Além do Deter, cujo nome completo é Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real, que publica informações mensalmente, os dados do Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite) são divulgados duas vezes por ano -a primeira é uma estimativa.

Enquanto o Deter foi criado para possibilitar ações mais rápidas de fiscalização e combate a crimes ambientais, o Prodes é o dado do desmatamento em si, monitorado por satélite e com mais precisão.

Apesar disso, o Deter pode ajudar a indicar tendências de crescimento, queda ou manutenção do desmatamento na Amazônia.

A gestão de Bolsonaro também acumulou recordes no Prodes. Pelo quarto ano consecutivo, o desmatamento na Amazônia, em um ano, ultrapassou os 10 mil km². Os dados do programa, divulgados em novembro do ano passado, mostram que foram ao chão 11.568 km² de floresta de agosto de 2021 a julho de 2022.

Cratera se abre e assusta moradores em Carapicuíba

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SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Uma cratera se abriu na Vila Lourdes, em Carapicuíba (SP), a poucos metros de residências da Rua da Reserva. Imagens feita por um morador da região mostram que o buraco, que surgiu na noite desta quinta (5), começou menor, derrubando apenas o asfalto próximo a um trecho de calçada e foi ampliado ao longo da madrugada, com partes do terreno cedendo e expondo tubulações subterrâneas.

“Descaso das autoridades de Carapicuíba. Rua da Reserva caindo, literalmente. Vizinhos já pediram ajuda e nada, nenhuma viatura para ajudar a pelo menos parar o tráfego de carros para não acontecer um acidente grave. Moradores estão avisando motoristas e pedestres”, escreveu o lutador Ge Rodrigues, em postagem no Facebook.

No vídeo gravado pelo homem, é possível ver uma barreira improvisada, usando balde e lona, para tentar impedir o trânsito de pessoas e veículos na região em que o asfalto foi “engolido”.

A Defesa Civil de Carapicuíba informou à reportagem que a cratera surgiu em meio às fortes chuvas que atingiram a região e que uma equipe do órgão, assim como agentes de trânsito para controlar o tráfego, foram enviados ao local na manhã desta sexta (6).

A equipe também estará encarregada de avaliar os possíveis riscos aos imóveis da região, mas ainda não há informações sobre o impacto até o momento.

O prazo para reparo do asfalto, possíveis danos materiais aos moradores e a causa exata do incidente ainda não foram confirmados pelos engenheiros, que ainda estão no local.

FBI mira grupos extremistas após prender mil pessoas após invasão do Capitólio

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WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) – A invasão do Congresso dos EUA em 6 de janeiro de 2021, em que apoiadores de Donald Trump tentaram impedir a confirmação da vitória de Joe Biden na eleição para presidente do ano anterior, foi o maior ataque à democracia americana na história recente. E o remédio não tem sido menor.

Dois anos depois do episódio que continua a assombrar os corredores do poder na capital dos Estados Unidos, o FBI prendeu mais de 950 pessoas –a investigação é considerada a maior da história do órgão. Só em vídeos, a polícia federal americana afirma que analisou nove terabytes de informação, algo que, se colocados em uma única trilha, somariam 361 dias ininterruptos de gravações.

Ao todo, foram abertos processos contra 940 pessoas, segundo o Programa sobre Extremismo, grupo da Universidade George Washington, na capital americana, que monitora os casos do 6 de Janeiro. Mais da metade dos réus, 482, confessou a culpa e outros 44 foram assim considerados pela Justiça.

A sentença mais longa até aqui foi dada a um ex-militar e policial aposentado de Nova York, Thomas Webster, 56, condenado no começo de setembro a pouco mais de dez anos de prisão –por, entre outras coisas, ter agredido um policial com o mastro de uma bandeira e tê-lo enforcado ao tentar retirar seu capacete e a máscara de gás. A agressão foi registrada pela câmera corporal do agente e por outros manifestantes.

