A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou 11 casos de hantavírus ligados ao surto identificado no navio de cruzeiro MV Hondius, com 3 mortes registradas. Apesar do aumento de infectados, a entidade afirmou que não há sinais de disseminação global da doença até o momento.
OMS descarta disseminação ampla do vírus
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, apresentou o balanço durante coletiva de imprensa realizada em Madri, Espanha. Segundo ele, “não há sinais de que estejamos vendo o início de um surto maior”.
Ainda assim, o dirigente alertou sobre cautela necessária devido ao longo período de incubação do hantavírus, que pode variar entre uma e oito semanas. Tedros recomendou que passageiros e evacuados permaneçam em quarentena por 42 dias, pois a situação “pode mudar” nas próximas semanas.
Novo caso confirmado na Espanha
Autoridades sanitárias espanholas confirmaram um novo caso no mesmo dia do balanço da OMS. A paciente é uma passageira espanhola evacuada do cruzeiro no domingo durante operação internacional de desembarque em Tenerife.
A mulher foi encaminhada para quarentena em hospital militar em Madri e testou positivo para hantavírus após apresentar sintomas respiratórios, incluindo febre e dificuldade para respirar. Segundo o Ministério da Saúde da Espanha, ela permanece estável sem deterioração clínica evidente.
Cepa Andes do hantavírus em discussão
Nove dos 11 casos confirmados estão associados à cepa Andes, uma variante rara do hantavírus com potencial de transmissão entre pessoas em contato próximo e prolongado. Normalmente, a doença é transmitida pelo contato com fezes, saliva ou urina de roedores silvestres infectados.
Os sintomas iniciais incluem febre, dores musculares, calafrios e mal-estar. Em quadros graves, o hantavírus pode evoluir para insuficiência respiratória aguda. A OMS mantém avaliação de risco como baixo no contexto geral.
Medidas preventivas em hospitais e evacuações
Na Holanda, doze funcionários do Radboud University Medical Center foram colocados em quarentena após manipular fluidos corporais de paciente infectado. O hospital informou que o risco de transmissão permanece baixo, mas a medida preventiva foi adotada como precaução.
Ao todo, 87 passageiros e 35 tripulantes foram desembarcados em Tenerife, com equipes utilizando equipamento completo de proteção biológica. Três pessoas faleceram: um casal holandês e um cidadão alemão.
Primeiro surto de hantavírus em navio de cruzeiro
O surto teve origem durante expedição do MV Hondius, que realizava roteiro turístico entre Argentina, Antártida e ilhas remotas do Atlântico Sul. Trata-se do primeiro surto de hantavírus registrado em navio de cruzeiro segundo autoridades sanitárias internacionais.
O que vem a seguir
O MV Hondius segue viagem para Rotterdam, Holanda, onde deverá passar por processo completo de limpeza e desinfecção. As autoridades holandesas e espanholas seguem monitorando passageiros e profissionais que tiveram contato direto com casos confirmados de hantavírus, enquanto a OMS acompanha possíveis novos desenvolvimentos nas próximas semanas.