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Campinas investiga morte de 3 bebês após surto de diarreia em maternidade

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CLÁUDIA COLLUCCI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Secretaria de Saúde de Campinas (SP) investiga a morte de três bebês que estavam internados na UTI neonatal do Hospital Maternidade, uma instituição filantrópica responsável por 40% dos nascimentos do município, com 60% dos atendimentos feitos pelo SUS.

A causa das mortes está sendo investigada, mas, segundo nota da secretaria, pode ter relação com um surto de diarreia ocorrido na maternidade entre os dias 6 e 9 de fevereiro, mas que já foi controlado. O estado de São Paulo tem registrado surtos de doenças diarreicas desde o início do ano.

Naquele período, 17 recém-nascidos internados na UCI (Unidade de Cuidados Intermediários (UCI) foram contaminados, e dez precisaram de ir para a UTI neonatal. Desses, três morreram, oito tiveram alta, e o restante permanecia internado.

Em nota à imprensa, a maternidade refutou a informação da secretaria de que as mortes estejam relacionadas ao surto de diarreia, diz que os casos estão sendo investigados e que não pode dar informações sobre os pacientes por uma questão de sigilo profissional.

“Vale lembrar, no entanto, que a UTI Neonatal atende recém-nascidos a partir de 390 gramas, com malformações e outras comorbidades, sendo referência para prematuridade extrema”, diz trecho do comunicado.

No dia 16 de fevereiro, metade dos leitos de UTI neonatal da maternidade foi interditada pelo Departamento de Vigilância em Saúde do município devido ao número insuficiente de profissionais para atendimento dos bebês.

Segundo a secretaria, essa escassez gerou autos de infração para a entidade desde o final de 2022. A maternidade está autorizada a funcionar com 20 leitos, mas, na última quinta (23), havia 31 bebês na UTI neonatal, o que gerou mais uma autuação.
Em nota, a maternidade manifestou surpresa pela autuação, alegando que há superlotação de leitos porque o serviço público (estado e município) não teve a capacidade de transferir os recém-nascidos para outras unidades conveniadas ao SUS.

“Sem a designação do local pela Central de Regulação [do governo do estado, operacionalizada pela prefeitura de Campinas] para onde transferi-los, a maternidade não pode, simplesmente, remover os bebês de sua UTI ou dar alta para aqueles que seguem necessitando de tratamentos intensivos”, diz o comunicado.

Diz também que entre 23 e 24 de fevereiro ocorreram duas altas, o que reduziria, em princípio, o número de bebês internados, mas que, ao mesmo tempo, atendeu duas emergências, cujos bebês necessitaram de vagas na UTI.

“Por princípio ético, moral e legal, as gestantes e os bebês receberam todo o atendimento médico adequado e necessário aos recém-nascidos, prematuros, que precisaram ser internados na UTI, mesmo com o número de leitos ocupados sendo superior ao determinado pela Vigilância Sanitária.”

A maternidade reconhece o número reduzido de profissionais médicos horizontalistas (que fazem as visitas diárias) e de profissionais fisioterapeutas para atender os 36 leitos da UTI. A instituição conta com cerca de 30 profissionais para uma escala de 240 plantões mensais.

A necessidade atual seria de mais dois médicos com especialização em neonatologia para os plantões diários na escala de horizontalistas –hoje há dois médicos nessa função, com permanência de apenas quatro horas.

A direção do hospital diz que “não há profissionais disponíveis no mercado e que a contratação já estava e continua aberta aos interessados”. A instituição também enfrenta uma crise financeira grave e ingressou com pedido de recuperação judicial, que tramita na 10ª Vara Cível de Campinas.

Em comunicado nesta sexta (24), a Secretaria da Saúde diz que está em negociação com a maternidade para manter o quantitativo de leitos necessários para garantir o acesso a todas as gestantes e seus bebês, ao mesmo tempo que monitora e avalia diariamente a situação de assistência das pacientes e das condições sanitárias

Informa ainda que está transferindo para Caism (Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher), da Unicamp, e para o hospital da PUC de Campinas as gestantes com risco de parto prematuro. Ao nascerem, os bebês já ficarão internados nas UTIs desses hospitais.

Ao todo, Campinas tem 35 leitos de UTI neonatal na Maternidade e no Hospital da PUC. Em 2022, pelo SUS Campinas, nasceram 7.458 crianças.

Segundo a secretaria, o número de leitos é suficiente para atender às necessidades da população do município, de acordo com a portaria ministerial que estabelece 2 leitos para cada 1.000 nascidos vivos e com a Sociedade Brasileira de Pediatria, que estabelece 4 leitos para cada 1.000 nascidos vivos.

No entanto, a reforma nos leitos neonatais do Caism da Unicamp, iniciada desde o segundo semestre de 2021, tem sobrecarregado os leitos municipais, segundo a pasta.
“A Secretaria de Saúde de Campinas está em contato com a Secretaria de Estado [de Saúde] em busca de uma solução, até o momento sem êxito” diz a nota.

John Kerry, principal assessor de Biden para clima, viaja a Brasília

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RICARDO DELLA COLETTA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O enviado especial para o clima do governo dos Estados Unidos, John Kerry, viaja a Brasília entre os dias 26 e 28 (deste domingo até a terça-feira) para reuniões com autoridades brasileiras.

Kerry é o principal assessor que trata de mudanças climáticas na equipe do presidente americano, Joe Biden. Segundo a embaixada dos EUA, Kerry “vai dar continuidade ao grupo de trabalho de mudanças climáticas Brasil-EUA, que os presidentes Biden e Lula relançaram durante a reunião de 10 de fevereiro” em Washington.

“Kerry vai se reunir com funcionários do alto escalão do governo brasileiro, representantes do Congresso e líderes da sociedade civil. Eles vão discutir oportunidades para o Brasil e os EUA colaborarem no combate à crise climática, coibindo e revertendo o desmatamento, avançando na transição para a energia limpa e construindo uma bioeconomia forte”, disse a missão diplomática.

Segundo interlocutores, a previsão inicial é que Kerry tenha reuniões com o vice-presidente Geraldo Alckmin e com as ministras Marina Silva (Meio Ambiente) e Sonia Guajajara (Povos Originários).

Não há informações oficiais sobre encontro de Kerry com Lula, embora não seja incomum o mandatário receber altos funcionários estrangeiros em passagem pela capital.
Um dos focos da viagem de Kerry ao Brasil deve ser o Fundo Amazônia.

Criado em 2008, o fundo atua com pagamentos baseados em resultados de conservação da floresta amazônica. As doações acontecem quando há queda nas taxas de desmatamento, com base nos dados do Inpe. Os pagamentos são voluntários e podem ser feitos por outros governos e também por empresas.

A gestão do fundo é feita pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) junto a dois comitês: um técnico, que certifica dados e cálculos de emissões, e outro orientador, com membros da sociedade civil, que define critérios para aplicação de recursos.

Em comunicado conjunto divulgado após o recente encontro entre Lula e Biden, foi anunciada a possível entrada dos EUA como doador do fundo. “Como parte desses esforços [de combate à crise do clima], os EUA anunciaram a intenção de trabalhar com o Congresso para fornecer recursos para programas de proteção e conservação da Amazônia brasileira, incluindo apoio inicial ao Fundo Amazônia, e alavancar investimentos nessa região muito importante.”

Morre menino que esperava remédio mais caro do mundo

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NICOLA PAMPLONA
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Portador de uma síndrome rara, Vinícius de Brito Samsel, 3, morreu no último dia 15 enquanto esperava o fornecimento do medicamento Zolgensma, o remédio mais caro do mundo, ao qual ganhou direito após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal).

“Infelizmente o nosso menino não resistiu e partiu para os braços de Deus”, escreveu a família nas redes sociais. Os parentes buscavam doações para o tratamento de Vinícius, que era portador de AME (atrofia muscular espinhal), uma doença genética degenerativa.

Vinícius foi internado no dia 14 em Campo Mourão (PR), a 500 km de Curitiba, mas não resistiu. “Você lutou até o último segundo filho, foi tudo tão rápido que ainda não conseguimos acreditar que você não estará mais entre nós”, continua a família, no texto das redes sociais.

Vinícius foi diagnosticado com AME aos quatro meses e, desde então, a família vivia uma batalha judicial pelo fornecimento do remédio, que custa R$ 7,2 milhões. No início de dezembro de 2022, o ministro do STF Edson Fachin determinou a liberação dos recursos para a compra do medicamento.

Ele deu 72 horas para que o Ministério da Saúde cumprisse a determinação, mas o prazo não foi cumprido. Há seis semanas, a família clamava por ajuda para cobrar da União a liberação dos recursos.

“Depois de tanta luta conseguimos, em dezembro do ano passado, a liminar favorável para compra do Zolgensna”, escreveram. “Porém, infelizmente isso ainda não aconteceu continuamos vivendo na angústia e no desespero vendo a AME levar um pouquinho do Vinícius todos os dias.”

Em nota, o Ministério da Saúde disse que “lamenta profundamente o falecimento de Vinícius de Brito Samsel” e que, após a decisão do STF “todas as providências administrativas foram tomadas pelo Ministério da Saúde com toda a celeridade que o caso demandava”.