“Como ex-policial e fuzileiro naval dos EUA, que jurou defender a Constituição contra todos os inimigos estrangeiros e domésticos, Webster sabia da gravidade de suas ações”, disse o diretor-assistente do FBI Steven D’Antuono à época da condenação. “Quando agrediu uma autoridade no Capitólio dos EUA naquele dia, ele traiu não apenas seu juramento, mas também seus colegas policiais, que arriscam suas vidas todos os dias para proteger o povo americano.”

A sentença de Webster, porém, é exceção. Dos 353 réus que já tiveram a pena decidida –nos EUA, a condenação e o anúncio da pena são feitos em momentos diferentes–, só 47 foram condenados a mais de um ano de prisão; a maior parte recebeu apenas algumas semanas de sentença.

Este é o caso dos dois brasileiros réus pelo episódio. Letícia Ferreira Vilhena, engenheira que mora na região de Chicago, foi condenada em outubro a duas semanas de cadeia, 60 horas de serviço comunitário e US$ 500 (R$ 2.701) em multa depois de firmar um acordo com a Justiça, pelo qual se declarou culpada.

A reportagem não conseguiu contato com Vilhena. No processo, os advogados afirmaram que ela não tem direito de votar nos EUA, só queria ver a manifestação e não endossa a violência daquele dia. Vilhena afirmou que foi seguindo a multidão e passou 20 minutos no Capitólio.

O outro brasileiro é Eliel Rosa, morador do Texas, que foi condenado a 12 meses de liberdade condicional, além de multa de US$ 500 e 100 horas de serviço comunitário. No julgamento, ele expressou arrependimento e chamou o ato de estupidez –ele não respondeu às mensagens da reportagem.

Jonathan Lewis, pesquisador da Universidade George Washington, afirma que as sentenças mais baixas até aqui são resultado de uma estratégia do Departamento de Justiça para lidar com o imenso número de processos e que, a partir de agora, as condenações devem ser maiores.

A Justiça decidiu dividir os réus em três grupos. O primeiro, com pessoas que estiveram fisicamente dentro do Capitólio mas não cometeram violência, como os dois brasileiros. “A gente brinca que são ‘os normais’, que entraram com um boné de ‘make America great again’ [lema de Trump], passaram um tempo e foram embora”, explica Lewis.

O segundo reúne aqueles que comprovadamente cometeram atos violentos, a maior parte deles contra policiais –caso de Webster. Segundo o FBI, das quase 1.000 prisões feitas, cerca de 200 envolveram agressão a agentes de segurança. Um deles morreu no dia seguinte, após um infarto, e outros quatro se suicidaram depois da invasão.

Com o andamento dos processos desses dois grupos, tomada de depoimentos e acesso a publicações em redes sociais, troca de mensagens e fotos e vídeos feitos nos dias da invasão, a investigação avança agora sobre o terceiro grupo, o de radicais ligados a grupos extremistas, como Oath Keepers e Proud Boys.

“Pessoas que não apenas estiveram no Capitólio, mas que conspiraram por muito tempo antes do ataque e que foram ao local com a intenção específica de obstruir o andamento do processo e impedir a transferência pacífica de poder”, diz Lewis.
No fim de novembro, a Justiça americana condenou cinco membros dos Oath Keepers, grupo armado considerado terrorista doméstico por especialistas no assunto. O cofundador Elmer Stewart Rhodes 3º, 57, e os demais foram condenados por crimes como conspiração sediciosa (contra uma autoridade do Estado), obstrução de procedimento oficial e adulteração de processos. A pena máxima para cada um desses processos é de 20 anos de prisão, mas a sentença ainda não foi divulgada.

A amplitude da investigação indica que o governo americano, via Departamento de Justiça de Joe Biden, não pretende deixar o ataque ao Capitólio, descrito como uma tentativa de golpe de Estado, passar em branco. Até aqui, só uma pessoa foi inocentada, segundo os dados da George Washington –Matthew Martin, do Novo México, que afirmou que foi ao Congresso achando que era só mais uma manifestação de Trump e que a polícia o deixou entrar porque não havia nenhuma barreira de segurança.

