A Polícia Ambiental constatou, na manhã desta segunda-feira (18), que o incêndio registrado no último sábado (16) em um terreno da antiga rede ferroviária de Campos foi provocado por um produto inflamável derramado em um dos vagões. O local fica na Avenida 28 de Março, no Parque Tamandaré.
Segundo os agentes, durante a vistoria foi identificada a presença de creosoto espalhado na área, substância que teria provocado o incêndio. Após a inspeção, equipes seguiram para a 134ª Delegacia de Polícia do Centro, onde a ocorrência foi registrada e novos esclarecimentos foram prestados. O caso segue sob investigação.
Representantes da VLI, empresa responsável pela área, e da companhia terceirizada contratada para o serviço também estiveram na delegacia para prestar depoimento.
O incêndio chamou a atenção de moradores por conta da grande quantidade de fumaça. O Corpo de Bombeiros foi acionado e conseguiu controlar as chamas. Não houve registro de feridos.
Inicialmente, a VLI informou que o incidente poderia ter sido causado pela presença de pessoas não autorizadas no local. Já a Prefeitura de Campos afirmou que o fogo começou durante um serviço de retirada e corte de trilhos e outros materiais realizado pela equipe da rede ferroviária, ligada ao Governo Federal.
Em nota divulgada nesta segunda-feira, a VLI informou que realizou a revenda de 32 vagões inservíveis que estavam armazenados na área sob sua responsabilidade no município. A empresa afirmou ainda que a atividade havia sido comunicada aos órgãos competentes e que uma terceirizada executava o serviço desde março, com previsão de conclusão em maio.
A concessionária declarou que os trabalhos foram interrompidos após a constatação de atividades não autorizadas e fora das especificações contratuais realizadas pela empresa contratada por meio de terceiros. A VLI informou ainda que irá adotar medidas judiciais cabíveis.
Por outro lado, o representante da empresa terceirizada, João Vanildo da Silva Junior, afirmou em depoimento que havia alertado a VLI sobre os riscos envolvendo os vagões com produto inflamável. Segundo ele, notificações, vídeos e áudios foram enviados desde abril apontando o perigo de incêndio.
Ainda de acordo com João Vanildo, o fogo não teria começado por causa do corte dos vagões, mas em razão do calor intenso e da exposição do material inflamável ao sol, o que teria provocado uma reação química e a formação de gás.
Ele relatou ainda que a equipe tentou conter as chamas com máquinas assim que percebeu o incêndio, mas o fogo já havia se espalhado rapidamente pelo terreno.