O depósito judicial do valor do medicamento havia sido realizado em 9 de fevereiro de 2023, diz o ministério.
O Hospital Angelina Caron, que seria responsável pela compra do remédio, diz que recebeu notificação sobre a transferência dos recursos apenas no dia 14 de fevereiro, um dia antes da morte de Vinícius.

A Folha ainda não conseguiu contato com a família do menino.
O Zongelsma foi incorporado ao rol de cobertura obrigatória dos planos de saúde no início de fevereiro, em meio a protestos das operadoras: a Fenasaúde alega que 25% das empresas de pequeno porte, com até 20 mil vidas, não faturam esse valor no ano, e a decisão ameaça sua sustentabilidade.

Mortes causadas pelo temporal no litoral norte de SP sobem para 57

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Chegou a 57 o total de mortes provocadas pelo temporal que atingiu o litoral norte de São Paulo no fim de semana passado – três a mais do que o número apurado até o começo da tarde de sexta-feira -, segundo a atualização do balanço feito pelo governo paulista.

Foram confirmados 56 óbitos em São Sebastião e um em Ubatuba, onde uma criança de sete anos perdeu a vida após ter a casa atingida por um deslizamento de pedra. Conforme o governo de São Paulo, 53 corpos já foram identificados e liberados para sepultamento, sendo 19 homens, 17 mulheres e 17 crianças.

A prioridade segue no socorro às vítimas e no atendimento aos 2.251 desalojados e 1.815 desabrigados.

Um terreno particular de 10.632 metros quadrados numa área segura em Vila Sahy, em São Sebastião, foi declarado como de utilidade pública para desapropriação. Lá, serão construídas moradias às famílias que perderam suas casas.

Em paralelo, uma linha de crédito emergencial foi aberta para atender produtores e pescadores atingidos pela tragédia por meio do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista.

Os recursos serão destinados à manutenção e/ou recuperação da produção agropecuária e pesqueira que tenha sofrido prejuízo. O teto para cada produtor é de R$ 50 mil, com prazo de pagamento de até 72 meses, sendo 24 deles com carência. A liberação é imediata após aprovação do cadastro.

Zelensky pede ajuda aos Republicanos para conseguir mais armas para Ucrânia

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SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Volodymir Zelensky, presidente da Ucrânia, pediu a ajuda de membros do Partido Republicano para que os Estados Unidos enviem mais armas ao país, que está em conflito com a Rússia há um ano. O pedido aconteceu esta semana em Kiev e foi revelado pela TV americana CNN.

De acordo com a emissora, Zelensky se reuniu com Michael McCaul, presidente do comitê de Relações Exteriores da Câmara, e outros integrantes do Partido Republicano. Na conversa, ele pediu caças F-16, mísseis de longo alcance e outras armas para acelerar o fim da guerra na Europa.
Hoje, os republicanos não têm uma posição unificada em relação ao apoio dos Estados Unidos à Ucrânia no conflito.

Dentro do partido, muitos argumentam que as armas e o dinheiro enviados a Zelensky não têm sido aplicados como deveriam – o que tem resultado em “desperdício, fraude e abuso”, de acordo com uma carta enviada por eles ao presidente Joe Biden.

Na Câmara, está em discussão a abertura de uma investigação que apure possíveis irregularidades nesse sentido.
Lideranças temem que envio de caças intensifique o conflito
Outra preocupação nos Estados Unidos é que o envio de caças F-16 à Ucrânia intensifique a guerra com a Rússia. Tanto Biden quanto o general Mark Milley, chefe do Estado-Maior americano, já expressaram preocupações em relação a isso.

Por outro lado, há líderes que veem os caças como uma arma importante para que Zelensky vença o conflito. Um deles é o general Christopher Cavoli, comandante supremo aliado para a Europa e chefe do comando europeu dos EUA, que expressou essa posição em reunião com 10 congressistas republicanos.

Até o fim de janeiro, os Estados Unidos haviam enviado à Ucrânia US$ 24 bilhões de dólares. Além disso, o envio de veículos de combate, blindados para transporte de pessoal e munições também já foi anunciado.

Trabalhadores resgatados em situação análoga a escravidão no RS voltam para casa

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Os trabalhadores encontrados em situação análoga a escravidão em Bento Gonçalves (RS) começaram a voltar para casa na noite de sexta-feira (24). Em acordo com autoridades, o contratante se comprometeu a pagar as verbas rescisórias de cada um.

São 207 pessoas que trabalhavam para empresa terceirizada, contratada pelas vinícolas Aurora, Cooperativa Garibaldi e Salton, importantes produtoras da região. As três dizem que não tinham conhecimento da situação relatada pelos trabalhadores.

Segundo o MPT (Ministério Público do Trabalho), eles foram alocados em quatro ônibus com destino à Bahia, com garantia de custeio da alimentação durante a viagem. Apenas 12 permaneceram no Rio Grande do Sul, onde residem.

O MPT negociou um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) emergencial com o dono da empresa que os contratou, garantindo que cada um recebesse R$ 500 em dinheiro. O restante das verbas rescisórias será quitado até o próximo dia 28.

“Está estabelecido no TAC que o empresário deverá apresentar a comprovação dos pagamentos sob pena de ajuizamento de uma ação civil pública por danos morais coletivos, além de multa correspondente a 30% do valor devido”, disse o MPT.

Estima-se que o total das verbas rescisórias some R$ 1 milhão. Segundo o MPT, o custo do transporte dos trabalhadores de volta à Bahia também ficou sob responsabilidade do contratante.

“A situação verificada acende um alerta sobre a necessidade de atuação focada em toda a cadeia produtiva da uva, que todo ano atrai para a serra gaúcha diversos trabalhadores em busca de emprego e melhoria de condição de vida”, disse a procuradora Franciele D’Ambros, em entrevista neste sábado (25).

“No entanto, nem sempre é isso que ocorre, como visto durante a operação deflagrada. O MPT continuará atuando para garantir que as situações verificadas não se repitam.”

Os valores a serem pagos pela empresa contratante, segundo o TAC, também não quitam os contratos de trabalho, nem significam que há renúncia de direitos individuais trabalhistas. Ou seja, os trabalhadores poderão reclamar esses valores, inclusive com ação trabalhista.

Ao longo da semana, será agendada audiência com a empresa empregadora e com as vinícolas para prosseguimento da negociação de indenizações individuais e coletiva e também para a definição de obrigações que previnam novas ocorrências semelhantes.

A operação foi deflagrada na noite de quarta (22), após denúncia feita por um grupo que conseguiu fugir da pousada onde os trabalhadores estavam alojados. Eles relataram que o empregador prometeu custear alimentação, hospedagem e transporte, mas quando chegaram, tiveram que pagar a pousada.

O MPT diz que o local de alojamento também apresentava péssimas condições. A fiscalização constatou ainda a concessão de empréstimos “a juros extorsivos” e ouviu relatos de violência física e psicológica.

Os trabalhadores relataram à Inspeção do Trabalho que eram submetidos a choques elétricos. As armas de choque eram usadas, segundo contaram aos procuradores e auditores, para que acordassem.

A origem desses trabalhadores -todos de Salvador (BA)- também seria citada de maneira pejorativa pelo encarregado. A rotina de trabalho, que começou no início de fevereiro, seria de domingo a sexta, das 5h às 20h, na colheita de uva.
A operação envolveu ainda as polícias Federal e Rodoviária Federal.

Segundo os órgãos que participaram da operação -Ministério do Trabalho e Emprego, Ministério Público do Trabalho e polícias Federal e Rodoviária Federal-,os resgatados trabalhavam para duas empresas que eram contratadas pelas vinícolas Aurora, Cooperativa Garibaldi e Salton, importantes produtoras da região. As três dizem que não tinham conhecimento da situação relatada pelos trabalhadores. A Garibaldi e a Aurora dizem que seus contratos com essas empresas eram somente para o serviço de descarregamento de caminhões. Leia aqui as notas completas das vinícolas.

Segundo a Inspeção do Trabalho, os trabalhadores resgatados na quarta-feira atuavam nos parreirais.

Laboratório vê aumento da taxa de resultados positivos para Covid no país

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SAMUEL FERNANDES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Em meio às festas do Carnaval, a taxa de testes com resultado positivo para Covid-19 subiu em todo o Brasil, segundo levantamento da Dasa. O número, de acordo com a rede, vem subindo paulatinamente desde o início de fevereiro e deve manter essa tendência nas próximas semanas.

Considerando dados de mais de mil laboratórios da rede no país, a taxa de resultados positivos na semana de 3 a 9 de fevereiro era 17%. No período de sete dias seguinte, de 10 a 16, o percentual subiu para 19%. Já no intervalo de 17 a 23, que abrange os dias de Carnaval, passou para 23%.

O levantamento também observou uma maior prevalência da XBB, uma subvariante da ômicron, nas amostras colhidas.

Segundo o projeto da Dasa que faz vigilância genômica do coronavírus, o Genov, essa sublinhagem se sobrepôs às subvariantes BQ.1 e a BA.5 -esta última era uma das que predominavam em amostras sequenciadas pela iniciativa.

