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Quem é Javier Milei, o ultraliberal que queria explodir a política Argentina

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JÚLIA BARBON
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) – Quem conheceu Javier Milei apenas alguns anos atrás jamais poderia imaginar que hoje ele abraçaria multidões, encheria estádios e estaria a poucos passos de se tornar o próximo presidente da Argentina. Relações humanas não eram o forte da criança solitária, do adolescente agredido pelo pai e do adulto que via em seu cachorro seu único amigo.

“Era um ermitão”, descreve o advogado Carlos Maslatón, uma das poucas pessoas com quem Milei se sentava para ter longas conversas sobre filosofia econômica há uma década. Naquela época, a palavra dolarização, hoje mantra do candidato ao lado da proposta de “explosão” do Banco Central, ainda não estava no vocabulário do ultraliberal.

Maslatón tinha um programa de rádio e foi incumbido por um editor de convidar o então professor universitário de 40 e poucos anos para uma conversa ao ar. O papo rendeu, e a amizade se estendeu por longos dez anos. Como muitas outras, porém, ela ficaria pelo caminho à medida que Milei ia se aproximando da Casa Rosada.

“Ele tem um problema quando o contradizem, irrita-se com opiniões diferentes das dele e é inseguro, por isso reage gritando e insultando”, diz o ex-amigo, que sabia que o corte seria definitivo quando decidiu fazer uma crítica pública ao economista em plena corrida eleitoral, em meados de 2022. Àquela altura, Milei já havia viralizado nas redes sociais e sido eleito deputado nacional.

Um personagem ou um excêntrico real? Para o jornalista Juan Luis González, que conversou com dezenas de pessoas de sua vida pregressa à política para a biografia não autorizada “El Loco”, o Milei público e o privado “são a mesma pessoa, e justamente por isso funcionou”.
Pelo mesmo motivo, o repórter se espantou com a personalidade mais moderada e menos “anticasta” que ele vem apresentando desde que passou para o segundo turno.

“Pela primeira vez, Milei está mentindo”, diz, citando o apoio que o extremista recebeu da direita tradicional do ex-presidente Mauricio Macri e da ex-adversária Patricia Bullrich desde então. “A grande novidade não é a aliança política, mas como ele mudou seu discurso para justificá-la. Sua loucura sempre teve certa coerência, ele antes não dizia coisas nas quais não acreditava.”

Por trás da instabilidade, porém, há quem descreva certa ternura –talvez puxada pela solidão, especula González. Milei nasceu 53 anos atrás na capital Buenos Aires, filho de uma dona de casa e de um motorista de ônibus que mais tarde lograria uma rara ascensão social, passando a dono de linhas de transporte. Um homem duro, segundo o próprio filho, que lembra o dia de sua pior surra.

Foi em 2 de abril de 1982, quando as Forças Armadas comandadas pela ditadura argentina invadiram as Ilhas Malvinas, iniciando uma guerra que duraria dez semanas contra os ingleses. O Milei de 11 anos que assistia o feito na TV opinou que a invasão era um delírio e terminaria em derrota –o que de fato ocorreu.

“Meu pai ficou furioso e começou a me bater com socos e chutes, por toda a cozinha”, contou o próprio ao portal Perfil em 2018. Naquele dia, sua irmã mais nova e braço direito, Karina, passou mal e foi internada. Se ela morresse, a culpa seria do primogênito, disse a ele sua mãe. “Quando cresci, ele parou de me bater para exercer violência psicológica”, narrou ele, que cortou relações com o pai e, na época da entrevista, disse fazer terapia.

O Milei da puberdade tinha como maiores ídolos os Rolling Stones, dos quais fazia covers com sua banda Everest, traço que conserva até hoje nas jaquetas de couro e nos atos de campanha que mais parecem shows de rock. Também foi goleiro e chegou a jogar profissionalmente em divisões inferiores do Chacarita Juniors, pequeno clube da capital argentina.
Mas o que queria mesmo era se tornar economista, formando-se mais tarde na Universidade de Belgrano. Dedicaria grande parte de seu tempo nas últimas duas décadas à carreira acadêmica na Universidade de Buenos Aires (UBA) e na Universidad del Salvador (Usal).

Nessa última, conheceu um de seus mais notáveis discípulos, Ramiro Marra, 40, deputado e candidato derrotado ao governo da capital. A Folha tentou falar com ele, mas não teve resposta. “Se você mencionasse [John Maynard] Keynes para Milei, você não passava”, já ironizou o pupilo, referindo-se ao economista inglês que defendia a intervenção estatal nos mercados.

Antes disso, o ultraliberal iniciou sua carreira no setor privado, atuando no banco HSBC e na empresa Máxima, administradora de aposentadorias e pensões. Também teve cargos mais contraditórios à sua versão atual, como o de economista-chefe da Fundação Acordar, think tank de políticas públicas ligado a Daniel Scioli, peronista que perdeu a Presidência para Macri em 2015 e hoje é embaixador no Brasil.

Mas como Milei passou da criança solitária e do professor universitário a político influente? Para González, a resposta está em um nome: Eduardo Eurkenian, bilionário argentino dono do conglomerado de mídia e aeroportos Corporação América, para o qual o economista trabalhou por 13 anos.

Segundo o jornalista, o empresário é quem teria impulsionado as primeiras aparições midiáticas de Milei –na intenção de denegrir a imagem do então presidente Macri– e depois financiado sua candidatura a deputado, o que ambos negam.
Mas o fenômeno saiu do controle de Eukernian quando Milei viralizou nas redes. Hoje o empresário chama o candidato de potencial ditador e critica suas ofensas ao papa Francisco.

O ano em que Milei começou a ter destaque como comentarista na TV foi 2017, o mesmo em que seu cachorro Conan morreu. O mastim inglês de quase 100 kg foi o único que estava sempre ao seu lado, como o presidenciável já disse várias vezes –incluindo o momento em que ele próprio chegou a pesar 120 kg, ao ficar desempregado aos 30 e poucos anos.

Por isso, o ultraliberal resolveu cloná-lo pagando mais de US$ 50 mil (R$ 250 mil na cotação atual) a uma empresa americana, de acordo com o The New York Times. Gerou cinco cachorros a partir do DNA de Conan, que batizou com nomes de economistas conservadores e chamou de filhos ao vencer as primárias de agosto, derrotando as duas maiores forças políticas do país.

A essa altura, porém, Milei já tinha mais companhia. Pouco antes daquele domingo, anunciou um namoro com a comediante Fátima Florez. Seu entorno diz que o relacionamento é muito real, apesar do timing suspeito.
Seu cabelo continua despenteado, já que segundo ele “a mão invisível lhe penteia”. Mas agora menos.

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Leão foge de circo e lança o pânico nas ruas de Itália

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Um leão esteve à solta durante várias horas no sábado na cidade de Ladispoli, perto de Roma, na Itália, depois de ter fugido de um circo. Os moradores da cidade ficaram em pânico e foram alertados de que deveriam permanecer em casa, enquanto a equipe do circo e as autoridades tentavam capturar o animal.

Vários vídeos compartilhados na rede social X (antigo Twitter) mostram o leão andando pelas ruas da cidade.

O animal foi depois encontrado por três veterinários armados com rifles, que lhe lançaram vários tranquilizantes. No entanto, não conseguiram sedar o leão, que se levantou e continuou caminhando pela cidade, de acordo com o Corriere della Sera. 

Após cerca de sete horas após a fuga, o animal foi finalmente “sedado e capturado”, depois de ficar preso num pântano. Foi depois devolvido à equipe do circo.

Welcome to Ladispoli pic.twitter.com/VHmKTn9hSA

— Esercito di Cruciani (@EsercitoCrucian) November 11, 2023

O governante da cidade de Ladispoli afirmou que este incidente deveria contribuir para a consciencialização sobre os animais em cativeiro e “colocar fim à exploração de animais nos circos”. 