As ações contra os invasores não são as únicas, e o próprio ex-presidente é alvo de investigação do Departamento de Justiça. O republicano também acabou de ser acusado pelo comitê da Câmara dos Representantes que apurava o ataque, que pediu seu indiciamento por crimes como conspiração e incitação a insurreição, em outra investigação histórica, que gerou um relatório de mais de 800 páginas.

Dois anos depois do ataque, a ameaça mais concreta nos EUA hoje não vem mais de organizações extremistas, mas de indivíduos radicalizados por esses discursos, segundo Lewis –que cita como exemplo o ataque ao escritório do FBI em Ohio em agosto, após a operação contra a residência de Trump na Flórida. Na ocasião, um apoiador do ex-presidente tentou invadir um prédio da polícia federal com um fuzil AR-15, trocou tiros com agentes e foi perseguido até ser morto.

“Não são atores associados de maneira formal a grupos extremistas violentos domésticos. No entanto, estão dispostos a se mobilizar para cometer atos de violência, ressoando as mesmas teorias da conspiração e a retórica violenta da multidão que invadiu o Capitólio em 6 de Janeiro. É o principal perigo dos EUA hoje.”

Favorito na disputa da ALERJ, Bacellar leva interior para protagonismo político e vira alvo da imprensa carioca

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Após 17 anos, o estado do Rio pode ter um campista ocupando uma das mais importantes posições políticas. Rodrigo Bacellar, deputado eleito para o segundo mandato, é o grande favorito para ser o novo presidente da ALERJ a partir de fevereiro.

Seja por bairrismo, ativismo político ou simplesmente elitismo medíocre, da mesma forma que se torna um político protagonista no estado, também se torna alvo da imprensa carioca que o escolheu como alvo diante de sua ascensão.

Nesta sexta-feira (06), o RJ2, da TV Globo, mostrou uma imagem de um embarque de Bacellar e sua esposa em um helicóptero. A imagem filmada de maneira amadora, sugere que se trata de mais um flagrante de corrupção na política fluminense que se tornou comum na década passada, mas o que se vê, é algo completamente ao contrário. O casal entra em uma aeronave privada e segue em viagem particular.

O que a matéria tenta apontar, é que o político campista se utilizou da posição que tem como secretário, para viajar no helicóptero de uma empresa que é investigada no estado do Pará. A matéria da TV Globo não cita sequer se a empresa tem algum contrato com o poder público no Rio ou se teve alguma vantagem direta em troca da carona. Simplesmente tenta associar a Bacellar com uma investigação que o irmão do dono da aeronave responde, na tentativa de induzir o espectador a algo que não aparece.

Ofensivo ao cidadão seria, se Rodrigo embarcasse com sua esposa para uma viagem particular em um helicóptero do estado, sendo custeado pelo cidadão que paga imposto. O que se viu na matéria desta sexta-feira, foi apenas uma tentativa de afastar da disputa da ALERJ alguém que seja fora da bolha política que domina o estado.

Déficit de médicos de família no SUS está entre 45 mil e 65 mil

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A área de atenção primária precisará de um olhar especial da gestão Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na avaliação da presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, Zeliete Linhares Leite Zambon. Segundo ela, faltam profissionais, incentivo na carreira e investimentos.

Na opinião da especialista, para uma boa gestão em saúde, o governo deverá investir na atenção primária, nos agentes comunitários de saúde, na formação do médico de família e comunidade, além de aumentar a resolutividade da atenção primária e voltar com os profissionais do Nasf (Núcleo de Apoio à Saúde da Família).

PERGUNTA – Faltam médicos de família no SUS?

ZELIETE LINHARES LEITE ZAMBON – Só no SUS o déficit varia de 45 mil a 65 mil médicos de família e comunidade. Só temos 10 mil destes profissionais.