José Eduardo Levi, coordenador do Genov, afirma que as aglomerações causadas pela folia e o avanço da subvariante estão por trás do crescimento dos diagnósticos positivos.

“Se a gente tivesse o Carnaval sem uma nova variante, não teria esse aumento. E se a gente tivesse somente uma nova variante, também não teria tido esse aumento”, afirma.

E, mesmo com o fim do Carnaval, a expectativa é de que o número continue crescendo. Levi diz que a folia multiplica o número de novos casos, e os foliões infectados podem levar o vírus a outras pessoas.

“O Carnaval é um fator multiplicador. Ele faz com que um monte de gente se ‘positive’, e essas pessoas saem levando para outras.”
No estado de São Paulo, os números são mais altos do que os observados no resto do país. De 3 a 9 de fevereiro, o estado apresentou taxa de 22%. Uma semana após, subiu para 25% e, nos dias que compreenderam o Carnaval, aumentou para 28%.

Com base em dados de outras variantes e subvariantes do coronavírus, Levi afirma que o cenário atual deve ser de um pico rápido de novos casos e com queda igualmente acelerada. Ele diz acreditar que a taxa de positividade alcance em torno de 35% nas próximas semanas.
Após isso, o número deve começar a cair em meadosde março, voltando então para um patamar mais baixo.

PROTEÇÃO
Em cenários como esse, a medida mais eficaz para evitar gravidades causadas pela Covid-19 é a vacinação. Por isso, Levi recomenda que as pessoas mantenham seu calendário vacinal contra a Covid-19 atualizado.

Nos próximos dias, o Ministério da Saúde deve iniciar uma nova campanha voltada a imunizar aqueles com doses atrasadas e, também, para aplicar as vacinas bivalentes em grupos mais suscetíveis a complicações pela doença, como profissionais de saúde, idosos e grávidas.

O uso de máscaras também é uma medida recomendada, principalmente para pessoas com maior risco para doença e em espaços de maior aglomeração e sem ampla ventilação.

Mostra-se importante ainda a realização de testes em casos de suspeita da doença. E, se o resultado for positivo, é recomendado que a pessoa se isole a fim de evitar a dispersão do vírus.

Os autotestes para Covid, por exemplo, podem ser úteis para uma resposta inicial frente a uma suspeita.

A maior demanda por esses produtos foi observada pela rede de farmácias Drogasil. A empresa disse à reportagem que, em todo o país, a procura por autotestes subiu em torno de 30% no período após o Carnaval.

A reportagem também questionou a Drogaria São Paulo, mas a empresa não informou dados, sob a justificada de posicionamento estratégico.

Idosa internada à força pela filha vê crime com motivações financeiras

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Uma mulher que foi internada e sequestrada à força, segundo a polícia, pela filha e pelo genro, no Rio de Janeiro, revela que a motivação da dupla terá sido financeira. 

Em entrevista ao RJ2, e citada pelo G1, Maria Aparecida Paiva relatou o desespero de ter ficado internada numa clínica psiquiátrica, mesmo sem estar doente.

Os suspeitos – a filha de Maria Aparecida, Patrícia de Paiva Reis, e o genro, Rafael Machado – foram detidos na sexta-feira (24).  Maria estava internada desde o último dia 6.

Como motivos para o internamento compulsivo, Maria diz que Patrícia se vingou porque ela havia denunciado os maus-tratos que os dois netos, de 2 e 9 anos, na Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav). Além disso, fala em motivações financeiras: “Tem questão financeira envolvida também, porque ela tem medo de perder a pensão do filho dela e se essa denúncia vai para o processo ela perde, porque o pai está a pedindo a guarda do filho”, acrescentou.

A mulher detida com o companheiro sob a suspeita de sequestrar e internar a mãe à força numa clínica psiquiátrica tem um extenso cadastro, dá conta o mesmo meio. 

Patrícia de Paiva Reis está indiciada em cinco processos por calúnia, burla, extorsão e furto em veículo – entre 2019 e 2020.

Além disso, a mulher já tinha tentado internar a mãe, a 27 de janeiro, mas sem sucesso uma vez que a equipa de médicos não encontrou nada de errado com a mulher. 

As idades dos intervenientes não foram divulgadas. 

Corpo de modelo é encontrado desmembrado em geladeira

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O corpo de uma mulher foi encontrado esquartejado e com algumas partes cozidas, guardado dentro de uma geladeira, em Hong Kong. O corpo foi encontrado pela polícia local na última sexta-feira (24), de acordo com o jornal South China, a jovem foi identificada como sendo Abby Choi, uma modelo de 28 anos.

O principal suspeito pelo assassinato é o ex-marido da vítima, ele está foragido. A motivação teria sido financeira, já que a modelo e o ex-marido disputavam uma fortuna de R$ 66 milhões.

Os pais e o irmão do ex-marido também são suspeitos de terem participação no crime.

Apenas algumas partes do corpo da modelo foram encontrados, afirma o Daily Star. A polícia não conseguiu localizar ainda a cabeça, o torço e as mãos da vítima. A casa foi isolada para perícia. 

Os restos mortais estavam em uma casa alugada no nome do ex-sogro da vítima. Documentos e outros pertences de Abby Choi foram encontrados no local.

Uma publicação partilhada por Abby Choi (@xxabbyc)

 

Biden diz não acreditar que China vá enviar armas à Rússia na Guerra da Ucrânia

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Em aparente tentativa para diminuir as tensões com a China, o presidente dos EUAs, Joe Biden, disse que não acredita em uma “iniciativa importante” por parte de Pequim para fornecer armas à Rússia que seriam usadas na Guerra da Ucrânia, que completou um ano.

O comentário foi feito após o secretário de Estado Antony Blinken afirmar que o regime chinês estava considerando “fornecer apoio letal” a Moscou, que iria de munição até as “armas próprias”, o que Pequim negou. O episódio iniciou nova troca de acusações entre os dois países.

Biden lembrou em entrevista ao canal americano ABC News exibida na noite desta sexta (24) que, durante uma conversa com o líder chinês, Xi Jinping, deixou claro que Pequim sofreria retaliações se decidisse fornecer armas a Moscou. “Mas não vimos isso até o momento. Não prevejo uma grande iniciativa por parte da China para fornecer armamento à Rússia.”

Questionado se o envio de armas ultrapassaria a linha estabelecida por Washington, Biden afirmou que os EUA responderiam. “Colocaríamos sanções severas a qualquer um que fizesse isso.”

Biden e Xi tiveram no ano passado o primeiro encontro presencial desde a eleição do democrata, em Bali, na Indonésia, na véspera da cúpula do G20. Além da guerra, eles conversaram sobre a batalha comercial envolvendo disputas tarifárias e semicondutores, atritos em Taiwan e na Coreia do Norte e direitos humanos.

E eu disse [a Xi Jinping]: ‘Se você estiver envolvido no mesmo tipo de brutalidade, se apoiar a brutalidade que está acontecendo, você pode enfrentar as mesmas consequências'”, disse Biden na entrevista exibida nesta sexta. O americano afirmou ter enfatizado ao chinês que, após o início da guerra no Leste Europeu, cerca de 600 empresas americanas deixaram a Rússia sem “qualquer pressão do governo”.

Pequim é um dos maiores aliados de Moscou, com quem celebrou uma “amizade sem limites” dias antes do início do conflito. Apesar de ter criticado a guerra, aludindo a uma retórica mais generalista de defesa da paz e de uma solução política, nunca condenou publicamente Vladimir Putin pela invasão. Também se desvencilhou de pedidos da comunidade internacional para que se posicione de forma mais dura.

Na quarta-feira (22), o chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, encontrou Vladimir Putin. Diante do russo, disse que são os EUA, não a China, “que estão constantemente enviando armas para o campo de batalha”.

A troca de advertências entre os diplomatas dos EUA e da China acontece em um momento delicado da relação entre as duas potências. O estopim da crise mais recente foi o anúncio pelo Pentágono da descoberta de um balão chinês sobrevoando o território americano no início do mês, às vésperas de uma viagem de Blinken ao país asiático.

Washington afirma que o objeto seria um instrumento de espionagem, enquanto Pequim insiste que o balão é um equipamento de pesquisas.

Aliados da Ucrânia tentam impor sanções e proibições comerciais para sufocar a capacidade de Moscou de adquirir mais armas ou produzi-las com material importado. Na sexta-feira, dia que a invasão russa da Ucrânia completou um ano, o G7, grupo que reúne algumas das maiores economias mundiais, informou que qualquer país que ajudar a Rússia com “apoio material” para a guerra “enfrentará custos severos”.

Neste sábado (25), os membros do G20 não chegaram a um acordo para uma declaração conjunta devido a impasses relacionados à Guerra da Ucrânia. Enquanto a maior parte dos países condenou a ofensiva de Moscou, a China se recusou a assinar o documento.

A falta de consenso na reunião com os chefes de Finanças dos países fez com que a Índia, que preside o encontro, recorresse à emissão do “resumo do presidente”, documento que simplesmente registrou os dois dias das conversas.

“A maioria dos membros condenou a guerra e enfatizou que o conflito causa imenso sofrimento humano, além de exacerbar as fragilidades da economia global”, diz trecho da declaração.