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Psiquiatra infantil condenado a 40 anos de prisão por gravar menores

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Um psiquiatra infantil da Carolina do Norte, nos EUA, foi condenado a 40 anos de prisão, na quarta-feira, por transformar fotografias de crianças em conteúdos pornográficos com recurso a inteligência artificial. David Tatum, de 41 anos, deve ainda ser supervisionado durante 30 anos devido ao fato de ter gravado secretamente vários adolescentes enquanto se despiam, incluindo alguns familiares e um paciente. 

O homem armazenou durante cinco anos vários conteúdos de pornografia infantil, segundo o New York Post. David Tatum chegou a filmar um primo com 15 anos e outros jovens, enquanto se despiam e tomavam banho numa casa de férias de família.

O psiquiatra gravou também uma antiga paciente, durante uma sessão de terapia. Na época, a jovem tinha completado 18 anos cinco dias antes da consulta, mas o médico anotou que a paciente tinha 17 anos. 

David Tatum chegou também a recorrer à inteligência artificial para alterar as imagens de menores vestidos, tornando-as em conteúdos sexualmente explícitos. O psiquiatra foi preso em 2021, tendo as autoridades encontrado mais de mil conteúdos de pornografia infantil. 

“É horrível acreditar que alguém grave secretamente crianças despindo-se e tomando banho para a sua própria satisfação sexual. E quando as evidências provam que essa pessoa é um médico encarregado de ajudar crianças em situações difíceis de saúde mental, isso torna-se ainda mais inconcebível”, disse Robert DeWitt, agente especial encarregado do FBI na Carolina do Norte, em comunicado .

A sentença foi conhecida seis meses depois de David Tatum ter sido acusado de produção de conteúdos de pornografia infantil, transporte e posse de pornografia infantil. 

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Temperatura supera 40ºC no Centro-Oeste e vai escalar em SP

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SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Anunciada há dias, a onda de calor fez as temperaturas ultrapassarem 40ºC neste sábado (11) em cidades de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Os termômetros também registraram os efeitos do fenômeno climático na capital de São Paulo, onde fez 34,8ºC. Os dados são do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), que prevê a continuidade do calor.

“Temperatura ficará cinco graus Celsius acima da média por período maior do que cinco dias”, informou o Instituto Nacional de Meteorologia.
Coxim (MS) registrou 41,4ºC e, em Rondonópolis (MT), os termômetros bateram 40,4ºC. A situação era esperada e a previsão é de que as duas cidades e o restante do Centro-Oeste tenham dias ainda mais quentes.

O estado de São Paulo também será afetado. A segunda-feira (13) deverá ser o dia mais quente na capital durante a onda de calor, com máxima de 38ºC, conforme previsão do Inmet. A situação deve se repetir no interior.

As regiões de Campinas, Ribeirão Preto, Araçatuba, Marília e Araraquara estão dentro de uma “zona de grande risco” (temperatura alta e umidade baixa), de acordo com o Inmet. Áreas de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul também aparecem na lista de calor intenso.

O El Niño é apontado como fator de contribuição para temperaturas acima da média histórica. Mas cientistas avaliam que o cenário também é consequência das mudanças climáticas.

Calor intenso e duradouro
O Inmet emitiu aviso de nível amarelo na última quarta-feira (8). Esta categoria é atingida quando a previsão é de temperaturas pelo menos cinco graus acima da média histórica por dois a três dias consecutivos.

A MetSul informou que o cenário pode ser ainda mais dramático. A empresa revelou que mesmo cidades habituadas ao calor poderão ter máximas até 15 graus acima da média para esse período do ano.

O meteorologista Vinicius Lucyrio, do Climatempo, declarou que é provável registro de recordes de temperatura para este mês nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Cuiabá, Palmas, Goiânia, Brasília, Belo Horizonte e Campo Grande.
O UOL compilou as máximas de hoje em algumas cidades conforme dados do site do Inmet:
– São Paulo – 34,8ºC
– Rio de Janeiro – 32,4ºC
– Belo Horizonte – 33,6ºC
– Brasília – 32,2ºC
– Cuiabá – 39,4ºC
– Rondonópolis – 40,4ºC
– Campo Grande – 36,6ºC
– Coxim – 41,4ºC
– Salvador – 37,1ºC
Estados sufocados
O Climatempo alertou que a onda de calor poderá ser mais intensa do que em agosto, setembro e outubro. A situação será enfrentada em 13 unidades da federação:
– Bahia
– Distrito Federal
– Espírito Santo
– Goiás
– Mato Grosso
– Mato Grosso do Sul
– Maranhão
– Minas Gerais
– Paraná
– Piauí
– Rio de Janeiro
– São Paulo
– Tocantins
Sul sob risco de tempestades
As temperaturas altas chegaram até mesmo ao Paraná, estado da região Sul, a mais fria do Brasil. Em Curitiba, fez 34ºC e Maringá registrou 35,9ºC.

Mas a preocupação na região é outra porque há alerta de tempestades. Cidades do Sul têm enfrentado enchentes e municípios do Rio Grande do Sul e Santa Catarina sofreram severos prejuízos. O cenário pode se repetir.

“Neste sábado, áreas de instabilidade vão provocar fortes pancadas de chuva, com rajadas de vento acima de 80 km/h e queda de granizo, especialmente, entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina”, alertou o Inmet.

Existe a possibilidade de os dois estados acumularem 200 mm de chuva até a próxima quinta-feira (16).

Os termômetros também registraram os efeitos do fenômeno climático na capital de São Paulo, onde fez… 

Congonhas proíbe jatinhos na pista principal após incidentes com três aviões

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O aeroporto de Congonhas, em São Paulo, não aceita mais aviões de pequeno porte –conhecidos popularmente como jatinhos– em sua pista principal. A medida, que impede tanto pousos quanto decolagens, passou a valer nesta sexta-feira (10).

A proibição foi instituída após três incidentes com esse tipo de aeronave em apenas uma semana, entre o final de outubro e o início de novembro. A Aena, concessionária que administra Congonhas, fez pedido à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), ainda no começo do mês, para que a mudança fosse adotada.

Com o aval da agência reguladora e do Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), os aviões de pequeno porte –definidos como aqueles com envergadura inferior a 14,5 metros– passaram a ter que usar apenas a pista auxiliar do aeroporto desde esta sexta-feira.

“A Aena entende que há espaço para manter tanto a aviação comercial quanto a aviação executiva em operação no aeroporto de Congonhas”, diz a concessária, em nota.

“Reforçamos o nosso compromisso em manter a aviação geral no aeroporto. Todavia, alguns ajustes são necessários para melhorar a performance operacional e a segurança.”
Na próxima sexta (17), entrará em vigor uma outra proibição na pista principal, para “pousos e decolagens de aeronaves turboélices e a pistão da aviação geral/executiva”, explica a concessionária.

“A pista principal do aeródromo será utilizada para operação de aeronaves da aviação comercial e de jatos de médio e grande porte da aviação geral”, resume a Aena, que entende que as novidades vão “reduzir riscos e melhorar a eficiência operacional na pista principal”.

Há, porém, uma exceção que libera o uso da pista principal para jatinhos: em caso de condições meteorológicas adversas, chamadas de categoria 1, quando há visibilidade igual ou menor a 800 metros para o pouso.

Relembre os incidentes
Em 29 de outubro, a aeronave Cirrus Vision teve o pneu esquerdo do trem de pouso estourado quando pousava. A pista ficou interditada por 50 minutos até que a aeronave fosse retirada.
Em 1º de novembro, às 19h50, um Piper Aircraft PA-42, vindo de Cuiabá, também teve problemas com o trem de pouso durante a aterrissagem, às 19h50.