P. – Ao que se atribui o déficit?

ZZ – Primeiro, não existia esse profissional dentro da graduação. De 2014 para cá, com a mudança da diretriz curricular nacional para os cursos de medicina, passou a ser obrigatório um professor especialista em medicina de família e comunidade, inclusive a disciplina de atenção primária transversal a todo curso. Se fizermos uma conta, vamos demorar no mínimo dez anos para formar a quantidade necessária desses especialistas.
Na hora que formar, vamos precisar de mais, porque a população aumenta. A especialidade fez 41 anos no dia 5 de dezembro [Dia Nacional do Médico de Família e Comunidade], mas o formato era diferente. A partir de 2002, ela passou a ser no formato assistencial, de resolver todos os problemas da atenção primária, que equivale a 85% dos problemas de saúde das pessoas. A atuação da atenção primária também mudou. Antes, tínhamos muito a visão da prevenção. Hoje, é prevenção, cura, diagnóstico, reabilitação.

P. – De que forma o país poderia incentivar a opção pela medicina de família?

ZZ – Temos uma necessidade emergencial de provimento médico na atenção primária. Essa urgência trouxe vários programas, como o Mais Médicos e o Provab (Programa de Valorização do Profissional de Atenção Básica), em que o formado saía da graduação e recebia uma bolsa de valor muito maior que o da bolsa de residência, de R$ 4.000. A do Provab era R$ 10 mil; a do Mais Médicos passava de R$ 11 mil; e a do Médicos Para o Brasil [substituto do Mais Médicos], cerca de R$ 15 mil. Isso desestimula o recém-formado a ir para a residência em medicina de família e comunidade.

P. – Como a senhora avalia a gestão Bolsonaro em relação à saúde da família?

ZZ – Horrível. Em relação à Estratégia Saúde da Família, houve diminuição no investimento. Até por conta do congelamento de verbas para a saúde e a educação, diminuiu o investimento na resolubilidade, porque cortou verba para o fluxo de apoio a saúde da família. Isso por si só já diminuiu o incentivo da atenção primária.

Na medicina de família e comunidade, pela primeira vez, não houve estímulo para bolsa de residência nessa especialidade desde quando começou o Pró-Residência [Programa Nacional de Apoio à Formação de Médicos Especialistas em Áreas Estratégicas]. Isso deixa claro que o governo não tinha intenção de valorizar a medicina de família e comunidade. Dentro do Médicos pelo Brasil, foi criada a Agência para o Desenvolvimento da Atenção Primária à Saúde com o mote de formação para a medicina de família e comunidade. Na verdade, demorou um tempão para começar o curso, o que aconteceu recentemente. Mesmo assim, deveria ter uma avaliação contínua desse processo do Médicos pelo Brasil. O programa, que é uma mistura de provimento com formação e no final titulação de especialistas em medicina e comunidade, demorou para ser posto em prática. Só retrocessos.

P. – Qual o impacto da crise na saúde sobre a medicina de família?

ZZ – Como não tinha um planejamento de como seria esse trabalho, não houve investimento, melhorias e nem manutenção das políticas já existentes. Isso fez com que as pessoas fossem mais para o pronto-socorro, descompensassem com doenças crônicas, como hipertensão arterial e diabetes, e tivessem mais AVC, infarto.

A economia provoca mais gastos nos setores secundários e terciários, porque não há um cuidado na gestão da saúde das pessoas. A medicina de família e comunidade começou a ir muito para o privado. Já tinha um apelo do sistema privado por esse profissional, que foi muito valorizado lá. Além de o governo não formar mais médicos de família e diminuir os gastos em atenção primária, perdeu especialistas em medicina de família e comunidade para o setor privado, o que piorou muito a qualidade da atenção primária.

P. – Quais as expectativas da entidade em relação ao governo Lula?

ZZ – Sabemos que será um ano difícil pelas questões orçamentárias. Esperamos que este governo tenha claro que a atenção primária deve ser a coordenadora de todo sistema de saúde. É preciso investir na atenção primária, na formação do médico de família e comunidade, aumentar a resolutividade da atenção primária, voltar com os profissionais do Nasf e investir nos agentes comunitários de saúde, na inovação e nos sistemas de informação. Essa é a lógica de uma boa gestão em saúde.