A França já havia informado que não assinaria o documento caso não fossem incluídas condenações veementes à Rússia. O presidente Emmanuel Macron anunciou que viajará à China em abril. Ele pediu a Pequim que “ajude a pressionar a Rússia” pelo fim da guerra.

Na véspera, Pequim apresentou um plano de paz genérico para a Ucrânia, mas o documento não foi recebido como esperado pelo Ocidente. Líderes europeus demonstraram ceticismo diante da alegação de neutralidade de Pequim dada a sua proximidade com a Rússia. “De qualquer forma, o fato de a China se comprometer com os esforços de paz é muito bom”, disse Macron.

Desfile das Campeãs do Rio: seis escolas voltam à Sapucaí neste sábado

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Neste sábado (25), apaixonados pelas escolas de samba vão ter a oportunidade de ver mais uma vez as seis primeiras colocadas do carnaval no Desfile das Campeãs. A expectativa é de Sambódromo lotado, com presença de mais de 100 mil pessoas, segundo a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa). Os ingressos para as arquibancadas, cadeiras, frisas e os camarotes da Passarela do Samba na Marquês de Sapucaí, no centro da cidade do Rio, se esgotaram ainda na quinta-feira (23).

O Desfile das Campeãs está marcado para iniciar às 21h30 e seguirá as normas dos desfiles oficiais. Cada agremiação deverá se apresentar no tempo mínimo de 60 minutos, e máximo, de 70 minutos. Sem a pressão de não poder errar diante dos jurados, torna-se um momento de descontração e alegria para os componentes das escolas de samba.

A ordem de apresentação é inversa à classificação da escola, ou seja, a primeira a desfilar será a sexta colocada. O desfile é encerrado com a grande campeã do carnaval de 2023.

Confira abaixo a ordem de apresentação:

1) Grande Rio, com o enredo que homenageou o cantor e compositor Zeca Pagodinho;

2) Mangueira, com o enredo As Áfricas que a Bahia canta, que trouxe a ancestralidade negra na terra em que nasceu o samba;

3) Beija-Flor, com o enredo Brava Gente, o grito dos excluídos no bicentenário da Independência e relembrou o 2 de julho de 1823, quando soldados brasileiros derrotaram tropas portuguesas que ainda estavam na Bahia, mesmo após o grito de Dom Pedro I às margens do Ipiranga;

4) Vila Isabel, com o enredo Nessa festa, eu levo fé!, que celebrou as diversas crenças e festas religiosas;

5) Viradouro, vice-campeã de 2023, com a história de Rosa Maria Egipcíaca, a primeira mulher preta a escrever um livro no Brasil e que foi esquecida pela história;

6) Imperatriz Leopoldinense, grande campeã do grupo especial de 2023, traz o enredo O aperreio do cabra que o excomungado tratou com má-querença e o santíssimo não deu guarida, que imaginou a volta do cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva, conhecido como Lampião, à Terra depois de não ter abrigo no inferno e no céu.

A verde e branco de Ramos estava sem ganhar um título há 22 anos. O carnavalesco Leandro Vieira se inspirou na literatura de cordel para desenvolver o enredo, que agradou a comunidade da escola e animou o público que assistia ao desfile oficial.

Quem chegar cedo à Sapucaí poderá ainda assistir a uma exibição da Embaixadores da Alegria, escola de samba formada por pessoas com deficiência, entre elas um grupo de cadeirantes que integram a equipe da Lei Seca, do Detran-RJ.

O radialista Rubem Confete, apresentador do programa Histórias do Confete, da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, conta que o Desfile das Campeãs teve início na década de 80, depois da inauguração do Sambódromo no carnaval de 1984.

Naquele ano, para cada dia de desfile, um no domingo e outro na segunda-feira, era escolhida uma escola campeã. As escolhidas foram Portela e a Mangueira, respectivamente. No sábado seguinte, as duas disputaram com as melhores do grupo de acesso. A verde e rosa ganhou o título de Supercampeã, que aliás é o único, pois no ano seguinte o título deixou de ser concedido.

No lugar dessa disputa, foi criado o Desfile das Campeãs, com as seis primeiras colocadas após a apuração das notas dos jurados.

“Foi aí [1984] que começou a história do Sábado da Supercampeã. Foi [uma ideia] da Riotur [ Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro], aliada à direção da Associação das Escolas de Samba. Não havia a Liesa [Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro]”, explica Confete, chamado de griô ou griot do samba, que na cultura africana é a pessoa que mantém viva a memória do grupo, contando as histórias e mitos daquele povo.

Homem é resgatado 7 km mar adentro com stand-up paddle em PE

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SÃO PAULO, SP (UOL-FOLHAPRESS) – Um homem que praticava stand-up paddle em uma praia de Pernambuco se afastou 7 km da costa, levado pelo mar. A distância era tanta que já não era mais possível vê-lo da areia da praia. Ele foi localizado por um helicóptero e socorrido por embarcação do Corpo de Bombeiros.
O caso foi registrado na manhã desta sexta-feira (24) na praia de Candeias, em Jaboatão dos Guararapes, município do Grande Recife. O homem não teve ferimentos.

A operação aérea para encontrar a vítima foi considerada arriscada, já que voos para distâncias longas mar adentro não são aconselhados pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), devido a falta de local de pouso de emergência.

A praia de Candeias é vizinha da praia de Piedade, local onde ocorreram 20% de todos os ataques de tubarão registrados no Grande Recife desde a década de 1990.

Assim como em quase todas as praias urbanas do Grande Recife, o banho de mar e a prática de esportes aquáticos na região é desaconselhada por risco de ataque de tubarões.

Embaixador da Rússia descarta um novo conflito nuclear

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Há um ano, tropas russas invadiram a Ucrânia sob a afirmação de libertar o povo daquele país. Em meio a milhares de mortes e destruição de cidades inteiras, o discurso dos russos se mantém inabalável: é necessário libertar a Ucrânia de um processo de “desnazificação”. E mesmo atribuindo aos Estados Unidos muita responsabilidade pela guerra – que os russos chamam de “operação especial” –, o embaixador da Rússia no Brasil, Alexey Labetskiy, descartou o começo de um conflito nuclear.

Para Labetskiy, os políticos dos Estados Unidos sabem que “o início de qualquer guerra nuclear significa o fim da civilização humana”. E, por isso, mesmo uma escalada ainda maior no confronto não levaria uma consequência dessa gravidade.

A visão de um conflito entre Estados Unidos e Europa contra a Rússia é largamente explorado por Alexey Labetskiy nesta entrevista exclusiva concedida à Agência Brasil. Segundo ele, a guerra “está matando a indústria europeia”, e enriquecendo o líder da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) que, explica, passou a dominar o mercado de gás líquido na Europa. “A Europa se tornou um jogador secundário em relação aos Estados Unidos”.

Labetskiy também rebateu as acusações de violação de direitos humanos na Crimeia como no leste da Ucrânia. “Por que ninguém reagiu às violações dos direitos humanos dos ucranianos-russos que habitam Lugansk e Donetsk, que durante oito anos viviam na guerra?”.

O embaixador russo citou ainda o interesse de seu país na posição do Brasil diante da guerra e destacou o respeito da Rússia às posições brasileiras diante de questões internacionais. “Seguimos com muita atenção todas as iniciativas avançadas pela parte brasileira”.

Na semana em que a guerra na Ucrânia completa um ano, a Agência Brasil entrevistou os embaixadores dos protagonistas do conflito. Confira também a entrevista com o chefe da Embaixada da Ucrânia.

A TV Brasil veiculará, no programa Repórter Brasil deste sábado, às 19h, trechos da entrevista, que será também disponibilizada no site do programa.

 

Agência Brasil: Dia 24 completou um ano da guerra Rússia-Ucrânia. Explique o objetivo inicial da Rússia nesse conflito. Há como comparar as expectativas iniciais com as constatações, após um ano de confrontos? Algo mudou ou está tudo conforme planejado?

Alexey Labetskiy: O senhor fala de guerra. Nós falamos operação especial. Não falamos guerra porque guerra é entre povos, e, para mim, não há diferença entre o povo russo e o povo ucraniano. Compreendemos que a separação artificial lá implantada, por oligarcas e herdeiros do fascismo e do nacionalismo, foi subsidiada diretamente pelo ocidente. Pelos Estados Unidos e pela maioria dos países europeus. Trata-se de uma tentativa de romper nossa história comum que sempre existiu nesse espaço povoado pelos russos-ucranianos. Povos que falam a mesma língua. O início da operação foi para, primeiro, garantir a segurança da Rússia. Segundo, para “desnazificar” a Ucrânia, país que glorificou institucionalmente, tornando heróis nacionais, os que combateram ao lado de Hitler na Segunda Guerra Mundial, contra os aliados.