Não houve feridos. O avião realizava transporte aeromédico e o passageiro foi retirado imediatamente pela equipe médica do aeroporto, em segurança.

A pista, no entanto, só foi liberada às 21h49, e o horário de funcionamento do aeroporto teve de ser estendido até 0h30 para que a operação das companhias aéreas fosse concluída.
Com isso, 30 voos de partida e 43 de chegada foram cancelados. As operações só foram normalizadas às 9h do dia seguinte.
Já em 3 de novembro, um jato executivo do modelo Cessna Citation, procedente de Estrela D’Oeste (SP), teve falha no sistema de freios durante a aterrissagem, às 16h13.

Os pousos e decolagens na pista principal foram retomados às 17h30. Houve 12 voos cancelados e 14 alternados para outros aeroportos em razão do episódio.

Em documento obtido pelo Painel S.A., Kleber Almada Meira, diretor-executivo do aeroporto de Congonhas, ao fazer o pedido das novas proibições, argumentou que a situação não se restringe aos três incidentes recentes. Ele lembrou, na solicitação, caso de maiores proporções em outubro de 2022.

“Os três eventos de interdição de pista em menos de uma semana, todos ligados à operação de aeronaves de aviação geral na pista principal, tiveram como consequência dezenas de voos cancelados e de alternados para outros destinos, com impacto a milhares de passageiros”, escreveu.

“Cabe ainda destacar que [esses eventos] não constituem fato isolado. Em outubro de 2022, uma aeronave de pequeno porte (PP-MIX) realizava pouso na pista principal, por volta das 13h30, quando o pneu do trem de pouso traseiro estourou e o avião ficou rente ao barranco no final da pista. Naquela ocasião, a pista foi liberada para pousos e decolagens apenas às 22h18 (quase 9h de interdição).”

 

A medida, que impede tanto pousos quanto decolagens, passou a valer nesta sexta-feira (10). 

Após abertura da fronteira, brasileiros deixam Gaza chegam ao Egito

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IGOR GIELOW
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Dois dias depois de terem sido autorizados a deixar a Faixa de Gaza rumo ao Egito, os 32 brasileiros e palestinos inscritos para repatriação pelo Itamaraty enfim conseguiram sair do território sob ataque de Israel neste domingo (12). Duas pessoas que constavam da lista original de 34 nomes decidiram permanecer em Gaza.

O grupo estava retido porque a fronteira havia sido fechada na sexta-feira (10), permanecendo assim no sábado (11). Agora, eles serão atendidos por equipe com médico, enfermeiro e psicólogo enviada pelo Brasil em um avião VC-2, a versão operada pela Força Aérea para a Presidência do Embraer-190.

Eles deverão pegar um ônibus por cinco horas para o Cairo, onde a aeronave estava, ou farão uma viagem mais curta para a base de al-Arish, onde um VC-2 está autorizado para pousar. De um dos pontos, irão para Roma, Las Palmas, Recife e, enfim, Brasília.
O Egito havia dado a autorização para a saída –que é coordenada com Tel Aviv sob consulta dos EUA e do Qatar, mediadores do acordo de passagem de estrangeiros–, na sexta-feira. O grupo foi incluído numa leva de quase 600 pessoas autorizadas.

Mas incidentes envolvendo ambulâncias levando feridos graves palestinos, cuja passagem para o Egito é prioritária, fecharam novamente o posto de Rafah. Na sexta, houve a suspeita de que motoristas de veículos eram terroristas do Hamas tentando deixar Gaza, além de relatos de combates intensos que impediram a saída de pacientes da capital homônima da faixa.
No sábado, o isolamento do principal hospital da capital homônima da faixa, o al-Shifa, impediu que qualquer veículo chegasse a Rafah.

Atender primeiro os feridos é precondição dos egípcios autorizarem a abertura dos portões em Rafah –que levam à cidade homônima no país árabe. O Hamas, grupo terrorista palestino que disparou a atual guerra com o ataque de 7 de outubro a Israel, administra a faixa desde 2007.

A frustração entre os brasileiros foi grande, até devido ao vaivém das chances de deixar Gaza, mas ao menos a autorização estava dada. Foram seis levas de permissões para estrangeiros até que chegasse a vez dos brasileiros, que são 24 cidadãos natos, 7 palestinos em processo de imigração e 3 parentes deles.

A demora levou a insinuações de que Israel estaria vetando a passagem do grupo brasileiros para retaliar contra a condução do país de discussões sobre a guerra no Conselho de Segurança da ONU, que ele presidiu em outubro.

Não há evidências disso, mas o azedume entre Brasília e Tel Aviv vai além disso, e inclui o encontro do embaixador israelense com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o atrito entre a Polícia Federal e o serviço secreto israelense Mossad acerca da operação que desarticulou ataques do Hezbollah libanês no Brasil.

Nesta semana, a Embaixada de Israel em Brasília rebateu as alegações sobre uma suposta indisposição do país em relação à passagem dos brasileiros, e foi numa conversa entre o chanceler Eli Cohen e o seu homólogo brasileiro, Mauro Vieira, que foi anunciada a entrada do grupo do Itamaraty na lista de autorizações emitida pelo Egito.

Cerca de 4.000 pessoas com passaporte estrangeiro ou dupla nacionalidade já tiveram a autorização para deixar Gaza desde o dia 1º de novembro, mas nem todas conseguiram sair devido às suspensões constantes da passagem. No total, 7.500 terão esse direito, o maior contingente sendo de americanos (1.200 pessoas).

A guerra na região registrou 1.200 mortos, em números revisados nesta sexta, do lado de Israel, e cerca de 11 mil em Gaza, nas contas do Hamas.

A degradação da qualidade de vida em Rafah e Khan Yunis, onde os brasileiros estavam depois de terem sido retirados da Cidade de Gaza, era grande. Faltava tudo, de água a diesel para geradores, passando por alimentos e remédios. O Itamaraty custeou a estadia e os gastos das famílias.

Antes deles, 1.410 brasileiros haviam sido retirados de Israel e 32, da Cisjordânia ocupada. Foi a maior operação de evacuação de zonas de guerra operada pela Força Aérea na história, mas o drama dos futuros refugiados de Gaza foi mais estático, arrastando-se por quase todo o conflito até aqui.

Coordenaram os esforços os embaixadores Alessandro Candeas (Cisjordânia), Frederico Meyer (Israel) e Paulino Franco Neto (Egito). Uma equipe da representação no Cairo passou a noite em al-Arish à espera das notícias sobre os brasileiros na fronteira.
Uma vez no Brasil, aqueles refugiados que não têm família no país poderão ficar em abrigos que o Ministério do Desenvolvimento Social já reservou, em São Paulo. Alguns parentes que não eram elegíveis ou não fizeram pedido a tempo para sair de Gaza poderão ser objeto de uma eventual segunda leva de repatriação.

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Menina morre em explosão de brinquedo inflável considerado inseguro

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Uma menina de três anos morreu na explosão de um trampolim inflável na praia de Gorleston, em Norfolk, Inglaterra. A tragédia aconteceu em julho de 2018, mas o proprietário do brinquedo só agora foi condenado pela violação das leis de saúde e segurança. Foi condenado a seis meses de prisão.

Ava-May estava de férias com a família quando foi lançada cerca de seis metros para o ar, no momento em que o brinquedo inflável explodiu.

Segundo o The Sun, um funcionário do parque de diversões ainda correu com os braços estendidos, mas não conseguiu apanhar a criança a tempo. A menina foi levada para o hospital, mas não resistiu aos graves ferimentos. 

O tribunal considerou que Curt Johnson, gerente de operações do parque de diversões, tinha conhecimento dos riscos e de que o brinquedo “não deveria estar sendo usado”. O homem admitiu que sabia que o material não era adequado, mas ainda assim continuou a usar.