E esperamos que este governo escute os especialistas em medicina de família e comunidade. Nos acione, procure a Sociedade [Brasileira de Medicina de Família e Comunidade], que temos orientações para dar. Esperamos que o especialista em medicina de família e comunidade seja valorizado, que tenha um plano de carreira, incentivo para a formação.

Assim como incentivamos os médicos de provimento emergencial com bolsas maiores, devemos incentivar os que fazem residência em medicina de família para que também tenham bolsas maiores, um processo de carreira médica e fixação dentro da Estratégia Saúde da Família.

Raio-X

Zeliete Linhares Leite Zambon

Presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade. Graduada em medicina pela Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória, médica de família e comunidade, mestre em ciências do ensino da saúde pela Unifesp. Tem MBA Executivo em gestão de saúde pelo Einstein. É coordenadora de ensino do curso de medicina da Faculdade São Leopoldo Mandic.

Autoridades recuperam centenas de artefatos arqueológicos na Espanha

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Autoridades da Espanha recuperaram restos mortais e centenas de artefatos arqueológicos datados de até 5.000 anos, incluindo fósseis marinhos, cerâmicas da Idade do Bronze (cerca de 3.300 a.C. a 1.200 a.C.) e armas do século 18. Os itens estavam em duas casas na província de Alicante, no sudeste do país.

As apreensões foram feitas na chamada operação Osarium, que levou os policiais a “uma das maiores coleções privadas ilegais” da Espanha, segundo comunicado divulgado pela Guarda Civil. Duas pessoas são investigadas pelo crime de apropriação indevida de objetos com valor artístico, cultural ou científico.

A investigação teve início em novembro, quando autoridades foram informadas da existência de restos mortais dentro de uma casa no vilarejo de Gata de Gorgos -mais de 200 fragmentos de ossos humanos foram encontrados.

Depois, o proprietário da residência, em colaboração com as autoridades, conduziu os investigadores a uma coleção ainda maior em outra propriedade na cidade vizinha de Dénia. Lá, foram encontrados os itens arqueológicos que teriam sido herdados de um antigo morador, já falecido.

“No entanto, [o morador] não possuía qualquer tipo de documentação que justificasse a posse dos itens, nem realizou qualquer procedimento para a sua regularização”, informou a guarda em comunicado.

Foram recuperados cerca de 350 artefatos como mosaicos romanos e ferramentas e armamentos históricos, incluindo balas de canhão e granadas de ferro. Os investigadores apreenderam ainda cadernos com anotações manuscritas do antigo morador, apontando a localização dos itens.

Serão feitos estudos para estabelecer a data e a origem das peças, o que pode facilitar a localização de novos sítios arqueológicos, segundo o comunicado da Guarda Civil, que atuou em conjunto com a equipe da inspeção técnica do Ministério da Cultura e de especialistas do Museu Arqueológico de Dénia.

A descoberta ocorre um ano depois que 36 peças, também recuperadas pela Guarda Civil espanhola, foram devolvidas ao Egito. Os objetos, que incluíam estatuetas com a representação de deuses e jarros antigos, foram apreendidos no porto de Valência depois de serem roubados de sítios arqueológicos em 2014, segundo a agência de notícias Reuters.

Passageiros agressivos em voos entram na mira da Anac

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O aumento de casos de violência cometidos por passageiros de aviões nos últimos meses levou a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) a criar um grupo de trabalho para analisar formas de conter o problema.

“Depois da pandemia, os ânimos estão mais exaltados. Como noticiado nos jornais, tivemos casos de passageiros quebrando balcões de companhias, desrespeitando comissários e problemas de indisciplina nos voos”, comenta Tiago Pereira, diretor da Anac.

Pereira diz não ter dados precisos, mas notou um aumento das queixas por parte das empresas aéreas, especialmente de passageiros que se recusam a cumprir medidas de saúde, como usar máscara a bordo. Há casos também de revolta contra as regras dos voos e de confrontos nos guichês por problemas como voos cancelados ou atrasados e excesso de bagagem.