O ocidente tentou criar, da Ucrânia, um ponto de ataque contra a Rússia. E agora, já depois do início da operação especial, ex-grandes políticos da Alemanha, da França e da Ucrânia reconhecer que a assinatura dos acordos de Minsk [visando dar fim a conflitos armados no leste da Ucrânia], em 2014 e 2015, foi feita com um único objetivo, de rearmar a Ucrânia contra a Rússia. Já nosso objetivo foi mais simples: criar as condições de unificação do território, onde uns aceitaram o golpe de estado de fevereiro de 2014 [que depôs o então presidente Victor Yanukóvich] e outros não aceitaram. Em vez de diálogo, tivemos, por oito anos, mentiras e combates que custaram mais do que 12 mil vidas humanas, na maioria civis.

A operação especial visa defender a identidade do povo que não aceitou o fascismo, o nacionalismo e o oligarquismo que floresce na Ucrânia graças a apoios bilionários de americanos e europeus. É estranho que eles tenham esquecido da identidade fascista dos círculos dirigentes da Ucrânia hoje, e que apoiem os que promovem essa ideologia ajuizada pelo Processo de Nuremberg [que julgou crimes cometidos por nazistas durante a Segunda Guerra]. Isso mostra que esta política nada tem a ver com política de segurança.

É importante lembrar que, nos anos 90, os ocidentais prometeram não alargar a OTAN. E o que vimos foi a OTAN se aproximar das fronteiras com a Rússia. Eles dizem que não estão contra a Rússia, mas a OTAN é um bloco militarista. Isso é bem claro para todos e a História mostrará.

Se olharmos as atividades militares dos Estados Unidos nos anos 1990 e 2000, vemos que essas políticas irresponsáveis de ingerência custaram quase 1 milhão de vidas no Oriente Médio, Iraque, Afeganistão, Líbano. Sem falar dos exemplos claros da América Latina.

 

Agência Brasil: O mundo está mais próximo de uma guerra nuclear, após a recente suspensão do acordo com os EUA?

Labetskiy: Estou convicto de que o mundo não está mais próximo de um conflito nuclear. Os jogos políticos dos ocidentais estão especulando isso, mas a realidade concreta é que eles querem conservar sua supremacia, o que não vamos permitir. Quem rompeu a estabilidade estratégica mundial foram os EUA, que saíram do acordo dos mísseis de pequeno e médio alcances.

Agora, os EUA forneceram para a Ucrânia dezenas de bilhões de dólares em armamento. Ao mesmo tempo, dizem que vão manter a estabilidade estratégica e o programa de verificação de objetos russos. Isso é uma tolice completa. Como vamos deixar os americanos acessarem os objetos estratégicos russos, quando eles fornecem, para os ucranianos, informações sobre o deslocamento das nossas forças, obtidas do cosmo [satélites]? Com as sanções, eles não nos permitem verificar seus objetos estratégicos. Isso é dois pesos, duas medidas. Foi por isso que suspendemos nossa participação no acordo. Sem falar que há dois países europeus com armamentos nucleares: França e Inglaterra. Eles também devem prestar contas.

 

Agência Brasil: O senhor está falando de um aumento de escalada e, ao mesmo tempo, fala que o risco de guerra nuclear não está maior. Como isso é possível?

Labetskiy: Simplesmente porque estou convencido de que os políticos americanos compreendem que o início de qualquer guerra nuclear significa o fim da civilização humana. Eu estudei na universidade nos finais dos anos 70 e no início dos 80, quando os enormes arsenais nucleares da Rússia e dos Estados Unidos permitiriam aniquilar mais de 10 vezes a vida no planeta.

Não aceitamos que uma parte desse processo queira garantir supremacia para impor a sua vontade por interesses puramente econômicos, e não simplesmente políticos. O conflito ucraniano é muito vantajoso para a indústria militar dos Estados Unidos, bem como para a indústria de extração de gás do petróleo. Os EUA participaram da explosão do Nord Stream 2 [gasoduto que liga Rússia e Europa], e agora dominam o mercado de gás líquido na Europa, fornecendo seu gás que é duas vezes mais caro do que o russo.

Além disso, o conflito militar vai exigir o rearmamento da Europa. A Europa oriental, por exemplo, forneceu armamentos de produção soviética para a Ucrânia. Esses armamentos serão substituídos por quais? Pelos produtos americanos e europeus. Essa guerra está matando a indústria europeia, impondo, ao continente, desequilíbrio econômico e energético. A Europa se tornou um jogador secundário em relação aos Estados Unidos.

Eu, pessoalmente, acredito que a agressividade da política externa e econômica americana aumentou muito depois de eles obterem êxito na exploração do gás de xisto, garantindo autossuficiência em hidrocarbonetos. Depois disso, o que vemos são guerras quase inacabáveis no Oriente Médio, no Golfo Pérsico, no Iraque, e o aumento de pressão sobre o Irã. Esta é uma sequência direta da agressividade do capital que quer dominar tudo.

E como podemos falar de liberdade dos estados europeus? Eles têm 60 mil americanos que lá garantem, como eles dizem, a defesa. Para nós, este é um novo tipo de colonialismo moderno, a partir de todas regiões onde ficam as bases militares norte-americanas.

O Ramstein [a maior base militar dos EUA na Europa, localizada na Alemanha, de onde partem missões com drones] se tornou um ‘símbolo’ de assistência à Ucrânia, e do neocolonialismo moderno porque, sem ele, a Alemanha seria outra. Isso é uma opinião pessoal.

 

Agência Brasil: Qual a proposta efetiva da Rússia para resolver a situação?

Labetskiy: A nossa proposta foi bem clara e declarada várias vezes: desnazificação e desmilitarização do Estado ucraniano.

 

Agência Brasil: Como está a economia russa em meio a todo esse contexto de sanções? A Rússia estava preparada para aguentar esse impacto econômico?

Labetskiy: Para entender como a Rússia reagiu ao impacto econômico das sanções ilegítimas empreendidas por Washington e pela Europa, devemos dar uma olhada para a nossa história. A Rússia, infelizmente, não teve apenas experiências positivas na Europa. Tivemos também duas invasões destrutivas. Uma, no século XIX, foi a de Napoleão. A outra, no século XX, foi a invasão alemã, hitleriana, fascista. Elas nos ensinaram muito. E a história conturbada da Rússia no século passado, quando havia guerras civis, nos ensinou que, para garantir a sobrevivência, nós devemos ser capazes de garantir três coisas: as exigências e necessidades básicas da população; a economia; e, o principal, a defesa.

Apesar de todos os problemas, temos indústrias capazes. Temos também nossa identidade. A invasão napoleônica não foi apenas dos franceses. Foi de todas nações europeias que estavam no exército de Napoleão. Essa invasão está simbolizada na consciência coletiva dos russos como o ‘grande incêndio de Moscou de 1812’, que queimou quase totalmente a cidade.

Nunca vamos esquecer de que o Napoleão queria explodir o Kremilin, e não o fez por causa das condições climáticas. E nunca vamos esquecer que quando entramos em Paris, em 1815, nós não queimamos nada. Nunca vamos esquecer que jamais um general russo que combateu contra os franceses recebeu título de príncipe de Paris, a exemplo do que aconteceu na França, que consagrou um de seus marechais como príncipe de Moscou.

 

Agência Brasil: Nesse contexto de garantir necessidades básicas e defesa em situações de conflito, qual é o peso do Porto de Sebastopol e da Crimeia?

Labetskiy: O porto tem importância simbólica para os povos do meu país. Primeiro, do ponto de vista de identidade russa. A primeira guerra da Crimeia, no século XIX, foi contra britânicos, franceses, turcos e o Reino de Sardenha. Nós perdemos a guerra, mas fizemos uma defesa heroica, conforme descrita pelo posteriormente muito conhecido escritor russo Liev Tolstói, que nessa guerra foi tenente de artilharia.

Já o Porto de Sebastopol sempre foi um porto central da base naval da frota imperial, da frota soviética e da frota russa. A Crimeia, em si, foi povoada pelos russos depois da entrada para o império, mas ela é multinacional, com tártaros, russos e ucranianos. Mas teve o referendo, que votou pela volta desse território para a composição da Federação da Rússia.

Este território tem importância do ponto de vista histórico, cultural e de identidade. E também da agricultura e da diversidade, porque a única zona subtropical da federação é a Crimeia. Não temos outros territórios desses.

 

Agência Brasil: E o lado oposto das sanções? O que os senhores têm de informações sobre a situação da Europa por não ter à disposição o gás Russo?

Labetskiy: A quantidade de energia no mundo moderno é uma constante. Se hoje alguém não compra gás da Europa, mas dos EUA, outros deixam de comprar a gás dos EUA e começam a comprar gás da Rússia, porque toda produção depende de capacidade, disponibilidade e investimento. Nosso gás é bom. Não se pode dividir gás entre democrático e não democrático. Gás é gás. É necessidade diária.

Então, se a Europa quer pagar o dobro ou o triplo pelo gás norte-americano, o problema é dos europeus. Nós vamos vender o nosso para os países asiáticos, africanos e latino-americanos. O que nos preocupa é que, para garantir a venda de gás para a Europa, os americanos atuaram para a explosão do gasoduto de Nord Stream.

 

Agência Brasil: Retomando o tema economia, como a questão da preservação ambiental e do desenvolvimento sustentável influenciarão a Rússia daqui para frente?