Johnson afirmou ainda ter comprado um trampolim e outros itens a uma empresa chinesa, para reduzir custos. O parque tinha sido inspecionado quatro dias antes da morte de Ava-May, e foi considerado inseguro.

“Levei a minha filha de férias e ela morreu. Saber que ela nunca mais vai entrar na nossa casa é destruidor”, disse o pai da menina. Durante o julgamento, os pais de Ava-May abraçaram-se quando a sentença foi proferida, enquanto outros membros da família soluçavam.

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Inglaterra: homem chocado ao encontrar pedreiros na casa da falecida mãe

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Um filho encontrou funcionários a remodelando a cozinha da casa da mãe recentemente falecida, apesar de o homem continuar pagando o aluguel da habitação em Sandwell, Inglaterra. Craig McGough, de 39 anos, diz que o município agiu de maneira “insensível” ao entrar sem permissão na habitação. 

O homem fez queixa à polícia e o caso está sendo investigado, de acordo com o Daily Mail. McGough tinha informado o município da morte de Joyce Timmins em julho deste ano, depois de a mulher ter perdido a vida devido a um derrame. O filho de Joyce queria terminar com o contrato de arrendamento, mas foi informado de que não o podia fazer, já que não era o representante legal da mãe.

Dois meses após a morte da mãe, Craig McGough foi informado que o aluguer tinha de ser pago até ao final do contrato. No entanto, no dia 4 de outubro, quando foi até à casa da falecida mãe, ficou chocado ao encontrar pedreiros a Conselho de Sandwell.

O homem exige agora “um pedido de desculpas da pessoa responsável e uma compensação pelo stress” a que foi sujeito quando ainda estava de luto pela mãe.

O homem ressalva que a única coisa que queria fazer após o funeral da mãe “era entregar as chaves da casa”, mas que o fim do contrato de arrendamento não lhe foi permitido. “Quando o fizeram, foi da pior maneira possível”, queixou-se o homem.

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Brasil pode atingir meta da OMS na eliminação de doenças até 2030

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O diretor do Departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis, da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Dráurio Barreira, disse nesta sexta-feira (10), que o Brasil não tem a pretensão de ter incidência zero de hanseníase, hepatite e HIV (vírus da imunodeficiência humana, causador da aids), mas vai perseguir a meta da Organização Mundial da Saúde para o ano de 2030.

“Temos a pretensão de atingir as metas colocadas pela Organização Mundial da Saúde para o ano de 2030. O HIV, por exemplo, eu tenho absoluta convicção de que a gente vai atingir, em 2 anos, as metas [propostas pelo Unaids] de 95-95-95, que são detectar 95% das pessoas que têm o HIV; colocá-las, 95% delas, em tratamento antirretroviral; e tornar indetectável a carga viral daquelas tratadas”, disse o diretor do Ministério da Saúde, na 17ª edição da ExpoEpi, Mostra Nacional de Experiências Bem-Sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças, promovida pelo Ministério da Saúde.

Profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS), gestores, agentes públicos de saúde, pesquisadores, e representantes de movimentos sociais estiveram reunidos nesta semana, em Brasília, para debater o fortalecimento do sistema público de saúde e promover a troca de conhecimentos sobre os avanços na saúde coletiva com vistas a preparar o Brasil para eventuais emergências em saúde pública.

Nos três dias do evento, foram realizados painéis, mostras e mesas redondas onde foram debatidos o panorama da saúde coletiva no Brasil e os desafios no cumprimento da Agenda 2030, da Organização das Nações Unidas (ONU), no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que prevê acabar com as epidemias de aids, tuberculose, malária e doenças tropicais negligenciadas, até 2030, e também o combate às hepatites e outras doenças transmitidas pela água.

Dráurio Barreira comemorou que o município de São Paulo já atingiu a métrica de eliminação da transmissão vertical do HIV. Segundo ele, há 5 anos o município tem decréscimo do número de casos de aids.

Durante a palestra, Dráurio Barreira defendeu a necessidade de dar uma atenção especial aos grupos com grande percentual de casos novos de doenças infecciosas, como a população em situação de rua, a população privada de liberdade, a população LGBTQIA+ e povos tradicionais.

Já a diretora do Departamento de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Alda Maria da Cruz, tratou dos entraves para eliminação de diversas doenças de populações negligenciadas. Ela citou alguns desafios na prevenção e tratamento da hanseníase. “A alta rotatividade dos profissionais, a formação deficiente em hanseníase e, para isso, a gente vai trabalhar na capacitação com oficinas e cursos organizados pelo Ministério da Saúde. A gente também vai melhorar a capacidade da rede no diagnóstico, no tratamento e prevenção da hanseníase. Além da questão da regulação de referência e a reestruturação da rede de reabilitação [dos pacientes]”.

Em palestra que debateu a saúde da população negra e o racismo no SUS em relação aos usuários e aos profissionais de saúde, a professora da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) Jeane Saskya expôs situações como a minimização ou a negação do racismo ou do privilégio de pessoas brancas; a desqualificação de denúncias; invisibilização ou impedimento de ascensão de profissionais negros do SUS e outros assédios.

Jeane Saskya condenou a subnotificação do quesito raça-cor no prontuário de pacientes, o que, segundo ela, prejudica a coleta de dados, a definição do perfil epidemiológico da população preta e, consequentemente, a construção de políticas públicas específicas para esse público.

Em entrevista à Agência Brasil, a docente lembrou que uma das bases do SUS é a equidade e a prioridade que deve ser dada às populações que estão com maiores riscos à saúde, e que precisam de mais investimento político, de financiamento na assistência.

“Sabemos que esse racismo pode trazer sérios prejuízos de não cuidado, de não assistência. A população negra desenvolve uma série de doenças por causas que poderiam ser tranquilamente evitáveis, por negligência, por violência e causas externas que poderiam ser evitadas. Para o próprio bom andamento do sistema de saúde, é importante que essa população tenha a saúde protegida, até para não sobrecarregar, por uma questão ética também, porque somos cidadãos de direitos, nós temos direito à saúde”, explicou.

Sobre a saúde de migrantes, apátridas e refugiados no Brasil, o coordenador-geral de Vigilância das Emergências em Saúde Pública, João Roberto Cavalcante Sampaio relatou episódios de negligência e de discriminação de pessoas vindas de outros países, sobretudo durante a pandemia da covid-19.

“Eles enfrentam doenças antes, durante e depois da migração forçada, muitos enfrentam doenças transmissíveis, mas a maioria enfrenta doenças crônicas. Além, obviamente, de sofrimento em saúde mental”.

João Roberto ressalta que o acesso ao SUS é universal e não pode ser restrito aos cidadãos brasileiros.

Na ExpoEpi, palestrantes tiveram contato mais próximo com o público e puderam relatar intervenções sociais desenvolvidas pelos movimentos sociais.

Ana Bartira da Penha Silva, assistente social no bairro da Engenhoca, em Niterói, no Rio de Janeiro, e membro do Centro de Estudos de Afro-Brasileiro Ironides Rodrigues, disse que usa a comunicação como recurso de enfrentamento ao racismo religioso cometido contra praticantes de religiões de matriz africana dentro do sistema de saúde. Ela reclama da falta de acesso à saúde na atenção básica.

“É muito importante que esse posto de saúde, onde ocorre o primeiro atendimento, seja um espaço acolhedor, que entenda a comunidade como um todo. Cada um tem um problema específico e demandas. A comunidade não consegue acessar os postos de saúde, muita gente está doente por falta do acesso à saúde”.