A Anac incluiu a questão em sua agenda regulatória, espaço onde temas do setor são debatidos com as empresas do setor e a sociedade. A expectativa é que a decisão sobre a adoção de novas regras para reduzir o problema saia até meados de 2023.

“Estamos com um grupo de estudos com as empresas aéreas e aeroportos para levantar alternativas de como regular para resolver esse problema do passageiro indisciplinado”, diz Pereira. Planeja-se também ouvir entidades de defesa do consumidor.

“Isso passa por avaliar o que é feito nos outros países. O que as empresas podem fazer dentro do voo, fora ou depois. Se o passageiro cometeu algum tipo de indisciplina, ele pode ser penalizado? Como?”, prossegue .”É um problema muito complexo. De um lado, estou tentando gerar sensação de segurança nos demais passageiro. Por outro, tem preceitos constitucionais do direito de ir e vir.”

Uma das possibilidades em estudo é a criação de listas de restrição: passageiros que causem problemas poderiam ser impedidos de comprar passagens no futuro, por algum tempo ou de modo permanente.

No entanto, muitas rotas aéreas são operadas por apenas uma empresa. Assim, se um passageiro for impedido de voar por aquela companhia, pode alegar que teve seu direito de ir e vir cerceado.

“Obviamente uma blacklist [lista de restrição] será discutida. Além disso, é preciso ter uma regulação que faça o enquadramento das situações, ter tipificações se é um crime e como tratar este crime. Hoje não tem, e aí fica solto”, diz Dany Oliveira, diretor-geral da Iata (Associação Internacional de Transporte Aéreo) no Brasil.

Um dos temores das empresas é que a adoção de restrições contra clientes agressivos gere processos judiciais contra as próprias companhias. O grande número de processos abertos por passageiros é apontado pelos empresários como uma das causas do alto custo da passagem aérea, especialmente as internacionais.

Em um voo para Madri, no fim de novembro, este repórter presenciou um brasileiro confrontar uma comissária porque queria ir ao banheiro enquanto o avião taxiava antes da decolagem. Ao ouvir a ordem para se sentar, ele começou a provocar. “Esta regra mudou? Tá parecendo a Fifa”, ironizou o viajante. “Não sou a Fifa, senhor. Sou comissária de bordo. Me respeite”, respondeu a funcionária. “Não podemos decolar se o senhor não colaborar.”

Em agosto, um passageiro quebrou poltronas do avião após ter um surto em um voo da Gol, entre São Paulo e Recife. Vídeos mostram ele chutando as bandejas e os encostos de três poltronas. Havia a suspeita de que ele estava alcoolizado.

O passageiro deixou o avião escoltado pela Polícia Federal. Foi autuado em flagrante por dano qualificado, por expor aeronave a perigo e por impedir ou dificultar navegação aérea, cujas penas variam de 2 a 5 anos de reclusão. Ele foi solto após audiência de custódia e responderia em liberdade.

Em novembro de 2021, um casal quebrou um guichê da Gol no aeroporto de Guarulhos após ter um voo cancelado.

Naquele mesmo mês, também em Guarulhos, um casal brigou com comissários da KLM que queriam negar o embarque de um coelho na cabine. Os passageiros tinham uma ordem judicial que dava direito ao animal de viajar com seus donos, apesar de isso ir contra as regras da companhia.

Do lado dos consumidores, as queixas também aumentam. Segundo dados da Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor), até novembro foram registradas 112.803 queixas sobre transporte aéreo neste ano, aumento de 27% em relação ao volume de 2021. As queixas mais comuns foram dificuldade para obter reembolso, voos cancelados e propaganda enganosa.

Hemocentro de Campos enfatiza importância da doação de sangue durante o verão

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Foto: Reprodução Ascom

O sangue é essencial para tratamentos e intervenções urgentes e pode ajudar pacientes internados, além de apoiar procedimentos médicos e cirúrgicos. Por isso é imprescindível a doação de sangue ao Hemocentro Regional de Campos (HRC) para manter o estoque em bom nível, mas em alguns períodos do ano, como no verão, as doações diminuem.