Labetskiy: Efetivamente, a questão da ecologia é muito importante para a Rússia. Somos um dos maiores países em território e estamos interessados em manter o equilíbrio ecológico porque temos problemas ligados a isso na parte europeia. Quando falamos do potencial e da necessidade de conservação das florestas tropicais, nós também estamos dizendo que outras grandes florestas, como as do território russo, também constituem uma parte importante dos pulmões do nosso planeta.

Estamos abertos a colaborar neste caminho. O que nós não podemos aceitar são situações em que tecnologias ecológicas são impostas pela vontade alheia. Os europeus estão preocupados com as florestas hoje por uma única razão: a única floresta existente na Europa é a Floresta Negra [localizada na Alemanha]. Todas as outras foram cortadas. Como as nações que cortaram suas florestas poderiam ensinar comportamento às outras nações que continuam com as suas?

 

Agência Brasil: Nesse sentido, já dá para antever algumas parcerias com Brasil, com relação a economia sustentável e energia verde?

Labetskiy: Penso que estamos no início deste trabalho, e os problemas que enfrentamos genericamente são os mesmos. Mas em termos tecnológicos somos muito diferentes. Não temos, na Rússia, florestas tropicais por definição, porque não temos trópicos. Os problemas que enfrentamos é tratamento de lixos, resíduos e florestas. É o mesmo, mas tecnologicamente, é um pouco diferente.

 

Agência Brasil: Ampliando um pouco mais esse leque, o que a eleição do presidente Lula mudou, no que se refere às relações entre Brasil e Rússia?

Labetskiy: Eu gostaria de dizer que, nos últimos anos, nossas relações com o Brasil sempre foram de parcerias estratégicas. Estamos interessados em manter isso e respeitamos a vontade e a escolha do povo brasileiro porque não tentamos ensinar ou impor nossas ideias a países com quem mantemos esse tipo de parcerias.

Tivemos muito boas relações com os primeiros governos do presidente Lula. Lembro bem porque comecei a trabalhar no Brasil em 2003, e isso foi até 2010, quando terminou minha primeira missão no país. Efetivamente, estamos compreendendo os objetivos postos pelo atual governo perante o país. Oxalá que seja com brios de desenvolvimento. O Brasil está evoluindo.

Confesso que na minha segunda missão, que começou em 2021, encontrei um país um pouco diferente. Esse país é uma superpotência agrícola e agroindustrial que conseguiu investir na agroindústria. Conseguiu aproveitar terras; criar tecnologias, novas culturas genéticas. Tudo foi criado pelo povo, pelos especialistas e pelos capitais brasileiros.

O Brasil é o país do presente. E países do presente que se movimentam como o Brasil sempre têm perspectivas brilhantes para o futuro. Todos países têm futuro, se levam políticas social e econômica responsáveis.

 

Agência Brasil: O presidente Lula declarou que trabalhará para construir um caminho para pacificação do atual cenário. Ele inclusive propôs a criação de um grupo para mediar a paz entre Rússia e Ucrânia. O senhor acredita que, de fato, o presidente Lula poderá contribuir para o restabelecimento da paz na Europa?

Labetskiy: Nós respeitamos as posições brasileiras em todas as questões ligadas a situação internacional e à governança global. Nós vemos que o interesse do Brasil é de dar solução aos problemas que foram criados no mundo unipolar. Por isso nós seguimos com muita atenção todas as iniciativas avançadas pela parte brasileira.

 

Agência Brasil: Sobre a proposta de criação desse grupo, quais seriam as condições ou sugestões da Rússia para ele?

Labetskiy: Primeiro nós devemos trabalhar. Depois vamos ver. A diplomacia é uma atividade que nem sempre é aberta ao público. Ela necessita de falas e compreensões muito específicas, mas também muito concretas.

 

Agência Brasil: Qual mensagem a Rússia gostaria de enviar, não a governos, mas às pessoas que buscam entender o que, de fato, está por trás do atual conflito na Europa?

Labetskiy: A mensagem para o brasileiro é muito simples: tentem compreender as coisas de ponto de vista da sua vida; dos seus valores; da necessidade de defender a sua identidade, o seu modo de viver e o seu modo de pensar. Tentem entender isso, baseando-se no princípio de que a tarefa principal é garantir o presente e o futuro das gerações. Tentem entender que nós gostaríamos de ter diálogo com todos que nos respeitam e que levem em consideração as nossas preocupações. Nunca devemos ser subjugados ou desprezados por aqueles que querem ganhar a sua vida a nosso custo.

Para os que querem compreender o que acontece na Ucrânia e qual pode ser a solução desta situação, eu aconselho ler uma obra histórica da literatura russo-ucraniana que é Tarás Bulba, de Nikolai Gógol. Ele descreveu o conflito na Ucrânia há dois séculos. Para mim, a solução está descrita nesse livro.

 

Agência Brasil: O que o livro descreve?

Labetskiy: Para mim a frase central de todo o livro [que aborda o conflito dentro de uma família que vivia nas terras ucranianas em meio a combates que resultam nas mortes de pai e de filho] é: “veja, meu filho, ajudaram a ti esses estrangeiros? Para dar a solução, é necessário ter o caminho próprio”.

 

Agência Brasil: Sobre as acusações feitas com relação a supostas violações de direitos humanos tanto na Crimeia como no leste da Ucrânia, o que o governo russo tem a dizer para os brasileiros?

Labetskiy: Por que ninguém reagiu às violações dos direitos humanos dos ucranianos-russos que habitam Lugansk e Donetsk, que durante oito anos viviam na guerra? Que tipo de violações de direitos pode ser apontada quando quase 3 milhões de ucranianos tiveram de se abrigar no território da Federação Russa [na busca por proteção]? Isso pode ser verificado pelas estatísticas da ONU [Organização das Nações Unidas]. Quais são esses direitos que foram violados indica? Eu vou responder ponto a ponto.

 

Agência Brasil: Os pontos foram largamente apresentados pela mídia.

Labetskiy: Com todo respeito a seu trabalho, eu vejo que uma grande parte da mídia chamada ocidental emite notícias em função das encomendas políticas. É uma coisa simples como a história. Os que pagam mandam na melodia. Esse problema [da manipulação de notícias] é global e deve ser resolvido por cada um, fazendo a sua escolha na vida. Uns se subordinam, e outros começam a pensar. Para começar a pensar é necessário estudar. Há bilhões de fontes que podem ser usadas para se ter a opinião própria sobre os assuntos.

Fake news podem ser criadas até mesmo pelo próprio fato de não se mencionar alguma coisa. É o que estamos vendo no conflito ucraniano. Todos dizem “olha a Ucrânia”, mas ninguém está dizendo que os batalhões de Aidar [destacamento voluntário de defesa territorial da Ucrânia, subordinado ao Ministério da Defesa] e Azov [milicia paramilitar] utilizam símbolos nazistas. Ninguém está dizendo que, para criar essa geração de nacionalistas e fascista, foram oito anos de investimentos.

Ninguém está lembrado de quantas vidas humanas foram ceifadas durante a invasão norte-americana no Iraque, que foi baseada em uma mentira pública. Foram 400 mil ou mais vidas ceifadas. E o país foi queimado.

 

Agência Brasil: Do ponto de vista da Rússia, quais são os próximos desafios e prioridades do Brics? É possível fortalecer o bloco em um contexto como atual?

Labetskiy: Eu estou mais do que convencido de que o Brics é mais do que uma entidade. É uma estrutura; uma fórmula que mostrou a sua validade durante todos seus anos de existência. Nós reconhecemos que o papel do Brasil e de seus dirigentes na formação do Brics foi muito grande, incluindo o papel do presidente Lula. E reconhecemos que os cinco países têm agora seu peso econômico e civilizacional no mundo atual, porque cada um deles tem identidade fortíssima. Essa fórmula, o Brics, é um instrumento válido de governança global. Isso é inegável porque conseguimos encontrar as soluções, apesar das diferenças, e andar para frente.

Alargamos cooperações para todas as áreas. Na área econômica, temos o banco de desenvolvimento; na área política, os encontros dos chefes do Estado, dos ministros estrangeiros, e das equipes. Também na área econômica tem a ativação de contatos empresariais. As cooperações abrangem todos os domínios: medicina, desenvolvimento, cultura.

 

Agência Brasil: Houve oposição de instituições similares à criação, pelo Brics, de um banco de desenvolvimento concorrente?

Labetskiy: O Banco do Brics foi inicialmente criado para financiar projetos dos países do Brics. Agora há um processo de alargamento e de aumento da composição dos acionistas do banco. Estamos observando uma movimentação de países não membros que querem entrar no grupo, em várias modalidades. Isso deve ser estudado, acordado e promovido com o consenso dos membros atuais.

 

Agência Brasil: O fato de os próprios países integrantes do Brics terem essa alternativa não representa ameaça de diminuição de lucro de outras entidades financeiras?

Labetskiy: É difícil de compreender isso, de defenderem apenas um banco para não sei o quê. Imagina o Brasil com um banco apenas, o que seria do país? Na minha opinião, a economia válida se baseia na concorrência. Quem trabalha melhor; quem compreender melhor; ou tem os melhores quadros sobrevive e ganha bem. Na história da União Soviética houve um período quando a concorrência não existia. Foi a economia dirigida, e o efeito não foi bom. O Estado tem papel importantíssimo em todos os aspetos da vida. Mas o Estado é incapaz de determinar quantas agulhas de costura devem ser produzidos no país.