Uma das espectadora do evento, a integrante da equipe do Distrito Sanitário Especial Indígenas do Médio Rio Purus, no Amazonas, a médica Adriny Galvão, teve a oportunidade de conhecer outros profissionais de saúde que trabalham também em territórios indígenas de várias partes do país. Ela conseguiu compartilhar vivências na prestação de atenção primária à saúde direcionada às populações indígenas e sobre a vigilância epidemiológica nessas localidades.

“A vigilância [epidemiológica] dentro de um território indígena não é algo fácil de fazer, porque a gente não tem acesso a sistemas, a comunicação é precária, a rede de comunicação e a logística são diferenciadas”, explicou. Para a médica, participar da 17ª edição da ExpoEpi foi válido. “Por meio de eventos como esse, a gente acaba afunilando ideias junto com outros departamentos, tendo informações. Assim, aprimoramos a vigilância de agravos de doenças, dentro dos nossos territórios indígenas”.

No fim do evento, o Ministério da Saúde premiou iniciativas exitosas do SUS. Ao todo, mais de 1,8 mil trabalhos foram inscritos, maior número já registrado nas edições do evento. Do total de contribuições recebidas este ano, 1.498 foram experiências realizadas pelos serviços de saúde credenciados ao SUS, 275 trabalhos técnico-científicos dos profissionais do SUS e 39 ações desenvolvidas pelos movimentos sociais.

Dráurio Barreira, disse nesta sexta-feira (10), que o Brasil não tem a pretensão de ter incidência z… 

Pesquisa polêmica gera macaco geneticamente modificado que brilha

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Pela primeira vez, cientistas conseguiram criar em laboratório um primata quimérico, ou seja, com grande quantidade de células-tronco de um animal implantadas em um outro embrião.

O filhote foi sacrificado 10 dias após o nascimento, devido ao agravamento de sua condição respiratória e à hipotermia.

Os resultados da pesquisa foram publicados na quinta-feira (09) na revista científica Cell. De acordo com os autores, eles poderão ajudar a compreender melhor as chamadas células estaminais pluripotentes em primatas e humanos, o que poderia acarretar, no futuro, em modelos animais mais precisos para o estudo de doenças neurológicas e para outros estudos biomédicos e, em uma visão mais otimista, até no cultivo de órgãos para transplantes em humanos.

Na mitologia grega, Quimera é uma criatura híbrida. Já na biologia, o termo é usado para se referir a algo composto por células geneticamente diferentes.

Macaco brilhante
No estudo, foram usadas células-tronco embrionárias (CTE), que podem dar origem a qualquer tecido do corpo.
Os pesquisadores implantaram este tipo de célula de um animal da espécie Macaca fascicularis no embrião de um outro macaco da mesma espécie. No estágio estudado, o embrião ainda não estava muito desenvolvido e consistia em no máximo 32 células.

De acordo com os pesquisadores, alguns dos órgãos e tecidos do filhote se desenvolveram mais a partir de suas próprias células e outros, mais a partir das células implantadas. Os tipos de tecidos contendo CTE incluíam o cérebro, o coração, os rins, o fígado e o trato gastrointestinal, bem como os testículos e as células que eventualmente se transformam em espermatozoides.

As células-tronco implantadas foram marcadas com uma proteína verde fluorescente para determinar quais tecidos continham células derivadas delas -além de outros testes para confirmar sua presença.

Por essa razão, nas fotos do macaco, as pontas dos dedos e os olhos, por exemplo, brilham levemente em verde, mostrando que nessas partes do corpo há muitas células provenientes das implantadas.

Segundo os pesquisadores, as células modificadas eram responsáveis por cerca de um terço do macaco. No caso dos chamados neurônios motores -as células nervosas que controlam os músculos- esse número chegou a 90%.
Em tentativas anteriores, embora presentes, as células do doador eram escassas e não contribuíam, de fato, para a formação de tecidos. Por isso, o animal não poderia ser enquadrado como “quimérico”.

Primeiro primata quimérico
O filhote de macaco não é o primeiro animal quimérico a ser criado com sucesso em laboratório. Camundongos quiméricos têm sido usados para fins de pesquisa há muito tempo. O avanço em relação a essa pesquisa é que, pela primeira vez, foi criado um primata, grupo ao qual pertencem os seres humanos.

O objetivo, segundo os autores do estudo, é pesquisar doenças vindas de alterações prejudiciais em determinados genes, identificando em que ponto do desenvolvimento o defeito genético é mais sério, a fim de desenvolver medidas terapêuticas que possam reduzir esses efeitos ou talvez até preveni-los.

Uma das vantagens do estudo com animais quiméricos é que as células adicionadas podem ser geneticamente modificadas de forma relativamente pensada -algo que não é possível em embriões sem destruí-los.

Dessa forma, modificações genéticas complexas podem ser introduzidas nesses animais para apresentar sintomas de certas doenças e, posteriormente, estudar formas de tratá-las.
Em uma visão mais utópica, os especialistas também esperam que, no futuro, seja possível cultivar em animais quiméricos órgãos para doação. Por exemplo: criar um porco em laboratório sem um órgão específico e, a partir da introdução de células-tronco humanas, criar o órgão humano a ser transplantado.

POLÊMICA ÉTICA
A pesquisa na China, além do filhote vivo, deu origem, também, a um feto quimérico abortado. Mas, para esse resultado, foram necessárias mais de 200 tentativas.

Por essa razão, o experimento gerou polêmica no campo da ética. Devido à semelhança entre humanos e primatas não humanos, aplicam-se regras especiais a este tipo de estudo. Por exemplo: esses experimentos só são aprovados se não houver outra forma de atingir o resultado desejado. Com algumas exceções, os experimentos com grandes símios, ou seja, chimpanzés, gorilas e orangotangos, são completamente proibidos.

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Português é acusado de matar a marretadas e esquartejar namorado brasileiro

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SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Um homem de cidadania portuguesa, de 51 anos, foi acusado pelo Ministério Público de matar a marretadas e esquartejar o próprio namorado, de nacionalidade brasileira, na vila de Cadaval, no distrito de Lisboa.

O português, que não teve o nome divulgado, foi acusado formalmente por homicídio qualificado e profanação de cadáver da vítima, o brasileiro Valdene Mendes, de 48 anos. O crime ocorreu em abril deste ano.

A acusação aponta que o acusado e o brasileiro se conheceram em 2007, quando o português ajudou a vítima no processo de legalização em Portugal. Os homens mantinham um relacionamento amoroso desde o início deste ano, aponta a acusação formalizada em 24 de outubro, obtida pela Agência Lusa. As informações também são do jornal português Correio da Manhã.

De acordo com a apuração, a vítima se encontrava em uma situação financeira difícil e pedia, com frequência, dinheiro ao acusado para pegar a pensão alimentícia das filhas, prestação do seu veículo e despesas de alimentação. Valdene ameaçava terminar o relacionamento caso o parceiro não o ajudasse.

Em razão das pressões, conforme a acusação, o português “foi-se convencendo cada vez mais” que Valdene mantinha a relação para obter ganhos financeiros e passou a desconfiar da vítima, controlando os seus movimentos.

Três dias depois do crime, o acusado foi preso. Até hoje, o acusado aguarda julgamento em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Lisboa.

Para o MP, o acusado agiu “com total desprezo pela vida” e sabia que os pedidos financeiros da vítima “não eram motivos que minimamente justificassem” a sua decisão de matar o namorado brasileiro.

O PASSO A PASSO DO CRIME
No dia 26 de abril, o português se recusou a ajudar o brasileiro, o que fez com que a vítima o humilhasse com ofensas verbais, deixando o acusado revoltado. Na noite seguinte, segundo o Ministério Público de Portugal, o português foi até o local onde havia ferramentas em sua casa e pegou uma marreta.