Preocupados com essa situação, o Hemocentro está realizando uma campanha de doação de verão, com o objetivo de aumentar o estoque, já que a procura pelas bolsas de sangue cresce neste período do ano por causa do aumento do número de acidentes nas rodovias. A instituição sugere que, antes de viajar, o veranista passe antes no HCR para doar.

A diretora da unidade, Sandra Chalhub, destacou que o número de doações está abaixo do esperado, colocando em risco o estoque de sangue do Hemocentro. “Nos meses de dezembro e janeiro sempre temos uma queda acentuada nos números de doadores e historicamente isso se repete, todos os anos. Nesse período, as pessoas estão de férias, estão viajando e não vem doar. O ideal para atender a todos, seria de 70 bolsas de sangue por dia, mas infelizmente não estamos conseguindo chegar nesse número. Nem 1% da população de Campos realiza a doação de sangue, o que representa um número muito abaixo do esperado, já que segundo dados da última projeção do IBGE nossa população é de aproximadamente 500 mil habitantes”, enfatizou.

“O que me motivou foi a necessidade de salvar vidas. Sempre tive medo de doar, mas hoje eu deixei o medo de lado e vim doar, porque acredito que salvar vidas é parte de cada um de nós. Se todos reconhecessem a importância de doar, estariam aqui. Uma bolsa de sangue pode salvar até quadro vidas, então por quê não vir doar? Se todos fizessem a sua parte, aqui estaria cheio e mais vidas estariam sendo salvas”, expressou a doadora Sheila Nunes.

Localização e requisitos para doar – A assistente social do setor, Maria Gonçalves, comenta que nos períodos de férias, boa parte da população se desloca para outras localidades, e o hemocentro acaba enfrentando dificuldades na captação de doadores. “Mesmo no verão, as pessoas continuam internadas precisando de doação de sangue, as pessoas com câncer e anemias profundas, continuam precisando de sangue. Os hospitais não estão vazios, pelo contrário, estão cheios e o baixo estoque é péssimo para o atendimento e recuperação dos pacientes. Então venham doar, funcionamos de segunda a segunda. Estamos aqui para receber todos vocês”, informou.

O Hemocentro é anexo ao Hospital Ferreira Machado (HFM) e atende à demanda de 25 unidades hospitalares da região. Funciona diariamente, das 7h às 18h, inclusive aos sábados, domingos e feriados, localizado na Rua Rocha Leão, n° 2, no bairro do Caju. Para ser um doador de sangue é necessário atender alguns requisitos básicos de condições de saúde: é preciso apresentar documento de identidade com foto, ter boas condições de saúde, peso superior a 50 kg, idade entre 16 e 69 anos, não estar em jejum e não ter ingerido alimentos gordurosos nas últimas três horas. Menores de 18 anos devem comparecer com o responsável legal.

Fonte: Ascom

Autor de homicídio é preso em Macaé

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123ª DP/Foto: Divulgação Polícia Civil
123ª DP/Foto: Divulgação Polícia Civil

Policiais civis da 123ª DP (Macaé) prenderam, nesta quinta-feira (05/01), um homem acusado de homicídio. Os agentes localizaram o autor no bairro de Lagomar, em Macaé, após monitoramento e investigação do Setor de Inteligência.

Contra o autor foi cumprido mandado de prisão, expedido pela Comarca de Cariacica. no Espírito Santo. Após os procedimentos de praxe, o preso foi encaminhado para o sistema penitenciário.

Primeiro cessar-fogo de Putin na Ucrânia começa sob suspeitas

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O primeiro cessar-fogo das forças russas desde que Vladimir Putin ordenou a invasão da Ucrânia, em 24 de fevereiro do ano passado, começou às 12h de Moscou (11h em Kiev, 6h em Brasília) desta sexta (6) sob fortes críticas.

Tanto em Kiev quanto no Ocidente, o anúncio russo de guardar 36 horas para a celebração do Natal da Igreja Ortodoxa, celebrado pelo antigo calendário juliano no sábado (7), é uma peça de propaganda -ou, pior, um diversionismo militar.