 

Agência Brasil: Qual a posição da Rússia sobre a ex-presidente do Brasil Dilma Rousseff assumir a presidência do banco do Brics?

Labetskiy: Nós ouvimos e trabalhamos nesta iniciativa que foi avançada pelo Brasil e conhecemos muito bem a presidente Dilma. Conhecemos muito bem e trabalhamos muito com ela durante seu governo. Mas a decisão é da parte brasileira. E a presidência do banco agora é brasileira. Tudo dependerá de como esse processo vai andar.

 

Agência Brasil: Mas o nome dela agrada?

Labetskiy: Eu sou contra esses termos de ‘agrada ou não agrada’. Isso não é carnaval, e sim um trabalho diário. Nós conhecemos muito bem e, como eu disse, de maneira positiva a ex-presidente. A decisão da parte brasileira será estudada de maneira muito positiva.

 

 

Jovem polonesa não é Madeleine McCann, afirma polícia

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A jovem Julia Faustyna, que afirma ser Madeleine McCann, não é a criança britânica desaparecida. Esta é a conclusão da Polícia da Polônia, que deu continuidade às investigações sobre o caso da mulher de 21 anos, que criou um perfil no Instagram dizendo ser a menina sumida desde 2007.

“As ações realizadas pelos policiais até o momento contradizem a versão apresentada pela jovem. As atividades ainda estão em andamento, mas já é possível descartar que essa versão seja verdadeira”, disse o porta-voz da polícia Pawel Noga, da polícia polonesa.

Conforme apurado pelo jornal local Gazeta, familiares de Julia entregaram documentos e fotos à sede da polícia local, incluindo a certidão de nascimento, e afirmaram, em nota oficial, de que a jovem “mente e manipula”.

Além disso, a família revelou que Julia sofre de problemas mentais e não toma medicamentos prescritos por psiquiatras. “Julia já quis ser cantora, modelo e popular. O que está acontecendo agora deu a ela 1 milhão de seguidores. Temos medo de que Julia carregue o inevitável. A Internet não esquece, e é óbvio que Julia não é Maddie”, disseram.

Em seu perfil, na tarde desta sexta-feira (24), Julia publicou um longo desabafo falando que está “emocionalmente confusa” e pede explicações dos pais. “Você compartilha uma certidão de nascimento, mas sabe que esse é um momento que ela não vai aceitar, ela já disse que tem suspeitas de que pode ser falsificado. Ela está com sérias dúvidas”, diz um trecho do texto.

A seguir, a jovem criticou o fato da família não ter aceitado a realização do exame de DNA. “Por favor, ajude sua filha a acabar com esse show maluco e confuso que tem preocupado pessoas em todos os lugares e causado tanta dor ao redor do mundo”, finalizou.

Madeleine McCann desapareceu no dia 3 maio de 2007, em um apartamento de um resort no Algarve, Portugal, onde dormia com os irmãos. O caso teve repercussão mundial.

Terremoto de magnitude 6,1 atinge a ilha de Hokkaido, no Japão

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Um terremoto de magnitude 6,1 na escala de Ritcher atingiu, este sábado (25), a ilha de Hokkaido, no norte do Japão, informou o Centro Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês), citado pela agência France Press.

Segundo o USGS, não foi emitido nenhum alerta de tsunami.

O sismo teve uma profundidade de 42,9 quilômetros.

#BREAKING Magnitude 6.1 earthquake shakes Japan’s Hokkaido: USGS pic.twitter.com/Y4MA7jloZt

— AFP News Agency (@AFP) February 25, 2023

?? AHORA : Sismo con magnitud 6.1 en Hokkaido, Japón. pic.twitter.com/4UEslD9xCx

— Indepe News (@NewsIndepe) February 25, 2023

[Notícia atualizada às 14h13]

 

Diplomata russo agride mulher que protestava no Rio contra Guerra da Ucrânia

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JÚLIA BARBON
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Um diplomata russo agrediu uma mulher também russa que protestava contra a Guerra da Ucrânia em frente ao consulado do país no Rio de Janeiro, na tarde desta sexta (24). A agressão foi filmada pela amiga da vítima e testemunhada por dois policiais militares.

No dia em que o conflito completou um ano, a gerente de imóveis Uliana Lopatina, 37, e uma colega conterrânea que conheceu num grupo de mensagens decidiram colar cartazes na porta e no muro do imóvel localizado no Leblon, na zona sul carioca.

Os cartazes tinham as frases: “Parem a guerra”, “Putin, o inferno está te esperando” e “Putin vai para o inferno” em português e inglês, além de outras críticas em russo.

Instantes depois, um homem do consulado, arrancou os papéis e deu um tapa nas costas da amiga de Lopatina. Ao voltar para o imóvel, dois PMs que faziam a segurança da rua o chamaram.
O homem pediu desculpas a um dos agentes, que respondeu: “Não, não tem desculpa. O senhor agrediu ela”, acrescentando que, se quisesse, a manifestante poderia dar queixa do crime na delegacia.

Segundo a tradução de Lopatina, no vídeo, o diplomata diz à sua amiga antes da agressão: “Me dê seu celular”. Depois do tapa, ele ainda ameaça a mulher dizendo que “ela terá mais do que já recebeu”. A vítima pediu que sua identidade e a do agressor não fossem divulgadas.

“Ela não sabe se quer prestar queixa na Rússia, porque teme por sua segurança e de sua família. Ele tem imunidade diplomática e não pode ser processado aqui. Só na Rússia, mas eles [autoridades russas] não vão fazer nada”, diz Lopatina.

Segundo ela, a colega tem medo de represálias caso decida voltar a morar no país, onde seus parentes ainda vivem. A vítima se mudou para o Brasil há alguns meses, depois do início da guerra, enquanto Lopatina vive nos Estados Unidos e está apenas de passagem como turista.

No Rio, ela decidiu registrar um boletim de ocorrência por lesão corporal. Após a confusão, que aconteceu entre 12h e 13h, os policiais encaminharam as mulheres e o diplomata à Delegacia Especial de Apoio ao Turismo (Deat), a cerca de um quilômetro dali.

“A vítima, uma testemunha e o autor, todos cidadãos russos, foram ouvidos. A mulher foi encaminhada para exame de corpo de delito. Diligências estão em andamento para esclarecer os fatos”, afirmou a Polícia Civil.

Questionada, a corporação afirmou que o agressor “é um funcionário do consulado” e “ainda não há confirmação de que é diplomata”. No registro da ocorrência, porém, a profissão do homem de 59 anos consta como diplomata, junto ao número de seu documento.

A reportagem tentou contato com o consulado pelo telefone, pelas redes sociais e por email, mas ainda não obteve resposta. Um funcionário da embaixada da Rússia em Brasília afirmou que o expediente já havia encerrado e que só voltaria na segunda (27).

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, os agentes diplomáticos e membros do pessoal técnico-administrativo das embaixadas gozam de imunidade absoluta, não podendo ser presos, detidos ou processados no Brasil -desde que não tenham nacionalidade brasileira.

Já os funcionários e empregados consulares e das embaixadas gozam de imunidade parcial, restrita aos atos praticados no exercício de suas funções. Eles podem ser presos ou detidos por crimes comuns, desde que em decorrência de crime grave e com decisão judicial.

Procurada, a Polícia Militar confirmou os relatos: “Policiais militares do Batalhão de Policiamento em Áreas Turísticas foram direcionados ao Leblon, onde ocorria um ato público na rua Professor Azevedo Marques. No local, houve um tumulto. A equipe policial interveio na situação. As pessoas envolvidas foram encaminhadas à delegacia.”

Vereador Abdu Neme destaca “SOS Coração” como instrumento para salvar vidas

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O médico cardiologista e vereador, Abdu Neme, com 30 anos de atuação na profissão, disse que o lançamento do programa inovador “SOS Coração: Nossa missão é cuidar de pessoas” vai ser um marco na saúde pública, e expressa o compromisso de gestão do prefeito Wladimir Garotinho e do vice Frederico Paes em oferecer acesso mais rápido da população a atendimento de urgências cardíacas e salvar vidas. O programa “SOS Coração” vai ser lançado pelo Wladimir Garotinho nesta terça-feira (28), com a presença do secretário de Estado de Saúde, doutor Luizinho, no auditório da Santa Casa de Misericórdia de Campos, a partir das 19h.

Sobre a iniciativa adotada pelo governo do prefeito Wladimir Garotinho, o vereador Abdu Neme, que já foi secretário Municipal de Saúde, enfatizou a importância do “SOS Coração”. “Eu só quero dizer para a população que é muito importante que você tenha um prefeito, como o Wladimir, ativo, que tem iniciativa para ajudar a população”, lembrando que o acesso a procedimentos como a angioplastia pode reduzir de 30% para 3% o risco de óbitos de pacientes infartados.