Enquanto Valdene dormia, o português deu ao menos três marretadas com força na cabeça da vítima, provocando várias lesões e hemorragia cerebral, levando a vítima à morte.
O acusado, que já trabalhou no necrotério de Cadaval, decidiu esquartejar o corpo do brasileiro para “se desfazer dele mais fácil” e colocou os pedaços em sacos plásticos.

Então, na madrugada do dia 28 de abril, o acusado transportou os sacos em seu veículo e os jogou em diferentes locais isolados. Ele retornou para casa e ainda escondeu, em um terreno, parte do colchão manchado de sangue onde a vítima dormia ao ser assassinada. O português ainda lavou o carro, roupas, o chão e as paredes da casa, os móveis e o serrote que usou para esquartejar a vítima, na tentativa de esconder as provas.

O caso começou a ser investigado após moradores encontrarem um saco com parte de um corpo no dia 2 de maio e acionarem a Polícia Judiciária local, que encontrou mais sacos posteriormente. A existência de tatuagens no corpo, uma delas fazendo referência à bandeira brasileira, ajudou a identificar a vítima.

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Brasileira morre após bater em caminhão enquanto andava de bicicleta na Irlanda

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Uma brasileira morreu na última sexta-feira (11) enquanto andava de bicicleta elétrica na região central de Dublin, na Irlanda, país europeu localizado próximo a Inglaterra.

Joslaine dos Santos Ribeiro, de 36 anos de idade, morava na Europa desde o início de 2020 e era estudante de computação na National College of Ireland, e se formaria no segundo semestre de 2024.

A universitária andava de bicicleta elétrica com amigos, quando um caminhão não viu a sua presença, e acabou colidindo com ela. A mulher chegou a ser levada ao hospital com vida, mas não resistiu no local.

Em nota publicada em suas redes sociais oficiais, a universidade lamentou a morte da brasileira. A instituição afirmou que tem buscado autoridades locais e internacionais para prestar assistência à família da estudante no translado do corpo.

“A comunidade NCI está profundamente triste com a trágica morte de Josilaine Dos Santos Ribeiro, que se encontrava no último semestre do seu Diploma Superior em Computação e em vias de se formar na Primavera de 2024”, diz a nota.

“Josilaine era uma estudante internacional no NCI. A NCI está a trabalhar com as autoridades locais e internacionais apropriadas para oferecer assistência e apoio à sua família neste momento mais difícil. Estendemos nossas mais profundas condolências à família e amigos de Josilaine”, publicou o National College of Ireland.

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Corpo de recém-nascido achado em centro de reciclagem. É o 2.º este ano

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O corpo de um recém-nascido foi descoberto, na manhã de quinta-feira, num centro de reciclagem em Rochester, Massachusetts, EUA.

Segundo a polícia, citada pela Associated Press, o alerta foi dado por volta das 10h40 da manhã [hora local], a partir do centro de reciclagem Zero Waste Solutions, na Cranberry Highway, em Rochester.

“A pessoa que ligou informou que os restos mortais da criança foram encontrados numa coleção de lixo que foi transportado para a instalação para ser eliminada”, frisou, em comunicado.

Todo o processamento foi interrompido e a Polícia de Rochester e a Polícia Estadual de Massachusetts iniciaram uma investigação conjunta.

O Gabinete do Médico Legista Chefe vai determinar a causa da morte do bebê.

Esta é a segunda descoberta do corpo de um bebê nas instalações. Em abril, os restos mortais de uma menina recém-nascida foram encontrados no mesmo centro de reciclagem.

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"Ataque horrível": filhos encontram mãe esfaqueada no peito na Inglaterra

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Uma mulher, de 35 anos, foi na sexta-feira encontrada pelos dois filhos menores esfaqueada no peito, em Salford, Inglaterra. Perseverance Ncube chegou a ser levada para o hospital, mas não resistiu aos ferimentos.

A polícia deteve um homem, de 45 anos, por fortes suspeitas de estar envolvido no ataque à mulher. As autoridades acreditam que a vítima conhecia o suspeito, segundo a Sky News. 

A inspetora chefe Gina Brennand revelou que a polícia está a “trabalhando arduamente” na investigação. “Este foi um ataque verdadeiramente horrível a uma mãe, que foi testemunhado pelos seus dois filhos”, disse Brennand.

“É com imensa dor que dizemos adeus à Perseverance. Ela era uma mãe amorosa e dedicada que vivia para os filhos, para a família e para os amigos”, disse a família da vítima, que assume que o seu foco é “apoiar as crianças, que continuam a sua jornada sem a mãe”.

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Israel diz que matou terrorista que usava mil pessoas como escudo humano

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BRASÍLIA, DF (UOL-FOLHAPRESS) – O Exército de Israel informou neste sábado (11) que matou Ahmed Siam, apontado como comandante do Hamas que prendia cerca de mil pessoas no hospital Rantisis em Gaza, para servirem como escudo humano.

De acordo com um comunicado do Exército de Israel, agentes de inteligência israelenses localizaram o alvo e, neste sábado, enviaram um caça para realizar o ataque.

Ahmed Siam era um alvo conhecido e monitorado por Israel. A informação de que ele estaria mantendo mil pessoas no hospital localizado no norte de Gaza havia sido veiculada na quinta-feira pelo Exército.

De acordo com o porta-voz, o alvo estava escondido na Escola al-Buraq no momento do ataque. Ele teria sido assassinado junto com homens que atuavam sob seu comando.
A imagem de Ahmed Siam foi veiculada por Israel no post que anunciou sua morte. A publicação ocorreu no perfil do porta-voz do Exército.

Até o momento, o Exército de Israel reinvindica ter assumido controle de 11 posições na Faixa de Gaza que pertenceriam ao Hamas. Nos últimos dias houve o anúncio de destruição de infraestruturas e armas do grupo terroristas.

Haveria ainda a eliminação de três batalhões formados por homens do Hamas durante incursões no oeste de Gaza. Túneis usados pelo grupo teriam sido destruídos durante estas operações.

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Idoso é espancado por vizinhos após denunciar ‘gato’ em rede de água em MT

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SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Um idoso de 73 anos foi hospitalizado e submetido a uma cirurgia após ser espancado por três vizinhos em Várzea Grande, em Mato Grosso. A vítima havia denunciado um suposto “gato” que interrompeu o fornecimento de água na casa dele.

A vítima teve o fornecimento de água interrompido e acionou o DAE (Departamento de Água e Esgoto) para verificar o que havia acontecido. As informações são da Polícia Civil de Mato Grosso. O caso ocorreu em 2 de novembro, mas as imagens só foram divulgadas agora.

A concessionária de água e esgoto enviou funcionários até o endereço e averiguar o que ocorreu. Entretanto, a rede de água passa por baixo da casa dos suspeitos, que negaram autorização para verificar se havia algo errado com o encanamento. Ainda segundo a polícia, os funcionários do DAE foram ameaçados pelos suspeitos.

Posteriormente, os três homens atacaram o idoso. Imagens das câmeras de segurança mostram o momento em que os suspeitos abordam o idoso em uma esquina. Com bastões de ferro, eles desferem golpes contra o homem, que cai no chão, tenta se defender, mas continua sendo agredido.

O idoso foi socorrido e levado para o Pronto-Socorro de Várzea Grande. Ele foi submetido a uma cirurgia ortopédica e continua internado.

O caso é investigado pela Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, Criança e Idoso de Várzea Grande. Até o momento, ninguém foi preso.

Como os suspeitos não tiveram as identidades divulgadas, a reportagem não conseguiu localizar as defesas. O espaço segue aberto para manifestação.

 

A vítima havia denunciado um suposto “gato” que interrompeu o fornecimento de água na casa dele. 