A trégua havia sido proposta por um dos mais influentes aliados de Putin, o patriarca da igreja na Rússia, Cirilo. Kiev segue uma denominação ortodoxa própria, nascida de um cisma temperado pela disputa entre os dois países em 2019.

Passadas mais de duas horas da medida, contudo, os canhões pareciam ter silenciado de fato ao longo das frentes de batalha. Houve relato de trocas de tiros pontuais, em Donetsk (capital da província homônima parcialmente controlada por separatisas pró-Rússia desde 2014) e Bakhmut (foco de combates na mesma região).

Previsivelmente, o Ministério da Defesa russo acusou a Ucrânia de promover os ataques para violar a trégua a que Kiev não aderiu.

Até aqui, contudo, não houve ataques aéreos ou grandes barragens de artilharia, que têm marcado a etapa atual da campanha russa. As sirenes de alerta, contudo, começaram a tocar em toda a Ucrânia quando a trégua chegou a três horas.

Após perder terreno no nordeste e no sul do país, recuando forças ante avanços ucranianos, Moscou tem reforçado uma linha que, ao que tudo indica, é a fronteira que gostaria de ver absorvida em seu território.

Do ponto de vista legal russo, ilegal internacionalmente, isso já está colocado pela anexação formal após referendos farsescos em setembro passado de quatro regiões ucranianas. Na quinta (5), Putin disse ao colega turco Recep Tayyip Erdogan que Kiev precisa aceitar essa “nova realidade territorial” e negociar a paz.

O russo já havia anexado a península da Crimeia em 2014, em retaliação pela derrubada de um governo amigável em Kiev, e fomentado a guerra civil no Donbass (leste russófono composto por Donetsk e Lugansk). Em 2022, atacou sob o pretexto de evitar a entrada da Ucrânia nas estruturas ocidentais, como a Otan (aliança militar liderada por Washington).

Além desse entrincheiramento, o Kremlin tem atacado deliberadamente a estrutura energética do vizinho, o que até aqui não ocorreu na trégua.

O presidente Volodimir Zelenski e seus aliados, como o americano Joe Biden, viram hipocrisia e casuísmo na pausa russa, que não cessou seus ataques na virada do ano. O ucraniano afirma que Putin visa realocar equipamento e tropas, tentando segurar ações de Kiev em Donetsk.

Pode ser, ou pode simplesmente ser um golpe publicitário para pintar os ucranianos como agressores, o que não irá colar no Ocidente. Mas as próximas horas, até a meia-noite do sábado, dirão o que acontecerá.

Se há algum diversionismo, ele está sendo sinalizado ano norte, na ditadura amiga de Putin de Belarus. Nesta sexta, mais um trem carregado de blindados e com soldados chegou da Rússia a uma base próxima da fronteira com a Ucrânia.

O próprio ditador Aleksandr Lukachenko esteve presente ao local, de onde ouviu do comandante russo que as forças “estão prontas para suas tarefas”. Quais seriam? A rigor, desde o mês passado, os aliados montaram uma força conjunta para atuar junto à fronteira, embora Minsk negue que vá participar da guerra.

Até aqui, os belarussos forneceram seu território para movimentação de forças, instalação de mísseis e operação de aviões e helicópteros pelos russos. O avanço russo fracassado contra Kiev no começo da guerra, que parecia decidir o conflito em poucos dias, saiu de lá.

Agora, essa força conjunta deverá fazer exercícios conjuntos, exatamente o que aconteceu no começo de 2022, quando na verdade os russos estavam preparando seu ataque sob o parco disfarce de manobras com o vizinho e em torno de toda a fronteira ucraniana.

Zelenski e seus generais já disseram temer uma repetição do cenário, mas analistas militares são no geral céticos, considerando o grau de exaustão material russa -há relatos de falta de munição em alguns pontos da frente. Do ponto de vista humano, a mobilização de 320 mil reservistas ainda precisa tomar forma de um corpo de combate capaz, ainda que mal equipado.