O vereador Abdu Neme diz que o esforço da atual administração municipal supera desafios do passado para implantar um atendimento desse tipo na urgência cardíaca. “Eu, até como secretário (de Saúde), tive uma audiência na Câmara, para que a gente pudesse desenvolver esse tipo de procedimento com mais agilidade e tivemos grandes dificuldades. E hoje a gente vê que o prefeito Wladimir está empenhado, junto com o secretário de Estado, doutor Luizinho, para viabilizar essa ação”.

Médico que acompanhou a evolução do atendimento cardiológico, Abdu Neme cita que o “SOS Coração” representa um avanço além do tecnológico. “Com todos os avanços que a cardiologia registrou, existia algo que não estava funcionando bem ainda, que era o acesso mais rápido das pessoas aos hospitais para serem atendidas”.

O projeto “SOS Coração” foi desenvolvido pela Prefeitura de Campos, e será executado em parceria entre o Município e o Estado, para oferecer um atendimento rápido e eficiente aos pacientes com Infarto Agudo do Miocárdio (IAM). Esse atendimento deve ocorrer nas três primeiras horas após o IAM para maior sobrevida e melhor prognóstico.

“Essa medida existe em alguns grandes centros, para fazer um atendimento mais precoce. Porque com o infarto, na verdade, o que nós precisamos é ganhar do relógio: muitas pessoas morrem porque sentem sintomas, não procuram atendimento médico nas unidades hospitalares e aí quando chegam em situação irreversível”, explica o cardiologista Abdu Neme.

O médico Abdu Neme diz que o programa é um sonho antigo dos médicos e aponta. “Nós teremos a oportunidade de as pessoas terem acesso a atendimento de urgência mais rápido possível. Os dois hospitais de referência terão equipes multidisciplinar, com cardiologistas, com médicos hemodinamicistas, intervencionistas, com CTI 24 horas à disposição da população”, destacando que os casos graves não terão necessidade de regulação, com equipes de prontidão 24h.

E, continua o cardiologista Abdu Neme: “A gente que já vivenciou as grandes dificuldades do SUS no atendimento do coração, hoje a gente pode ter certeza que a população de Campos estará sendo bem assistida. Os médicos estarão nos hospitais, vão receber os pacientes atendidos na ponta pelos colegas. O paciente chegando ao hospital, ele será reavaliado, receberá os medicamentos, e irá logo para a sala de hemodinâmica para desentupir suas artérias. Depois de sair da CTI, os médicos darão continuidade do tratamento, inclusive liberando medicação para levar para casa”.

Como vai funcionar – Aos primeiros sinais de infarto, a pessoa deverá buscar atendimento no Hospital Ferreira Machado (HFM), Hospital Geral de Guarus (HGG), Hospital São José (HSJ), Unidades Pré-Hospitalares (UPHs) 24h, Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Campos e de São João da Barra, Santa Casa de Misericórdia de São João da Barra e Hospital Armando Vidal em São Fidélis. Após o primeiro atendimento, havendo necessidade, o paciente será transferido para os hospitais de referência habilitados que são a Santa Casa de Misericórdia e o Hospital Escola Álvaro Alvim (HEAA) para iniciar o tratamento.

Covid-19: DF inicia aplicação de reforço em crianças de 3 e 4 anos

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O Distrito Federal iniciou esta semana a aplicação da dose de reforço da vacina contra a covid-19 para crianças de 3 e 4 anos que receberam a CoronaVac. De acordo com a secretaria de saúde, é preciso aguardar um intervalo de pelo menos quatro meses desde a aplicação da segunda dose.

O imunizante utilizado para reforço nessa faixa etária é o Pfizer Baby, disponível em 37 unidades básicas de saúde (UBS) do Distrito Federal. Os locais, segundo a secretaria, têm estoque disponível e estão aptos a receber esse contingente. Confira a lista completa de pontos de vacinação aqui.

Até o momento, a secretaria já aplicou mais de 7,2 milhões de doses contra a covid-19. Atualmente, estão disponíveis a primeira e a segunda dose para crianças de 6 meses a 2 anos; a dose de reforço para todas as faixas etárias a partir de 3 anos, incluindo crianças, adolescentes, adultos e idosos; e o segundo reforço para quem tem menos de 40 anos.

Tarcísio promete casas após tragédia: ‘Não pode espremer pobre em morro’

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SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse nesta sexta (24) em entrevista à CBN que vai construir moradias populares em São Sebastião após a tragédia que deixou mais de 50 mortos no litoral norte.

O QUE ELE PROMETEU

O governador disse que irá desapropriar áreas para construção de moradias, mas não há prazo definido nem quantidades. A ideia, segundo ele, é tirar pessoas de áreas de risco e transformar o caso de São Sebastião num exemplo.

Vilas de passagem serão construídas até que moradias definitivas fiquem prontas. O governador também disse que vagas em hotéis da região devem ser compradas para abrigar as pessoas.

O governo anunciou R$ 513 milhões em linhas de crédito para recuperar o litoral norte. Deste total, R$ 30 milhões estarão disponíveis em financiamento para microempreendedores informais, sem taxa de juros.

Aproveitar o momento. Tarcísio diz estar ciente da dificuldade de construir moradias populares em bairros nobres, mas disse acreditar que as pessoas vão se sensibilizar após a tragédia.

O prefeito de São Sebastião, Felipe Augusto (PSB), revelou nesta quinta (23) ao UOL que cerca de 500 moradores de classe média e alta se reuniram com a prefeitura para barrar a construção de casas populares em um bairro nobre.

COMO FOI A TRAGÉDIA

A chuva foi a maior já registrada em apenas um dia no Brasil. Cinco cidades entraram em estado de calamidade pública: Ubatuba, São Sebastião, Ilhabela, Caraguatatuba e Bertioga.

O número de mortos em decorrência da chuva é de 54. São 53 vítimas em São Sebastião e uma em Ubatuba.
As buscas por desaparecidos continua. Mais de 2.250 estão desalojadas e 1.815 desabrigadas.

Os governos foram alertados sobre as fortes chuvas e as áreas de risco. Dados de diferentes órgãos indicam que os problemas na região eram conhecidos há anos.

Notícias falsas e boatos geram revolta e ameaças em São Sebastião

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(FOLHAPRESS) – Piratas saqueando embarcações de voluntários. Estradas totalmente liberadas. Água e alimentos vendidos a preços exorbitantes. Sobreviventes que passaram dias soterrados. Notícias falsas ou distorcidas circulam em abundância nos grupos de WhatsApp de São Sebastião, no litoral norte paulista.

O caos provocado pelos deslizamentos no domingo (19) alimenta a desinformação, que ganha amplitude pela internet, apesar do sinal precário para acessar a rede em diversos pontos da cidade.

Entre histórias que não se sustentam quando verificadas com cuidado, uma chama a atenção por ter saído dos telefones celulares, virado assunto nas várias rodas de conversa que se formam o tempo todo nas vielas lamacentas da vila do Sahy, e terminado em um boletim de ocorrência policial. Os supostos preços extraordinariamente altos de itens básicos, como alimentos e água.

Repetido por moradores em diversos pontos do bairro, o caso do pacote de macarrão de R$ 20 supostamente vendido por um mercado é o boato de maior repercussão.

Na unidade da rede de mercadinhos que fica mais próxima do local onde muitos morreram soterrados, incluindo um empregado do estabelecimento, funcionários foram ameaçados por populares depois da circulação de um vídeo em que duas mulheres acusam a loja de transportar o estoque para pontos localizados em áreas nobres, perto da praia, onde seria possível vender mais caro.

Um morador de uma comunidade próxima foi um dos primeiros a falar com a reportagem sobre o caso. “Teve uma mulher aqui na vila que aumentou o macarrão para R$ 20. Se eu estivesse no meio, teria mandado saquear”, disse.

Ele, assim como outros moradores que repetiram a história, conta que não comprou nem viu os preços altos nas gôndolas e prateleiras. Apenas ficou sabendo, respondeu, quando questionado pela Folha de S.Paulo.

Sem avisar nem se identificar, a reportagem foi ao mercado cuja imagem da fachada aparece no vídeo. A caixa Jakeline Silva ajudou a localizar as embalagens de macarrão da marca Adria. O preço de R$ 4,50 não pode ser considerado barato, mas estava longe daquilo que corre no boca a boca. O mesmo ocorria com o pacote de 5 kg do arroz Camil, a R$ 28, bem abaixo dos R$ 50 que alguns moradores afirmaram que o mercadinho estaria praticando.

Também não tinha galão de água a R$ 40, como muitos diziam. O estabelecimento não vende o produto, contou a caixa, agora já sabendo que falava com a reportagem.

Ela explicou que, na segunda-feira (20), a lojinha invadida pela lama estava fechada porque os funcionários faziam a limpeza do local. Como a unidade não tinha condições de funcionar, motociclistas transportavam alguns itens para outras lojas que estavam abertas. Essa teria sido a cena que gerou o vídeo e a revolta.

“Alguns moradores vieram aqui na frente, ameaçaram a mim e a minha colega de trabalho, falaram que, se a gente não fechasse, eles iriam entrar, saquear e tacar fogo em tudo”, relata.

As ameaças foram reportadas no Boletim de Ocorrência registrado na quarta-feira (22) pela proprietária Maria Isabel da Silva, que enviou cópia do documento à reportagem.