Coreia do Norte condena avisos dos EUA sobre relação com a Rússia

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Durante uma visita a Seul esta semana, o chefe da diplomacia norte-americana afirmou estar preocupado com “a crescente e perigosa cooperação militar da Coreia do Norte com a Rússia” e instou Pequim, o principal aliado de Pyongyang, a usar a sua influência para evitar testes militares.

Pyongyang condenou as declarações de Blinken, descrevendo-as como “irresponsáveis e provocadoras”. Estas observações “apenas intensificam as perigosas tensões políticas e militares na península coreana e na região”, afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros, de acordo com a agência noticiosa oficial norte-coreana KCNA.

“Os Estados Unidos devem habituar-se à nova realidade das relações entre a República Popular Democrática da Coreia e a Rússia”, afirma-se no comunicado.

A Rússia e a Coreia do Norte, aliados históricos, estão ambas sujeitas a sanções internacionais – a primeira pela invasão da Ucrânia e a segunda pelos seus programas de armas nucleares e mísseis.

A crescente cooperação militar é uma fonte de preocupação para a Ucrânia e os seus aliados, especialmente depois de o líder norte-coreano, Kim Jong-un ter-se encontrado com o presidente russo, Vladimir Putin, em setembro.

De acordo com Seul, a Coreia do Norte forneceu à Rússia mais de um milhão de munições de artilharia para a guerra na Ucrânia, recebendo em troca aconselhamento técnico para os seus satélites.

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Homem adormece durante filme e acorda 5h depois fechado no cinema

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Um jovem de 23 anos recorreu à rede social TikTok para mostrar um momento bizarro que protagonizou.

Segundo Jeffrey Bryant, o caso ocorreu em 29 de outubro, quando estava assistindo ao filme ‘O Exorcista: Crente’ no cinema e adormeceu.

O jovem teria acordado às 3h47 da manhã deparando-se com o local completamente vazio e fechado. Não havia nem trabalhadores nem espectadores no local.

Jeffrey Bryant gravou-se caminhando pelo cinema em Orange, na Califórnia, Estados Unidos, perplexo com o que aconteceu. Na descrição pode ler-se: “Não acredito nisto. #trancado”.

No vídeo, Bryant pergunta-se por que adormeceu numa sala de cinema – enquanto caminhava por um corredor vazio. “Não está mais ninguém no cinema. Ninguém”, afirmou.

Nas imagens, pode ver-se o jovem mostrando aos internautas toda a entrada vazia, destacando que não acreditava que ninguém tivesse tentado acordá-lo.

@hittaa_jeff I cannot believe this #fyp #foryoupage #overslept #movies #stuck #foryou #pissed #lockedin original sound – HughHefnerSon

Em declarações ao Business Insider, esta semana, Bryant revelou que foi ver o filme às 22h05. Embora, segundo afirma, não estivesse com muito sono quando entrou, a primeira parte do filme foi “meio chata”, acrescentando que a combinação do ar condicionado e das cadeiras aconchegantes o deixou tão confortável que acabou por adormecer.

A duração de ‘O Exorcista: Crente’ é de apenas 2 horas e 12 minutos, então Bryan deveria ter saído da sala pouco depois da meia-noite.

Segundo o jovem, as portas da frente estavam trancadas, mas conseguiu sair por uma saída de emergência e o alarme disparou. No total, Bryan passou mais de cinco horas no local.

Nos comentários, alguns acharam o episódio engraçado e outros ficaram chocados ao perceber que ele conseguiu adormecer durante um filme como ‘O Exorcista: Crente’. “O demônio do sono tomou conta de ti”, brincou um utilizador.

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Governo abrigará repatriados de Gaza em cidade no interior de São Paulo

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BRASÍLIA, SP (FOLHAPRESS) – O secretário Nacional de Justiça, Augusto de Arruda Botelho, afirmou nesta sexta-feira (10) que quase metade das 34 pessoas que aguardam na Faixa de Gaza para serem repatriadas pelo Brasil serão encaminhadas para o interior de São Paulo.

A intenção é acolher aqueles que não têm família no país. “Parte desses repatriados tem familiares e vão ser encaminhados para as famílias, e parte não tem mais vínculo com o Brasil e é dever do governo fazer essa operação de acolhimento, para dar todas as condições para que eles sejam reintegrados ao país”, disse o secretário.
Ele afirmou que a lista exata de quantas pessoas devem ficar em alojamentos ainda está sendo fechada. A cidade de destino não foi divulgada por questões de segurança.

Além da Secretaria Nacional de Justiça, integrantes do Ministério de Desenvolvimento Social também estão coordenando a operação.

Após uma angustiante espera de pouco mais de um mês, o grupo de moradores da Faixa de Gaza aguardando para ser repatriado no Brasil foi incluído na lista de pessoas autorizadas a deixar o território comandado pelo grupo terrorista palestino Hamas rumo ao Egito nesta sexta.

Mas o drama continua: a fronteira no posto de Rafah foi fechada à tarde devido a suspeitas de que o Hamas tentou infiltrar combatentes como motoristas de ambulâncias que levam feridos graves para o Egito. Apenas dois veículos passaram, e dificilmente o local será reaberto ainda na data.

O grupo havia sido levado em ônibus para o posto de fronteira de Rafah, onde está desde as 7h (2h no Brasil) esperando para sair. A presença de terroristas do Hamas em ambulâncias já havia sido paralisado o trânsito na passagem na quarta-feira (8).

Das 34 pessoas, 24 são brasileiras natas, 7 palestinas em processo de imigração e 3, parentes próximos deste último grupo. Ao todo, são 18 crianças, 10 mulheres e 6 homens. A expectativa é de que eles passem a noite em uma casa alugada pelo Itamaraty.

A intenção é acolher aqueles que não têm família no país 

Egito autoriza saída de brasileiros, mas fecha fronteira de novo

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Após uma angustiante espera de pouco mais de um mês, o grupo de moradores da Faixa de Gaza aguardando para ser repatriado ao Brasil foi incluído na lista de pessoas a serem autorizadas a deixar o território comandado pelo grupo terrorista palestino Hamas rumo ao Egito nesta sexta (10).

Só que o drama continua: a fronteira no posto de Rafah foi fechada nesta tarde devido a suspeitas de que o Hamas tentou infiltrar combatentes como motoristas de ambulâncias que levam feridos graves para o Egito. Apenas dois veículos passaram, e dificilmente o local será reaberto ainda hoje.

O grupo havia sido levado em ônibus para a o posto de fronteira de Rafah, onde está desde as 7h (2h no Brasil) esperando para sair. A presença de terroristas do Hamas em ambulâncias já havia sido responsável pelo fechamento por um dia, na quarta (8).

A notícia da permissão começou a circular no começo da madrugada (noite de quinta, 9, no Brasil) entre os brasileiros. “Que alegria, vamos para casa”, escreveu no Instagram Hasan Rabee, que estava em Khan Yunis e não inscreveu a mãe e as duas irmãs para deixar Gaza. “Espero que essa segunda lista de familiares saia logo.”

A lista inicial não incluía a avó de uma das brasileiras que havia sido registrada pelo Itamaraty, Shahed al-Banna, mas isso foi a resolvido.

O Itamaraty, que havia sido alertado por Israel de que a autorização viria, se mobilizou já na quinta, enviando diplomatas no Egito para receber o grupo, além de ter o avião da Presidência que fará o resgate autorizado a ir do Cairo para Al Arish, aeroporto a 50 km de Gaza. A aeronave, um VC-2 da Presidência, espera o desenrolar dos fatos para decolar.

As 34 pessoas foram deslocadas a partir das 6h30 (1h30 em Brasília). Rafah fica junto à cidade homônima egípcia, no sul do território sob ataque intenso de Israel na guerra declarada por Tel Aviv após o Hamas promover a maior ação terrorista da história do Estado judeu, no dia 7 passado.

Das 34 pessoas, 24 são brasileiras natas, 7 palestinas em processo de imigração e 3, parentes próximos deste último grupo. Ao todo, são 18 crianças, 10 mulheres e 6 homens. Eles deverão passar a noite em uma casa alugada pelo Itamaraty.

Quando passar, o grupo será recebido por uma equipe do Itamaraty do outro lado da fronteira. Um acordo mediado pelo Qatar e pelos EUA na quarta retrasada (1º) permitiu a primeira saída de moradores de Gaza desde o início da guerra, com prioridade para feridos graves em bombardeios israelenses, que deverão depois voltar ao território, e estrangeiros.

Os brasileiros não estavam nas seis primeiras levas de autorizados a sair, apesar de o país estar em negociação com Israel e Egito desde o começo da crise e ter passado o nome dos interessados há mais de três semanas.

Para piorar, os egípcios suspenderam a emissão de autorizações e fecharam a fronteira do sábado (4) para o domingo (5), devido ao ataque a ambulâncias com civis gravemente feridos rumo ao país por parte de Israel na sexta (3). Após a mediação da ONU e do Crescente Vermelho, a fronteira foi reaberta nesta segunda (6), mas voltou a ser fechada na quarta devido à tentativa do Hamas de usá-las.

Na quinta (9), ela foi reaberta, mas sem novas listas. Com a nova listagem, que inclui vários países que não haviam sido beneficiados, como Rússia, China, Polônia e Dinamarca, ao todo cerca de 4.000 pessoas de 33 nações já receberam a permissão.

Enquanto isso, a tensão política entre Brasil e Israel crescia: políticos ligados ao governo Lula (PT) criticavam Tel Aviv por um suposto boicote aos refugiados brasileiros, devido à condução dos trabalhos do Conselho de Segurança da ONU pelo país em outubro.

Se o PT é historicamente ligado à causa palestina, os fatos desautorizavam as teorias conspiratórias. Americanos, com o maior contingente divulgado em Gaza (1.200 de 7.500 elegíveis), só foram favorecidos na segunda leva, enquanto a inimiga de Israel Indonésia já estava com cidadãos na primeira.

Havia outros focos de tensão: o embaixador israelense encontrou-se com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o Ministério da Justiça queixou-se de ingerência de Israel na ação que prendeu acusados de preparar um atentado do Hezbollah libanês no Brasil.

No intrincado arranjo de permissão, todos deveriam ser aprovados pelo Egito, por Israel, pelos EUA e pelo emirado do Qatar, mediando junto ao Hamas. O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, falou com seu homólogo egípcio na semana passada. Com o israelense, Eli Cohen, foram quatro telefonemas.

No mais recente, na tarde da quinta, Cohen prometeu a saída nesta sexta. Ele disse que a previsão que havia dado anteriormente, para liberação na quarta, foi atrapalhada pelo abre-e-fecha de Rafah.

O grupo agora irá receber atenção da equipe médica enviada pelo governo brasileiro ao Egito e, na sequência, será repatriada. O VC-2, versão em uso pela Presidência do Embraer-190, sairá de Al Arish rumo a Brasília, com ao menos três escalas (Roma, Las Palmas e Recife).

A esse grupo somam-se os 1.410 brasileiros repatriados de Israel pela Força Aérea Brasileira, que também deu carona a 3 bolivianos, e 32 brasileiros retirados da Cisjordânia por meio da Jordânia.

GRUPO ESPERAVA HAVIA UM MÊS

A saída dos brasileiros de Gaza irá encerrar uma epopeia dramática. O grupo todo flutuou em torno de 30 pessoas desde o começo da guerra, com algumas desistências e retornos. Ele foi formado logo após o início do conflito pelo embaixador brasileiro na Cisjordânia, Alessandro Candeas, em coordenação com seu colega em Tel Aviv, Frederico Meyer, e com uma rede de contatos no território palestino.

Em princípio, o Itamaraty conseguiu que parte do grupo fosse concentrado numa escola católica na zona sul da capital homônima da faixa. O local, que já havia sido bombardeado em 2021 por Israel, teve as coordenadas informadas ao governo em Tel Aviv a fim de evitar um novo ataque.

Mas a situação ficou tensa, com bombardeios cada vez mais frequentes na região. Quando Israel determinou a saída de civis de quase metade do território de Gaza, a senha foi dada: seria preciso retirar os brasileiros de lá.

Nesse momento começaram a emergir os vídeos de personagens que marcaram a jornada, como a estudante Shahed, de 18 anos. Ela alternava apelos por ajuda a relatos do cotidiano dos refugiados, dando um rosto reconhecível ao drama em curso.

Candeas montou uma operação arriscada, alugando um ônibus para levar o grupo para o sul da Faixa de Gaza, teoricamente mais a salvo de ataques. Após um vaivém tenso, com direito a embarque e desembarque do veículo, o Itamaraty conseguiu distribuir as pessoas.

Ao fim, 16 pessoas estavam em Khan Yunis, cidade a 10 km de Rafah, em quatro apartamentos de famílias brasileiras. Outras 18 foram para duas casas alugadas pela diplomacia na cidade que faz a fronteira com o Egito.

A tensão, contudo, não cessou. Israel seguiu com bombardeios enquanto preparava sua ação terrestre contra Gaza, e não poupou as áreas fora da zona de exclusão. Novamente, o Itamaraty informou endereços, mas a segurança era hipotética. Outro refugiado que pontificou vídeos que viralizaram, o comerciante Rabee, 30, chegou a filmar um deles logo após o míssil cair perto de sua casa em Khan Yunis.

Ele viria a conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por vídeo, dias depois. Em postagens posteriores, a última na quinta, ele descrevia as dificuldades e se queixava, ora do governo, ora de Israel, a quem atribuía o atraso na saída.

CONDIÇÕES SE DETERIORAVAM EM GAZA

As condições em Gaza foram se deteriorando, com pouco acesso a água, alimentos e gás. Como vídeos de Shahed mostraram, o recurso à lenha foi essencial para cozinhar, e carroças com burros foram utilizadas para percorrer os mercados da região.

Neles, os preços haviam até triplicado. “Tudo ficou muito caro”, disse Candeas, que manteve um fluxo de dinheiro para as contas das famílias, que não tinham dificuldade em achar suprimentos, mas não falta de recursos. A operação ainda não teve seu custo calculado.

Com o imbróglio envolvendo o Egito e o vaivém de abertura da fronteira, o desespero cresceu. Candeas relatou à revista Piauí rezar todos os dias no Santo Sepulcro, em Jerusalém, pela solução do caso. Ao fim, a boa notícia veio nesta quinta. A indicação do chanceler Cohen foi adiantada pela CNN Brasil, e confirmada depois pelo Itamaraty.

Foi um calvário diplomático para o Brasil. Além das gestões de Vieira e do trabalho de seus embaixadores em Ramallah, Tel Aviv e Cairo, Lula chegou a falar com os líderes regionais, sem sucesso imediato.

EGITO NÃO QUER NOVO ÊXODO

Um problema central na questão é a posição delicada do Egito. A ditadura do general Abdel Fattah al-Sisi já disse não querer um influxo de refugiados em massa de Gaza, que tem 2,3 milhões de habitantes. O motivo é duplo.

Primeiro, a realidade de que um êxodo dificilmente teria o caminho de volta aberto, gerando mais um deslocamento de população na história do conflito árabe-israelense, o que politicamente enfraqueceria Sisi.

Segundo, tão importante quanto, o fato de que o Egito já tem dificuldades para apoiar os 290 mil refugiados de outras guerras que lá estão, quanto mais assumir um contingente tão grande em uma área inóspita como a península do Sinai. Subjacente a esses dois fatores, há o temor de infiltração terrorista numa região em que ataques são endêmicos.